sábado, 27 de outubro de 2007

Criatividade

Estive hoje numas jornadas sobre educação.
Uma das conferências versou a criatividade e foi brilhantemente apresentada por um colega meu.
Vem isto a propósito da criatividade.
Não me considero um criativo, apesar de, por vezes, conseguir disfarçar. Mas, por mais criativo que fosse, não conseguia chegar aos calcanhares dos nossos representantes parlamentares que, num arrojo digno dos maiores génios humanos, conciliaram coisas inconciliáveis: conseguiram criar legislação estipulando a Escolaridade Obrigatória, ao mesmo tempo que não obriga os alunos a ir à Escola.
Melhor seria impossível.
Já estou a ver o filme: o aluno começa a faltar na 2.ª semana de aulas e, depois de o professor comunicar aos pais a ausência, quando decidir regressar, vai ter o direito de fazer uma ficha de recuperação ou prova de equvalência, nem que seja no final do ano lectivo, para ver se pode passar (peço desculpa, Transitar ou ficar Aprovado).
Claro que se não passar, já temos culpados: os professores. Aliás, isto faz-me lembrar a história da pescada que antes de ser já o era.
Qual Avaliação Contínua qual carapuça. Já estamos noutra dimensão: a Avaliação da Ausência. Por muito que se esforcem, e acreditem que alguns se esforçam muito, os alunos não conseguem chumbar, isto é, ficar retidos, peço desculpa.
Não digo que batemos no fundo, pois a capacidade de quem manda continua a ser capaz de nos surpreender e, por muito que julguemos que chegámos ao fundo, há sempre novos fundos para descobrir.
Em tempos demos novos mundos ao mundo, agora descobrimos fundos cada vez mais profundos.
Só vos posso dizer que me parece que estamos tramados.
Acho que vou emigrar para o Canadá. Pelo menos aí, os alunos, a partir dos 15 anos, trabalham aos fins de semana e nas férias e isso até conta para o currículo com que se candidatam à Universidade. Esta cultura do trabalho, e não da balda e da irresponsabilidade, ajuda a explicar a diferença de desenvolvimento dos dois países.
Aqui, neste canto à beira-mar plantado, continuamos a brincar às pedagogias, esquecendo que o mito do Bom Selvagem já deu o que tinha a dar.
O que vale é que já tenho quase a certeza que não me vou reformar, especialmente se vier a estar doente, pois, caso contrário, bem podia esperar sentado com o futuro que nos está reservado, se não houver alguém que ganhe juizo e ponha fim a esta mania do pedagogismo.
Deus nos valha, uma vez que já vimos que não podemos contar com aqueles que elegemos.
PS: aqui está uma maneira administrativa de acabar com o abandono escolar. Agora, mesmo não pondo os pés nas aulas, os alunos não abandonaram a escola.
Países da União Europeia aprendam connosco porque não vamos durar sempre. E com o caminho que levamos muito menos!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Dali e Leonardo

Ontem, fui ao Porto com os alunos de Ciências Sociais e Humanas do Secundário.

Objectvos:
  • Visitar a exposição de Salvador Dali, no Palácio do Freixo;
  • Conhecer o Porto Medieval, da Sé até à Ribeira;
  • Vistar a exposição de Leonardo Da Vinci, no Pavilhão Rosa Mota, popularmente conhecido como Palácio de Cristal.
Tudo correu bem, embora o dia tivesse começado agitado: a empresa de camionagem esqueceu-se de nós e, por isso, só saímos para o Porto cerca das 9.30 horas, quando prevíamos sair às 8. Enfim, estamos em Portugal.

Vencido este contratempo, lá fomos e, depois de uma longa espera (perdemos a nossa vez), entrámos no Palácio. Duas coisas nos chamaram a atenção: a genialidade de Salvador Dali e a beleza de um palácio barroco que, há uns anos, estava em ruínas.

O visita ao Porto Medieval fica para outra ocasião pois, devido ao atraso da manhã, não a pudemos efectuar.

