quinta-feira, 14 de junho de 2007

Montemor-o-Velho







Embora o post seja sobre Montemor-o-Velho vou começar por falar de Maiorca.
Maiorca é uma povoação localizada na base do monte de S. Bento, na margem de uma ribeira que desagua no rio Foja.
A história que conta o seu nome é uma curiosidade etnográfica.
O nome teria surgido devido à rivalidade com a vila situada no lado oposto da palnície aluvial do Mondego: Montemor.
Os habitantes de Montemor diziam que o seu monte era o maior (mor), ao que os de Maiorca retorquiam, dizendo: Maior é o de cá!
Entretanto, com o passar dos anos Montemor viu o seu nome aumentar para Montemo-o-Velho, quando a reconquista avançou para sul e foi conquistado um outro Montemor que, por ser terra recente, se passou a chamar Montemo-o-Novo.
Em Montemor-o-Velho comiam-se, há alguns anos, umas espigas doces, que hoje se podem encontrar em Tentúgal, na Pousadinha, que muitos conhecerão por causa dos pastéis de Tentúgal e das queijadas.
Bom proveito.

domingo, 10 de junho de 2007

Cantanhede: Dixieland e não só!

Cantanhede - Estátua do Marquês de Marialva
Retábulo da Capela da Varziela - Nossa Senhora da Misericórdia
Festival do Mar no Fininho

Grupo de Dança de uma escola do Concelho de Cantanhede

Astedixie Jazz Band
O grupo com bailarinas mais novas
A Bandinha dos Cavalos

Tenho uma casa no Campo,
Por isso sou camponesa;
Hei-de me casar na Gândara
P'ra me chamar gandaresa.

Quando falamos a Gândara, falamos também da sua capital, Cantanhede.
A palavra Cantanhede teve origem no topónimo celta cant- que significa pedra grande. Não nos podemos esquecer que estamos junto às famosas pedreiras de Ançã, cuja pedra está intimamente ligada à Renascença Coimbrâ e à sua estatuária.
Mas dizia eu, de cant- derivou o termo Cantonieti, que aparece em documentação medieval com a grafia de Cantoniedi, Cantonidi e Cantonetu.
Assim a palavra Cantanhede significa Quinta da Pedreira, tendo a mesma origem da palavra canteiro, que designa os que trabalham a pedra.
Cantanhede é terra antiga aparecendo referida em documentos de 1087. A primeira Carta de Foral datará do reinado de D. Afonso II, mas não há provas concretas da sua atribuição.
Vários motivos nos podem levar a Cantanhede: a visita à vila propriamente dita e que deverá incluir um desvio à Varziela a fim de visitar a famosa capela local , erigida em 1530, onde se pode apreciar um magnífico retábulo de João de Ruão, representando a Senhora da Misericórdia.
Outro motivo pode ser uma visita ao Marquês de Marialva, famoso restaurante da terra, conhecido pelas suas famosas entradas (que para alguns se transformam em almoço), ou ao Fininho conhecido pelas suas mariscadas e não só.
Por último referir que no segundo fim de semana de Junho tem lugar em Cantanhede um festival de Dixieland, que no Domingo culmina com um desfile de rua, em que todas as bandas percorrem as principais artérias da cidade.
Para quem não saiba, Dixieland é, porventura, a forma mais antiga de jazz, típica das zonas do Mississipi.
Entre outras bandas de vários países do mundo, pude apreciar a Astedixie Jazz Band, da Lousã, onde toca (banjo) o meu colega Nuno Antão.

