domingo, 24 de fevereiro de 2008

Crise Académica de 1969.


Para os meus alunos do 12.º Ano (e para todos aqueles que por aqui passam).

Para se lembrarem que a liberdade foi difícil de alcançar e há que estar atento, pois a democracia pode não ser eterna.

Depois da visita ao Forte-Prisão de Peniche, aqui fica mais um exemplo de luta pela liberdade, num país que vivia amordaçado.

Um grande bem-haja a todos.

PS: Esta é uma das mais bonitas canções de Coimbra que conheço.

13 comentários:

Maria disse...

Obrigada, Tozé.
Saio daqui com uma lagrimita no olho....
Abraço

Tozé Franco disse...

Olá Maria.
É bom rever estas imagens para não as esquecermos.
Um abraço.

Professorinha disse...

Espero que eles nunca se esqueçam! E espero que lutem pela liberdade que nos está a fugir por entre os dedos...

Fica bem

João disse...

Caro amigo Tozé, apesar de todos os esforços desta geração, o melhor que se conseguiu, nestes últimos anos, foi transformar a mordaça da boca em venda para os olhos.
Para quem, como estes homens, tanto lutou pela Liberdade, nada deve ser mais frustrante do que ver um povo que um povo que, sendo livre para falar, não tem nada para dizer; um povo que, sendo livre para ler, se encandeia e ofusca com a imagem; um povo que, sendo livre para votar, elege esses feriados para encher, não os centros cívicos, mas os centros comerciais; um povo que, sendo livre para pensar, delega essa missão em opinion makers que lhe dirão, na véspera, o que repetir no dia seguinte.
"Nada une tanto os homens como a opressão!"dizia o filósofo inglês John Locke e, parece-me, nada os oprime tanto como a falta de consciência crítica.
A Liberdade continua longe de se alcançar mas, entretanto, vai havendo Libertismo e Libertinagem em barda...
Uma vez mais, amigo Tozé, os meus parabéns por mais este espicaçar das consciências. Um abraço!

Anónimo disse...

O fado, as imagens, as palavras... É, de facto, desesperante que, tal como disse o João no seu comentário, o facto de por termos tido tudo "de bandeja", por nos termos limitado a "colher os frutos" da luta árdua dos nossos antepassados, sermos hoje uma geração da passividade, da falta de crítica, da falta de crença,... E mais não digo, pois de tanto que haverá para dizer me tornaria enfadonho e, de certo modo, repetitivo. Dói-me o facto de aqueles que vivem de olhos enfaixados não fazerem por se libertar das amarras do dogma, por esta geração privilegiar os que nada fazem, os corruptos, os que vivem por si e para si. Se, entretanto, este plano não se inverter...

Anónimo disse...

É, de facto, desesperante que, tal como disse o João no seu comentário, pelo facto de termos tido tudo "de bandeja", por nos termos limitado a "colher os frutos" da luta árdua dos nossos antepassados, sejamos hoje uma geração da passividade, da falta de crítica, da falta de crença,...


PEÇO DESCULPA PELO ENGANO!!

Tozé Franco disse...

Cara Professorinha:
Eu tento fazer-lhe ver que a liberdade se conquista e que não pode não ser eterna. E que há quem tenha morrdio por ela.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Caro João:
Se há coisa que me aflige é ver pessoas agirem como carneiros, andando em rebanho, sem saberem para onde vão, limitando-se a seguir os outros.
É preciso despertara as consciências. Mas, como hoje ouvíamos, as crises podem ser épocas propícias às mudanças. Por isso tenhamos esperança.
Um abraço.

Tozé Franco disse...

Caro Anónimo:
Muitas pessoas não dão valor ao que é oferecido ou ao que é gratuito. Algumas virão a liberdade cair-lhes do céu e pensam que é eterna. Outros entendem-na como libertinagem.
É preciso desinstalarmo-nos. É preciso agir.
Um abraço.

GK disse...

Uma série que tem dado umas pinceladas acerca deste assunto de forma muito séria e real é o "Conta-me Como Foi". E eu rebento sempre de orgulho da minha Coimbra!
:)

(Quanto ao horror de passar um terço da vida a dormir! Compreendo! Tb "estou nessa"! LOL)

Tozé Franco disse...

OLá GK:
Também gosto de ver essa série.
Um abraço.

Alexandra disse...

Como seres humanos que somos, estamos confinados a certas limitações que nos são intrínsecas. Porém, a somar a essas, há aquelas que nós criamos, quer porque nos acomodarmos às imposições alheias, quer, por não nos querermos sujeitar a elas, nos limitarmos a nós próprios.

Com certeza já todos nos deparámos com as nossas limitações físicas que nos prendem a determinadas realidades, isto é, tal como as correntes prendem os prisioneiros de Platão à rocha da caverna, também os nossos sentidos, ou falta (de parte ou totalidade) deles, nos prendem a um ou outro universo.

A par das limitações físicas, e por não poderem ser dissociadas, há, também, as limitações psicológicas, que nos prendem à nossa mente alimentada, muitas vezes, daquilo que parece real, assemelhando-se às mentes dos prisioneiros de Platão que se alimentavam do verosímil (as sombras das estatuetas), porque estavam condicionadas pelas limitações físicas/materiais (as correntes).

Hoje em dia somos confrontados com o verosímil, tanto que, a ténue linha entre a realidade e o que chega até nós é ultrapassada tantas e tantas vezes, das mais variadas formas, que já nem nós próprios a sabemos localizar.

Para se libertarem, as pessoas devem procurar conhecer e tomar contacto com outras realidades, diferentes da conhecida (e vivida) até então, num misto de tolerância e espírito crítico.

Esta libertação é, teoricamente, possível, embora na prática estejamos sempre dependentes do que alguém nos quer dar a conhecer, o que não invalida que queiramos chegar um pouco mais próximo da verdade, e se não isso, então que, pelo menos, consigamos demarcar a nossa posição, mesmo que ninguém nos ouça.

Apesar de limitados e, às vezes, desencorajados por uma série de factores, é importante para nós próprios e para o mundo e a sua evolução, que não nos acomodemos e não tenhamos medo de ficar cegos com a luz, tal como o prisioneiro da caverna.
Não nos deixemos viver num mundo de acomodados onde o Homem, que não está preso às algemas da sociedade não consegue ouvidos que o respeitem, ou se os tem é porque se faz de tolo junto dos tolos.

Vivemos num mundo de cegos, em terra de humanos, quem questiona é rei, porém far-se-á de cego para que não sofra ante o medo de enfrentar a massa.

O que é real? Se tudo o que vimos até aqui não passam de sombras da própria realidade? Talvez nos caiba a missão de existir submissos às leis da vida. É provável que ao fim desta busca incessante pelo que é real, acabemos também nós mortos sob a luz de uma verdade irreal. Ao chegar a estes pontos, tomo como rumo o mesmo do filósofo, “Só sei que nada sei”.



De louvar e recordar,a bravura de jovens estudantes ao não se acomodarem e ao se fazerem "reis",mesmo num país de cegos!

Alexandra,12CH

Tozé Franco disse...

Cara Alexandra:
Em primeiro lugar parabéns pelo texto e pela reflexão.
É pena que não sejamos mais a querer libertarmo-nos, a querer procurar o que está por trás daquilo que vemos, a questionar tudo aquilo que nos é oferecido.
O que vale é que há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Um abraço.