De tarde fomos até ao Palácio de Cristal ver as máquinas concebidas por Leonardo Da Vinci. Um espanto. Leonardo foi, simplesmente...o Génio. O maior génio que a humanidade conheceu. Muito daquilo que conhecemos já havia sido imaginado e desenhado por Leonardo: O pára-quedas, a asa delta, o tanque de guerra, a metralhadora, o rolamento, o automóvel, etc, etc....

Para terminar, duas coisas: o Porto continua belo e os nossos alunos, mais uma vez, honraram o nome de Colégio com o comportamento e interesse demonstrados.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

História de Portugal Ultra Condensada

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo.

Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero, porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.

Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos.

De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.

Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que correu com ele. João puxa João e eis senão quando surgiu outro que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo, apesar das perucas um bocado amaricadas.

Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.

A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros, mas apontados a eles e disparados por alemães.

Ao intervalo, já perdiam por muitos, mas o desafio não chegou ao fim porque uma senhora vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro a notícia, depois morreram e mais tarde deram em beatos.

Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa, mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Os comunistas tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto.

Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar uma seca da Grécia na final.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Levanta-te



Na passada quarta-feira, dia 17 de Outubro, 945 pessoas no CAIC levantaram-se contra a pobreza, numa iniciativa que vestiu a escola de branco e que fez pensar nos mais carenciados. Foi com grande empenho que pusemos em marcha a campanha “Levanta-te! Faz-te Ouvir! Contra a Pobreza!”.
O CAIC juntou-se às centenas de milhar de pessoas que, em mais de 100 países, se manifestaram contra esta triste realidade. Quisemos relembrar aos líderes mundiais o seu compromisso com a erradicação da Pobreza Extrema e com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.
Levantámo-nos porque não desejamos, perante as próximas gerações, dizer que sabíamos que em cada ano estavam a morrer desnecessariamente milhões de pessoas e que ficámos quietos, sem fazer nada.
Levantámo-nos porque não podemos ficar sentados enquanto uma criança nascida hoje num país pobre morrerá 30 anos mais cedo do que uma nascida num país rico.
Levantámo-nos porque não estamos a pedir caridade mas sim justiça.
Levantámo-nos porque desejámos quebrar o recorde do número de pessoas que se levantaram para exigir acção na luta contra a pobreza e assumir as suas promessas;
Levantámo-nos porque acreditamos que somos a primeira geração que pode acabar com a pobreza extrema!
Levantámo-nos no CAIC porque a Pobreza também é uma realidade da nossa comunidade, por isso a todos os que contribuíram para a Pirâmide da Pobreza Zero e se empenharam nesta iniciativa, o nosso muito obrigado. Com a ajuda de todos, conseguimos recolher mais de 570 géneros alimentícios. Acreditamos que valeu a pena!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

M = igual?

Mais uma vez tive orgulho do Colégio onde trabalho e por ser professor dos alunos que o frequentam.
Integrada no trabalho que está a ser desenvolvido em colaboração com a Fundação Gonçalo da Silveira, subordinada ao tema "M=igual?, Igualdade não indiferança é oportunidade", teve hoje lugar a iniciativa "Levanta-te contra a pobreza", que visa erradicar a pobreza extrema no mundo, pretendendo-se assim contribuir para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Estes objectivos foram estipulados pelos 189 Estados Membros das Nações Unidas que pretendem, até 2015:
- Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome;
- Alcançar o ensino primário universal;
- Promover a igualdade entre os sexos;
- Reduzir a mortalidade infantil;
- Reduzir a mortalidade na maternidade;
- Controlar a propagação do VIH/SIDA e do paludismo;
- Garantir a sustentabilidade do meio ambiente;
- Fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento, com metas para a assistência, o comércio e o alívio do serviço da dívida.

Nós demos a nossa contribuição com a sensibilização feita junto dos alunos e pelo enorme cabaz de géneros alimentícios que juntámos com a colaboração de todos.

