quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Presépio da minha Escola

Aspecto geral
A manjedoura
O oleiroO cesteiro

O vendedor
O padeiro
O ferreiro
A rendeira

O lavadouro

Estas são algumas fotografias do Presépio da minha escola.
É um trabalho do grupo de Educação Visual e Tecnológica e dos alunos que frequentam essas áreas. Escolhi apenas algumas das cenas. Outras havia representadas, mas não as fotografei todas.
O que aqui se representa é o nascimento de uma criança, Jesus Cristo, e isso não me parece ser ofensivo para ninguém, a não ser para alguns intelectuais de cartilha que, facilmente, trocavam estas imagens por algumas de outros que sempre lhes serviram de modelos.
Eu, que sou republicano assumido, sempre expliquei aos meus alunos que, no dia 5 de Outubro, se comemora a implantação da República, mas também a assinatura do Tratado de Zamora, facto que alguns ditos progressistas teimam em esconder ou ignorar.
Continuemos. Na minha escola há alunos de outras confissões religiosas e, até ao momento (já lá estou há 20 anos), nunca notei que alguém se tivese sentido ofendido. É que a prática da casa é o respeito mútuo.
Para terminar gostaria de relembrar algo que já aqui escrevi: posso não concordar com as ideias das pessoas que dizem que celebrar o Natal no espaço público é não respitar as outras confissões religiosas, mas estou disposto a lutar para que elas as possam apregoar aos 7 ventos.
É assim que eu entendo o regime democrático.
Já agora não sintam dores que não são vossas, pois quem se sente ofendido sabe demonstrá-lo e não precisa de ser defendido por pessoas para quem o significado de liberdade ou ditadura, depende do quadrante político do país ou do ditador em questão.
P.S.: Acho piada que algumas (muitas?) escolas não celebrem o Natal, mas façam grandes exposições do Halloween. Feitios....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Alcabideque

O Castellum (Foto de Jorge Acúrcio - Olhares.com)

Foto de João Azevedo
O Tanque (Foto de João Azevedo)

A palavra Alcabideque é proveniente do árabe "al" e do latim "caput aquae", que significa captação de água, olhos de água.
É terra famosa devido à existência de uma nascente de água, que abastecia a cidade romana de Conímbriga, onde existe um importante monumento da época romana. Situada a 3 Km desta cidade romana, a ela estava ligada através de um aqueduto com cerca de 3550 metros que se inicia no Castellum, uma torre que servia para elevação da água e onde existia um curioso sistema de purificação de água.
Grande parte do percurso do aqueduto é subterrâneo, passando por baixo de muitas casas da povoação. Apenas nos últimos 170 metros corre sobre arcos, sendo visível ainda um.

No tempo das invasões bárbaras que puseram fim ao Império, foi destruído pelos Suevos, contribuindo parea a decadência da cidade de Conímbriga que se viu, assim, privada de água.

Lenda da nascente de Alcabideque.

Há muitos, muitos anos, na época dos romanos, a aldeia de Alcabideque vivia um ano de grande seca.
Num belo dia, estava uma senhora com o seu rebanho que pastava, quando viu, saíndo de um buraco, um pássaro que tinha o bico e as patas molhadas.
Refeita do espanto, correu à aldeia a chamar os vizinhos para verem tal fenómeno. Começaram, então todos a escavar e encontraram uma nascente. Houve festa a noite toda pois acabara a seca.
Os romanos, alguns anos depois, taparam a nascente com uma torre (Castellem de Alcabideque) e canalizaram a água para a cidade de Conímbriga.
Desde esse dia, passou a ser uma região farta de água e Alcabideque sinónimo de "olhos de água" e de "água de Deus".

Este texto baseou-se num trabalho feito pela minha aluna Rita, do 5.ºC

sábado, 1 de dezembro de 2007

Restauração da Independência

Hoje é dia 1 de Dezembro, feriado nacional devido ao facto de comemorarmos a Restauração da Independência., ocorrida em 1640.
Faz hoje um ano que publiquei, aqui, uma cena de uma peça de teatro, escrita em conjunto com a minha Direcção de Turma (6.º ano) e que, no final do ano, foi apresentada em público.

