domingo, 29 de março de 2009

Assim vai o nosso país...

Chegou-me ao conhecimento que um reponsável político da nossa praça, não importa se de direita se de esquerda (neste aspecto não há que tirar nem pôr), terá feito a seguinte afirmação a propósito das faltas dos deputados:
«Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria, uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira.
Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».
Em face disto, e porque acredito que não há portugueses de primeira e portugueses de segunda, esta semana, vou pedir à minha entidade patronal para não trabalhar mais à sexta-feira. É que, na província, a sexta-feria também é véspera de sábado.
Será que para o ano que vem posso pedir a quinta-feira? É que depois este dia da semana passa a ser véspera de fim-de-semana!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Música na Adolescência (parte II)

Na quinta-feira à hora de jantar, chegaram os alunos que compõem o Coro do Colégio de S. Estanislao do Kostka de Salamanca que ficaram devidamente instalados na Casa das Palmeiras.Na sexta-feira de manhã, após o pequeno almoço, fomos de visita à Universidade de Coimbra, onde vimos as dependências mais importantes incluindo as antigas prisões universitárias que ficam por debaixo da Biblioteca Joanina (que eu nunca havia visitado).

A vista que se alcança do varandim que rodeia parte da antiga Alcácova Real, onde está instalada a Universidade, é magnífica.
Feita a descida pelo Quebra-Costas, deu-se uma volta pela Baixa. Atravessada a ponte, fomos ao Portugal dos Pequenitos, apesar do preço exorbitante pago pelas entradas. Deve ser a isto que se dá o nome de antítese: pequenitos mas de preço elevado.

Depois de almoço, a ida foi à Figueira da Foz, onde apesar da tarde magnífica, a água, para não variar, estava gelada, o que não foi impedimento para uma banhoca de todo o tamanho tomada pelos nuestros hermanos.
No Sábado, a manhã começou com uma sessão dedicada à música tradicional portuguesa e ao cavaquinho, que os alunos do Colégio S. Estanislao tiveram oportunidade de experimentar e tocar. Eis alguns deles a tocar a Rosa arredonda a saia.

De tarde houve tempo para a canoagem...

...e para o Body Combat até suar as estopinhas.

Ao final da tarde uma eucaristia animada, em parte, pelo Coro de S. Estanislao.

E à noite o ponto alto do dia (independentemente do futebol que estava a dar na televisão e das polémicas que gerou), a actuação dos vários grupos convidados: Coro de S. Estanislao de Kostka, de Salamanca

E o encerramento com toda a gente em cima do palco a cantar e a tocar a Rosa arredonda a saia.
Acho que esta estadia em Coimbra, a julgar pela opinião dos alunos espanhóis, fez mais pelo turismo português que muitas campanhas televisivas. Para o ano há mais.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Música na Adolescência

Este é o programa das festas para este fim-de-semana. A mim cabe-me o papel de guia do grupo (Coro) proveniente do Colégio Estanislao de Kostka, em Salamanca.
O coro é composto por cerca de 35 alunos que vêm, alguns pela 2.ª vez, até Coimbra, para nos encantarem com a sua arte coral.
Uma palavra de apreço para os outros intervenientes: Grupo de Cavaquinhos do CAIC, Orquestra Orff do CAIC, Coral Caetanense e Orquestra Juvenil de Oliveira do Hospital.
A todos o meu muito obrigado pela participação.
Uma vez que o Workshop e o Concerto serão apenas no Sábado, para amanhã fica reservada a parte cultural e turística. Assim a visita será à Universidade de Coimbra, ao Castelo de Montemor-o-Velho e à Figueira da Foz.
O Portugal dos Pequenitos fica para uma próxima, pois o preço pedido para a entrada (7,5€ por pessoa) fez desistir os nuestros hermanos. Aqui para nós que ninguém nos ouve, acho o preço um exagero.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pôr-do-sol

