sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A falta de jeito para a Matemática

A ministra da Educação, Isabel Alçada, considerou, na quarta-feira, "absolutamente justo" o diploma sobre o regime dos apoios do Estado ao ensino particular e cooperativo, que coloca este financiamento num patamar "equivalente" ao do ensino público.
"O financiamento tem que ser idêntico. Nenhum português compreenderá que se financie a níveis superiores o ensino privado em relação ao ensino público. Tem que ser equivalente", argumentou a ministra
Deixa-me ver se entendi:
80 080€/24=3 336,7€.
Como a ministra disse que um aluno (e eu pago para ver que assim seja) do ensino estatal fica em 3 750€, logo 3 750€X24=90 000€.
Aí está, para a ministra 3 336,7€ do privado é igual a 3 750€ estatal.
Com esta maneira de pensar não há argumentos que resistam.
Já agora, sr.a ministra, se me facultar a sua morada, posso-lhe enviar, não uma aventura, mas sim a tabuada do Ratinho. Estou a ver que lhe vai dar jeito.
Aproveite e estude já que para o ano não vai haver aulas de recuperação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Há que estar atento

A nossa liberdade enquanto cidadãos de corpo inteiro está em perigo, o que me fez lembrar deste poema:

Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada
.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Agradecimento

Não posso deixar de dizer um muito obrigado do tamanho do mundo a todos aqueles que têm participado nas manifestações SOS Liberdade de Educação. Penso que todos, alunos, pais e educadores docentes e não docentes, deram uma lição de civismo e educação a todos quantos assistiram a este movimento que, sem qualquer apoio partidário, sindical e sem autocarros gratuitos, colocou na rua milhares de pessoas na defesa da escola em que acreditam e que escolheram para os seus filhos.
Não posso deixar de parabenizar também a Fenprof por estar a ganhar esta guerra, pois a sua aliança com o governo na aniquilação da escola pública com contrato de associação começa a parecer por demais evidente. Quem sabe se, e espero bem estar enganado, esta não será a maneira de garantir emprego para os que serão dispensados com a nova reforma curricular, à custa do desemprego dos colegas do privado.
Como já aprendi por experiência própria, a obediência partidária, sobrepõem-se à defesa do interesse das populações. A democracia começa-se cada vez mais a parecer um regime que já não é do povo e para o povo, mas que se serve do povo.
Uma palavra, também, para os cerca de 1000 professores do privado inscritos nos sindicatos pertencentes a esta central sindical, pois acho que o dinheiro que gastaram nas quotas se assemelha um pouco, ao trabalho de um condenado à morte que, antes de ser executado, é obrigado a abrir a própria sepultura.
A liberdade, que tanto anda na boca dos políticos, está ferida. As hienas e os abutres estão à espera para se banquetearem. Ainda tenho, no entanto, esperança que apanhem uma indigestão.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Omeletes sem ovos

Um dia, ouvi um famoso maestro de Coimbra afirmar que os milagres eram comuns na Idade Média mas que, hoje me dia, eram muito raros.
Pois há quem faça omeletes em ovos, o que para mim constitui um verdadeiro milagre.
Como pode o SPRC não questionar os cortes de financiamento às Escolas Públicas com Contrato de Associação e, ao mesmo tempo, apresentar queixa às entidades apropriadas, pelos eventuais cortes salariais? Quando uma casa tem de despesa, só com pagamento de salários, um valor superior ao subsídio atribuído como fazer?
Eu percebo o ponto de vista do SPRC: é o de quem tem os ordenados pagos (através do Estado) ao mesmo tempo que recebe quotas dos associados e, como tal, não tem necessidade de fazer opções finaceiras, como por exemplo, apenas pagarem transporte aos sindicalizados para se irem manifestar a Lisboa (isto faz-me lembrar outras manifestações, noutros tempos).
Ocorre-me ainda outra explicação: como não dão aulas há muitos anos, já devem ter esquecido as regras básicas de matemática. Mas nem isso serve de desculpa, pois podiam sempre socorrer-se da sabedoria popular que afirma ser impossível fazer omeletes sem ovos.
Querem ser levados a sério, se é que isso ainda é possível, questionem os cortes feitos de maneira cega. Proponham que nos cortem apenas 11%, embora eu ainda só tenha visto cortes de 5,5% para o Ensino Estatal!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Escola Pública