Um ano depois partilho convosco outra cena dessa peça.

Desta vez recuamos até Évora, em 1637, a fim da assistir à chamada revolta do Manuelinho, um pobre louco de Évora, em nome do qual eram assinados os panfletos anti-espanhóis que apelavam à revolta.

Cena 4

(As viajantes saem da máquina do tempo e encontram uma manifestação).
(Entra em Palco, uma manifestação de meia dúzia de pessoas, cantando – com a música da canção A Fisga - e aclamando o Manuelinho).

Todos:
Trago o Manelinho às costinhas
Nesta manifestação anti-espanhola
Vivó Manelinho, abaix’os filipinos
C’os espanhóis dão-nos cabo da carola.
C’os espanhóis dão-nos cabo da carola
Conquistemos a nossa independência
Estamos pobres, até pedimos esmola
Portugal é a nossa residência.
Manuela: Viva o rei Manuelinho!
Todos: Viva! Viva!
Maria: Abaixo a tortilha, os calhos e as natilhas! Viva a omeleta, as tripas à moda do Porto e o leite-creme!...
Todos: Viva! Viva!
Constantino: Abaixo os espanhóis! Viva os portugueses!
Todos: Abaixo! Abaixo! Viva! Viva!
Jesuíno: (com pronúncia alentejana e bocejando) Já estou ficando cansado. Vamos é ver se encontramos um chaparro, pois está quasi na hora da sesta. Viva a sesta! Abaixo o trabalho! Viva o descanso! Se o trabalho dá saúde que trabalhem os doentes! …
Todos: Queremos um chaparro! Queremos descansar! Queremos um chaparro! Queremos descansar!
Jesuíno: (Toma a palavra e discursa): Portugueses em geral, alentejanos em particular!
Todos: Apoiado! Apoiado! Muito bem!
Jesuíno: Nesta época de crise... em que os espanhóis nos levam todo o dinheiro que temos, há que votar em mim, - ó raio que já me enganei -, há que apoiar o Manuelinho! Viva o Manuelinho!
Todos: Viva! Viva!
Zé Próvinho: Alguém falou em vinho? Se o assunto é esse cá estou eu! Abaixo o vinho espanhol, viva o vinho do Alentejo!
Todos: Viva! Viva!
Maria: Lá está este outra vez a falar no vinho!
Constantino: Irra que ele só pensa mesmo no vinho. Em vez da cabeça devia ter um barril em cima dos ombros e uma torneira em vez do nariz. Maldito vinho.
Jesuíno: O vinho agora não interessa para nada! O que interessa é o chaparro. Viva o chaparro!
Todos: Viva! Viva!
Manuela: Vamos é comer uns pezinhos de coentrada.
Maria: Com a entrada adondi ?
Manuela: Não é com a entrada. É de coentrada!
Maria: Entã nã foi isso quê disse? Com a entrada. Mas onde é que fica a entrada?
Constantino: Vossemecê deve estar ficando surda.
Maria: Curda? Então esses são os do Iraqui.
Constantino: Irra. Surda! Não é curda.
Maria: Entã vossemecês se explicam…
Manuela: Vamos é apoiar o Manuelinho e deixemo-nos destas conversas de treta.
Maria: Preta? Quem é qué preta?
Manuela: Treta, mulher, treta.
Maria: Já ouvi. Eu sou surda. Escusa de estar aos berros quê já ouvi qué preta. Não sei o qué qué preta, mas já ouvi.
Constantino: Não há pachorra.
Maria: Onde é que está a cachorra. Ai que eu nã gosto nada de cães e muito menos de coas ou cãs. Ai quê nem sei como é que se diz.
Manuela: (aos gritos) Cadelas. O feminino de cães é cadelas!
Maria: Panelas? P’ra quê? Vamos comer? E se fosse uns pezinhos de coentrada.
Manuela: Ora voltámos ao princípio. Viva os pezinhos de coentrada.
Todos: Viva! Viva!
Manuelinho: Viva eu! Viva eu!
Todos: Apoiado! Apoiado! Viva ele, viva ele.
(Dirigem-se para fora do palco a bocejar e a cantar a música de entrada).
Escanifreda: Bem isto está tudo visto! Vamos embora, pois já estou cheia de sono! Acorda!
Andrioleta (Estava a dormir): O quê? Onde estou eu? O que se passa?
Escanifreda: Vamos embora! Vamos até à casa de D. Jorge de Melo.
Andrioleta: Quem é o D. Jorge de Melo?
Escanifreda: É um dos nobres que está a conspirar para expulsar os espanhóis de Portugal