Há quem fale do pôr-do-sol em África. Há quem diga que não há outro igual.
Como em África, apenas estive em Ceuta e não me lembro ter visto o pôr-do-sol, não posso contradizer quem afirma que o pôr-do-sol em África é o mais bonito do mundo.
Este é o que se avista de minha casa e parece-me bem bonito, assim como a lua.
Quem conhecer o outro que diga alguma coisa, porque a mim, parece-me que tenho um bocadinho de África nas traseiras da minha casa.
Só falta mesmo o Rei-Leão.

sábado, 14 de março de 2009

Visita de estudo a Lisboa

Na penúltima quarta-feira, fui a Lisboa integrado numa visita de estudo do Ensino Secundário (Línguas e Humanidades) em que se incluíam alunos meus do 10.º ano.
Saídos de Coimbra, chegámos ao Martim Moniz pelas 10 da manhã, seguindo, a pé, para o Castelo de S. Jorge, qual Martim Moniz dispostos a ficar entalados nas suas portas. Não fosse o facto de sermos um grupo de estudantes, teríamos de pagar, cada um, 5€ para visitar o Castelo, pelo facto de não vivermos em Lisboa. Acho isto uma aberração e assisti à indignação de alguns candidatos a visitantes que, com toda a certeza, também eram oriundos da "província" e que, como tal, parecem ser os únicos a ter de pagar a manutenção do espaço. Não sei porquê, mas cheira-me a insconstitucionalidade.
Visitado o Castelo, decemos, a pé, para a Sé de Lisboa que visitámos com agrado.
Fomos, de seguida, para a Baixa Pombalina onde almoçámos e pudemos constatar que um grupo razoável de alunos preferiu almoçar nos restaurantes da Baixa, preterindo o Mc Donalds e afins.
Após o almoço, seguimos para a Sede do Millenium/BCP, próximo do Arco da Rua Augusta, e que ocupa, quase por inteiro, um quarteirão pombalino da Baixa de Lisboa, com fachada para a Rua Augusta e traseiras para a Rua dos Correeiros. Entre 1991 e 1995, no decorrer das obras de remodelação aí efectuadas, a perfuração do pavimento pôs a descoberto estruturas arqueológicas de civilizações que, ao longo dos tempos, habitaram Lisboa. Uma surpresa mesmo por baixo dos nossos pés. Aí são visíveis vestígios pré-romanos, romanos, visigóticos, islâmicos, medievais, quinhentistas e pombalinos, nomeadamente as famosas estacas de pinho verde, que servem de sustentação aos edifícios pombalinos.
Finda esta visita, fomos, a pé, até à Assembleia da República, onde pudemos assistir, durante cerca de 45 minutos, ao Plenário que decorre provisoriamente da Sala do Senado, antiga sala das Cortes e da Assembleia Nacional.
O Palácio de São Bento, onde funciona a Assembleia da República, teve origem no primeiro mosteiro Beneditino construído em Lisboa em 1598. O mosteiro foi, então, deslocado para esta zona para dar abrigo a uma comunidade religiosa crescente e para estar nais perto do núcleo urbano. Ainda não se tinham concluído as obras e já o terramoto de 1755 causava graves danos no mosteiro. Mas foram a Revolução Liberal de 1820 e a extinção das ordens religiosas em 1834 que conduziram à instalação do Parlamento no Palácio de São Bento. A escadaria exterior foi construída em 1941 e encontra-se ladeada por dois leões (na altura ainda estavam bem dispostos), simbolicamente utilizados como sentinelas. Na fachada principal, ao cimo das escadas, encontra uma arcada onde se pode ler a palavra em latim 'Lex' - em alusão à função da Assembleia - e quatro estátuas alegóricas femininas - 'Prudência', 'Justiça', 'Força' e 'Temperança'.
O frontão situado acima da varanda tem 30m de comprimento e 6 de altura e o tímpano foi decorado pelo escultor Simões de Almeida, dentro de uma estética de acordo com o academismo vigente na Escola de Belas Artes, onde leccionava. Este tímpano representa o Estado Novo, com a Nação ao meio simbolizada pela insígnia latina 'Omnia Pro Patria' (Tudo pela Nação) e rodeada por 18 imagens que representam, entre outras, áreas como a Indústria e o Comércio.
Mas, o que mais me impressionou foi a sessão de trabalhos: metade dos deputados escrevia ao computador, muitos outros conversavam, falavam ao telefone/telemóvel, havendo um burburinho na sala que, por vezes, impedia que se ouvisse quem estava a discursar. Não cheguei a perceber como respondiam uns aos outros, pois a ideia é de que ninguém ouve ninguém.
Acabada a visita, lá tive que pôr água na fervura, pois os comentários vindos dos alunos, não eram os mais simpáticos: "Ó professor nunca mais diga que falamos ao mesmos tempo!", "Por que não podemos também ter os telemóveis ligados?", etc.
E lá voltámos nós à "província".
PS: Pelo meio ainda houve tempo para visitar a Casa do Alentejo e o seu fabuloso pátio neo-árabe, o Palácio da Independência, a Estação do Rossio em estilo neo-manuelino, bem como o HardRock Café.