Ouvi, hoje, o poeta Manuel Alegre falar dos benefícios da Escola Pública e da maneira como combate as assimetrias sociais.
Sendo eu professor numa Escola Pública com Contrato de Associação, espero que ele também se esteja a referir às escolas como a minha e não apenas às estatais.
Amanhã (Sábado), vou agradecer-lhe e, caso verifique que me enganei, vou perguntar-lhe como ficará a sua consciência com o despedimento de 10 mil pessoas e os alunos a serem enviados para escolas que os pais não escolheram (nem querem!).
Sempre quero ver se o Governo (e o Presidente) foram eleitos para servir o povo ou para se servirem do povo a fim de atingirem certos objectivos que passam pela eliminação das Escolas Públicas com Contrato de Associação.
Disse, ainda, defender a democracia com todos os seus direitos. Sempre quero ver se o direitos dos pais que têm os filhos nestas escolas são tão válidos como os outros, ou se estamos numa segunda versão do "Triunfo dos Porcos".
Se assim for, desculpe-me, mas mais vale dedicar-se à poesia, pois nisso tenho a certeza que é bom.
Como diz o povo: "Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão!"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Humor negro?

"Direita irá mutilar a democracia"
Ó camarada poeta Manuel Alegre, na actual conjuntura não lhe parece que esta tirada é digna de figurar na lista do melhor humor negro?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Requiem por Portugal!


Como se diz, não há almoços de borla. Quando chegar a altura, e está aí à porta, de as escolas que sofreram obras começarem a pagar as rendas ao Parque Escolar (cerca de 500 mil €/ano/escola), lá irão começar a dizer: Afinal os do ensino particular e cooperativo até eram boas pessoas, isto é, ficavam mais baratos. Isto apesar de já ficarmos mais baratos agora.

Quanto ao resto, faz-me impresssão o silêncio ensurdecedor de muita gente que assobia para o lado como se nada fosse com eles.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Fim de ano

Desejos de um bom fim de ano para todos e que 2011 vos traga tudo de bom.
Um abraço e façam-me o favor de serem felizes,

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Presépio 2010


Com algum atraso, mas como mais vale tarde do que nunca, aqui estão os meus presépios de 2010.
Um na sala, de uma artesã de Cernache de nome Isabel Lacerda e um outro à porta de casa.
É esta a minha singela homenagem, ao Menino que nasceu para nos salvar. Numa época em o Pai Natal se tornou figura central, teimo em remar contra a maré e, enquanto posso e me deixam, continuo a ter um à porta de casa como sinal para quem passa.
Que o Natal vos inspire e que o Menino concretize todos os vossos desejos.
Um Santo Natal para todos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um Santo Natal

Enquanto o presépio deste ano não chega, deixo-vos os desejos de um SANTO NATAL.
Que o MENINO vos traga tudo aquilo que mais desejarem.
Para alguns, o meu desejo é que traga juizo, para outros ponderação na hora de decidir e, ainda para outros, tento na língua.
Entretanto, deixo-vos com uma receita de um doce medieval natalício de que tanto gostamos aqui em casa: AZEVIAS ou PASTÉIS DE GRÃO-DE-BICO.

Ingredientes:
Para a massa:
500 g de farinha ;
3 a 4 colheres de gordura (mistura de banha e de manteiga ou margarina) ;
1 cálice de aguardente ;
sal
Para o recheio de grão:
1 kg de grão ;
750 g de açúcar ;
2 limões ;
1 colher de sobremesa de canela em pó ;
3 gemas
Confecção:

Coze-se o grão com uma pitada de sal, pela-se e passa-se por uma peneira fina.
Leva-se o açúcar ao lume com 2 dl de água e deixa-se ferver durante 1 ou 2 minutos. Junta-se o puré de grão, a canela e a raspa da casca dos limões. Deixa-se ferver o preparado, mexendo até se ver o fundo do tacho. Retira-se juntam-se as gemas e leva-se o preparado novamente ao lume para coser as gemas. Deixa-se ficar assim de um dia para o outro.
Peneira-se a farinha para uma tigela e faz-se uma cova no meio onde se deitam as gorduras quentes. Mistura-se. Junta-se a aguardente e depois vai-se amassando juntando pinguinhos de água morna temperada com sal. Sova-se bem a massa e deixa-se repousar em ambiente temperado.
Estende-se a massa com o rolo, muito fina, e recheia-se com um pouco do doce preparado. Cortam-se as azevias em meia lua (como os rissóis), ou em triângulo ou em rectângulo (como os pasteis de carne) e fritam-se em azeite ou óleo bem quentes. Polvilham-se com açúcar ou açúcar e canela.
E depois: comem-se.
Bom apetite!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Zé Manel dos Ossos


O Zé Manel dos Ossos, conhecido restaurante de Coimbra, está numa encruzilhada, correndo o risco de fechar, ou melhor, de entregar as chaves na Câmara Municipal, onde pode ser que algum técnico saiba fazer os famosos petiscos que por lá se degustam.
Vem isto a propósito das exigências feitas pelos serviços da Câmara devido a umas obras aí realizadas por imposição da mesma. Só que, satisfeito um pedido, outro surge, tudo às pinguinhas. O último prende-se com um projecto acústico, outo eléctrico e outro ainda térmico. Para um restaurante que existe há mais de 60 anos é obra.
Lembraram-se agora que os clientes podiam morrer de frio? Chegaram com anos e atraso.
Barulho para a vizinhança? Nunca houve uma queixa em mais de 50 anos!
(Já eu não digo a mesma coisa, pois durante anos, tive em frente a minha casa um café, numa casa clandestina, que apesar de ter mudado de dono várias vezes sempre obteve autorização para funcionar. Karaoke até às 4 da manhã, com as janelas abertas? Não há problema? Chamadas constantes para a polícia para ir pôr cobro àquilo? O criminoso parecia eu, quando me pediam a identificação! O forró só acabou com mais uma falência, porque, de resto, ninguém queria saber....)
As portas não servem porque são de alumínio? Eu também não gosto delas, mas só ao fim de mais de 30 anos repararam nelas? Que na zona não pode haver nada de alumínio? Então e o Hotel Astória que tem vindo a substituir as suas janelas de madeira por outras de alumínio, não foi considerado um edifico de interesse histórico? Até parece que uns são mais iguais do que outros...
O Zé Manel não consegue entender o que se está a passar. Como é que alguém pode destruir o trabalho de uma vida? Como é que neste país não se protegem as casas típicas, ao contrário do que se passa em muitas cidades por essa Europa fora?
Porque motivo há pessoas que só irão descansar quando a Baixa estiver vazia? Esse tempo já esteve mais longe. Basta ver o deserto que é, hoje, a Baixa a partir das 6 da tarde? Pelos vistos há quem não veja!
Um dia destes, quando a Câmara estiver rodeada de casas vazias, pode ser que acorde. Pode ser que, nessa altura, alguém proponha a deslocação dos serviços camarários para dentro de um qualquer centro comercial, uma vez que, só aí haverá comércio e restaurantes (com comida de plástico), com casas de banho que, em alguns casos ficam, a mais de 100 metros, o que, como todos sabemos, até dá jeito, porque percorrer essa distância ou ajuda a abrir o apetite, ou ajuda à digestão. Esses, apesar do seu gigantismo, ou talvez por isso mesmo, são fáceis de aprovar!
Tudo isto ainda tem mais piada porque pensava eu (santa ingenuidade!) que a Câmara Municipal tinha, finalmente, acordado para o valor patrimonial e turístico das populares casas de “copo e bucha”, criando a “Rota das Tabernas”, dando, finalmente, ouvidos a um historiador e grande amante do património gastronómico e cultural, Paulino Mota Tavares. Resta saber se a Rota não será do tipo: aqui ficava o Zé Manel dos Ossos, ali o Mija Cão, etc.
Com este amor todo pela área científica que o governo nos impinge, até esquecemos que "Um povo sem história é um povo sem futuro".
Fiquem bem e aproveitem para lá ir petiscar enquanto é tempo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um dia, todas as escolas serão assim.

