domingo, 9 de março de 2008

VI Festival do Arroz e da Lampreia




Está a decorrer, entre 29 de Fevereiro e 9 de Março (termina hoje), em Montemor-o-Velho, o VI Festival do Arroz e da Lampreia.
No dia 2 Março, tive oportunidade de ir até lá, a fim de provar algumas das iguarias que por ali se podem degustar.
Não provei, desta vez, o arroz de lampreia porque as minhas espectativas são demasiado elevadas. Não querendo ser faccioso, posso dizer que o melhor é o confeccionado pela minha mãe, como já aqui demonstrei.

Provou-se, então, na tasquinha do Grupo Folclórico da Ereira, umas enguias fritas, acompanhadas por arroz de tomate e feijão.
As enguias estavam deliciosas. Não muito grandes, nem muito pequenas, marcharam todas. Quanto ao arroz, confesso que, pela 1.ª vez, comi arroz de tomate com feijão e posso dizer que me surpreendeu pela positiva.

Já no regresso, lá parámos na Pousadinha a fim de nos debatermos com uns pastéis de Tentúgal. Confesso que não deram muita luta, pois desapareceram num ápice.

Enquanto esperava pelo almoço, lembrei-me da história do Abade João que partilho convosco:
Nos tempos conturbados da Reconquista, habitava no Castelo de Montemor um abade de nome João.
O Abade tinha um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho.
O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos.
Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado.
Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos.
Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal.
No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido.
A lenda ainda não acaba aqui, uma vez que, depois desta vitória, resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abade João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade João foi enterrado.
Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal era um gigante.

Se lerem isto hoje, Domingo, talvez ainda possam ir a tempo de, em Montemor-o-Velho, provar um petisco.
Conselho: Sejam atrevidos e provem algo de diferente, pois também por lá há o Arroz de Pato e outras coisas do género. Mas isso é o que não falta um pouco por todo o país.
P.S.: Seria bom que alguns críticos gastronómicos da nossa praça visitassem estes certames e não passassem o tempo todo a visitar restaurantes ditos finos, que têm preços escandalosos, inversamente proporcionais à quantidade de comida que apresentam no prato. Além de servirem pouca quantidade existe a mania de colocar sempre um nome a soar a língua estrangeira, para parecer mais fino. Quando andava na Faculdade, era hábito, na cantina das Matemáticas, fazer-se a mesma coisa. Muitas vezes comi eu "Peixe au gratin" ou "Hamburguer de oiseaux".

32 comentários:

Gardagami disse...

See Here or Here

Capriccio disse...

Olá!
1º Parabéns pela filhota cantora.
2º Fiquei com agua na boca, mas já não vou a tempo.
3º Adoro lendas, essa não conhecia, obrigada por conta-la.
4º Essa da Faculdade, de servir comida com nome estranjeiro, é que fiquei abismada. Abraço :)

Cris Moreno disse...

Meu Deus...água na boca! Quanta maldade, seu Tozé... rsrs Saudades!

Beijos.

Que música bela, caramba!

aminhapele disse...

O pratinho de enguias provocou-me um apetite...
Tem razão quando fala sobre o nível de expectativa em relação a um arroz de lampreia!!!
Só conheci uma pessoa que atingiu semelhante nível:minha mãe!
Ontem,sábado,andei por aqueles lados:Clube de Caçadores de Samuel,entre Verride e Calvalhal da Azóia.
Há uns anos,de grande memória,foram seus pais os cozinheiros da "festança"!
Este ano,embora a um nível bastante mais baixo,as coisas não estavam nada más...
Aproveito para lhe dizer que,há pouco tempo,num "festival" de tascas de Montemor,por indicação de um amigo,fomos a uma "tasca" provar o verdadeiro arroz de pato.
Nunca comi uma "caldeirada" tão má!!!
Concordo,em absoluto,sobre o que nos é apresentado nalguns restaurantes e na relação preço/qualidade por alguns doutores cozinheiros...
Um abraço.

rato do campo disse...

Acho que nunca provei lampreia... Um dia, quem sabe... Abraço!

Maria disse...

Lembro-me muito bem do teu post sobre o arroz de lampreia da tua mãe....
Esses petiscos sabem-me tão bem, esses das fotos...
Quando vou à Gastronomia a Santarém também costumo experimentar pratos que nunca comi, o que aconteceu na última com arroz de carqueja e xarém....