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Recebemos um convite, aqui em casa, para participarmos nas comemorações do Dia Internacional da Mulher.
A iniciativa, levada a cabo por uma amiga de longa data, terá lugar no Café com Arte, pertencente a um amigo comum.
Tenho pena que haja um Dia Internacional da Mulher, na medida em que isso mostra que muito ainda há a fazer no que diz respeito à promoção dos direitos das mulheres. E, esta promoção não me parece que passe por quotas para eleições ou para o que quer que seja. É sobretudo uma questão de mentalidades e, como sabemos, essas são as mais difíceis de mudar.
Pois a mim convidaram-me para dizer (declamar) um poema.
Acho que vou escolher este, embora não tenha pretensões de o dizer como a Maria Bethânia, lembrando-me das mulheres que marcaram e marcam a minha vida:

Ladainha de Santo Amaro
Nossa Senhora mãe de Jesus,
Nossa Senhora de todos nós,
Roga por tudo que tudo é teu
Por cada coisa, por cada ser
Pelos que cantam, pelos que choram,
Pelos que te esquecem e pelos que te imploram
Santa Maria, Nossa Senhora,
Maria dos tamarineiros
Dos riachos, manguezais
Dos dendezeiros bonitos
Maria dos canaviais
Maria das fontes limpas
Maria das cachoeiras
Maria das águas claras
Que brincam por sobre os seixos
Maria do subaé
De águas tristes pesadas
Maria dos barcos, canoas
Maria dos pescadores
De velas cheias de vento
Maria das canas doces
Dos alambiques, do mel
Maria das flores e folhas
Das sementes, dos espinhos
Maria de cada casa
E de todos os caminhos
Maria de nossa infância
De toda gente
Maria de todo amor
Maria de cada igreja
De azulejos, alfaias
Redoma e lindos altares
Maria das procissões
Das festas, das romarias
Dos cânticos, da alegria
Maria de cada noite
Maria de todo dia
Das praças, coretos, cinemas
Maria dos meus amores
Dos meus sobrados tristonhos
Dos meus mais doces sonhos
Maria dos seresteiros
Dos cantadores, poetas
Maria dos sinos plangentes
Maria das torres acesas
Das palmeiras solitárias
Das pontes, moringas e rios
Maria de todo sonho
De música e harmonia
Dos prados e dos pandeiros
Das festas de fevereiro
Maria das chegadas
e também das despedidas
Maria de todas as vidas
Maria do meu passado,
Do meu futuro também,
Maria da vida toda,
Maria que eu quero bem,
Maria de escolas pobres,
De crianças sem brinquedo,
Maria do nosso medo,
Maria de analfabetos,
Maria do A B C,
Maria de Mãe Canô,
Da saudade de meu Pai,
Maria de meus irmãos,
Maria dos meus amigos
E dos amigos que perdi,
Maria das minhas filhas,
dos meus netos, meus alunos,
Maria Nossa Senhora
Mãe do menino Jesus
Rainha de toda luz
Roga por tudo
Que tudo é teu!