Mal vai um povo quando esquece/não conhece a sua história. Diz-se que é um povo sem futuro.
A ser assim, e eu acredito que seja, há quem queira apagar parte da história da educação em Portugal, ao estrangular os Colégios com Contrato de Associação.
A factura vai aparecer daqui a uns anos, só que, nessa altura, quem agora nos (des)governa já bateu com a porta ou foi empurrado borda fora (o mais provável).
Por agora, vamos assistindo a uma campanha de desinformação feita, muitas vezes, por outros professores, a quem eventualmente "roubamos" os alunos, mas que não se questionam sobre os motivos que levam muitos pais a optarem por este tipo de escolas (publicas com gestão privada).
Se há coisa que me irrita, é darem roda de parvos aos pais que escolhem o nosso projecto, chegando a afirmar que são maus pais e pensarem que, do alto da sua sapiência, têm sempre a opinião certa e a razão do seu lado.
A paciência começa a esgotar-se, ao ouvir os ataques e insultos feitos aos profissionais deste sector de ensino, por quem, até pelas funções que desempenha, devia ter outro cuidado com o que afirma.
P.S.: Embora não seja especialista em História da Arte, convido-vos, com toda a educação, a apreciar o video dos Hold Your Horses (do lado direito).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Uma pergunta

Em Portugal existe escolaridade obrigatória ou obrigatoriedade de frequentar o ensino estatal?



http://eseocaicfechar.blogspot.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Expliquem-me!!!

Afinal, a OCDE sabe ou não fazer estudos?

Na sexta-feira, pelos vistos, não sabia quando afirmava que um aluno numa escola estatal ficava em 5200€ ano, mais caro cerca de 1000€ que um de uma escola com contrato de associação.
Hoje, pelos vistos, já sabe, porque se trata de mostrar que os alunos portugueses tiveram melhores resultados em testes internacionais do que há uns anos.
Talvez não fosse mau a senhora ministra falar com o seu secretário de estado e entenderem-se: afinal a OCDE presta ou não informações válidas e actualizadas?
Afinal, há sempre Novas Oportunidades para serem coerentes.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Simplex?

Esqueci-me de pagar o Imposto Único de Circulação.
Mal dei por ela, dirigi-me a uma Repartição de Finanças a fim de regularizar a situação e pronto a pagar a multa, coima para ser mais exacto, de 15€ por não ter cumprido o prazo.
Até aqui nada a dizer, pois a falta foi minha e as regras estipulam aquele valor para os incumpridores.
Qual não foi o meu espanto, quando fui informado que podia pagar o valor do selo, mas não a multa, que apenas poderá ser liquidada quando a minha Repartição de Finanças der pela falta. Nessa altura, receberei uma carta, provavelmente registada - digo eu, e, então, terei que me deslocar a uma Repartição ou à Loja do Cidadão, a fim de pagar os 15€, uma vez que a verba em questão não pode ser paga nem pelo Multibanco nem pela net.
Ainda bem que existe um Simplex. Imaginem se fosse um Complicadex!
Cada vez entendo melhor a situação do nosso país.
É preciso que um funcionário dê pela falta do pagamento, que emita a respectiva nota, que a carta seja metida no correio e registada e que eu, depois, falte ao trabalho para ir a uma Repartição de Finanças ou me desloque à loja do cidadão, fazendo cerca de 30Km (ida e volta) para pagar os 15€, que me dispus a pagar de imediato quando liquidei o valor do selo.
Multipliquem isto por milhares de casos, por causa destas e de outras situãções análogas, e percebem o porquê da nossa baixa produtividade.
Tenho a certeza que os custos para o Estado (já para nãs falar nos meus) vão ser superiores à multa de 15€ e tudo porque não a pude pagar de imediato.
Eis Portugal no seu melhor.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vendedeiras

Vendedeiras no mercado de Coimbra.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sabor amargo

