quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Zé Manel dos Ossos


"Se fosse jantar com o Woody Allen onde o levaria?
Ao Zé Manel dos Ossos, em Coimbra!"
Luís Pato, enólogo, in Pública, 6/09/09

Como o blogue também é de sabores, queria aproveitar para homenagear aqui um dos dois responsáveis, o outro foi a minha mãe, pela minha queda para estas coisas da gastronomia: o meu pai, o tal Zé Manel dos Ossos a que Luís Pato se refere.
Embora tenha nascido e crescido por cima do restaurante, sempre fui boa boca e nunca me armei em esquisito para comer.
Apesar de o meu pai, não estar já à frente da casa, ela é agora gerida por antigos funcionários que mantêm o espírito e a cozinha como nos velhos tempos.
Os Ossos, os Cogumelos Aporcalhados, a Barriguinha e a Costela com Molho de Segredo e Arroz de Feijão, a Sopa de Pedra, o Bacalhau Doidinho, a Chafana, entre outras iguarias, continuama fazer as maravilhas de quem por ali passa, para já não falar no Branco ou no Tinto de Lamas.
Não é sem orgulho que se vai a uma livraria no Canadá e, sem grande pesquisa, se encontram dois livros sobre turismo que referem o Zé Manel como paragem obrigatória para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.
Vale que hoje o Zé Manel ainda continua a fazer uns petiscos para delícia da família e de alguns amigos.
O meu bem-haja por ter ajudado a fazer de mim aquilo que sou.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pacific Deam

De 9 a 16 de Agosto foi aqui que vivi.
Além de 7 dias a separar estas datas, separam-nas ainda 4 quilos a mais.
Estas são das fotos da minha semana de férias bordo do Pacific Dream.
A primeira vista do barco

A piscina

O adeus ao Tejo

Os macacos de Gibraltar
O Rick's Caffe (de filme Casablanca)
A Mesquita de Casablanca (a 2.ª maior do mundo)
As especiarias no Souk berbere de Agadir
As vvinhas deLanzarote
Paria e lagoa de Lanzarota (o verde deve-se a umas algas e não a poluição)
O churrasco feito numa furna
O Funchal à chegada
As lapas grelhadas
As espetadas no festa do Monte (cada um assa a sua)
O Funchal à partida
A fruta no barco
Pedaço de vitela, no restaurante do barco
Mesa com presunto e outros enchidos

A animação no Pacific Dream (Chicago)

Mais duas ou três ideias:
A comida, a tripulação e a animação no barco foram muito boas.

O tudo incluído torna as férias baratas, embora tenha o problema da linha (eu engordei 4Kg).

As visitas organizadas em Marrocos, na minha opinião, não valem a pena. Os guias apenas nos querem levar para determinadas lojas onde têm comissão. O mais intereesante fica de fora. Por isso mais vale negociar com umtaxista e visitar por nossa conta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As tapas

A ria de Pontevedra
Os chipirones
Os pescaditos
Os berberechos
A tortilla
O churrasco de ternera

Estas foram degustadas na Galiza no pretérito fim de semana.
Como os olhos também comem, bom proveito.
P.S.: Havia mais mas com a gula esqueci-me de as fotografar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

As Caralhotas da Caldeira


Depois de uma semana passada no mar, voltei à terra natal.
Para variar, nada como relatar os acontecimentos começando pelo fim.
Assim, no Domingo, dia de chegada, para além da tristeza por ter acabado uma semana de férias para mais tarde recordar, realço a minha passagem por Almeirim.
Depois de uma semana a trabalhar para a engorda, para não variar, fomos petiscar alguma coisa antes de almoçar.
Como é hábito, sempre que paramos em Almeirim, fomos visitar a D. Emília Cristina, na rua de Moçambique, em Almeirim, autora das famosas Caralhotas da Caldeira.
Para que não haja qualquer dúvida, caralhotas era a designação popular para os borbotos das camisolas. Como os restos que ficavam nos alguidares onde era preparada a massa faziam lembrar borbotos, daí a designação.
Então o que são as caralhotas?
As caralhotas são bolas de pão caseiro, cozidas em forno de lenha.
Mas com qualquer criador que se preze, D. Emília criou algumas variantes e assim aconselho vivamente o Pão com Chouriço, o Pão com Farinheira, o Pão com Enchidos, a Broa de Milho, o Pão com Canela e Maçã e tudo o mais que por lá se encontra.
Brevemente teremos, assim nos foi prometido, a Bôla de Milho com enchidos. A ver vamos.
A D. Emília é, ainda, uma excelente conversadora e disposta a partilhar connosco os segredos do seu mester. Vão ver que darão o tempo por bem empregue.
Após estes aperitivos, ainda tentámos almoçar no Forno, uma Sopa de Pedra e uma Bacalhau Dourado, mas rendemo-nos após a Sopa.

sábado, 8 de agosto de 2009

Padre Bartolomeu de Gusmão


Faz hoje 300 anos que o Padre Bartolomeu de Gumão fez levantar, perante o ar incrédulo do rei, um balão de ar quente.
Pela 1.ª vez na história da humanidade, o homem era capaz de fazer voar um objecto.
Este padre luso-brasileiro ambicionava recuperar para Portugal o domínio do mundo através do domínio dos ares.
Numa época em que a Inquisição dominava e as elites portuguesas se mostravam mais interessadas em agradar a D. João V, Bartolomeu mostrava ter visão de futuro e antecipava a glória que acabaria por pertencer aos irmãos Mostgolfier.
Não fossem as invejas e a castração intelectual trazida pela Inquisição, Bartolomeu teria sido, com toda a certeza, o primeiro homem a fazer voar um balão tripulado.
Todos conhecemos a Passarola por ele idealizada, embora o desenho aqui reproduzido, e que todos identificamos, tenha resultado da imaginação do seu autor e nada tenha a ver com a imaginada por Bartolomeu.