(Entram na máquina e muda a cena).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Casa da Nau

Uma das construções mais curiosas de Coimbra é a Casa da Nau, situada pouco acima do actual Governo Civil, a caminho da Sé Velha. Esta construção, que deve o seu nome ao facto de fazer lembrar uma nau, data do século XVI.

Nela está instalada a Real República Prá-Kys-Tão, fundada em 27 de Janeiro de 1951.

As origens deste tipo de instituições podemos ir buscá-la aos tempos de D. Dinis que, para fazer face à falta de habitações par os estuantes, criou casas próprias para eles habitarem. Com o passar dos tempos chegamos até às actruais Repúblicas estudantis.

Ao lado da Casa da Nau situava-se o Teatro Sousa Bastos, onde fui várias vezes ao cinema, inaugurado em 15 de Junho de 1914 e onde se fizeram as primeiras sessões de cinema da cidade.

Fechado há muitos anos, não será altura de a cidade começar a pensar recuperar alguns dos seus ex-libiris, entre os quais destaco este espaço cultural, numa cidade que se pretende capital do conhecimento?

sábado, 24 de novembro de 2007

Arcos do Jardim

Um dos locais mais bonitos de Coimbra é a Praça dos Arcos do Jardim.

Estes arcos constituem, nem mais nem menos, o Aqueduto de S. Sebastião que foi construído no século XVI sobre o que fora outrora um aqueduto romano.
O Aqueduto servia para abastecer a alta de Coimbra, com água de variadas nascentes da cidade, entre elas a fonte D`El Rei do Convento de Celas, na parte alta da cidade.
Um dos arcos deste aqueduto tem a estátua de S. Sebastião de um lado e de S. Roque do outro, junto à casa Museu Bissaya Barreto.
O aqueduto ligava os morros onde se situavam o Mosteiro de Santana e o Castelo, vencendo uma depressão em vinte e um arcos, daí ter sido, em tempos idos, conhecido como aqueduto de Santana
É também conhecido como Arcos do Jardim, tendo sido construído pelo engenheiro italiano Filipe Terzio, no reinado de D. Sebastião.

O aspecto nem sempre foi o que conhecemos actualmente pois, encostados ao aqueduto, havia uma série de construções, entre as quais se destacavam: o Lar das Teresianas, a Leiteiria Académica de Joaquim "Pirata" e o Colégio Liceu.

Observando as fotografias podemos constatar que o aspecto era bem diferente do actual.

De referir que, com a demolição das casa, foi também abaixo, em 1959, um arco que dificultava a ligação da rua do Arco da Traição com a Calçada Martim de Freitas (actual rua de acesso ao Largo D. Dinis).

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Aproxima-se o Natal

Este ano resolvi antecipar-me.... O frio que se fez sentir nestes 2 últimos dias lembrou-me que está quase a abrir a época de caça àqueles que defendem a celebração do Natal, como é o meu caso.
Mais uma vez, no dia 8 de Dezembro, irei fazer o Presépio no minifúndio (4 metros quadrados) que possuo em frente à minha casa.
Não aceito que me digam que, ao fazê-lo, esteja a desrespeitar todos aqueles que não são cristãos. Acho que o respeito não tem nada a ver com isso.
Quando vou a Lisboa e passo na Praça de Espanha, não me sinto ofendido pelo Minarete da Mesquita da cidade. Sinto, aliás, uma alegria pela diversidade que posso viver neste país e pela liberdade que os muçulmanos têm de poder expressar a sua fé publicamente.
Por isso não me identifico com todos aqueles que pretendem demonstrar um grande respeito pelas outras religiões, esquecendo-se de fazer o mesmo pelo cristianismo em geral e, mais particularmente, pela Igreja Católica.
Alías, analisados os seus discursos depressa se vê que não bate a bota com a perdigota, pois estou farto de pessoas que pretendem pensar por mim e dizer-me o que é correcto ou não.
Este Natal mais uma vez vão obrigar-me a ser politicamente incorrecto.
Aqui em casa vai mesmo haver Natal, com Menino Jesus e tudo (e não com Pai Natal) e não Wintermas, como alguém quis impor, o ano passado, numa cidade inglesa.
Haja juízo e respeito pelos outros (neste caso também por nós, os cristãos).