Uma estória curiosa:

Foi em Cantanhede, no ano de 1360, que D. Pedro declarou, diante dos grandes do reino, que havia casado com D. Inês de Castro sete anos antes em Bragança, pelo que os filhos havidos de ambos eram legítimos, com todas as implicações que isso tinha. Embora tivesse apresentado o testemunho do Bispo da Guarda, não terá convencido os presentes, pois seria D. João Mestre de Avis, que acabaria por suceder a D. Pedro, depois de uma brilhante argumentação do Dr. João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Coimbra - A Guerra da Carne

UNIVERSIDADE DE COIMBRA
PÁTEO DAS ESCOLAS NO INÍCIO DO SECULO XX
SÉ VELHA DE COIMBRA
IGREJA DO MOSTEIRO DE SANTA CRUZ DE COIMBRA
Depois de 3 posts em que abordei outros assuntos, volto hoje a Coimbra, para vos dar conta de um estória bem curiosa: a Guerra da Carne.
Em Coimbra, em tempos idos, havia três importantes centros de poder: O Mosteiro de Santa Cruz, a Universidade e a Sé Catedral.
A Universidade deve a sua vinda para Coimbra em 1308, depois de ter sido fundada em Lisboa em 1290, ao facto de, em Coimbra, ficar uma das mais importantes escolas portuguesas, no Mosteiro de Santa Cruz que possuía, aliás, uma notável biblioteca.
Mas a estória que hoje vos quero contar envolveu Santa Cruz e a Sé Catedral.
Os monges do Mosteiro eram regrantes, isto é, seguiam uma regra, que lhes permitia eleger o seu prior. Isto sempre foi motivo de conflitos com o Bispo pois este queria mandar no Mosteiro que era um dos mais ricos do país. Os monges conseguiram no entanto ficar dependentes, directamente do Papa.
Desta rivalidade surgiram alguns conflitos, sendo o mais famoso a chamada Guerra da Carne.
Um dia, o monge de Santa Cruz encarregue de comprar a carne para o Mosteiro dirigiu-se ao açougue (matador, talho) e, ao chegar lá, foi informado que não havia carne, pois esta havia sido toda comprada pelo Bispo de Coimbra.
O Prior de Santa Cruz não se deu por vencido e, no dia seguinte, mandou os seus homens assaltar a casa do Bispo e trazer para Santa Cruz, toda a carne que por lá encontrassem.
Assim foi feito, dando-se início a Guerra da Carne. Todas a população de Coimbra aderiu a um dos partidos em luta.
Houve lutas na rua e mortes, obrigando o rei D. João II a intervir, mandando as suas forças ocupar a cidade para restabelecer a calma.
Eis como, por um motivo sem grande importância, Coimbra se viu envolvida, no século XV, num autêntico ambiente de Guerra Civil.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Meme

Fui desafiado, há uns tempos atrás, pelo blogue Eu estou Aki a deixar um Meme no meu bogue.
De que se trata isso?
Um "meme" é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues.
O neologismo "memes" foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".
Então aqui vai:
"Os ignorantes, que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER"
-- Provérbio Popular
Ora aqui está uma frase bem interessante para quem, como eu, trabalha no mundo da educação. E não estou apenas a pensar nos alunos.
E as cinco bloguesque vou escolher são:

Desafios

Respondendo ao desafio da amiga e colega de profissão Um Olhar Azul, cá estou revelando um pouco de mim, na primeira pessoa:
Eu quero: ser feliz.
Eu tenho: vivido alguns episódios que gosto de recordar.
Eu acho: que não me posso queixar da vida.
Eu odeio: hipocrisia.
Eu sinto: vontade de começar cada novo dia como se fosse o primeiro, ou o último.
Eu escuto: o que os outros têm para me dizer.
Eu cheiro: sarilhos à distância.
Eu imploro: que não me chateiem.
Eu procuro: o a amizade verdadeira.
Eu arrependo-me: de não ter aproveitado melhor certos momentos da minha vida.
Eu amo: a minha família.
Eu sinto dor: com a dor dos outros.
Eu sinto falta: de tempo, às vezes.
Eu importo-me: com os outros.
Eu sempre: quero acreditar wm toda a gente.
Eu não fico: zangado, pelo menos durante muito tempo.
Eu acredito: no amor.
Eu danço: às vezes.
Eu canto: num Coro.
Eu choro: às vezes sem razão aparente.
Eu falho: mais do que gostaria.
Eu luto: por aquilo em que acredito.
Eu escrevo: aqui e espanta-me haver quem tenha pachorra para me ler.
Eu ganho: novos conhecimentos a todo o momento.
Eu perco: quando os outros perdem.
Eu confundo-me: melhor dizendo, há coisas que me confundem
Eu estou: sempre disponível para os outros.
Eu fico feliz: quando vejo os outros felizes.
Eu tenho esperança: que tudo melhore.
Eu preciso: de férias fora de casa.
Eu deveria: praticar desporto.
Eu sou: um tipo bem disposto. Quase sempre.
Eu não gosto: de falsidade.