Um bem-haja para todos pela maneira como aderiram, como estiveram e pela generosidade demonstrada.

domingo, 14 de outubro de 2007

Jesus Cristo Superstar

Cá em casa todos gostam de musicais.
Não é por isso de admirar que nos deslocássemos ao Porto, a fim de ver o Jesus Cristo Superstar.
Já conhecia a versão inglesa de palco e posso dizer que esta não me desiludiu. Acho, aliás, que os desiludidos com Filipe La Féria são aqueles que passam o tempo a falar na necessidade de o Estado subsidiar peças de teatro que quase ninguém vê, tendo um ódio visceral a todos aqueles que conseguem sobreviver à conta do mercado, isto é, com casa cheia, não necessitando de andar a pedinchar subsídios.
Pensar eu que, em tempos, esteve em exibição pública uma peça de teatro que apenas podia ser vista por 4 (quatro!) espectadores ao mesmo tempo. Claro que todos nós pagávamos, com os nossos impostos, o privilégio que 4 (quatro!) pessoas tinham de assistir à peça. Falta-me saber se tiveram sempre casa cheia!?!? Ou quem não se lembra do célebre filme "Branca de Neve e os 7 anões", de João César Monteiro, que não tinha imagem e, por isso, na minha opinião até podia ter estreado na rádio. Mas claro, lá esteve um subsídio que permitiu este devaneio que, depois, foi visto (?) por quase por mil pessoas (1000!). Talvez fosse mais correcto dizer ouvido!*
Mas, voltando ao musical, O naipe de actores/cantores é excelente mas merecem um destaque muito especial o actor que faz de Judas (belíssima voz) e os Sacerdotes Caifás (baixo) e Anás (contratenor).
Este foi mais um musical para aumentar a lista dos que já vimos:
Chicago (o 1º);
A bela e o monstro;
O rei leão (o melhor de todos);
Fame
Abbamania;
José e o deslumbrante manto das mil cores (fabuloso);
Cats;
Amália;
Portugal, uma comédia musical;
Canção de Lisboa;
My fair lady;
Música no coração;
A flauta mágica;
Segredo da Serra Azul.
Neste último, tive o prazer de participar pois foi levado à cena no Teatro Gil Vicente, pelos alunos da mnha Escola, nos tempos em que havia a opção de teatro no 9º ano. Pena é que se tenha perdido o rasto à cassete que na altura se gravou. De qualquer forma, sobram as memórias.
Para registo: desta vez não fui ao Serrão, mas tive pena.
*Um dia destes peço um subsídio para fazer um filme sem imagem e sem som. Havia de ser original!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Estórias deste país à beira-mar plantado...

Está a chegar o tempo de Natal.

Talvez por isso, e antecipando desde já as discussões habituais sobre o facto de não se dever celebrar o Natal para não ferir a susceptibilidade dos não cristãos, surgiu uma nova questão: a assistência religiosa nos meios hospitalares.

Assim e para evitar qualquer possível chatice, acabei de chegar do notário onde assinei uma declaração, reconhecida pelo referido notário, onde explicito que quero falar com um padre se por acaso vier a estar internado num hospital.

É que, pasme-se, o governo preparava-se para legislar (nada garante que não o venha ainda a fazer) no sentido de obrigar os doentes a solicitar, por escrito, a presença de um sacerdote seja ele de que culto/religião for.

Ora aqui está uma medida inteligente para demonstrar que o Estado é laico. Será que ninguém ainda explicou a quem nos governa que para o Estado ser laico não é preciso ser anti-religioso? Coitados dos analfabetos e das pessoas que tenham os braços empenados, ninguém lhes vai valer, pois sem pedido assinado nada feito!....

Prevendo que daqui a uns tempos voltarei por causa do Natal, despeço-me, por agora, pedindo à infinita misericórdia divina paciência, pois cá por baixo, se o Obelix fosse vivo, deveria estar a pensar: "Estes portugueses são loucos!"

domingo, 7 de outubro de 2007

Fim-de-semana

Pôr-do-sol perto de Beja

Praça Marquês de Pombal em Vila Real de Santo António

Como forma de aproveitar os dias de folga, resolvemos ir comemorar a implantação da República e, já agora, o Tratado de Zamora (foi assinado a 5 de Outubro) ao Algarve a convite de um casal amigo.

