quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Porto - X (A Ribeira)



Um dos sítios mais curiosos de visitar no Porto é a zona da Ribeira, quer pela animação comercial, quer pelos bares e restaurantes ou simplesmente para sentir o pulsar de uma das zonas mais típicas do Porto onde, a par do Bolhão, se pode ouvir o falar típico da Invicta com tudo o que isso implica.
A Praça da Ribeira ficava, noutros tempos, tal como toda a face ribeirinha, dentro dos muros da cidade.
Zona fervilhante de comércio, com tendas e uma lota, sofreu em 1491 um terrível incêndio. A posterior construção de casas com colunas abertas sobre o largo e o chão lajeado desenharam-lhe um novo perfil.
No número 1, com portas envidraçadas, fica, presentemente, o Porto Carlton Hotel, que ocupa seis edifícios contíguos, com quartos voltados para o rio e para a Rua da Fonte Taurina (na 3ª fotografia), uma das mais antigas da cidade. Encravado entre dois desses edifícios, o Postigo de Carvão é a única porta sobrevivente da muralha que ligava ao Cais da Estiva, principal ancoradouro da cidade. Hoje, existem veleiros em vez de naus, enquanto os barcos rabelos transportam turistas no lugar dos tonéis de vinho.
Com o fim da necessidade defensiva da muralha, esta passou a ser usada como rua, sendo erguidos vários prédios a ela adossados. Com varandas de ferro forjado e roupa deixada ao sabor do vento, as casas do Muro dos Bacalhoeiros têm as portas frequentemente abertas à nossa curiosidade.
A toponímia nada terá a ver com o facto, mas foi ali, no número 114, que nasceu, a 7 de Fevereiro de 1851, José Luís Gomes de Sá, criador de um dos pratos mais conhecidos do Porto - o Bacalhau à Gomes de Sá.
Gomes de Sá era um comerciante do Porto nos finais do Séc. XIX. A ele se deve esta receita de bacalhau que, segundo a lenda, terá sido criada com os mesmos ingredientes (à excepção do leite) com que semanalmente fazia os bolinhos de bacalhau que deliciavam os amigos. Com efeito, os ingredientes são os mesmos, mas a receita resulta de uma confecção cuidada e de grande requinte.
Também merece destaque a estátua de S. João de autoria do escultor Joã Cutileiro que, embora em estilo completamente diferente do que a rodeia e depois de muita polémica, faz já hoje parte do património artístico da Ribeira (2ª foto). Embora não esteja nas fotos, uma última referência à Fonte do Cubo situada em frente à estátua de S. João que é, hoje, também uma referência da Ribeira.

5 comentários:

Chanesco disse...

Vou aconselhar os meus amigos, que visitem o Porto, para virem aqui consultar este excelente roteiro.
Pena é que a estáctua do S. João, independentemente do valor que todos reconhecem em Cutileiro como artista plático, choque uma grande parte das pessoas que não conseguem vê-la integrada no resto do edifício.

É que nós, os mortais, não vemos as coisas da mesma forma.

Cumprimentos.

redonda disse...

Eu tenho um pequenino problema, sempre que me armo em mostrar o Porto a alguém de fora, que é:
- não saber nada sobre nada.
Muito constrangedor sobretudo quando me fazem perguntas...
Mas agora posso vir aqui tentar apreender alguma coisa ou, melhor ainda, remeter amigos para aqui, sempre que tentem perguntar-me seja o que for.
Obrigada :) Estou a gostar muito do teu blog.

Tozé Franco disse...

Como a fonte do cubo, também a estátua parece estar deslocada. Com o tempo habituamo-nos. É um pouco como a pirâmide de vidro do Louvre.
PObrigado pela vossa participação.

Marco Aurélio disse...

Tozé

É incrivel como está foto

http://photos1.blogger.com/blogger/2776/2988/400/IMGP0855.jpg

Me lembra algumas ruas antigas do bairro onde moro. Se você visse algumas ruas de algumas cidades brasileiras antigas se assustaria com a arquitetura de suas casas. Muito parecida com a de Portugal. Estas fotos so confirmam isso

Um abraço

al cardoso disse...

Bem haja pelo link, eu farei o mesmo, torna-se mais facil a visita.

Saudacoes da Serra ( a Estrela claro)