E os cinco nomeados para este desafio são:
http://clubedearqueologia.blogspot.com/
http://dispersamente.blogspot.com/
http://segredosdaesfinge.blogspot.com/
http://pitangadoce.blogspot.com/
http://dalgodres.blogspot.com/

domingo, 3 de junho de 2007

Juntos na Diferença

(O lema da festa do SOLNEC) (Teatro 6ºB- A corte de Filipe III de Portugal)
(A reunião dos conjurados)
(A aclamação popular de D. João IV)
(A festa no final da Peça, ao som do Vira)(A nossa participação no Clube dos Talentos - A Orquestra do 6ºB)
(A barraca do 2º Ciclo)
(Actuação de um grupo da APPACDM)
(Final do Clube dos Talentos: Quando o Colégio fizer 100 anos - 12ºA)

Este fim de semana o Colégio onde trabalho está em festa.
O programa começou no Sábado com um jantar de gala do 9º ano e com a apresentação pública da peça de Teatro "Viagem no tempo - A revolução de 1640", levada a cabo pelos alunos da minha Direcção de Turma.
Este foi o projecto deles.

Depois da ida à televisão, do Clube dos Talentos, agora foi a prova dos nove, pois a peça tinha cerca de 1 hora, onde a brincar se falaram de temas sérios. (No fim está transcrita uma das cenas).

No Sábado viveu-se mais um convívio da Família CAIC, desta vez integrado na actividade levada a cabo pelo SOLNEC, de apoio à APPACDM.

Mais de mil pessoas participaram na festa, onde se juntaram verbas para apoiar a referida APPACDM, e puderam praticar desporto em equipas mistas com cidadãos apoiados por essa associação e assitir a um espectáculo levado a cabo por grupos de música, teatro e dança dessa mesma Associação.

Inesquecível para todos os que assistiram é o mínimo que se pode dizer.

Assim se cumpriu o lema "JUNTOS NA DIFERENÇA".

Ao mesmo tempo decorreram os Torneio de Andebol e e Xadrez que trouxeram às nossas instalações dezenas de atletas de outras escolas e clubes.

À noite foi a vez da final do Clube dos Talentos, tendo saído vitoriosas as turmas do 5º B (2º ciclo), 7ºC (3º ciclo) e 11ºC (Secundário). A todos os participantes os meus sinceros parabéns pois proporcionaram um espctáculo de elevada qualidade.

Hoje, Domingo, é o dia do Voleibol e, mais uma vez, mais de 300 alunos estão em convívio num torneio desportivo que traz, à nossa escola, atletas de todo o país, envolvendo toda a comunidade escolar (alunos, pais, educadores docentes e não docentes e muitos outros amigos).

É assim que se faz uma escola viva, inclusiva, integrada no meio em que se insere e não com palavras vãs, boas para noticiários sensacionalistas mas pouco cumpridas na prática.

Daqui a 15 dias encerraremos a Festa com o XXXIII Festival da Canção CAIC, a que vão concorrer 25 músicas originais .