Depois de uma partida em falso (o Rufi ficou doente) lá partimos para sul.

Estava programado um almoço em Évora, no Martinho da Arcada mas, dado o adiantado da hora, comemos uma sopinha de Pedra em Almeirim (coisa leve para quem vai conduzir depois de almoço).
No Algarve visitámos Vila Real de Santo António cuja construção foi planeada no final do século XVIII pelo Marquês de Pombal, como garantia de povoamento junto à fronteira espanhola, sucedendo à antiga povoação de pescadores denominada Santo António da Arenilha. A sua planta apresenta estrutura quadrilátera regular, tal como a Baixa de Lisboa.
Fomos a Espanha provar as tapas (que boas que estavam) e meter gasóleo a 90 cêntimos (90!!!) no Carrefour. Lá contribuímos nós para o orçamento espanhol!
Como o trempo estava óptimo e a água razoável, ainda deu para tomar um banho no mar.
No regresso comemos um Cozido à Portruguesa em Canal Caveira depois de evitar a Auto-estrada do Algarve por causa das simpáticas portagens da Brisa (Coimbra-Algarve fica em 30€, mais 30 para o regresso!). Lá prejudicámos, mais uma vez, o Orçamento de Estado português.

Um dia destes somos acusados de não nos importarmos com o défice orçamental.

P.S.: O Alentejo continua bonito como sempre. Em Évora, na pastelaria Pão de Rala, continua a comer-se dos melhores doces alentejanos. Eu que o diga pois tive que me debater com uma Enchacada excelente.

domingo, 30 de setembro de 2007

Companhia




Hoje, resolvi variar e apresentar uma das personagens cá da casa.
Na próxima postagem voltarei a Coimbra (ou a outro lugar qualquer), às suas paisagens, gentes e sabores.


Este é o Rufi.


Tem quase doze anos e, desde que chegou, revelou-se uma companhia imprescindível.


Garanto-vos que é tão simpático como parece pelas fotografias.

Aliás, por aquilo que, muitas vezes, vemos neste mundo que nos rodeia, apetece, cada vez mais, dizer algo como: "Quanto mais conheço os homens mais gosto do meu cão."

Um abraço para todos e desejos de uma boa semana de trabalho (esta até tem menos um dia!).
Façam-me o favor de ser FELIZES.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Monumento a Camões


Erigido por ocasião 3º centenário da morte de Camões pelos estudantes de Coimbra o monumento situava-se no local onde hoje fica a Faculdade de Letras de Coimbra, rodeado pelo jardim que é visível na 1ª foto.
Aquando da destuição da Alta (década de 40 do século XX), a fim de se construir a cidade universitária, foi derrubado por "acidente".

Alguns anos após acabou transferido para a Rua do Arco da Traição, junto ao Instituto de Justiça e Paz, num local onde quase não era visível.

Actualmente encontra-se na início da Avenida Sá da Bandeira, junto à Escola n.º 1 (Santa Cruz), mas parece não ser poiso definitivo, pois foi instalado no exacto local onde está previsto passar o Metro de Superfície, se algum dia este chegar a ver a luz do dia.

E ainda falam de Planos Directores Municipais...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Cortejos

Centenário da Sebenta (Praça 8 de Maio)Enterro do Grau

Dois dos cortejos mais curiosos ocorridos em Coimbra tiveram lugar em 1899 (Enterro da Sebenta) e em 1905 (Enterro do Grau).
Em 1899 começava a alicercar~se o que viria a ser o Cortejo da Queima das Fitas. Comemorava-se o centenário da Sebenta, essa instituição universitária, surgindo, no Cortejo, já críticas não só à Universidade, mas também à sociedade em geral.
Em 1905 a situção era outra, pois uma reforma universitária extinguira o grau de Bacharel, mantendo o de Licenciado e o de Doutor. Daí o enterro do Grau.
Não sei se com Bolonha não se podia fazer o enterro de qualquer coisa, nem que fosse do país, pois com o rumo que isto leva, outro destino não deve restar.
Só falta saber quem pagará ao cangalheiro depois do enterro pois, se for o Estado a fazê-lo, acho que o cangalheiro vai ter muito que esperar....

