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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Salamanca - Lunes de Águas

Hornazo
Uma das mais curiosas estórias de Salamanca é a relacionada com a festa “Lunes de Aguas”, que se celebrou na segunda-feira passada (a seguir ao Domingo de Pascoela) e que marca o fim da abstinência quaresmal dos dois tipos de carne: a animal e a carnal (humana).
A origem desta festa remonta ao tempo do Infante D. João, príncipe de Salamanca, filho dos reis Católicos, que concedeu autorização para a abertura de uma casa de prostitutas na cidade.
Nessa época, Salamanca fervilhava de estudantes universitários, coisa que ainda hoje acontece, pois aos 160 000 habitantes da cidade, somam-se 41 000 estudantes universitários.
Voltando à história, nessa altura, a prostituição era tolerada e estava mesmo regulada legalmente. Com tantos homens na cidade - os estudantes eram todos homens - não era de admirar que o número de prostitutas fosse grande.
Havia, no entanto, limitações legais à prática da prostituição: não podia ser exercida por mulheres naturais de Salamanca, nem por casadas, nem por mestiças.
Havia uma outra limitação imposta pela Igreja: na Quaresma as prostitutas deviam abandonar a cidade atravessando o rio Tormes para a margem esquerda. Essa viagem era supervisionada por um padre, para que tudo corresse bem, e era feita em silêncio.
Pelo contrário, no regresso, que ocorria na segunda-feira (Lunes, em Espanhol), havia festa.
Os barcos, em que as prostitutas, acompanhadas por um padre a quem davam alcunha de Padre Putas, atravessavam o rio Tormes, vinham enfeitados com ramos de flores (daí o nome rameiras) e eram recebidas com música e em grande festa pela população que as ia receber às margens do rio.
Hoje, a data continua a ser feriado e praticamente toda a cidade pára, saindo os seus habitantes para realizar piqueniques no campo, onde se come o tradicional Hornazo, espécie de empada com presunto, lombo e chouriço de porco, que servia para pôr fim à abstinência da Quaresma.
Dizem os salamantinos que Salamanca é a província dos porcos (no bom sentido, dizem eles!).
Uma expressão curiosa relacionada com esta estória é a que usam os salamantinos quando querem dizer que estão sem dinheiro: “Estou mais teso que uma puta na Quaresma”.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O conto do vigário

Pensava eu que só caia no conto do vigário quem queria. Afinal parece que me enganei, ou talvez não.
Aconteceu que, um dia destes, um familiar meu recebeu uma carta para pagar à volta de 26€, por uma assinatura de uma revista, feita em 2006.
A seu pedido, contactei a empresa responsável pela cobrança e foi-me dito que o facto de não ter devolvido a carta recebida na altura, e que trazia um pequeno presente (uma tesoura pequenina), equivalia a ter assinado a dita edição.
Liguei, entretanto, para a editora (telefonema pago) e disseram-me que havia uma requisição assinada por essse familiar e que, como tal, tinha de pagar os 26€ ou seria levado a tribunal. Acrescentaram, ainda, que lhe enviariam uma cópia da dita requisição, o que aceitei. O que é um facto é que 3 telefonemas depois, 1 email e um número e fax e a disponibilidade para ir a Lisboa resolver pessoalmente o assunto, a dita cópia continua sem chegar, embora continuem a chegar cartas solicitanndo o pagamento sob pena de serem accionados os meios judiciais. Entretanto, já lá vão dois meses.
O meu familiar não vai pagar uma coisa que não pediu, mas é um facto que muita gente o terá feito pois ninguém quer ir a tribunal por 26€, que não dão sequer para a 1.ª consulta a um advogado, para tratar do assunto.
E assim se vai vivendo num país de chicos espertos, entretido a debater casamentos em nome de uma pretensa modernidade, numa altura em que os que tradicionalmente se casavam estão a deixar de fazê-lo.
Ainda bem que nasci português, pois há sempre um país desconhecido à nossa espera.

domingo, 22 de novembro de 2009

Uma questão de janelas...

Contaram-se a seguinte história como verdadeira.