Eu, desde pequeno, sempre aprendi com o meu pai que a concorrência era boa e que sempre o havia motivado a trabalhar para ter clientes, o que sempre conseguiu e muito o orgulhou (e a mim). Foi concorrendo e convivendo com os concorrentes que fez do seu estabelecimento uma referência em Coimbra e no país.
Faz-me impressão que, agora, no ensino se queira propor o caminho único, acabando com a pouca concorrência que existe. A crise veio mesmo a calhar. Sempre ouvi dizer que a guerra fazia vir ao cimo o que de pior havia nas pessoas. Parece-me que a crise também.
Tenho lido coisas impressionantes na net, referindo-se aos profissionais do Ensino Particular e Cooperativo, como "essa gente", como se, com o nosso trabalho, fizéssemos mal a alguém. Pelos vistos, pelo simples facto de existirmos, fazemos. Acresce a isto, o facto de muito ser dito por professores. Quem sabe se alguns deles com filhos no privado.
Qual a solução: melhorar a escola estatal? Não! Atacar os profissionais do particular.
Onde estão os partidos de esquerda sempre tão prontos a lutar pelos que estão em perigo de perder o emprego?
Onde estão os sindicatos?
Pelos vistos a assobiar para o lado.
George Orwell afinal, como eu já sabia, tinha razão: "Todos são iguais mas uns são mais iguais do que outros."
PS: Prometo,um dia destes, voltar às Histórias e Sabores, mas por agora não consigo.

sábado, 20 de novembro de 2010

Pedido de desculpas

Depois de um agradecimemento público, nada como dar a mão à palmatória (ai os especialistas em pedagogês que me vão cair em cima!) e apresentar um pedido de desculpas público.

Quero pedir desculpa aos milhares de alunos que me passaram pelas mãos, nestes 23 anos que levo de ensino particular (tenho ainda mais 5 de ensino estatal), pelo facto de nunca os ter esclarecido sobre os malefícios que sofriam por estar numa escola deste tipo e, ainda por cima, católica.

Quero pedir desculpa a alguns professores do ensino superior que me disseram que os alunos provenientes do meu colégio se distinguiam dos outros, não apenas pela sua maneira de estar e de ser mas também pela sua competência.

Quero pedir desculpa a todos os pais que nos confiaram os seus filhos (alguns fazendo várias dezenas de quilómetros por dia) por lnão os termos avisado sobre o mal que estavam a fazer aos seus filhos.

Quero pedir desculpa a todos aqueles que, tendo sido meus alunos no secundário, tiveram classificações nos exames nacionais sempre bem acima da média nacional (chegaram a estar no top10) e nunca mais do que 0,5 valores, em média, abaixo das classificações internas. Penitencio-me por ter conseguido que trabalhassem e, com o seu esforço, apesar de me terem como professor, terem alcançado esses resultados e de apenas, ao longo de vários anos, ter tido um aluno que não fez a disciplina comigo.

Quero pedir desculpa a todos os colegas do ensino estatal que nos confiaram os seus filhos, para aqui fazeram o seu percurso escolar, por não os ter precavido para o facto de estarem a esbanjar a possibilidade de os seus filhos poderem ser educados numa escola laica.

Quero pedir desculpa a todos os alunos com NEEP e a todos aqueles que beneficiam de acção social escolar, pelo facto de os termos aceitado e de termos trabalhado com eles da melhor maneira que sabíamos, apesar de, alguns deles, terem sido recusados noutras escolas, por não haver vaga (sic).

Quero pedir desculpa aos estagiários que aqui fazem o seu estágio, pois não os avisámos que iam ficar estigmatizados pelo facto de nos terem escolhido, isto apesar de, hoje, muitas escolas não os aceitarem porque as horas dos orientadores deixaram de ser pagas.

Quero pedir desculpa a todos os defensores do pensamente único, por pensar de maneira diferente e achar que democracia é poder expressar livremente essa diversidade. Quero, aliás, garantir-lhes que lutarei com todas as minhas forças para que tenham toda a liberdade de dizer o que lhes vai na alma, por mais estapafúrdio que seja. Como não sou parvo, sei desde já, que no dia em que puderem, me cortarão a possibilidade de me expressar livremente, mas mesmo assim acho que têm o direito de pregar a sua mensagem à vontade, mesmo que travestidos de cordeiro.