Mabel Velloso, para os 50 anos de Maria Bethânia

domingo, 1 de março de 2009

Sinais dos tempos

Hoje não me apetece escrever. Se o fizesse, acho que saía asneira.

Estou apreensivo.
Então não é que as Escolas com Ensino Secundário vão ter que distribuir, gratuitamente, preservativos aos seus alunos (do Secundário deduzo eu).
Se for como nos cafés, em que os mais velhos tiram cigarros nas máquinas para os mais novos, (nem imaginam as chatices que tenho tido com isso!) não sei como vai ser.
A não ser que tenhamos de acompanhar os alunos até eles os usarem (aos preservativos), não sei como vamos assegurar que não os dêem aos mais novos.
Acho bem que a Educação Sexual tenha lugar na Escola, como aliás já tem na maioria, mas sem pretensões a substituir a família e a tomar decisões por ela.
Aliás, um dia destes não sei para que serve a família: os miúdos vão passar 12 horas na Escola, têm aí Educação Sexual, etc. Se a estas 12 horas somarmos 8 de sono, já só sobarm 4 para a família. Como as novelas, incluindo os Morangos com Açúcar, duram mais do que isso, já estou a imaginar o que aí vem.
Eu não acredito no ditado "Quando não os consegues vencer, junta-te a eles!" e, por isso, acho que tem de haver outros caminhos.
É obrigatório, para bem do nosso futuro (e do deles), que haja outros caminhos....
Bem mas a ideia era não escrever e afinal não cumpri o prometido.
Passem bem.

Um conselho: Vejam os Monty Python no filme "Sentido da Vida" que, antecipando-se aos nossos deputados, criaram uma rábula fabulosa:
Numa aula prática de Educação Sexual, em que os professores bem se esforçavam em cima de um colchão numa demonstração prática da matéria estudada, os alunos estavam-se borrifando. Os que não respondiam às perguntas colocadas (nem a aula prática os motivava!), iam jogar rugby contra uma equipa de professores, onde eram massacrados, no sentido literal do termo.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estórias de Montemor-o-Velho


Ontem, passei em Montemor-o-Velho e lembrei-me de 3 estórias relacionadas com essa vila e que partilho convosco:

Nos tempos conturbados da Reconquista, habitava no Castelo de Montemor um abade de nome João. O Abade tinha um familiar de nome Garcia Janes que se terá passado para a fé inimiga, ou seja, o islamismo. Em Córdova, o Califa local deu-lhe um exército enorme com o qual veio atacar Montemor-o-Velho. O Abade João e os soldados do Castelo defenderam-se como puderam mas, perante tantos inimigos, cedo se aperceberam que a resistência teria o tempo contado. Numa atitude desesperada, o Abade mandou degolar os velhos, as mulheres e as crianças para que ninguém caísse vivo nas mãos dos inimigos. Ele e os homens válidos saíram então pela porta principal do Castelo para morrer lutando com as armas nas mãos. Curiosamente, o ataque desesperado foi tão forte que o exército muçulmano foi completamente destroçado. Acontecera o impensável: os cristãos eram vencedores mas tinham ficado viúvos, sem pais e sem filhos. Voltaram então ao Castelo, em desespero, pedindo perdão a Deus pela sua atitude e por não terem acreditado na Sua força. Foi nessa altura que aconteceu o grande milagre: todos os degolados ressuscitaram e a vida retomou o seu curso normal. No entanto, todos eles ficaram com a cicatriz no pescoço para que o episódio não fosse esquecido. A lenda ainda não acaba aqui, uma vez que, depois desta vitória, resolveram perseguir o inimigo tendo morto mais de 70 mil mouros, até chegarem a um sítio onde o Abade João terá gritado "Cessa! Cessa", pois entendia que deveria acabar ali aquele ataque. Por isso, esse lugar recebeu o nome de Seiça e foi aí que o Abade João foi enterrado. Os milagres continuaram e chegaram a ser presenciados por D. Afonso Henriques que, muitos anos depois, pode verificar que as ossadas do Abade João mediam 11 palmos, ou seja, afinal o Abade era um gigante.