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Arco do Bispo




Em 1880, o Bispo de Coimbra, D. Francisco de Lemos Coutinho, mandou edificar um arco para estabelecer a ligação entre o Paço Episcopal e a Sé Catedral.

Esse arco ficou conhecido como o Arco do Bispo, tendo sido demolido mais tarde, bem como a residência episcopal.

A título de curiosidade refira-se que o eléctrico, proveniente da Avenida Sá da Bandeira, subia a actual rua Padre António Vieira e passava por debaixo do Arco.

Actualmente, o aspecto é o que se vê na última fotografia.

Mais uma vez aqui fica o meu protesto por alguém (Salazar) nos ter privado da velha alta Coimbra, com a finalidade de construir muitos dos edifícios que actualmente constituem a Universidade.
A ideia era ter os estudantes juntos para mais facilmente os controlar...

domingo, 11 de novembro de 2007

Museu Machado de Castro



Ao lado do Museu Machado de Castro, corre a rua Borges Carneiro, antiga Rua das Covas.
Juro que nunca percebi esta necessidade de passar o tempo a mudar o nome às coisas, sendo que, muitas vezes, continuam a ser conhecidas pelos nomes antigos. Veja-so o caso da Rua das Figeirinhas, por exemplo.
Mais paradigmático nestas mudanças é o que se passa em termos de educação: quando era estudante fazia Redacções, hoje fazem-se Composições e até Produçõs de Texto (embora ninguém entenda o que muitos escrevem); havia Ditados, hoje Exercícios Ortográficos; Chumbos, disfarçados agora de Retenções ou Não Tansições, sendo que disto não derivou qualquer benefício para a causa educativa....
Mas voltando ao assunto do post, os edifícios que se vêm à esquerda já não existem pois foram demolidos para dar lugar à Faculdade de Letras.
Na 2ª fotografia, vê-se o terreno já sem as casas e, ao fundo, o Museu Machado de Castro, ao lado da Igreja S. João de Almedina, que passou a fazer parte do Museu.
No actual edifício do Museu residiram, desde o século XII, os bispos da cidade, sendo por isso Paço Episcopal, tendo sido transformado em Museu em 1912.

Pergunto eu: não é possível julgar, nem que seja a título póstumo, os criminosos que determinaram a demolição da Alta e que obrigaram a mudar de casa um grande número de pessoas? Algumas delas foram transferidas para um Bairro Provisório, o Bairro de Celas, junto ao actual Hospital da Universidade, onde ainda hoje vivem. Notem bem, provisório.
Este bairro é um local curioso de visitar, pois encontramos aí algumas das estátuas levadas da velha Alta aquando da demolição.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Modelismo

Ouvindo as explicações do Prof. Rui Pinto

Pista todo o terreno
Pista Ninco de seis carris
Prontos para partir
No decurso desta semana, tive oportunidade de visitar, em conjunto com um grupo de alunos da via profissinalizante, a Tecnihobby Modelismo Lda., uma empresa dedicada ao modelismo que se situa junto à Escola Secundária D. Dinis, em Eiras.

