quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Zé Manel dos Ossos


O Zé Manel dos Ossos, conhecido restaurante de Coimbra, está numa encruzilhada, correndo o risco de fechar, ou melhor, de entregar as chaves na Câmara Municipal, onde pode ser que algum técnico saiba fazer os famosos petiscos que por lá se degustam.
Vem isto a propósito das exigências feitas pelos serviços da Câmara devido a umas obras aí realizadas por imposição da mesma. Só que, satisfeito um pedido, outro surge, tudo às pinguinhas. O último prende-se com um projecto acústico, outo eléctrico e outro ainda térmico. Para um restaurante que existe há mais de 60 anos é obra.
Lembraram-se agora que os clientes podiam morrer de frio? Chegaram com anos e atraso.
Barulho para a vizinhança? Nunca houve uma queixa em mais de 50 anos!
(Já eu não digo a mesma coisa, pois durante anos, tive em frente a minha casa um café, numa casa clandestina, que apesar de ter mudado de dono várias vezes sempre obteve autorização para funcionar. Karaoke até às 4 da manhã, com as janelas abertas? Não há problema? Chamadas constantes para a polícia para ir pôr cobro àquilo? O criminoso parecia eu, quando me pediam a identificação! O forró só acabou com mais uma falência, porque, de resto, ninguém queria saber....)
As portas não servem porque são de alumínio? Eu também não gosto delas, mas só ao fim de mais de 30 anos repararam nelas? Que na zona não pode haver nada de alumínio? Então e o Hotel Astória que tem vindo a substituir as suas janelas de madeira por outras de alumínio, não foi considerado um edifico de interesse histórico? Até parece que uns são mais iguais do que outros...
O Zé Manel não consegue entender o que se está a passar. Como é que alguém pode destruir o trabalho de uma vida? Como é que neste país não se protegem as casas típicas, ao contrário do que se passa em muitas cidades por essa Europa fora?
Porque motivo há pessoas que só irão descansar quando a Baixa estiver vazia? Esse tempo já esteve mais longe. Basta ver o deserto que é, hoje, a Baixa a partir das 6 da tarde? Pelos vistos há quem não veja!
Um dia destes, quando a Câmara estiver rodeada de casas vazias, pode ser que acorde. Pode ser que, nessa altura, alguém proponha a deslocação dos serviços camarários para dentro de um qualquer centro comercial, uma vez que, só aí haverá comércio e restaurantes (com comida de plástico), com casas de banho que, em alguns casos ficam, a mais de 100 metros, o que, como todos sabemos, até dá jeito, porque percorrer essa distância ou ajuda a abrir o apetite, ou ajuda à digestão. Esses, apesar do seu gigantismo, ou talvez por isso mesmo, são fáceis de aprovar!
Tudo isto ainda tem mais piada porque pensava eu (santa ingenuidade!) que a Câmara Municipal tinha, finalmente, acordado para o valor patrimonial e turístico das populares casas de “copo e bucha”, criando a “Rota das Tabernas”, dando, finalmente, ouvidos a um historiador e grande amante do património gastronómico e cultural, Paulino Mota Tavares. Resta saber se a Rota não será do tipo: aqui ficava o Zé Manel dos Ossos, ali o Mija Cão, etc.
Com este amor todo pela área científica que o governo nos impinge, até esquecemos que "Um povo sem história é um povo sem futuro".
Fiquem bem e aproveitem para lá ir petiscar enquanto é tempo.

11 comentários:

aminhapele disse...

Só me apetece dizer asneiras!

Carlos Machado disse...

Já nos estou a ver a comer uns ossos com um branco fresquinho no gabinete de um qualquer vereador marreta.
Só apetece dizer ********, *********, ******** e piiiiiiiii.

Teresa e Lara disse...

Vamos indignar-nos e se for preciso manifestar essa mesma indignação. Eu e a minha filha Lara de 3 anos vamos na linha da frente...ela adora comer Os Ossos e à mão!!!! Para provar que a história pode passar pelas gerações e deixar marca!

Codinome Beija-Flor disse...

Tozé,
Que saudade de navegar aqui.
Ler o modo que escreve e descreve é de fato encantador, quase posso sentir o cheiro dos pratos e o sabor das comidas.
Abraços

Gata Verde disse...

Come-se tão bem por lá!!!
Adorei esse cantinho gastronómico!!
:D

BOAS FESTAS

aminhapele disse...

Em qualquer caso,acredito que vai ser preservado.
A vereadora da Cultura,ao que sei,também tem origens na "baixinha" e conhece os seus problemas.
Por isso,acredito que durante muitos anos,o meu "escritório" vai continuar a ser o mesmo.
Um abraço.

citadinokane disse...

Tozé,
Tomara que eu chegue a tempo de visitar esse lugar, tomara...
abraços,
Pedro

Nuno disse...

Ironicamente, os mesmos que se preocupam (será que se preocupam mesmo, ou só dizem que sim para parecer bem?) com a desertificação da Baixa são os mesmos que contribuem para ela.

Aquele abraço,
Nuno Antão.

Anónimo disse...

Este país não está mesmo para velhos...e mais...temos gentinha velha a brincar aos putos!!!
O que me entristece mais...é que estes " senhores" todos passaram por casas destas...ou seja...as nossas tascas com a sua serradura no chão...o cheiro a vinho...e os caractristicos presuntos ali de pendurados...
Que herança e legado cultural... queremos deixar para os nossos filhos...placas toponimicas com..." AQUI JAZ O RESTAURANTE DO ZÉ MANEL DOS OSSOS ".

Enfim...estou triste com a cultura...

Carlos Almeida

Grilo disse...

Estes senhores, estão de facto, de rastos, esta casa é emblemática em Coimbra, já em 1969, quando andava na tropa em Leiria eu vinha à sexta de fim de semana e o grupo quando chegava a Coimbra ía direitinho ó "Zé Manel dos Ossos" comer uns ossitos com o dinheirito que sobrava da semana, nesse tempo ainda os tais de "técnicos" da Câmara usavam cueiros. O famoso Zé Manel batia com as tampas dos tachos a avisar que haveria por perto "Bufos" e, por isso, nada de comentários contra a senhora que mandava na época, mas, é a vida. Como diria um ex-político.

Pai da Mafaldinha disse...

Sou um completo apaixonado pelo Zé Manel dos Ossos. Sitio viciante de pessoas fantasticas e iguairas inagualaveis. Espero que a situação tenha sido resolvida e que ainda possa ter o prazer de ir la passar dos melhores serões gastronómicos que tenho memoria.