Boa semana para ti, Tozé

Nuno disse...

10 de Março... Cheguei tarde! Tive pena, não pelas lampreias (detesto) mas pelas outras coisas (o arroz e esses pastéis de Tentúgal que fazem crescer água na boca)!

Um abraço,
Nuno.

Anónimo disse...

Sou um grande apreciador da lampreia de Penacova mas confesso que nunca provei a de Montemor (inclusive nem sei se se faz da mesma maneira), mas pelos vistos ja não vou a tempo!No entanto, é uma história deliciosa!!

Professorinha disse...

Não tendo nada a ver com o teor do post... se me arranjasses a tal página do Público eu agradeceria imensamente!!... Eu não sabia de nada!!... Consegues arranjar???

O arrozinho tem muito bom aspecto :)

Fica bem

citadinokane disse...

Olá...
Foi aqui que encomendaram?

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Entrega feita!
Participa na campanha FAZ UM AMIGO FELIZ!!!
Manda esta encomenda p/ todos os teus amigos.
Espero estar incluído nessa lista........
Vou fazer outra entrega ...fuiiiiiiiiiiii

Um abraço

Pedro

JoJosho disse...

See Here

Bloga Comigo disse...

Cheguei tarde mas no próximo ano não faltarei.

Bjos

Tozé Franco disse...

Olá Capriccio.
Pena que as imagens não tenham sabor porque estas seriam deliciosas.
Qunato à herdeira , farei a entrega dos parabéns.
Gosto muito de estórias da história.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Cris:
É bom quando cresce água na boca.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Aminhapele.
Temos em comum conhecermos o sabor do arroz de lampreia feito pela mesma pessoa, o que é um privilégio.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Rato do Campo.
Há sempre uma primeira vez para tudo, ou quase.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Maria.
Aúnica vez que fui ao festival de gastronomia de Santarém, fui comer à tasca de Barrancos. Comi Porco Preto e gostei.
Quanto à lampreia este ano aunda não comi. Estou à espera da lmpreia materna.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Nuno.
Numa terra onde há o restaurante do Burgo com tanta coisa boa para comer, perdoo o não gostares de lampreia. Então e se for de ovos?
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Anónimo.
Pois eu já comi em Penacova, em MOntemor e em casa dos meus pais. Embora todas sejam boas, prefiro a última.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Ola Professorinha.
Parabéns pela referência no Público.
O arroz marchou todo.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Pedro.
Obrigado pelos votos.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Bloga Comigo.
Felizmente para o ano há mais.
Um abraço.

world soul disse...

Que interessante este festival!! Hummm, deu vontade de participar! ;)

Bjs pra vc!

Tozé Franco disse...

Olá World Soul.
É só atravessar o Atlântico e vir experimentar. Dava um bom artigo para os eu blog.
Um abraço.

Acordomar disse...

Ola Toze, é sp muito interessante estas festas gastronomicas ;)
Ja agora uma curiosidade Grupo Folclórico da Ereira - que tinha o prato de enguias - é uma terrinha chamada Ereira, desses lados, ou Ereira do Ribatejo (dado que existem mtos pratos de enguias no Ribatejo)??
Beijocas para ti amigo ;*

Tozé Franco disse...

Ola A cor do mar.
Esta Ereira é do Baixo Mondego. Fica junto a Montemor-o-Velho. Antes da regualarização do Mondego, era conhecida porque todos os anos ficava isolada pelas cheias.
Um abraço.

Chanesco disse...

Meu caro Tozé

É crime o meu amigo por coisas tão apetitosas à disposição dos visitantes e não se lhe poder tocar.

Um abraço

GK disse...

Depois de saber como é que as lampreias morrem na maior parte dos restaurantes que as servem... NÃO, OBRIGADA!
:(

Sei que existes disse...

Fiquei cá com uma fome...
beijocas grandes

Tozé Franco disse...

Caro Chanesco:
Lá virá o tempo em que poderemos comer o que vemos no ecrã, pelo menos virtualmente.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá GK:
Já experimentaram comê-las vivas mas elas não estavam pelos ajustes.
Mais a sério: eu sei como eram mortas lá em casa. Como eram mortas nos outros lados não sei.
A mim faz-me impressão ver como morrem os peixes, mas não deixo de os comer por isso.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Olá Sei que Existes.
Pena não poder partilhar estes petiscos a não ser em imagem.
Um abraço.