Na sexta-feira à noite, estive no concerto que marcou a conclusão do restauro do órgão de tubos da igreja de Santa Cruz que, no século XVIII, era considerado o melhor da Península Ibérica e um dos melhores da Europa.
Nesse evento participaram, além do Coro onde canto (Grupo Coral de Santa Cruz), a Capela Gregoriana Psalterium e o Ancãble, que intrepretaram várias peças de polifonia e gregoriano acompanhadas pelo magnífico órgão de Santa Cruz tocado por Monika Henking, organista Suiça, que se deslocou a Portugal para participar nesta iniciativa.
O órgão, que podemos observar do lado esquerdo de quem entra, data do século XVIII, mais propriamente de 1724, ano em que foi concluído, depois de 5 anos de construção. Foi construído pelo mestre organeiro espanhol Manuel Benito Gomes Herrera e era, no seu tempo, um dos melhores da Europa. Note-se, no entanto, que antes deste, outros existiram no mesmo sítio, sendo que algumas das suas partes foram integradas no actual, tendo sido mantidas no restauro efectuado.
O actual órgão é composto por 4 órgãos diferentes, possui 3 registos inteiros e 55 meios registos num total de 2920 tubos.
A qualidade do seu som tinha-se degradado com o tempo, mas, agora, soa como se estivessemos no século XVIII.
Vale bem a pena uma deslocação a Santa Cruz para o ouvir. Ainda neste Domingo, soou na Missa das 10 horas.
Já gora e só a título de curiosidade, nos séculos XV e XVI, S. Cruz de Coimbra deslumbrou a Europa pela qualidade da sua música, tendo compositores mundialmente famosos como D. Pedro de Cristo, que dá nome a um coro da cidade, e D. Pedro da Esperança, do qual cantámos 2 responsórios de Natal.
Há uns anos atrás, um grupo profissional inglês veio a Santa Cruz interpretar unicamente peças de D. Pedro de Cristo e o curioso é que muitas delas eram completamente desconhecidas em Portugal pois, quando foram compostas, destinavam-se, muitas vezes, a seram cantadas e tocadas apenas uma vez. Com a extinção das Ordens Religiosas, muitos dos livros da Biblioteca do Mosteiro, uma das melhores do país, acabaram no estrangeiro, daí o facto de serem peças desconhecidas em Portugal.
No Sábado foi o que se pode ver nas restantes fotografias: baptismo num voo acrobático, em tudo semelhante aos que vimos, recentemente, no Porto.
Loopings, 8 Cubano e outras manobras do género atingindo os 6G, ao memso tempo que sobrevoávamos um navio de cruzeiro enorme que saía do Tejo, deixaram-me o desejo de voltar a experimentar.
Não posso terminar sem deixar o meu agradecimento ao Nuno, piloto que me baptizou nesta aventura.
Pode ser que a próxima seja um salto de paraquedas.