Numa cidade portuguesa, alguém queria abrir uma janela numa determinda fachada situada numa zona histórica.
Quando pensou pedir autorização camarária para o efeito, pois não queria ter qualquer problema legal com a obra, alguém o aconselhou a não o fazer nesse momento, pois seria liminarmente chumbada tal pretensão.
"Primeiro faça a obra" - disse-lhe esse alguém, acrescentando - "Disso, trata-se depois."
Assim fez. Abriu a janela num fim de semana e, na segunda-feira, parecia que ela sempre ali havia estado.
"Agora sim, podemos pedir autorização para... tapar a janela!" disse-lhe o amigo perante a sua incredulidade.
E assim fizeram: pediram autorização camarária para fechar a janela.
Passados uns meses, que estas coisas oficiais levam sempre o seu tempo, chegou a resposta camarária: O pedido para fechar/entaipar a janela fora liminarmente recusado, devido.... e seguia-se uma extensa enumeração de motivos e de artigos legais.
E assim se tornou legal uma janela ilegalmente aberta.
Será verdade? Vivendo em Portugal e conhecendo a sua realidade, sou levado a crer que sim.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Curiosidade

O costume de brindar e bater com os copos uns nos outros antes de beber o vinho, tem a sua origem num costume romano.
Estes diziam que ao beber todos os sentidos sentiam prazer excepto a audição. Assim, ao baterem os copos, a audição passava a estar também incluída e a sentir prazer.
Saúde!

sábado, 23 de maio de 2009

A crise...

Recebi esta estória e não resisto a partilhá-la convosco.
Numa pequena estância balnear na costa sul de França chove e nada de especial acontece.
A crise sente-se.
Toda a gente está carregada de dívidas e deve dinheiro a toda a gente.
Subitamente, um rico turista russo chega ao lobby do pequeno hotel local. Pede um quarto, coloca uma nota de 100 Euros sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de 100 Euros e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100 Euros O talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar os 100 Euros que lhe devia há algum tempo. Este, por sua vez, corre ao criador de gado que lhe vendera os leitões e este por sua vez corre a entregar os 100 Euros a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100 Euros e corre ao hotel a quem devia 100 Euros pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos 100 Euros.
Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescentado.
Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e estes elementos da pequena vila costeira encaram agora com optimismo o futuro.
Dá que pensar...

domingo, 10 de maio de 2009

Jesus reformou-se aos 33 anos...

Ando com pouca pachorra para escrever... Não sei se é do trabalho, se é, simplesmente, por falta de vontade. Até já pensei acabar com blogue e dedicar-me à "pesca". A ver vamos.
Talvez por isso vos deixe aqui uma estória enviada por um amigo e que acho apropriada aos tempos que correm.
Aqui vai:
"Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
- Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
- Pedro interrompeu:- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e... pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
- Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva....
E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos..."

domingo, 3 de maio de 2009

Os gatos de Roma

Em Roma há gatos por todo o lado. Seja nas praças, seja em calendários, posters, etc.
Um dos sítios mais curiosos para os ver é na Praça Argentina, local onde, em 44 a.C. foi assassinado Júlio César.
Aqui, convivendo pacatamente com as ruínas, estão mais de 250 gatos, segundo dizem, esterilizados e prontos para adopção.
Segundo me contaram, a adoração dos romanos pelos gatos tem a ver com o facto de terem contribuído. em teempos idos, para acabar com a Peste, pois comiam os ratos.
Ou ainda com o facto de durante a 2.ª Guerra Mundial, os romanos terem comido muitos gatos devido à falta de alimentos que havia e, depois disso, quando terminou a guerra, terem passado a alimentá-los como forma de compensar o que lhes haviam feito anteriormente.
Seja por isso ou não, o facto é que Roma está cheia de gatos.
Afinal a fama de comer gatos não é exclusiva de Casével.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estórias de Montemor-o-Velho


Ontem, passei em Montemor-o-Velho e lembrei-me de 3 estórias relacionadas com essa vila e que partilho convosco:

Nos tempos conturbados da Reconquista, habitava no Castelo de Montemor um abade de nome João. O Abade tinha um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho. O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos. Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado. Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos. Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal. No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido. A lenda ainda não acaba aqui, uma vez que, depois desta vitória, resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abade João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso, esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade João foi enterrado. Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal o Abade era um gigante.

