sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bonitas cores!

O primeiro-ministro, José Sócrates, inaugurou hoje em Murça o que classificou de um exemplo da escola pública com que sonhou para o país e que é a primeira no interior a dispor da rede de nova geração de Internet.
José Sócrates começou o seu discurso expressando a grande satisfação por encontrar no centro escolar de Murça «aquilo que estava no espírito do Governo» e aquilo com que «sempre sonhou».
«Estou tão alegre quanto vocês porque eu sonhei com isto há uns anos atrás: sonhei com uma escola com bonitas cores, com moderna arquitectura, sonhei com uma escola com as mais modernas tecnologias, sonhei com uma escola do futuro», partilhou com a assistência.


Alguém explique ao senhor que os professores são importantes! Que com a maneira como estão a ser tratados não há rede de nova geração que funcione! E já agora, que alguém vai ter de pagar a renda à Parque Escolar.
Além disso, porque pode o senhor primeiro ministro inaugurar a escola com que sempre sonhou e não podem os pais colocar os filhos nas escolas com sempre sonharam? Pensava eu que vivíamos num país onde os direitos eram iguais para todos.
A propósito, quanto fica cada aluno dessa escola?
À ministra não vale a pena perguntar pois a sua relação com a Matemática é problemática. Talvez com a rede de nova geração e bonitas cores lá chegue!

5 comentários:

Diana D disse...

Caro professor,
continuo a deliciar-me a ler o seu blogue e o que mais se vê neste sitio é a sensatez de uma pessoa que tem amor aos alunos, ao ensino e sobretudo a uma instituição que tanto oferece aos seus alunos e corpo docente.

Obrigada por acreditar na qualidade da educação. Obrigada por acreditar no CAIC.
Obrigada por acreditar :)

Diana Damas

P. Martins disse...

Concordo com quase tudo o que aqui é dito excepto... (opsss):

Não há nenhuma restrição quanto ao facto de os pais poderem colocar os filhos na escola com que sempre sonharam. A liberdade quanto à escolha da escola por parte dos pais existe, é total e assim deve continuar.
Coisa diferente é o facto de, quem quer colocar os filhos numa escola privada deve, obviamente, pagar. A minha filha, por exemplo, anda numa escola privada por opção minha e nunca senti qualquer restrição quanto a isso. Infelizmente tenho de pagar, o que - reconheço - é uma chatice mas, enfim, é uma opção minha tenho de suportar os respectivos custos. Neste momento tenho de suportar o custo da educação da minha filha que anda numa escola privada; tenho de suportar o custo da educação dos filhos de quem anda na escola pública através dos impostos (o que me parece bem) e ainda o custo da educação dos filhos de quem anda numa escola privada por opção tendo vaga numa escola pública (o que já não me parece nada bem).
Por isso, estando este governo em funções há tanto tempo e tendo sido um completo desastre principalmente (mas não só) no sector da educação, parece que esta é a única medida onde a (também) única crítica que pode ser feita é o facto de não ter sido feito há mais tempo.

Pronto... peço desculpa pela minha opinião mas é apenas isso... uma opinião.

Tozé Franco disse...

Caro P MArtins:
Respeito a sua opinião e lutarei com todas as minhas forças para que possa expressá-la livremente.
O que me parece absurdo é o facto de o Estado querer acabar com escolas onde os alunos gostam de andar para os obrigar a ir para escolas onde não querem andar. Esquisito é querer fechar uma escola que tem alunos para os obrigar a irem para uma escola que não tem alunos (por não querem lá andar).
O único argumento válido poderia ser o de poupar dinheiro, mas esse já todos vimos que é incorrecto, pois as escolas estatais são mais caras. Além disso é retirar turmas de um lado para colocá-las noutro, onde terão de ter professores que irão receber ordenado.
Além de que critério apenas geográfico para a distribuição de alunos é dos mais injustos que se possa imaginar.
De qualquer forma, obrigado pela sua opinião. Volte sempre.
PS: A grande maioria destas escolas está em zonas onde não existe ensino estatal. Outras também estiveram mas o Estado, como bom administrador, resolveu construir, ao lado, outra escola. Vá-se lá entender porquê?

as-nunes disse...

Pois é.
Anda a (re)fazer doutrina a ideia de que o Ensino é "propriedade" do Estado quando se devia ajudar as pessoas a perceber que o que está em causa é que o Ensino de qualidade é uma obrigação do Estado para com os cidadãos.
Quanto aos estabelecimentos serem geridos pelo Estado ou pelo sector Privado, a questão até se pode colocar como uma questão menor.
Não se fala tanto em concorrência? E que da concorrência é que pode sair o desenvolvimento, pelo empenhamento das instituições na produtividade? Só porque uma Escola é administrada pelo Estado (digo, sector público) já é mais barata e melhor para os objectivos do Ensino em Portugal? Não, obviamente, como aliás se tem demonstrado à saciedade nas últimas décadas. Aliás, O Estado até nem é bom Administrador, como é facilmente demonstrado!

Ponto importante:
É determinante uma boa gestão de recursos, sejam de equipamentos, sejam de professores e restante pessoal.
O sector Privado do Ensino não gasta mais dinheiro ao OE do que o dito "Público" (não deve gastar, ponto final) e, pelo que se vê, as contas andam a ser apresentadas consoante o sentido dos ventos que correm no momento.
Havendo Escolas do sector Privado que estejam a dar provas de que estão em condições de cumprir o dever constitucional de promover o Ensino definido pelo Poder instituído, não se deviam construir ouros estabelecimentos (a gastar balúrdios em espelhos e luzes e aquecimentos centrais de luxo) na mesma área.

Sejamos racionais. Há uma verba no OE para despesas de funcionamento do Ensino? Pois só há que a usar com isenção e capacidade de gestão.
Tão só.

Um abraço, Tozé

Sir Gio disse...

Até parece que o Sr. Primeiro Ministro sonhou com uma escola destas para os filhos... que não tem. Ou será que ele sempre sonhou com uma escola destas para ele e quer voltar lá para estudar?