Assim os alunos tiveram oportunidade de ouvir explicações sobre escalas, electricidade, potência, motores, especificações e muitas outras coisas.
No final, chegou o momento mais aguardado: a possibilidade de competir numa pista Ninco de 6 carris, com cerca de 45 metros de comprimento. Os carros, em competição, eram de escala 1/32 e atingiam velocidades impressionantes.
No final, houve medalhas para os alunos mais rápidos: o Miguel, o Diogo e a Maria Inês.
Mais uma vez o Colégio saiu prestigiado pela forma exemplar como os alunos se mostraram interessados nas explicações dadas, pelas perguntas colocadas e pelo civismo que demonstraram.

domingo, 4 de novembro de 2007

Igreja de Santa Cruz



Regresso, hoje, às fotografias de Coimbra. Enquanto tiver fotos antigas não sou capaz e resistir à tentação de partilhá-las com aqueles que tem apaciência de me visitarem.

Mais uma vez volta à carga com a Igreja de Santa Cruz, hoje elevada a Panteão Nacional, à qual tenho uma ligação de muitos anos de trabalho em prol da comunidade paroquial.

O motivo que me faz regressar a este monumento é a série de fotografias acima colocada.
Chamo a atenção para a fachada do actual Café Santa Cruz (antiga igreja de S. João das Donas), situado à direita da Igreja e para o seu aspecto em meados do século XIX, depois da extinção as Ordens Religiosas, em 1834 (3 primeiras imagens).

Outra foto curiosa (a quarta) mostra-nos a Igreja em 1940, uma ano após o começo da 2.ª Guerra Mundial, protegida com sacos de areia visando proteger a fachada do templo, com medo que viesse a ser bombardeada, apesar da neutralidade portuguesa.
Depois de ter resistido às investidas da 1.ª República, que quis transformá-la numa garagem e deitar abaixo todo o edífício do Santuário (o maior da Europa), havia agora o perigo de ser alvo de algum ataque devido à 2.ª Guerra.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Sarrabulho





Dia 1 de Novembro.
Neste dia, aqui em casa, é tradição comer sarrabulho e febras.
Para provar o que estou a afirmar, nada melhor que ver as fotografias. Eu sei que são do ano passado mas a coisa tem uma explicação: mais uma vez a gula fez com que só me lembrasse das fotografias depois de ter comido e, por isso, tive que recorrer ao arquivo fotográfico. Deve ser o PDI (peso da idade) a pesar (passe a repetição!).
Para que conste o cardápio foi o seguinte:
negritos grelhados;
sarrabulho;
febras grelhadas;
vinho de Lamas (Miranda do Corvo)
etc, etc.
O cozinheiro foi o meu pai e pudemos compartilhar o repasto com uns amigos que já nos acompanham, há uns anos, nesta tarefa tão exigente.
Já me diziam que o blogue andava com poucos sabores. Espero ter reparado a falha.