Passados 300 anos, penso, muitas vezes, estarmos outra vez na idade das trevas ou, pelo menos, lá perto. Embora o país se mostre ufano do seu sucesso escolar, resta-nos saber se, realmente, estamos a formar cidadãos no sentido pleno do termo, capazes de ajudar ao desenvolvimento do país e se novas Inquisições não andam por aí a espreitar nas vozes de alguns dos políticos mais bem pensantes e faladores da nossa praça.

PS: Por motivos de força maior, estarei ausente durante uns tempos não podendo festejar, com poma e circunstância, a visita 100.000. Vamos ver se vou ter coragem para chegar a outro tanto.
Bem, vou ali e já volto!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O meu pôr-do-sol

Mais uma vez, este é o "meu" pôr-do-sol.
Há quem fale em África mas, para mim, este é o "pôr-do-sol".
Este é o espectáculo que se vê da varanda da minha cozinha quase todas as tardes, embora o Verão já não seja o que era.
Onde estão as noites quentes?
Quando vinha de Madrid (ver post anterior), apanhei temperaturas de 34º atè Cidade Rodrigo. Quando cheguei a Coimbra a temperatura rondava os 20º. E eu a pensar que as fronteiras já tinham desaparecido.
Pode ser que seja a partir desta noite pois, pela 1.ª vez, fui dar uma volta como cão e não vim para casa com frio. Tenhamos esperança...
Mas o "meu" pôr-do-sol é mesmo bonito, não é? Até parece África. Pode ser que para a semana eu possa comparar.
Quem sabe?
Férias são férias.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Madrid



Não sei se já vos disse, mas tenho uma costela espanhola. O meu avô paterno era espanhol, ou melhor, galego.
Talvez resida aqui a explicação para o facto de gostar tanto de ir a Espanha e de tapear, um dos meus desportos favoritos quando visito a terra dos nuestros hermanos.
Este fim de semana estive em Madrid. A "Paris dos bimbos" como lhe chamou o Herman José.
Pois como nunca tive a pretensão de ser "fino", gosto de Madrid mas não me sinto bimbo.
Gosto da movida, das tapas, dos monumentos, enfim, do ambiente.
O programa meteu Palácio Real (que já conhecia) Museu do Prado e Museu Rainha Safia, para além das inevitáveis Gran Via, Plaza Mayor e Puertas del Sol (entre outras).
Além disso, Madrid está apenas a 5 horas de carro.
Boa viagem.

sábado, 11 de julho de 2009

Santa-Clara-a-.Velha

A convite de um amigo, fui visitar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
Na última vez que lá tinha estado, decorriam as escavações arqueológicas que desenterraram o Mosteiro, dos 5 séculos de sedimentos que o Mondego ali foi depositando nas cheias de cada Inverno.
Ao contrário do antigo Egipto onde as cheias representavam a vida, em Coimbra as cheias sigificavam desgraça e provocaram a morte do Mosteiro. A subida das águas tornou a vida das monjas impossível, obrigando à edificação de um novo edifício num plano mais elevado.
A recuperação do espaço foi longa, mas valeu a pena. O espaço museológico, onde está exposto parte do espólio aí encontrado, está bem conseguido, os filmes apresentados são interessantes, embora a qualidade de imagem pudesse ser melhor, o Mosteiro desenterrado e em excelente estado.
Após a visita, fomos almoçar no Basófias. O almoço, apesar de bem confeccionado, não deixou grande memória, pois tratava-se de um banal lombo de porco no forno acompanhado de batatas.
As fotografias de Coimbra tiradas a partir daí falam por si. Coimbra é, na realidade, uma cidade muito fotogénica.
Terminámos o dia com uma vivita ao Museu da Água, situado no parque da cidade. Um espaço pequeno mas interessante.
Fico à espera do próximo convite.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Escadas do Liceu / Monumentais

As escadas do Liceu


O antigo Liceu José Falcão


Os 40 anos da Crise Académica de 1969, nas actuais Monumentais

Voltamos, hoje, a um dos temas de que mais gosto: Coimbra antiga.
Há muitos anos o acesso à Alta fazia-se pelas Escadas do Liceu José Falcão (não o actual).
Por aí subiam os estudantes desse Liceu, bem como os estudantes universitários.
De acordo com a tradição, o último lance de escadas devia ser sempre subido e descido pelo mesmo lado pois, caso não o fizessem apanhariam uma "raposa", ist0 é, chumbariam o ano. Ou melhor dizendo, ficariam retidos, utilizando um desses jargões tão queridos ao eduquês ou ao pedagogês (venha o diabo e escolha!).
Em 1947, as escadas são demolidas, à semelhança do que aconteceu com grande parte da Alta, dando origem às actuais escadas Monumentais com 125 degraus, num dos mais disparatados episódios que marcaram a destruição da Alta Coimbrã.
Actualmente está aí patente uma "exposição" (chamemos-lhe assim) evocativa dos 40 anos da Crise Académica de 1969, que se estende ainda a outros pontos da cidade (Largo da Portagem, Estação Nova...).
A ideia está bem conseguida, pena que em alguns sítos já tenha sido vandalizada...