terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Guarda



A cidade da Guarda situa-se na zona Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 m atingida na Torre de Menagem do Castelo. É, por isso, a cidade situada a maior altitude em Portugal.
Desde há muito tempo que a zona é habitada havendo vestígios do 3º milénio antes de Cristo.
No período medieval, a Guarda faziaparte de uma malha de fortificações, sendo uma das mais importantes. Deste conjunto faziam parte outros castelos que teriam como função a defesa da fronteira com Castela e Leão, e da porta natural de travessia da Serra da Estrela. Do castelo da Guarda é possível um contacto visual com outras fortificações, como o Castro do Jarmelo (com ocupação medieval), Celorico da Beira, Trancoso, entre outros.
Foi a posição de destaque da cidade face ao território envolvente e compreendendo a importância de uma cidade poderosa no local em questão, que levou D. Sancho I a atribuir foral à Guarda, a 27 de Novembro de 1199, visando o seu desenvolvimento e prosperidade.
A Guada foi, assim, fundada com o propósito de servir de centro administrativo de comércio, organização e defesa da fronteira da Beira contra os Reinos Ibéricos que ficavam próximos: primeiro Reino de Leão, depois Castela e finalmente Espanha.
Foi este propósito que lhe deu o nome de Cidade da Guarda.
Em 1250 é criada a Diocese da Guarda, transferida de Idanha, a antiga e importante cidade romana da Egitânia, que foi largamente abandonada no tempo das invasões e lutas contra os mouros, já que a sua situação em plena fronteira e localização difícil de defender a expunham a raides, quer de mouros quer de cristãos.
A cidade da Guarda foi fundada em posição muito mais fácil de defender, o que lhe permitiria tirar à Idanha a posição de centro principal da Beira Interior.
As cidades portuguesas apresentavam, e a Guarda não é excepção, no século XII, várias características comuns: muralhas de forma triangular ou trapezoidal, localizadas ao longo de uma colina, sobre um rio, com distinção entre a cidade alta, a alcáçova e a almedina* (a cidade baixa.
Um dos marcos de referência das cidades medievais são as igrejas do interior do perímetro muralhado, que terão certamente influenciado a organização espacial do núcleo habitacional, levando a uma hierarquização das ruas.
Em 1260 são referidas as seguintes igrejas no espaço intra-muralhas: S. Vicente, Santa Maria da Vitória ou do Mercado, Santa Maria Madalena (próxima da Sé, a Este) e S. Tiago (a leste da Sé). No interior das muralhas definiam-se vários bairros, sendo os mais conhecidos S. Vicente, a judiaria (ambos na mesma paróquia) e Santa Maria do Mercado.
Por tudo isto garanto-vos que a Guarda vale bem uma visita, quer pela parte antiga, quer pela pujança que apresenta a cidade nova.

*Em árabe Almedina significa a Cidade).

9 comentários:

manuel neves disse...

Viva.

Cidade bonita, de gentes simples e singulares e onde ainda se consegue respirar aquele ar que só a montanha detém.

Uma Boa Semana!

Bárbara Quaresma disse...

Estive na Guarda há bem pouco tempo, e gostei... Em Portugal há sítios bem lindos!

Chanesco disse...

Caro Tozé

A visitar a Guarda não se dá o tempo por perdido, com a vantagem de se poder avistar o resto do país, da cidade mais alta de Portugal.

Abraço.

citadinokane disse...

Tozé,
Muito bonito o lugar.
Abraços,
Pedro

Maria disse...

Ao som do Pretender, digo aqui que a cidade da Guarda, dos 5 F (farta, forte, fiel, formosa, fria) (não sei se é esta a ordem) é uma cidade linda para se viver.
O ar é puro, as pessoas carinhosas e a comida, bem, o queijinho, o bucho, etc... já adivinharam não é?
Um abraço

al cardoso disse...

Nao poderia eu proprio, descrever melhor, a cidade capital do meu distrito.

Bem haja por faze-lo tao bem.

Um abraco d'Algodres.

Manuel Maria disse...

Já que provocas:
Essa foto é da porta do sol, que dá entrada pela antiga judiaria. Logo pegada á moralha, do lado direito de quem entra, fica uma tasca típica; do "benfica"... diz a inscrição sobre aporta.
Na montra, castanhas e um letreiro a dizer "que se vende Joropiga". Dentro, um balcão antigo e atrás, uma grande prateleira com garrafas de bebidas variadas, velhas de anos, a julgar pelos rótulos amaralecidos.
A valer bem mais, perdoe-se-me a "heresia", que a visita a muitos alfarrabistas.
Descrevo-a no meu blog "arrozcomtodos.blogs.sapo.pt", a propósito de uma visita à Sé em meados de Dez de 2007, sob o título "Os filhos do padre Costa"

Abraço

Manuel Maria disse...

Sobre a diocese...
a transferência... não se deveu tanto ao facto que refere.
Antes, a fazer um grande centro administrativo e religioso, para contrapôr à fundação da diocese de cidad Rodrigo pelo rei, salvo erro, Afonso VI de Leão, que viveu grande parte da sua vida nesta cidade, tal a importância estratégica que lhe atribuía às preten´~oes Portuguesas na Estremadura Espanhola.
Abraço

Anónimo disse...

Também sou um seguidor de Sara Tavares...

Visitem www.aatitude.blogspot.com