Uma tradição muito antiga diz-nos que, no fundo de uma cisterna do Castelo de Montemor-o-Velho, estão duas arcas iguais fechadas.
Conta-se que uma está cheia de ouro e outra cheia de peste.
Todas as pessoas que, até hoje, as encontraram não tiveram coragem de as arrombar, pois corriam o risco de abrir a da peste.
Actualmente, continuam bem escondidas.
Penso que esta lenda tem uma relação estreita com o Mondego, pois também o rio significa o ouro e a peste.
Às portas de Montemor vinham os fenícios comerciar (há vestígios junto ao monte de Santa Eulália), ou seja, chegava o ouro das trocas comerciais.
Mas o mesmo rio trazia as cheias com as desgraças habituais e toda uma série de doenças associadas à cultura do arroz como o tifo, a malária e o paludismo que dizimava as populações.
Por estes motivos se dizia que só trabalhava no arroz quem não tinha mais sítio nenhum onde trabalhar. Todos aqueles que podiam, fugiam do trabalho nos arrozais.
A partir do século XIX, com os avanços na Medicina e na Química tudo se alterou e essas doenças desapareceram do Baixo-Mondego.

Maiorca é uma povoação localizada na base do monte de S. Bento, na margem de uma ribeira que desagua no rio Foja.
A história que conta o seu nome é uma curiosidade etnográfica.
O nome teria surgido devido à rivalidade com a vila situada no lado oposto da planície aluvial do Mondego: Montemor.
Os habitantes de Montemor diziam que o seu monte era o maior (mor), ao que os de Maiorca retorquiam, dizendo: Maior é o de cá!
Entretanto, com o passar dos anos Montemor viu o seu nome aumentar para Montemo-o-Velho, quando a reconquista avançou para sul e foi conquistado um outro Montemor que, por ser terra recente, se passou a chamar Montemo-o-Novo.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Crise

Esta semana para ser original, vou falar da Crise.

Qual crise? - perguntarão os meus leitores, se é que ainda restam alguns.
A que por aí anda e que todos os dias nos entra casa dentro. São aos milhares os que vão para o desemprego, devido à ganância de uns tantos e, pelos vistos, ao facto daqueles a quem confiámos a supervisão do sistema, andarem a dormir ou, pelo menos, muito distraídos.
Como o Cristiano Ronaldo já não tem nada para ganhar este ano, não é possível aos noticiários fugir às notícias da crise e às inevitáveis reacções: as do governo que tudo faz para a resolver prometendo milhões e grandes obras; as da certa oposição que me fazem lembrar o bom Eça de Queiroz e a sua Campanha Alegre (olha para o que eu digo na oposição e não para o que faço quando estou no governo); as daqueles que pensam que, não tarda nada, vamos ter uma economia colectivizada e amanhãs que cantam e os outros que apenas conhecem a coluna das despesas, esquecendo-se que não se pode gastar o que se não tem, sobretudo se for em caviar.
Mas, sem sombra de dúvidas, o que mais me alegra é ver que, estando o país quase de mão estendida, quando milhares e milhares ficam sem emprego, saber que há quem se preocupe com questões fracturantes, para além dos ortopedistas que, como todos sabemos, são os que ocupam com essas coisas.
Nada como uma, duas ou mesmo três questões fracturantes.
Sem dúvida que perante uma crise como esta, o debate sobre o casamento homossexual é uma prioridade (atenção que nada tenho contra o dito cujo), bem como o debate sobre a eutanásia ou quanto às deduções ao IRS do senhor 1.º ministro.
Alíás ando muito contente porque, este ano, prometeram que as devoluções do IRS serão feitas mais cedo. Se não fosse o facto de esse dinheiro, que me vão devolver, ser meu, até era capaz de festejar.
Assim, não sei se ria se chore.
O jeito que dava Portugal ganhar o Festival da Eurovisão pois assim, pelo menos durante umas semanas, mudava o tom das notícias e nem nos lembrávamos mais da crise, excepto aqueles que já perderam os seus empregos e que estão por detrás dos números frios que todos os dias nos são debitados pelos mass media.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Porque hoje é Domingo...