E agora para os mais curiosos eis a cena 8 da peça de teatro:

(Juntam-se pessoas – Constantino, Manuela e Maria - perto da varanda do Paço)
Constantino: (Entra em cena) Vamos embora, parece que vai ser aclamado um novo rei.
Manuela: Então sempre é verdade que vão aclamar o Manuelinho?
Maria: Parece que sim! Julgo que o Filipe III já era…
Constantino: Espero bem que sim, pois corremos o risco, se ficarmos espanhóis, de perder a nossa cultura.
Manuela: Que cultura? A dos mexilhões?
Maria: Quais mexilhões qual carapuça! Eu não quero acabar os dias a comer tortilhas….
Constantino: O que faltava era ficarmos sem as nossas queridas omeletas e sem os nossos queridos Pastéis de Belém.
Manuela: Então os Pastéis de Belém não são descendentes das natilhas?
Maria: Das ilhas? Então os pastéis de Belém não são do continente? Quem dera aos espanhóis comer os nossos petiscos…
Constantino: Um dia destes ainda andávamos a dançar o flamenco…
Manuela: Nem morta. Eu cá prefiro dançar o vira e o corridinho.
Maria: Bem, deixem-se disso. Não há nada como a cultura portuguesa. Então há rei ou não há rei?
Manuelinho: (Entra e começa a subir as escadas) Quem sou eu, quem sou eu, quem sou eu?
Todos: Sois rei! Sois rei! Sois rei!
Constantino: E que nome ides adoptar?
Manuelinho: Claro que é Manuelinho I, o Lelé da Cuca.
Manuela: Lelé da Cuca?! Não se arranja um cognome melhor?
Maria: Um cogumelo melhor?
Manuela: Cognome, mulher! Cognome.
Maria: E se fosse Manuelinho I, o alentejano da Ribeira do Sado?
Manuelinho: Gosto desse! Mandem estralar as bombas!

Todos: (A cantar) Estrala bomba e o foguete vai no ar…
Arrebenta, fica todo queimado
Ná ninguém que baile más bem
C’as meninas da Ribeira do Sado
C’as meninas da Ribeira do Sado é que é
Lavram a terra c’as unhas dos pés
C’as meninas da Ribeira do Sado são com’às ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas.

