domingo, 3 de setembro de 2006

Leça do Balio

No regresso para sul, voltamos a passar junto ao Obelisco da Praia da Memória, erguido para celebrar o desembarque das tropas liberais.
Mas, hoje, o motivo da nossa paragem está perto desse obelisco, pois vamos deter-nos em Leça do Balio.
Balio provem de bailio, palavra hoje em desuso, mas que significa comendador, isto é membro de uma Ordem Militar que beneficiava dos rendimentos de uma comenda. Leça, já sabemos, é nome de rio.
O templo que dá fama à terra (Igreja dos Hospitalários de Leça do Balio) é de estilo gótico e falo nele aqui, por aí se ter passado um episódio importante da nossa História.
Foi neste templo que se casaram D. Fernando, último rei da primeira dinastia e D. Leonor Teles, casamento muito contestado, por Leonor estar já casada com João Lourenço da Cunha e representar os interesses da alta nobreza.
É lógico que o casamento só teve lugar porque o bispo de Coimbra havia anulado o primeiro casamento de D. Leonor, a pedido do rei. Curiosamente Coimbra teve três (?) bispos nesse ano.
A seguir ao casamento teve lugar o tradicional beija-mão.
O primeiro a fazê-lo foi D. João, filho de Inês de Castro, candidato ao trono de Portugal, mas que há-de vir a ser vítima da cunhada a quem acabara de beijar a mão. Haveremos de falar disso quando voltarmos a Coimbra.
Seguiu-se D. Dinis, o segundo filho de Inês de Castro, que, embora chamado pelo rei, se recusou a beijar-lhe a mão, afirmando, “Que ma beije ela a mim!”. Só não foi morto pelo irmão (D. Fernando) devido à intromissão de dois fidalgos, mas a sua vida política em Portugal estava terminada, tendo de se refugiar em Castela.
O seu irmão, D. João, segui-lo-ia, no exílio em Castela, algum tempo depois.
Mas isso são outras histórias de que falaremos quando voltarmos a Coimbra.
Já agora que voltamos à Invicta Cidade do Porto, nada melhor do que provar um ex-libiris da gastronomia tripeira: as tripas.
A sugestão que vos deixo é o restaurante Ribeiro, bem pertinho da Praça da Batalha.
O dono foi um dos fundadores da Confraria das Tripas à Moda do Porto e o restaurante é conhecido por essa especialiade gastonómica .

6 comentários:

Chanesco disse...

Gostei!

Belas lições de história e pratos que aguçam o apetite.
É pena que, por esse país fora, alguns do pratos tradicionais vejam as receitas desvirtuadas.

Cumprimentos aqui da raia.

Tozé Franco disse...

Obrigado pela visita.
Apesar de tudo come-se muito bem neste país.
Um abraço.

al cardoso disse...

Ola amigo:

Conheci-te atravez do: A arca da velha, gostei e voltarei seguramente.

Um abraco serrano.

luis antero disse...

sim senhor, com todas estas histórias e gastronomia de curtar o paladar nem apetece trabalhar, mas sim "dar o fora" como diria o caetano veloso...
1 abraço.

vlilaz disse...

vim parar aqui não me pergunte como. dei uma vista na diagonal como agora se costuma dizer e agradou-me imenso a linha que adoptou. pergunta-me você porque para dizer o que disse o fiz neste texto e não noutro. porque fiz a minha comunhão no mosteiro que refere e porque cresci nas suas imediações. tocou-me muito fundo, obrigado.

Carlos Ponte disse...

Embora tenha feito a comunhão um pouco mais a Norte, também eu gostei muito da sua lição de História, e se for condimentada por uma "tripalhada", então...
Amigo Tozé um abraço cá do Norte,
Carlos Ponte