sábado, 27 de outubro de 2007

Criatividade

Estive hoje numas jornadas sobre educação.
Uma das conferências versou a criatividade e foi brilhantemente apresentada por um colega meu.
Vem isto a propósito da criatividade.
Não me considero um criativo, apesar de, por vezes, conseguir disfarçar. Mas, por mais criativo que fosse, não conseguia chegar aos calcanhares dos nossos representantes parlamentares que, num arrojo digno dos maiores génios humanos, conciliaram coisas inconciliáveis: conseguiram criar legislação estipulando a Escolaridade Obrigatória, ao mesmo tempo que não obriga os alunos a ir à Escola.
Melhor seria impossível.
Já estou a ver o filme: o aluno começa a faltar na 2.ª semana de aulas e, depois de o professor comunicar aos pais a ausência, quando decidir regressar, vai ter o direito de fazer uma ficha de recuperação ou prova de equvalência, nem que seja no final do ano lectivo, para ver se pode passar (peço desculpa, Transitar ou ficar Aprovado).
Claro que se não passar, já temos culpados: os professores. Aliás, isto faz-me lembrar a história da pescada que antes de ser já o era.
Qual Avaliação Contínua qual carapuça. Já estamos noutra dimensão: a Avaliação da Ausência. Por muito que se esforcem, e acreditem que alguns se esforçam muito, os alunos não conseguem chumbar, isto é, ficar retidos, peço desculpa.
Não digo que batemos no fundo, pois a capacidade de quem manda continua a ser capaz de nos surpreender e, por muito que julguemos que chegámos ao fundo, há sempre novos fundos para descobrir.
Em tempos demos novos mundos ao mundo, agora descobrimos fundos cada vez mais profundos.
Só vos posso dizer que me parece que estamos tramados.
Acho que vou emigrar para o Canadá. Pelo menos aí, os alunos, a partir dos 15 anos, trabalham aos fins de semana e nas férias e isso até conta para o currículo com que se candidatam à Universidade. Esta cultura do trabalho, e não da balda e da irresponsabilidade, ajuda a explicar a diferença de desenvolvimento dos dois países.
Aqui, neste canto à beira-mar plantado, continuamos a brincar às pedagogias, esquecendo que o mito do Bom Selvagem já deu o que tinha a dar.
O que vale é que já tenho quase a certeza que não me vou reformar, especialmente se vier a estar doente, pois, caso contrário, bem podia esperar sentado com o futuro que nos está reservado, se não houver alguém que ganhe juizo e ponha fim a esta mania do pedagogismo.
Deus nos valha, uma vez que já vimos que não podemos contar com aqueles que elegemos.
PS: aqui está uma maneira administrativa de acabar com o abandono escolar. Agora, mesmo não pondo os pés nas aulas, os alunos não abandonaram a escola.
Países da União Europeia aprendam connosco porque não vamos durar sempre. E com o caminho que levamos muito menos!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Dali e Leonardo

Ontem, fui ao Porto com os alunos de Ciências Sociais e Humanas do Secundário.

Objectvos:
  • Visitar a exposição de Salvador Dali, no Palácio do Freixo;
  • Conhecer o Porto Medieval, da Sé até à Ribeira;
  • Vistar a exposição de Leonardo Da Vinci, no Pavilhão Rosa Mota, popularmente conhecido como Palácio de Cristal.
Tudo correu bem, embora o dia tivesse começado agitado: a empresa de camionagem esqueceu-se de nós e, por isso, só saímos para o Porto cerca das 9.30 horas, quando prevíamos sair às 8. Enfim, estamos em Portugal.

Vencido este contratempo, lá fomos e, depois de uma longa espera (perdemos a nossa vez), entrámos no Palácio. Duas coisas nos chamaram a atenção: a genialidade de Salvador Dali e a beleza de um palácio barroco que, há uns anos, estava em ruínas.

O visita ao Porto Medieval fica para outra ocasião pois, devido ao atraso da manhã, não a pudemos efectuar.

De tarde fomos até ao Palácio de Cristal ver as máquinas concebidas por Leonardo Da Vinci. Um espanto. Leonardo foi, simplesmente...o Génio. O maior génio que a humanidade conheceu. Muito daquilo que conhecemos já havia sido imaginado e desenhado por Leonardo: O pára-quedas, a asa delta, o tanque de guerra, a metralhadora, o rolamento, o automóvel, etc, etc....

Para terminar, duas coisas: o Porto continua belo e os nossos alunos, mais uma vez, honraram o nome de Colégio com o comportamento e interesse demonstrados.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

História de Portugal Ultra Condensada

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.

Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero, porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.

Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos.

De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.

Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que correu com ele. João puxa João e eis senão quando surgiu outro que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo, apesar das perucas um bocado amaricadas.

Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.

A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros, mas apontados a eles e disparados por alemães.

Ao intervalo, já perdiam por muitos, mas o desafio não chegou ao fim porque uma senhora vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro a notícia, depois morreram e mais tarde deram em beatos.

Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa, mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Os comunistas tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto.

Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar uma seca da Grécia na final.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Levanta-te



Na passada quarta-feira, dia 17 de Outubro, 945 pessoas no CAIC levantaram-se contra a pobreza, numa iniciativa que vestiu a escola de branco e que fez pensar nos mais carenciados. Foi com grande empenho que pusemos em marcha a campanha “Levanta-te! Faz-te Ouvir! Contra a Pobreza!”.
O CAIC juntou-se às centenas de milhar de pessoas que, em mais de 100 países, se manifestaram contra esta triste realidade. Quisemos relembrar aos líderes mundiais o seu compromisso com a erradicação da Pobreza Extrema e com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.
Levantámo-nos porque não desejamos, perante as próximas gerações, dizer que sabíamos que em cada ano estavam a morrer desnecessariamente milhões de pessoas e que ficámos quietos, sem fazer nada.
Levantámo-nos porque não podemos ficar sentados enquanto uma criança nascida hoje num país pobre morrerá 30 anos mais cedo do que uma nascida num país rico.
Levantámo-nos porque não estamos a pedir caridade mas sim justiça.
Levantámo-nos porque desejámos quebrar o recorde do número de pessoas que se levantaram para exigir acção na luta contra a pobreza e assumir as suas promessas;
Levantámo-nos porque acreditamos que somos a primeira geração que pode acabar com a pobreza extrema!
Levantámo-nos no CAIC porque a Pobreza também é uma realidade da nossa comunidade, por isso a todos os que contribuíram para a Pirâmide da Pobreza Zero e se empenharam nesta iniciativa, o nosso muito obrigado. Com a ajuda de todos, conseguimos recolher mais de 570 géneros alimentícios. Acreditamos que valeu a pena!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

M = igual?

Mais uma vez tive orgulho do Colégio onde trabalho e por ser professor dos alunos que o frequentam.
Integrada no trabalho que está a ser desenvolvido em colaboração com a Fundação Gonçalo da Silveira, subordinada ao tema "M=igual?, Igualdade não indiferança é oportunidade", teve hoje lugar a iniciativa "Levanta-te contra a pobreza", que visa erradicar a pobreza extrema no mundo, pretendendo-se assim contribuir para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Estes objectivos foram estipulados pelos 189 Estados Membros das Nações Unidas que pretendem, até 2015:
- Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome;
- Alcançar o ensino primário universal;
- Promover a igualdade entre os sexos;
- Reduzir a mortalidade infantil;
- Reduzir a mortalidade na maternidade;
- Controlar a propagação do VIH/SIDA e do paludismo;
- Garantir a sustentabilidade do meio ambiente;
- Fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento, com metas para a assistência, o comércio e o alívio do serviço da dívida.

Nós demos a nossa contribuição com a sensibilização feita junto dos alunos e pelo enorme cabaz de géneros alimentícios que juntámos com a colaboração de todos.

Um bem-haja para todos pela maneira como aderiram, como estiveram e pela generosidade demonstrada.

domingo, 14 de outubro de 2007

Jesus Cristo Superstar

Cá em casa todos gostam de musicais.
Não é por isso de admirar que nos deslocássemos ao Porto, a fim de ver o Jesus Cristo Superstar.
Já conhecia a versão inglesa de palco e posso dizer que esta não me desiludiu. Acho, aliás, que os desiludidos com Filipe La Féria são aqueles que passam o tempo a falar na necessidade de o Estado subsidiar peças de teatro que quase ninguém vê, tendo um ódio visceral a todos aqueles que conseguem sobreviver à conta do mercado, isto é, com casa cheia, não necessitando de andar a pedinchar subsídios.
Pensar eu que, em tempos, esteve em exibição pública uma peça de teatro que apenas podia ser vista por 4 (quatro!) espectadores ao mesmo tempo. Claro que todos nós pagávamos, com os nossos impostos, o privilégio que 4 (quatro!) pessoas tinham de assistir à peça. Falta-me saber se tiveram sempre casa cheia!?!? Ou quem não se lembra do célebre filme "Branca de Neve e os 7 anões", de João César Monteiro, que não tinha imagem e, por isso, na minha opinião até podia ter estreado na rádio. Mas claro, lá esteve um subsídio que permitiu este devaneio que, depois, foi visto (?) por quase por mil pessoas (1000!). Talvez fosse mais correcto dizer ouvido!*
Mas, voltando ao musical, O naipe de actores/cantores é excelente mas merecem um destaque muito especial o actor que faz de Judas (belíssima voz) e os Sacerdotes Caifás (baixo) e Anás (contratenor).
Este foi mais um musical para aumentar a lista dos que já vimos:
Chicago (o 1º);
A bela e o monstro;
O rei leão (o melhor de todos);
Fame
Abbamania;
José e o deslumbrante manto das mil cores (fabuloso);
Cats;
Amália;
Portugal, uma comédia musical;
Canção de Lisboa;
My fair lady;
Música no coração;
A flauta mágica;
Segredo da Serra Azul.
Neste último, tive o prazer de participar pois foi levado à cena no Teatro Gil Vicente, pelos alunos da mnha Escola, nos tempos em que havia a opção de teatro no 9º ano. Pena é que se tenha perdido o rasto à cassete que na altura se gravou. De qualquer forma, sobram as memórias.
Para registo: desta vez não fui ao Serrão, mas tive pena.
*Um dia destes peço um subsídio para fazer um filme sem imagem e sem som. Havia de ser original!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Estórias deste país à beira-mar plantado...