Manuela: (Entra) Calem-se com isso, não vá estar por aí o Bin Laden.
Manuelinho: Então o Bin Laden alentejano não sou eu?
Constantino: Cala-te! Se o rei da América, Jorge Bucha, te ouve ainda te manda matar!
Burguês: (Entra) Estejam calados. Já temos um candidato a rei e não é esse maluco.
Manuelinho: Não me digam que já estou desempregado e ainda nem cheguei a ser rei. Então se não sou eu, quem é?
Burguês: Ouvi dizer que era o Duque de Bragança.
Conde: É verdade. Parece que mataram o Miguel de Vasconcelos.
Manuela: E o que é feito da Duquesa de Mântua?
Maria: Sim, onde é que está essa desgraçada?
Josefa: (Entra. A Duquesa de Mântua fica a um canto a lavar roupa) A Duquesa de Mântua está a lavar a roupa e a seguir vai amassar a broa. Parece que vai estar ocupada por uns tempos…
Conde: Parece que algo de muito especial se vai passar…
Ambrósia: (Entra) Algo de muito especial é comigo… Tomei a liberdade de …
Burguês: Lá vem esta com a mania do Ferrero Rocher… Cala-te!
Zé Próvinho: Isso do Ferrero Rocher é algum vinho Francês?
Ambrósia: Vinho Francês? Já deve estar com os copos.
Zé Próvinho: Pois claro, eu cá só apanho uma bebedeira por ano.
Ambrósia: (Admirada) Só uma?
Zé Próvinho: Claro, apanho-a no dia 1 de Janeiro e dura até ao dia 31 de Dezembro. Até já tenho o fígado em vinho de alhos e está-me quase a sair pela boca fora.
Jesuíno: É ele com o vinho e eu com a soneca! Onde é que está o chaparro? Estou ficando cansado e cá com uma sonera. Ainda falta muito p’rá aclamação? É que eu quero ir deitar-me à sombra do chaparro!
(Entra ocriado e D. Filipe III - ouve-se música flamenca)
Conde: Eu conheço aquele criado de qualquer sítio...
Burguês: A cara dele também não me é desconhecida.... (Pensa um pouco) Já sei! É o criado do Filipe III!
Conde: O que é que ele está a fazer aqui? Terá vindo ao El Corte Espanholês?
Criado: Não é nada disso! Eu estoy de vacaciones....
Conde e Burguês: Vaca quê?
Criado: Estoy de férias e aproveitei para procurar El Pedrito de Portugal. Como vi muita gente junta, pensei que lhe estavam a pedir autógrafos...
Conde: Não é nada disso. (Sobe a uma cadeira e discursa) Portugueses em geral e alfacinhas em particular, estamos aqui para aclamar D. João, Duque de Bragança, como D. João IV, Rei de Portugal. Viva El-rei D. João IV!
Todos: Viva!!! Viva!!!
(D. João aparece à janela com D. Luísa)
D. João IV: (Imitando a Amália Rodrigues) Obrigado! Obrigado! Vou então cantar o fado...
D. Luísa: Ó Joãozinho cala-te, que isto não é um musical do Filipe La Feira. Viva o meu marido, D. João IV.
Todos: Viva El Rei D. João IV!
D. Luísa: Ai que já me estou a despentear… Estou a ver que tenho que ir fazer outra permanente.
D. João IV: Viva Eu! Viva eu
Todos: Viva tu!! Viva tu!! Viva Tu!
Escanifreda: Já vimos tudo, vamos embora.
Andrioleta: Está? Professor? Vamos regressar, espero que tenham ouvido tudo.
Professor: Ouvimos tudo na perfeição. Vou dizer à cientista para programar a máquina.
Capitolina: Já está. Podem entrar.
(Entram na máquina e iniciam a viagem de regresso)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Jardim da Sereia (Parque de Santa Cruz)

O Parque de Santa Cruz, popularmente conhecido como Jardim da Sereia, pertencia ao Mosteiro de Santa Cruz, estando integrado na sua cerca.
Foi criado como espaço de lazer e meditação para os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, também conhecidos como Crúzios, devido ao nome do Mosteiro.
A sua construção teve lugar quando à frente da comunidade monástica estava D. Gaspar da Encarnação, que chegou a ser ministro de D. João V.
A entrada do Jardim é coroada por três estátuas representando a Fé, a Caridade e a Esperança.
O Terreiro da Péla, apresenta uma bela cascata ao fundo. No cimo das escadas, a Fonte da Nogueira com uma estátua representando um Tritão abrindo a boca a um golfinho, de onde corre a água para uma fonte, encontrando-se aí o motivo pelo qual o Parque de Santa Cruz passou a ser designado por Jardim da Sereia.
A juntar a tudo isto, uma mata cheia de recantos agradabilíssimos onde a água jorra em abundância, tornando possível que, no espaço hoje ocupado pela Avenida Sá da Bandeira (antigo laranjal dos monges), houvesse moinhos que a usavam como fonte de energia.

sábado, 26 de maio de 2007

A Tragédia da Praça da República

No dia 8 de Julho de 1938, aconteceu, na Praça da República, umas das maiores tragédias a que Coimbra já assisitiu.

Integrado no programa das Festas da Rainha Santa desse ano estava o ataque a um fogo, propositadamente ateado a um prédio em esqueleto que fora construído para o efeito na Praça da República.

Para cumprir esses objectivo edificou-se o referido esqueleto com 4 andares (contando o rés-de-chão) ao qual seria ateado fogo que os Bombeiros Municipais combateriam, salvando algumas pessoas que lá estavam.