É bom ter grandes causas embora, muitas vezes, não sejamos capazes de resolver as pequenas.
Com dizia alguém que ouvi numa conferência, é fácil amar os que estão do outro lado do mundo, mas nem sequer dar os bons dias ao vizinho. E depois, meio a brincar, acrescentava que todos amávamos a Princesa Diana, menos o marido que estava ao lado dela, para provar a sua 1.ª afirmação.
Este foi um dos temas abordados, na última semana, na minha turma do Secundário, a propósito das grandes questões ambientais.
Enquanto não formos capazes de resolver as pequenas causas, não vale a pena atirarmo-nos às grandes
Querer resolver os males do mundo, especialmente os que estão nos antípodas, é sinal que não pretendemos resolver nada.
O que me adianta ser contra um qualquer aterro sanitário, quando deito o lixo para o pátio da escola, ou deixo-o pelos corredores, na esperança secreta, que ele desapareça por si próprio?
Pode ser que para a semana haja alguma História ou Sabor das que por aqui estão habituados a encontrar. Pode ser!
Até lá.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Avenida Emídio Navarro

Cheias na Avenida Emídio Navarro
Cerimónia militar junto à Estação Nova (Coimbra A)
A mesma zona, ainda sem o edifício da Estação

Hotel Avenida na Avenida Emídio Navarro

Fotografia da mesma zona ainda sem Hotel Astória
Avenida Emídio Navarro junto ao rio Mondego
Avenida Emídio Navarro e Hotel Astória
Em 1888, a rua que ligava o porto dos Bentos, local onde atracavam as barcas serranas junto ao actual Parque da cidade, à Estação de caminhos-de-ferro (actual Coimbra-A) passou a chamar-se Avenida Emídio Navarro.
Coimbra homenageava assim o homem que foi ministro das Obras Públicas durante três anos, tendo sido responsável por várias reformas nessa área, como o primeiro Recenseamento Agrícola e Pecuário do país.
Na área do ensino, a sua intervenção deu lugar à criação de cinco Escolas Agrícolas, incluindo a de Viseu, cinco Escolas Industriais e nove Escolas Elementares de Desenho Industrial.
Tudo isto ainda no tempo da Monarquia (nasceu em 1844 e morreu em 1905), o que me leva a pensar o porquê do ódio que alguns têm a este regime (eu sou republicano assumido), afirmando que, naquele tempo nada havia de bom. Basta ver a vergonha que há no dia 5 de Outubro, em afirmar que também se comemora, nesse dia, a assinatura do Tratado de Zamora que marcou a nossa independência como país. Com o aproximar do centenário a coisa só vai tender a piorar.
A este propósito, lembrei-me de um episódio passado numa aula minha.
Pedi voluntários para dois grupos a fim de realizarmos um frente a frente Monarquia versus República, atribundo a cada um a defesa de um ideal: um grupo seria composto por adeptos da monarquia e outro adeptos da república, discussão moderada por outra aluna.
Uma espécie de Prós e Contras (alguns anos antes do programa), mas para melhor, porque havia mesmo debate.
Dadas as indicações, dei-lhes uma semana para a pesquisa. Entretanto, os outros tinham de se preparar para colocar as perguntas.
Começada a aula, lá teve início o debate com a moderadora em bom plano, esgrimindo os alunos os seus argumentos, alguns bem interessantes, ao mesmo tempo que iam respondendo, conforme podiam, às perguntas da assistência.
Pouco a pouco foram-se emplgando e a coisa começou quase a ganhar foros de questão pessoal, entre alguns. Eis senão quando, um aluno do campo monárquico põe fim à discussão com a seguinte afirmação:
"Para mim a monarquia é melhor, pois no tempo dos reis não havia SIDA!"
Foi tiro e queda. Estava encontrada a cura para a Sida: basta mudar o regime. O virus, pelos vistos, gosta é da República, pois pode andar por aí à vontade. Será que na Inglaterra ou em Espanha não há SIDA?
Esclarecida a questão lá demos por encerrado o debate que meteu ainda buracos nas estradas e outras pérolas do género.
Voltando ao tema do post, e como conclusão, resta dizer que ao longo desta Avenida se instalaram alguns locais emblemáticos da nossa cidade como o Coimbra Hotel, o Hotel Internacional, o cinema Tivoli, etc. Resta hoje o Hotel Astória e pouco mais.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Rua da Sota.