Uma tradição muito antiga diz-nos que, no fundo de uma cisterna do Castelo de Montemor-o-Velho, estão duas arcas iguais fechadas.
Conta-se que uma está cheia de ouro e outra cheia de peste.
Todas as pessoas que, até hoje, as encontraram não tiveram coragem de as arrombar, pois corriam o risco de abrir a da peste.
Actualmente, continuam bem escondidas.
Penso que esta lenda tem uma relação estreita com o Mondego, pois também o rio significa o ouro e a peste.
Às portas de Montemor vinham os fenícios comerciar (há vestígios junto ao monte de Santa Eulália), ou seja, chegava o ouro das trocas comerciais.
Mas o mesmo rio trazia as cheias com as desgraças habituais e toda uma série de doenças associadas à cultura do arroz como o tifo, a malária e o paludismo que dizimava as populações.
Por estes motivos se dizia que só trabalhava no arroz quem não tinha mais sítio nenhum onde trabalhar. Todos aqueles que podiam, fugiam do trabalho nos arrozais.
A partir do século XIX, com os avanços na Medicina e na Química tudo se alterou e essas doenças desapareceram do Baixo-Mondego.

Maiorca é uma povoação localizada na base do monte de S. Bento, na margem de uma ribeira que desagua no rio Foja.
A história que conta o seu nome é uma curiosidade etnográfica.
O nome teria surgido devido à rivalidade com a vila situada no lado oposto da planície aluvial do Mondego: Montemor.
Os habitantes de Montemor diziam que o seu monte era o maior (mor), ao que os de Maiorca retorquiam, dizendo: Maior é o de cá!
Entretanto, com o passar dos anos Montemor viu o seu nome aumentar para Montemo-o-Velho, quando a reconquista avançou para sul e foi conquistado um outro Montemor que, por ser terra recente, se passou a chamar Montemo-o-Novo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A raposa

Uma das expressões mais curiosas utilizadas em Coimbra é a de "apanhar uma raposa", isto é, chumbar o ano ou, de acordo com as modernices de eduquês, ficar retido ou não transitar.
Acho piada a esta mania portuguesa de pensar que os problemas se resolvem pelo simples facto de mudar o nome às coisas.
Quando eu estudava fazia redacções, agora os alunos fazem composições ou produção de texto; fazia ditados, agora fazem-se exercícios ortográficos; marrava com fartura, agora marranço nem pensar pois podem ficar traumatizados e, além disso, a culpa deles não estudarem é, só pode ser(!), dos professores....
Eu, que até me tenho dedicado a reflectir sobres estes assuntos, tenho para mim, que a mudança das palavras não trouxe qualquer melhoria. Se assim fosse, estava o país salvo. Crise, qual crise?
Bem, vamos estão à raposa.
Na Faculdade de Direito da antiga Universidade Coimbra, no acesso aos Gerais, há um belo conjunto de ajulejos, sendo que, num deles, está representada uma raposa (imagem 2). Ora, junto a esse ajulejo costumavam os estudantes esperar a chamada para a prestação de provas orais aos cadeirões que compunham o Curso de Direiro.
Como muitos chumbavam, (Oh gaita! Ficavam retidos ou não transitavam! Assim é que é.) ficou a tradição de se dizer que tinham apanhado uma raposa.


NOTA: O fado que estão a ouvir é a Balada de Despedida do 5.º ano de Direito. Muito bonito.
A pedido da Clarice do blogue Compre Produtos de Santa Catarina, aqui fica a letra da Balada de despedida do 5.º ano jurídico (1988/89).

Sentes que o tempo acabou
Primavera que é flor adormecida
Qualquer coisa que não volta que voou
Que foi um rio, um ar na tua vida

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações de um passado
O bater da velha cabra


Capa negra de saudade
No momento da partida } BIS
Segredos desta cidade
Levo comigo p'rá vida


Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica esperança dum dia aqui voltar

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações de um passado
O bater da velha cabra


Capa negra de saudade
No momento da partida } BIS
Segredos desta cidade
Levo comigo p'rá vida

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As cheias de 1946

A água a entrar na Igreja de Santa Cruz
Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes

A Praça 8 de Maio

A Praça 8 de Maio e a Câmara Muncipal (à direita)

A Igreja de Santa Cruz está intimamente ligada à fundação de Portugal. Nela, que hoje é considerada Panteão Nacional estão os restos mortais de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, os dois primeiros reis de Portugal.