A Praça encheu-s de gente para ver tal exibição mas algo correu mal.

Às 21.40 horas lançou-se fogo ao prédio com um molho de lenha embevida em petróleo, estando no seu interior 13 pessoas, pertencentes aos bombeiros e pessoal dos serviços de limpeza camarários.

Aconteceu que o fogo alastrou rapidamente e os bombeiros não havia meio de chegarem, tendo começado a ouvir-se gritos dos que estavam no interior da estrutura.

Quando os bombeiros finalmente chegaram pouco havia a fazer, pois a maior parte das pessoas havia-se atirado do cimo do prédio (cerca de 17 metros de altura), morrendo 9 na queda (outro viria a falecer mais tarde). Outros dois morreram carbonizados por não terem tido coragem de saltar. O mais novo tinha 12 anos e chamava-se José Abrunhosa.

E assim ficaram manchadas as festividades da Cidade desse ano, por este trágico episódio em que não foram tomadas as medidas necessárias para se acautelaram as vidas das pessoas envolvidas.
Penso que o caso só não teve outro tipo do consequências pois vivíamos em tempo de ditadura com a comunicação social amordaçada.

terça-feira, 22 de maio de 2007

A Praça (da República)

A Praça da República nem sempre teve este nome pois, inicialmente, chamava-se Praça D. Luís. A troca de nome tem a ver, como facilmente se comprova, com a alteração de regime político ocorrida em 5 de Outubro de 1910.

A propósito, sabia que no dia 5 de Outubro, além de se comemorar a Implantação da República, também se comemora, ou melhor, deveria comemorar a independência de Portugal, pois foi nesse dia, no distante ano de 1143, que foi assinado o Tratado de Zamora, em que D. Afonso VII, rei de Leão e Castela, reconheceu D. Afonso Hernriques, seu primo, como rei de Portugal?

Voltando à Praça, é de referir que, originalmente, estava a um nível mais baixo que o actual pelo que, para se entrar na Sereia ou Parque de Santa Cruz, tinha que se subir 13 degraus o que faz com que os torreões estejam, hoje, parcialmente enterrados (1ª fotografia). Por falar nos torreões, é uma pena que estejam cheios de grafitis que estragam as pinturas que ostentam.

Na segunda foto, de 1979, é visível, à direita, uma parte do Teatro Académico Gil Vicente no local onde, outrora, ficava a Casa da Quinta da Ribela, mandada erguer pelos priores de Santa Cruz, para que os monges aí se pudessem recolher quando iam até ao Jardim da Sereia ou aí passassem férias no Verão.

À volta desta praça, existem uma série de casas exibindo vários estilos revivalistas, de que falaremos um dia destes.

Outroa aspecto curioso da Praça é a movida estudantil que lhe traz uma grande animação, sobretudo à noite.

A Praça da República é conhecida em Coimbra simplesmente como a Praça e está tudo dito.

sábado, 19 de maio de 2007

Avenida Sá da Bandeira





Em 1885 a Câmara Municipal de Coimbra adquiriu por 22 contos de réis os terrenos que hoje constituem a Avenida Sá da Bandeira e que haviam pertencido à Cerca do Mosteiro de Santa Cruz.

Por ali corria uma ribeira que nasce no Jardim da Sereia, que fazia funcionar alguns moinhos já desaparecidos e que hoje alimenta os lagos aí existentes.

Para o espaço foi projectada uma artéria, uma espécie de Passeio Público, a que foi dado o nome de Avenida Sá da Bandeira, em 1889.

Os lotes que ladeavam esta nova avenida foram vendidos em hasta pública e aí foram construídos alguns dos mais belos edifícios da cidade em finais do século XIX, início do século XX. Alguns deles entretanto foram destruídos para dar lugar a alguns mamarrachos de mau gosto como por exemplo o Centro Comercial Avenida , no lugar do Teatro-Circo do Príncipe Real inaugurado em 1892, mais tarde designado por Teatro Avenida e o Golden Shopping Center.