Vivi, durante 22 anos, no Beco do Forno, juntinho à Rua da Sota. Sou portanto nado (nasci em casa, no quarto onde dormi até me casar) e criado na Baixa.
Um das coisas que recordo de miúdo é as cheias do Mondego. Não só porque em casa dos meus pais havia uma espécie de cave onde era possíevl ver a subidas das águas (ficava inundada) mas porque um dos meus amigos de infância vivia na zona poente da rua (mais baixa), entrando-lhe as águas pela casa dentro como é visível nas fotografia.
Para isso contribuía o facto de esta rua estar a um nível mais baixo que a Portagem e que a avenida onde fica, por exemplo, o Hotel Astória.
Esta situação deve-se ao facto de, ao longo dos tempos, se ter alteado o Largo da Portagem be, como as margens do rio, devido ao crecente assoreamento do Mondego, bem como aos edifícios construídos num nível superior, virados para o rio, como o referido Hotel Astória, o Hotel Avenida (actual Banco Milenium) e o cinema Tivoli (edifício onde funcionou a Zara), entre outros.
Um dia destes, quando a Baixa fechar para balanço, tudo isto será uma memória longínqua para todos aqueles por ali passaram, viveram e trabalharam, ou nem isso para aqueles que apenas conhecem os centros comerciais e a sua atmosfera artificial.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Niagara Falls

Um dos lugares mais espectaculares que já visitei, foram as Cataratas de Niagara, no Ontário, Canadá.
Estive 12 dias nesse país da América do Norte, em Kitchener, a cerca de 120 Km de Toronto, ou como diziam os amigos que me receberam, nos arredores de Toronto.
Cerca de 5000 Km depois, fiquei a conhecer apenas uma pequena parte desse imenso país que me impressionou, ao ponto de me levar a afirmar que se tivesse de sair de Portugal (às vezes dá-me cá uma gana!) era para aí que iria. As paisagens, a simpatia e o civismo das pessoas, a limpeza de todos os locais vistados, tudo me deixou impressionado.
Certo dia, depois de um piquenique (que parece ser um desporto nacional), fomos até Niagara Falls.
Primeira surpresa: as cataratas ficam no meio de duas cidades, uma canadiana cheia de vida, e uma norte-americana que mais parecia uma cidade fantasma.
Segunda surpresa: o tamanho das cataratas e a forças das águas que, em tempos idos, alguns acreditavam ser possível descer dentro de um barril.
Terceira surpresa: fomos até aos EUA, a pé, pela ponte que se vê na imagem. Estivemos retidos mais de 1 hora na fronteira para entrarmos nos States. Só o conseguimos depois de pagar 6 dólares cada um e de responder a um inquérito onde nos era perguntado se já havíamos sido acusados de terrorismo, de pedofilia e outras pérolas do género (isto cerca de 3 semanas antes dos atentados). Se os terroristas também foram questionados sobre o mesmo, já estou a imaginar as respostas dadas. Do lado de lá, nada. Parecia uma cidade fantasma. Nem meia hora lá estivemos, mas já posso afirmar que estive nos EUA.
Estas memórias ocorreram-me depois de ter recebido umas fotos onde se vê a água das cataratas congelada. Não pensei ser possível, mas as fotografias aí estão para o provar.
Se um dia tiverem oportunidade não hesitem: vão ao Canadá. Verão que não se arrependem.