(Uma curiosidade: o terreno que o Mosteiro ocupava e que se estendia até ao Jardim da Sereia, foi vendido a D. Telo (um dos fundadores) por D. Afonso Henriques. O preço pago foi uma sela que D. Telo havia trazido de Perpignan e de que o nosso primeiro rei tanto gostava.
Sorte na altura não haver Finanças, senão lá iam eles ser acusados de fuga aos impostos. Tanto terreno não podia custar tão pouco aos olhos dos avaliadores. Ia achar piada se encontrasse o nome do nosso primeiro rei, na lista dos calotes às Finanças publicada na Net.)
A igreja de Santa Cruz foi construída no século XII, nos arrabaldes da cidade. Em 1540 era necessário subir 4 degraus para nela entrar. Em 1796 o adro estava ao nível da igreja, passando a ser preciso, em 1890, descer 7 degraus para entrar.
As consequências desta subida do largo estão à vista.
Em Abril de 1946, mais umas cheias atingem a cidade, tendo efeitos catastróficos na igreja, hoje Panteão.
Como é visível pelas imagens, a água do Mondego, e ao mesmo tempo as águas provenientes da alta que escoavam pela rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, causaram inúmeros estragos. Em Santa Cruz, a água atingiu tal altura que foi necessário retirar o Santíssimo a nado, tarefa a cargo de um artesão da Baixa.
Podemos observar a fúria das águas na rua acima referida que mais parecia um rio, embora a foto diga respeito a uma chuvada ocorrida em 1958. Na fotografia são ainda visíveis, do lado direito, o actual edifício dos Correios e o Mercado D. Pedro, antes das obras de beneficiação que sofreu.

domingo, 30 de março de 2008

O galo de Barcelos

O galo originalAs variações




O Cruzeiro associado à lenda do Galo

É provavelmente a peça de artesanato português mais conhecida no mundo. Falo, naturalmente, do Galo de Barcelos.
Por mais curioso que pareça, há muitos galos de Barcelos à venda que são Made in....China.
Poderia propor à boa gente de Barcelos que fizesse um Chop Suey de Capão para concorrer com a comida dos restaurantes chineses, mas não vale a pena pois não trocaria uns bons Rojões ou umas Papas de Sarrabulho por qualquer especialidade chinesa.
Não ia a Barcelos há anos e, desta vez, apesar de estara apenas de passagem, reconheço que a cidade está bonita e se recomenda, ficando uma visista mais demorado para a próxima vez.
Voltando aos galos, que de símbolo de Barcelos se tornaram num símbolo de Portugal, é de referir que associada à peça de cerâmica está um lenda curiosa e que passo a transcrever.
Segundo ela, os habitantes do burgo (Barcelos) andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.
Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora.
Foi, por isso, condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz.
Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer um monumento em louvor à Virgem e a São Tiago (Santiago).
“Barcelos verde rincão
Terra lusa, nobre gente
Onde um galo morto cantou
Para salvar um inocente."

domingo, 9 de março de 2008

VI Festival do Arroz e da Lampreia




Está a decorrer, entre 29 de Fevereiro e 9 de Março (termina hoje), em Montemor-o-Velho, o VI Festival do Arroz e da Lampreia.
No dia 2 Março, tive oportunidade de ir até lá, a fim de provar algumas das iguarias que por ali se podem degustar.
Não provei, desta vez, o arroz de lampreia porque as minhas espectativas são demasiado elevadas. Não querendo ser faccioso, posso dizer que o melhor é o confeccionado pela minha mãe, como já aqui demonstrei.

Provou-se, então, na tasquinha do Grupo Folclórico da Ereira, umas enguias fritas, acompanhadas por arroz de tomate e feijão.
As enguias estavam deliciosas. Não muito grandes, nem muito pequenas, marcharam todas. Quanto ao arroz, confesso que, pela 1.ª vez, comi arroz de tomate com feijão e posso dizer que me surpreendeu pela positiva.

Já no regresso, lá parámos na Pousadinha a fim de nos debatermos com uns pastéis de Tentúgal. Confesso que não deram muita luta, pois desapareceram num ápice.

Enquanto esperava pelo almoço, lembrei-me da história do Abade João que partilho convosco:
Nos tempos conturbados da Reconquista, habitava no Castelo de Montemor um abade de nome João.
O Abade tinha um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho.
O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos.
Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado.
Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos.
Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal.
No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido.
A lenda ainda não acaba aqui, uma vez que, depois desta vitória, resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abade João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade João foi enterrado.
Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal era um gigante.

Se lerem isto hoje, Domingo, talvez ainda possam ir a tempo de, em Montemor-o-Velho, provar um petisco.
Conselho: Sejam atrevidos e provem algo de diferente, pois também por lá há o Arroz de Pato e outras coisas do género. Mas isso é o que não falta um pouco por todo o país.
P.S.: Seria bom que alguns críticos gastronómicos da nossa praça visitassem estes certames e não passassem o tempo todo a visitar restaurantes ditos finos, que têm preços escandalosos, inversamente proporcionais à quantidade de comida que apresentam no prato. Além de servirem pouca quantidade existe a mania de colocar sempre um nome a soar a língua estrangeira, para parecer mais fino. Quando andava na Faculdade, era hábito, na cantina das Matemáticas, fazer-se a mesma coisa. Muitas vezes comi eu "Peixe au gratin" ou "Hamburguer de oiseaux".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A lógica da batata

Há uns anos, perguntei a um aluno porque motivo era feriado o dia 5 de Outubro, tendo-me ele respondido que era para celebrar o 25 de Abril.