Em 1928 foi-lhe acrescentado o jardim central projectado por Jacinto de Matos (duas últimas fotografias) e, 4 anos depois, o monumento aos mortos da 1ª Grande Guerra.

Merece ainda destaque a Escola Básica (antiga Escola Primária) nº1, vulgarmente conhecida como Escola de Santa Cruz (na 2ª fotografia) e que inicialmente era designada por Escola Central, projectada pelo arquitecto Adães Bermudes.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

1 ano - Hoje é dia de festa...


"Há sempre uma primeira vez para tudo.
Hoje, depois de incentivado pelo meu colega Carlos Moura, resolvi lançar-me na criação de um bloque.
Vamos lá ver o que vai sair daqui.
Penso partilhar convosco (com quem tiver pachorra para me ler) algumas histórias e estórias que fizeram, e fazem parte, da nossa identidade como povo.
Depois de muitas andanças pelo Clube de Arqueologia do CAIC, com um currículo de muitas visitas de estudo acompanhando alunos dos mais variados anos lectivos (a da foto teve lugar no dia 30 de Novembro, com os meus alunos do 10º ano para Mérida), já vou tendo algumas histórias e estórias que gostaria de partilhar.
Espero consegui-lo e, já agora, não ser muito maçador.
Até um dia destes.
Tozé Franco "

Assim começou este blogue, faz hoje, 16 de Maio, um ano, que tem andado por aí, à espera que alguém o leia.

Alguns o fizeram como o é possível verificar pelas mais de 15.000 visitas e pelos 170 posts publicados.

Os comentários já vão sendo alguns e têm incentivado este aprendiz de escriba a continuar a partilhar convosco alguns lugares, estórias e histórias, bem como sabores que vai encontrando ao longo da sua deambulação por esta vida.

Espero continuar a merecer a vossa visita e, já agora, o vosso comentário se for caso disso.

Um abraço e espero que nos continuemos a encontrar por aí...

Já agora, façam-me o favor de ser felizes..

Tozé Franco

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mercado D. Pedro V



O Mercado D. Pedro V, ou Praça com é conhecida entre os conimbricenses, é o principal mercado da cidade de Coimbra.
O Mercado foi construído no ano de 1867, depois da extinção das Ordens Religiosas e da nacionalização dos seus edifícios e terras, no local onde ficavam a horta e o laranjal do Mosteiro de Santa Cruz.
Este Mercado veio substituir o antigo de que já aqui falámos e que se realizava na Praça de S. Bartolomeu, conhecida actualmente como Praço do Comércio ou Praça Velha.
O espaço foi sofrendo obras ao longo dos tempos, tendo recebido portões no ano de 1904.
As três primeiras fotografias, tiradas sensivelmente do mesmo lugar, mostram-nos o mercado no início do século XX, com o aspecto que teve até às grandes obras que lhe deram o aspecto visível na 2ª fotografia. A zona retratada mostra-nos uma das principas entradas do Mercado que está hoje transformada numa zona de cargas e descargas (2º e 3ª fotografias).
Quanto à 4ª fotografia mostra-nos um grupo de vendedeiras do mercado, no início so século XX com os produtos que traziam do campo.
Na última fotografia, de 1979, é visível, ao fundo, a chamada Praça de Peixe, bom exemplar da arquitectura do ferro de finais do século XIX, inícios do século XX.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Os 7 Magníficos