Está a chegar o tempo de Natal.

Talvez por isso, e antecipando desde já as discussões habituais sobre o facto de não se dever celebrar o Natal para não ferir a susceptibilidade dos não cristãos, surgiu uma nova questão: a assistência religiosa nos meios hospitalares.

Assim e para evitar qualquer possível chatice, acabei de chegar do notário onde assinei uma declaração, reconhecida pelo referido notário, onde explicito que quero falar com um padre se por acaso vier a estar internado num hospital.

É que, pasme-se, o governo preparava-se para legislar (nada garante que não o venha ainda a fazer) no sentido de obrigar os doentes a solicitar, por escrito, a presença de um sacerdote seja ele de que culto/religião for.

Ora aqui está uma medida inteligente para demonstrar que o Estado é laico. Será que ninguém ainda explicou a quem nos governa que para o Estado ser laico não é preciso ser anti-religioso? Coitados dos analfabetos e das pessoas que tenham os braços empenados, ninguém lhes vai valer, pois sem pedido assinado nada feito!....

Prevendo que daqui a uns tempos voltarei por causa do Natal, despeço-me, por agora, pedindo à infinita misericórdia divina paciência, pois cá por baixo, se o Obelix fosse vivo, deveria estar a pensar: "Estes portugueses são loucos!"

domingo, 7 de outubro de 2007

Fim-de-semana

Pôr-do-sol perto de Beja

Praça Marquês de Pombal em Vila Real de Santo António

Como forma de aproveitar os dias de folga, resolvemos ir comemorar a implantação da República e, já agora, o Tratado de Zamora (foi assinado a 5 de Outubro) ao Algarve a convite de um casal amigo.

Depois de uma partida em falso (o Rufi ficou doente) lá partimos para sul.

Estava programado um almoço em Évora, no Martinho da Arcada mas, dado o adiantado da hora, comemos uma sopinha de Pedra em Almeirim (coisa leve para quem vai conduzir depois de almoço).
No Algarve visitámos Vila Real de Santo António cuja construção foi planeada no final do século XVIII pelo Marquês de Pombal, como garantia de povoamento junto à fronteira espanhola, sucedendo à antiga povoação de pescadores denominada Santo António da Arenilha. A sua planta apresenta estrutura quadrilátera regular, tal como a Baixa de Lisboa.
Fomos a Espanha provar as tapas (que boas que estavam) e meter gasóleo a 90 cêntimos (90!!!) no Carrefour. Lá contribuímos nós para o orçamento espanhol!
Como o trempo estava óptimo e a água razoável, ainda deu para tomar um banho no mar.
No regresso comemos um Cozido à Portruguesa em Canal Caveira depois de evitar a Auto-estrada do Algarve por causa das simpáticas portagens da Brisa (Coimbra-Algarve fica em 30€, mais 30 para o regresso!). Lá prejudicámos, mais uma vez, o Orçamento de Estado português.

Um dia destes somos acusados de não nos importarmos com o défice orçamental.

P.S.: O Alentejo continua bonito como sempre. Em Évora, na pastelaria Pão de Rala, continua a comer-se dos melhores doces alentejanos. Eu que o diga pois tive que me debater com uma Enchacada excelente.