Quero pedir desculpa por ser filho da escola estatal, que sempre frequentei, e onde, no secundário, fui um corpo estranho, numa turma com apelidos sonantes, e que, por isso, tinham tratamento diferente, enquanto eu não passava do filho do dono de um pequeno restaurante (de que aliás muito me orgulho!).

Quero pedir desculpa por não entender aqueles que me querem ajudar, privando-me do meu posto de trabalho, a troco de um pretenso bem maior que não consigo descortinar.

Quero pedir desculpa a todos aqueles que teimam em apelidar-se de professores, mas que não dão aulas há anos (às vezes há mais de duas dezenas) e que congeminaram uma maneira de eu nunca mais poder trabalhar no ensino estatal, pois apesar da minha experiência, estou atrás de qualquer novato que tenha nem que seja um dia de aulas no ensino estatal.

Quero pedir desculpa por não entender, porque motivo hão-de esses pseudo-professores progredir na carreira como se estivessem, efectivamente, a leccionar e estar à minha frente em qualquer concurso de professores.

Quero pedir desculpa aos contribuintes deste país por ter contribuído para um orçamento inferior do Ministério da Educação, pois nunca tive reduções de horário e sempre tive uma tabela salarial mais baixa.

Queria pedir desculpa por não me sentir explorado e não entender de que forma é que o fecho da minha escola contribuirá para eu deixar de ser explorado.

Quero pedir descupla por não ter a capacidade de usar uma fonte de informação (seja o Ministério ou a OCDE) para justificar uma coisa e o seu contrário ao mesmo tempo.

Quero terminar por pedir desculpa a todos aqueles a quem me esqueci de pedir desculpa. Acreditem que não foi por querer.

Não posso terminar sem um agradecimento a todos aqueles que, tendo sido meus alunos, me fizeram crescer como pessoa e a todos os pais que me (nos) confiaram os seus filhos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Agradecimento público

Não posse deixar de expressar a minha gratidão publicamente, ao silêncio ensurdecedor dos principais sindicatos de professores, relativamente ao facto de o trabalho de cerca de 10 mil trabalhadores dos colégios com Contrato de Associação estar em perigo. Já agora, aproveito para agradecer, também, aos partidos de esquerda, a preocupação manifestada, na Assembleia da República, com os professores contratados (uma procupação justa, aliás) e não se terem referido aos problemas dos 10 mil profissionais acima referidos.
Eu bem andava desconfiado que havia professores de primeira e de segunda, agora já tenho a certeza.
Já agora não posso deixar de achar piada ao facto de muita gente, que não dá aulas há muitos anos (alguns há 2 dezenas), se intitularem professores e, com o beneplácito da senhora ministra, irem progredir na carreira (antes do congelamento) como se tivessem estado a dar aulas.
Onde estão os sindicatos, sempre tão prontos a reclamar contra as injustiças? Bem me parecia que me tinha esquecido de algo: os seus dirigentes também foram beneficiados com tal resolução.
Fiquem bem que eu cá me vou aguentando.

sábado, 6 de novembro de 2010

Praça da República

Esta é, com toda a certeza, a mais antiga fotografia que possuo da Praça da República.
São visíveis os dois torreões que ladeiam o triplo arco, que dá acesso à Sereia, também conhecida como Parque de Santa Cruz, uma vez que estava englobada na cerca do mosteiro com o mesmo nome. O ajardinamento da Sereia data do século XVIII, tendo sido, também construídos tanques, fontes e um recinto para o Jogo da Pela.
Na Sereia nascia o ribeiro que, durante muitos anos, percorreu o centro da actual Av. Sá da Bandeira, movendo moinhos e regando os laranjais aí existentes, desaguando no Mondego. Hoje, já não é visível uma vez que se encontra encanado.
PS: Caros amigos, uma vez que o (des)governo anda entretido a tentar acabar com o meu posto de trabalho, com a conivência dos sindicatos (não sei porquê o postal da Praça fez-me recordar isto!), talvez, um dia destes, o blogue fique de luto (também pelo país!).