Até há pouco tempo ainda não tinha percebido a lógica de tal raciocínio, pois eu que faço anos em Maio, nunca me deu para os celebrar em Outubro.
No entanto, ontem, ao ler os títulos do Público on line, comecei a valorizar a resposta do meu discendo e a perceber a lógica que havia norteado aquela resposta, embora continue a pensar (sou um bocado teimoso) que se assemelha à chamada lógica da batata (semelha, na Madeira, é batata).
Então não é que o próximo Dakar vai ter lugar na América do Sul?
Vá-se lá agora perguntar a um aluno onde fica Dakar!
Claro que é na América do Sul. Dahh!!!!!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Cortejos

Centenário da Sebenta (Praça 8 de Maio)Enterro do Grau

Dois dos cortejos mais curiosos ocorridos em Coimbra tiveram lugar em 1899 (Enterro da Sebenta) e em 1905 (Enterro do Grau).
Em 1899 começava a alicercar~se o que viria a ser o Cortejo da Queima das Fitas. Comemorava-se o centenário da Sebenta, essa instituição universitária, surgindo, no Cortejo, já críticas não só à Universidade, mas também à sociedade em geral.
Em 1905 a situção era outra, pois uma reforma universitária extinguira o grau de Bacharel, mantendo o de Licenciado e o de Doutor. Daí o enterro do Grau.
Não sei se com Bolonha não se podia fazer o enterro de qualquer coisa, nem que fosse do país, pois com o rumo que isto leva, outro destino não deve restar.
Só falta saber quem pagará ao cangalheiro depois do enterro pois, se for o Estado a fazê-lo, acho que o cangalheiro vai ter muito que esperar....

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pontes... Um exemplo de reciclagem!

Ponte de Ferro e Hotel Astória

Ponte de Ferro e Mosteiro de Santa Clara - Nova

Vestígios da Ponte de Ferro

Vestígios da Ponte de Ferro

Em primeiro lugar aproveito para vos dizer que, por uma questão de trabalho, tenho que diminuir, temporariamente, o número de posts publicados e de visitas que vou fazendo a todos os blogues interessantes que vou encontrando. Sempre gostava que me explicassem porque é que, sendo professor, tenho fama de gozar 3 meses de férias.

Além disso, espero, este ano, ter direito a umas férias fora de casa, coisa que não sei o que é, há dois anos.

Passado este intróito, postei, hoje, algumas fotografias que acho curiosas pois fazem uma ponte entre o passado e o presente.

Nas duas primeiras podemos admirar a Ponte de Ferro que, construída no século XIX, acabou substituída pela actual Ponte de Santa Clara de autoria do Engenheiro Edgar Cardoso. Para quem gosta de filmes portugueses, é a ponte que aparece no filme "O Leão da Estrela" quando António Silva, Artur Agostinho passam por Coimbra a caminho do Porto.

Nas duas últimas fotografias temos uma parte do tabuleiro da Ponte de Ferro que foi reaproveitada para fazer uma ponte sobre o rio Ceira, ligando esta localidade e a Conraria.

Numa altura em que não se falava em reciclagem (década de 50 do século passado) querem melhor exemplo de reaproveitamente de uma estrutura que estava destinada a ir para a sucata.

terça-feira, 19 de junho de 2007

O Abade João (Montemor-o-Velho)

Castelo de Montemor-o-Velho
Interior do Castelo
Interior do Castelo
Capela da Seiça (ou Ceiça)

Nos tempos conturbados da Reconquista, habitaria no Castelo de Montemor um abade de nome João.

O Abade teria um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho.

O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos.

Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado.

Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos.

Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal.

No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido.

A lenda ainda não acaba aqui ,uma vez que depois desta vitória resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abde João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade joão foi enterrado.

Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal era um gigante.

Sorte D. Afonso Henriques não ter pedido autorização ao IPPAR para abrir o túmulo, pois ainda hoje estaria à espera de uma resposta positiva.