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Fogueiras


De origem europeia, as fogueiras fazem parte da antiga tradição pagã, de celebrar o solstício de Verão.
A fogueira do dia de 24 de Junho (data mais próxima desse evento), tornou-se pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João, o santo celebrado nesse mesmo dia.
Uma lenda católica, cristianizando a fogueira pagã estival, afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do Verão Europeu, tinha as suas raízes num acordo feito pelas primas Maria e Isabel, segundoo qual esta teria de fazer uma fogueira no cimo do monte, para avisar que estava prestes a nascer o seu filho (João Baptista) para, assim, Maria ir em seu auxílio.
Penso que esta tradição assenta no facto de, nessa altura do ano, o tamanho dos dias começarem a diminuir e, por isso, acender fogueiras era vista como uma maneira de os prolongar.
Saltá-las (outra tradição), era uma maneira de se purificarem, pois o fogo aparece, desde tempos imemoriais, como símbolo da purificação. Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em numero ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males. Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele.
De referir que também pelo Natal, (Solstício de Inverno) há, em muitas regiões, o hábito de acender grandes fogueiras à porta das Igrejas (Lenho de Natal) como maneira de celebrar o nascimento do Menino. Antes do Cristianismo, essas fogueiras celebrariam a vitória da luz sobre a noite, pois os dias começavam a aumentar de tamanho.

Feita esta introdução, falemos de Coimbra.
Algumas das mais famosas Fogueiras de Coimbra tinham lugar na Praça do Comércio (Praça Velha, por aí se realizar o mercado até à construção do Mercado D. Pedro V) e no Largo do Romal.

Havia sempre uma orquestra colocada, geralmente, num estrado (tipo coreto) à volta do qual se dançava às ordens de um mandador. O mais famoso de todos era conhecido como António Calmeirão, sapateiro de profissão e que, por vezes, se excedia nas indicações fazendo corar de vergonha as pessoas mais delicadas.
Sem mandador não havia Fogueiras que prestassem.
Era ele que indicava a coreografia a seguir:
"Roda à direita!
Ao contrário, palmas!
Mulheres dentro!
E eu virei!
Meia volta!
Chegadinho!
Tudo certo!"

E lá seguia o baile:

"Fogueiras do S. João
O que elas vieram dar:
Roubaram o meu amor
Na maior força de amar!"

ou
"As tricanas do Romal
São lindas a mais não ser,
Têm uns olhos que encantam,
Uns risos de enlouquecer!"

sábado, 8 de setembro de 2007

Por acaso...

Hoje fui ao Porto, ou melhor precisando melhor, a Matosinhos.
Motivo: ir à Exponor a uma feira de decoração e utilidades par casa.
Mas nada como matar dois coelhos, neste caso três, de uma cajadada.
Já que tinha de ir à Exponor, aproveitei para ir comer ao Serrão, em Matosinhos, onde se come a melhor sardinha assada do mundo e arredores.
Depois disso, resolvi rever o Mosteiro da Leça do Balio e fui "apanhado" por uma feira medieval que, amanhã (Domingo , 9 de Setembro), incluirá uma reconstituição do casamento de D. Fernando e D. Leonor Teles.
Duas coisas sobre a feira: impressionou-me pelo tamanho mas desiludiu-me por alguma falta de rigor histórico (ginja em copos de chocolate, cerveja de pressão com as máquinas à mostra, personagens medievais de sapatilhas, relogios, etc.)

