segunda-feira, 22 de outubro de 2007

História de Portugal Ultra Condensada

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.

Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero, porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.

Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos.

De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.

Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que correu com ele. João puxa João e eis senão quando surgiu outro que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo, apesar das perucas um bocado amaricadas.

Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.

A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros, mas apontados a eles e disparados por alemães.

Ao intervalo, já perdiam por muitos, mas o desafio não chegou ao fim porque uma senhora vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro a notícia, depois morreram e mais tarde deram em beatos.

Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa, mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Os comunistas tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto.

Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar uma seca da Grécia na final.

14 comentários:

poeta naïf disse...

'Tavas mesmo inspirado, meu...

al cardoso disse...

E interessante, ja tinha lido noutras paragens. Tambem ai expressei que o Joao (o IV) referido, nao foi que recebeu o ouro e diamantes do Brazil, esse outro foi o V. No entanto esta bem condensada a historia que muitos portugueses desconhecem!

Um abraco amigo d'Algodres.

Teresa David disse...

Num Mundo de fast food porque não também uma fast story? Mas tem humor!
Bjs
TD

Maria disse...

Tozé
Tive que ler duas vezes, até acho que vou copiá-la (para ler outras vezes, ou para contar a sobrinhos netos, hehehehe).
Mais condensada não pode ser, parabéns pelo teu sentido de humor.

Um abraço

as-nunes disse...

Claro que a história não vai ficar por aqui...de qualquer modo, nunca li uma síntese da história de portugal tão porreira.
Palavra de honra que gostei e até sugeria que se passasse para livro em letras de forma, a ver se o pessoal encarrila e percebe de vez o que é que andamos aqui a fazer neste rectângulo, encostadinhos ao mar. Enquanto o mar não nos levar, agarrados aos pinheiros do Dinis, uns bons kilómetros terra adentro.
(É de continuar...)
Um abraço, Toze.
António

Joaquim disse...

Ora aqui está muito bem sintetizada a nossa história, espero é que fique por aqui, pois para continuar a história desta localidade à beira mar plantada arrica-se a ter a inquisição à perna.

Cris Moreno disse...

Tozé, está muito engraçado. Siga essa linha, por favor.

Beijos.

Mithrain disse...

:| HAHAHA

Pitanga disse...

E eu que costumava dormir nas aulas de História? Tudo vai do professor! heheh

abraços e faz disso apostilas.

Pitanga disse...

Voltei pra dizer que já ouvi esta música em vários blogs e ainda não resolvi em qual vou me Encostar...heheheh

PS: A música é fixe, sim senhor!

Professorinha disse...

Ora assim é que se aprende história como deve ser :) COm humor hehe


Fica bem

Anónimo disse...

Olá.Voltei para uma visita (sem convite!)

Está espectacular!Adorei!

Cumprimentos

Isabel B.

Sei que existes disse...

Hé!Hé!Esta história está mesmo o máximo!
b
Beijo grande

redonda disse...

:):) Parece-me um bocado condensada demais :)