Ou será que o IPPAR se está a vingar do facto de D. Afonso Henriques ter mandado abrir o túmulo sem autorização da Ministra?

Especulações.

domingo, 17 de junho de 2007

A lenda das duas arcas (Montemor-o-Velho)

O Basófias (Mondego) em Coimbra
Vista do Mondego
Campos de Montemor-o-Velho
Campos de Montemor-o-Velho
Os campos vistos do Castelo
Uma tradição muito antiga diz-nos que, no fundo de uma cisterna do Castelo de Montemor-o-Velho, estão duas arcas iguais fechadas.
Conta-se que uma está cheuia de ouro e outra cheia de peste.
Todas as pessoas que, até hoje, as encontraram não tiveram coragem de as arrombar, pois corriam o risco de abrir a da peste.
Actualmente, continuam bem escondidas.
Penso que esta lenda tem uma relação estreita com o Mondego, pois também o rio significa o ouro e a peste.
Às portas de Montemor vinham os fenícios comerciar (há vestígios junto ao monte de Santa Eulália), ou seja chegava o ouro das trocas comerciais.
Mas o mesmo rio trazia as cheias com as desgraças habituais e toda uma série de doenças associadas à cultura do arroz como o tifo, a malária e o paludismo que dizimava as populações.
Por estes motivos se dizia que só trabalhava no arroz quem não tinha mais sítio nenhum onde trabalhar. Todos aqueles que podiam, fugiam do trabalho nos arrozais.
A partir do século XIX, com os avanços na Medicina e na Química tudo se alterou e essas doenças desapareceram do Baixo-Mondego.

domingo, 10 de junho de 2007

Cantanhede: Dixieland e não só!

Cantanhede - Estátua do Marquês de Marialva
Retábulo da Capela da Varziela - Nossa Senhora da Misericórdia
Festival do Mar no Fininho

Grupo de Dança de uma escola do Concelho de Cantanhede

Astedixie Jazz Band
O grupo com bailarinas mais novas
A Bandinha dos Cavalos

Tenho uma casa no Campo,
Por isso sou camponesa;
Hei-de me casar na Gândara
P'ra me chamar gandaresa.

Quando falamos a Gândara, falamos também da sua capital, Cantanhede.
A palavra Cantanhede teve origem no topónimo celta cant- que significa pedra grande. Não nos podemos esquecer que estamos junto às famosas pedreiras de Ançã, cuja pedra está intimamente ligada à Renascença Coimbrâ e à sua estatuária.
Mas dizia eu, de cant- derivou o termo Cantonieti, que aparece em documentação medieval com a grafia de Cantoniedi, Cantonidi e Cantonetu.
Assim a palavra Cantanhede significa Quinta da Pedreira, tendo a mesma origem da palavra canteiro, que designa os que trabalham a pedra.
Cantanhede é terra antiga aparecendo referida em documentos de 1087. A primeira Carta de Foral datará do reinado de D. Afonso II, mas não há provas concretas da sua atribuição.
Vários motivos nos podem levar a Cantanhede: a visita à vila propriamente dita e que deverá incluir um desvio à Varziela a fim de visitar a famosa capela local , erigida em 1530, onde se pode apreciar um magnífico retábulo de João de Ruão, representando a Senhora da Misericórdia.
Outro motivo pode ser uma visita ao Marquês de Marialva, famoso restaurante da terra, conhecido pelas suas famosas entradas (que para alguns se transformam em almoço), ou ao Fininho conhecido pelas suas mariscadas e não só.
Por último referir que no segundo fim de semana de Junho tem lugar em Cantanhede um festival de Dixieland, que no Domingo culmina com um desfile de rua, em que todas as bandas percorrem as principais artérias da cidade.
Para quem não saiba, Dixieland é, porventura, a forma mais antiga de jazz, típica das zonas do Mississipi.
Entre outras bandas de vários países do mundo, pude apreciar a Astedixie Jazz Band, da Lousã, onde toca (banjo) o meu colega Nuno Antão.

Uma estória curiosa:

Foi em Cantanhede, no ano de 1360, que D. Pedro declarou, diante dos grandes do reino, que havia casado com D. Inês de Castro sete anos antes em Bragança, pelo que os filhos havidos de ambos eram legítimos, com todas as implicações que isso tinha. Embora tivesse apresentado o testemunho do Bispo da Guarda, não terá convencido os presentes, pois seria D. João Mestre de Avis, que acabaria por suceder a D. Pedro, depois de uma brilhante argumentação do Dr. João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385.