A propósito desta visita partilho convosco um pouco do que sei sobre o local e sobre o referido casamento:
Balio provem de bailio, palavra hoje em desuso, mas que significa comendador, isto é membro de uma Ordem Militar que beneficiava dos rendimentos de uma comenda. Leça, como sabemos, é nome de rio (lembrem-se do porto artificial de Leixões, construído na foz desse rio).
O templo que dá fama à terra (Igreja dos Hospitalários de Leça do Balio) é de estilo gótico e aparece já referenciado em 1003, mas existe, pelo menos, desde o século anterior. A sua história está intimamente associada à Orde Religiosa-Militar que aqui se fixou no século XII e escolheu este Mosteiro como a sua primeira sede em Portugal: os Cavaleiros de S. João de Jerusalém, conhecida também como Ordem do Hospital.
Por aqui passava um dos Caminhos de S. Tiago, dando o Mosteiro apoio a gerações e gerações de peregrinos.
Neste templo passou-se um episódio importante da nossa História, pois foi aqui que se casaram D. Fernando, último rei da primeira dinastia, e D. Leonor Teles, casamento muito contestado, por Leonor estar já casada com João Lourenço da Cunha e representar os interesses da alta nobreza.
É lógico que o casamento só teve lugar porque o bispo de Coimbra havia anulado o primeiro casamento de D. Leonor, a pedido do rei. Curiosamente Coimbra teve três (?) bispos nesse ano.
A seguir ao casamento teve lugar o tradicional beija-mão.
O primeiro a fazê-lo foi D. João, filho de Inês de Castro, candidato ao trono de Portugal, mas que há-de vir a ser vítima da cunhada a quem acabara de beijar a mão.
Seguiu-se D. Dinis, o segundo filho de Inês de Castro, que, embora chamado pelo rei, se recusou a beijar-lhe a mão, afirmando, “Que ma beije ela a mim!”. Só não foi morto pelo irmão (D. Fernando) devido à intromissão de dois fidalgos, mas a sua vida política em Portugal estava terminada, tendo de se refugiar em Castela.
O seu irmão, D. João, segui-lo-ia, no exílio em Castela, algum tempo depois.


Mas essas são outras histórias de que falaremos um dia destes...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Personagens de Coimbra

Voltamos hoje a personagens incontornaveis de Coimbra: as lavadeiras e as aguadeiras.

As aguadeiras, geralmente, andavam descalças, vestindo saias grossas, blusas garridas e xaile sobre os ombros, levando à cabeça cântaros em lata ou em barro, com os quais distribuiam água pelas zonas da cidade onde a mesma não chegava.

Não resisto aqui a transcrever um comentário do meu amigo João, profundo conhecedor de tudo o que diz respeito a louças, faianças e porcelanas, a propósito da 2ª fotografia: "De facto amigo Tozé, as paixões, ao mesmo tempo que nos alargam o coração, estreitam-nos a visão. Neste conjunto riquíssimo de fotografias ficaram-me os olhos presos à quinta (segunda no actual post) fotografia e ao objecto que a aguadeira tem à cabeça. Um magnífico registo fotográfico do tradicional asado de Coimbra, obra maior da olaria de antanho. Para mim, o encanto da olaria deriva da magia da sua criação e da beleza das suas formas mas, sobretudo, do facto de ser o produto da exigência colectiva da comunidade que satisfaz e serve. A olaria é sempre património de uma comunidade, e não de um homem. Na ondulante robustez da forma do asado podem-se ver, ao mesmo tempo, as curvas das guitarras de Coimbra e do feminino inspirador dos seus trinados."

As lavadeiras, que ainda há bem pouco se viam nas margens do Mondego, faziam no rio as barrelas com sabão azul, batiam a roupa nas pedras e/ou numa tábua e punham-na a corar nos areais do Mondego. As roupas entregues pelas "senhoras da cidade" ou pelos estudantes constavam de um rol (lista) e quando faltava alguma peça eram obrigadas a pagar-lhes uma pesada indemnização.

Alguma da roupa era transportada nas barcas serranas sendo descarregada nos cais e nas escadas ainda hoje existentes ao longo da margem direita do Mondego.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Imagens de Barcelona

As cores no mercado de S. Jaime

Igreja de S. Jaime

Fachada de Igreja no Bairro Gótico

Estátuas vivas nas Ramblas

Varanda no Bairro Gótico
Port Aventura (Polinésia)

Eu na Polinésia (Port Aventura)

Uma escapada até Barcelona. Em 5 dias, fui e vim a Barcelona de carro.

Reconheço que foi uma grande estirada, mas valeu a pena.

Barcelona continua bonita: Gaudi, as Ramblas, o Bairro Gótico, a praia.... as tapas. Pena que já seja uma cidade cara para os nossos bolsos....

À volta de Barcelona muito ficou por ver, Monserrat em 1º lugar. Já lá estive uma vez e tenho pena de não ter repetido...

Port Aventura Tarragona) é uma aventura sobretudo para quem gosta de emoções fortes. Montanhas Russas não faltam. Pena que a nova, que atinge 135Km por hora, estivesse em manutenção. De qualquer maneira havia o Dragon Khan com os seus 105Km/h.

Quanto às tapas, comi muitas e boas. As fotos não aparecem porque ficaram com péssima qualidade. Penso que está a chegar a altura de pensar numa nova máquina. Destaque para o Pátio Chico, em Salamanca, onde parei no regresso. Todas as tapas valem a pena, mas recomedo a Costela na Brasa e os Chopitos.

sábado, 25 de agosto de 2007

Pelo norte...

A Penha, Guimarães
Centro Histórico de Guimarães, Património da Humanidade
D. Afonso Henriques, versão João Cutileiro

Albufeira da Caniçada, Gerês


Albufeira da Caniçada, Gerês


Na foto só está uma vaca, mas eram duas e andavam a passear livrmente, junto à Barragem de Vilarinho das Furnas.
Bacalhau à Cruzeiro


Quinta e Sexta andei pelo norte: Santo Tirso, Paços de Ferreira, Guimarães, Braga (Bom Jesus) e Gerês.
Prometi falar-vos de sabores mas, nesse aspecto, o 1º dia acabou por ser uma desilusão.
Motivos: saí já tarde de Coimbra o que inviabilizou o plano A: ir comer à casa Serrão, em Matosinhos, uma vez que queria ir ao Ikea, onde vos garanto se come do melhor peixe do país. Mas adiante. Passámos ao plano B, ir direitos a Santo Tirso para comer no Cá Te Espero, na estrada que vai de Santo Tirso para Guimarães. As entradas são fabulosas, as Papas de Sarrabulhos divinais e o resto está ao mesmo nível. Estava fechado para férias. Irra,que pontaria.
Comeu-se então em Santo Tirso, no Ferro Velho, comida bem confeccionada mas que não deu para fazer esquecer os planos iniciais.
O jantar aconteceu em Guimarães. Bela cidade, com um magnífico centro histórico, cheio de gente à noite, onde o jantar, numa esplanada, não deixou grande memória. Valeu a pena pelo local.
A sexta-feira começou com uma brincadeira na subida para o Bom Jesus, onde uma ilusão de óptica (digo eu) nos dá a sensação que os carros andam de marcha-atrás, a subir, desengatados. É uma experiência curiosa, que os mais velhos dizem ser causada pela força magnética de certos metais existentes no local!.... Para mim não passa de ilusão de óptica, mas que é engraçado não haja dúvidas.
O almoço aconteceu perto do Gerês, em Santa Maria de Bouro, concelho de Amares, no restaurante Cruzeiro, que se recomenda vivamente.
Deglutiu-se um Bacalhau à Cruzeiro (na fotografia) e uns Rojões com Papas de Sarrabulho de comer e chorar por mais (destes não há foto, pois a gula era tanta que só me lembrei depois de ter terminado!...). Para acompanhar bebeu-se um verde tinto, em jarra, daquele que é vulgarmente conhecido como sangue de boi. Só por este repasto valeu o passeio. Se juntarmos a isto o facto de o Gerês estar cada vez mais bonito, estamos conversados....
Depois disto regressou-se a casa, pois há que fazer as malas para seguir para Espanha.
Adios. Hasta luego...