Coimbra sempre foi uma cidade com algumas figuras típicas tendo, muitas delas, laços com a Academia.
Quem não se lembra do Teixeira, com a sua voz inconfundível, que gerou um amplo movimento de solidariedade entre os estudantes para arranjar dinheiro a fim de ser operado às vistas?
E o Carlos, que ainda hoje abre o Cortejo da Queima (2ª foto), que sempre recolheu os cartões nas lojas da baixa para os vender no Geraldo, um ferro-velho existente, ainda hoje, na rua da Sota, nas traseiras da Zara, antigo cinema Tivoli?
Tempos houve em que se falava dos 7 magníficos de Coimbra. Eis 4 deles.
O que está montado no leão, encontrei-o há tempo na zona do Girasolum, a cravar, não beijinhos às meninas que passeiam, mas uma bebida e uma moedinha às pessoas que estavam numa das esplanadas..
Esta é a minha pequena homenagem a todos aqueles que contribuíram e contribuem para fazer de Coimbra aquilo que ela é.
PS: Hoje foi dia de Cortejo da Queima das Fitas. Aliás a 2ª fotografia, onde está o Carloa, foi tirada nele. Mais uma vez a academia saíu à rua para fazer a sua festa e eu próprio me desloquei à cidade para ver a festa porque tinha lá a minha herdeira.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Praça Velha (Praça do Comércio)


A actual Praça do Comércio que, em tempos idos, se chamou praça de S. Bartolomeu (nome da Igreja situada num dos topos) ou simplesmente Praça é vulgarmente conhecida pelo nome de Praça Velha, pois aí funcionou, durante muito tempo, o mercado que abastecia a cidade. Com a construção do Mercado D. Pedro V (actual mercado) nos terrenos até aí ocupados pelos laranjais de Santa Cruz, a Praça do Comércio passou a ser popularmente conhecida como Praça Velha (por oposição à Praça Nova).
Ainda hoje se realizam aí a Feira das Cebolas e a das Antiguidades.
Hoje, ocupada por inúmeras esplanadas, tem, no centro, uma cópia do antigo Pelourinho de Coimbra.
Para ela convergem muitas das ruas onde, antigamente, desempenhavam as suas funções os mesteirais, facto esse ainda patente no nome de algumas ruas (Rua dos Sapateiros, por exemplo).
Num dos topos, junto à Igreja de São Bartolomeu ficava, quando eu era míudo, a casa das Mijadinhas famosa pelos seus pastéis de Santa Clara (dizia-se que era ali o único sítio onde eram feitos segundo a receita original) e pelos seus confeites que eram a perdição dos miúdos que andavam no Externato Feliciano de Castilho, propriedade da professora D. Alice a quem eu e outros da minha geração muito devem.
No topo oposto fica uma das igrejas mais antigas da cidade e que bem merece uma visita: a Igreja de Santiago de belo estilo românico.
Nas duas primeiras fotografias é visível essa Igreja (de S. Tiago) em duas épocas diferentes com assinaláveis alterações no edifício.
Na fotografia mais antiga são visíveis construções que adulteraram o edifício original e que ocupavam o espaço hoje preenchido com as escadas de S. Tiago a a parte superior do templo. Também a parte de trás da Igreja sofreu alterações pois a cabeceira da Igreja foi cortada para alargar a rua Visconde da Luz, antiga rua de Coruche.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jardim da Manga

Continuando com a temática do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, vamos hoje falar do Jardim da Manga, assim chamado, segundo a tradição, pelo facto de D. João III, com certeza num dia de grande inspiração, o ter desenhado na manga do seu pelote.
Era, sem sombra de dúvidas, uma história bonita se tivesse algum fundamento.
Os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, conhecidos como Crúzios, chamavam-lhe simplesmente Fonte da Manga.
Este era um dos dois claustros do Mosteiro de Santa Cruz (o outro é o Claustro do Silêncio) e que hoje se encontra aberto para a via pública (Rua Olímpio Nicolau Farnandes).
A sua traça deve-se a João de Ruão, famoso escultor de origem francesa, como o próprio nome indica, e é uma representação da Fonte da Vida que é Cristo, aqui simbolicamente representado pela água que sai do templete central e alimenta oito tanques agrupados dois a dois.
Nas fotografias vê-se Jardim da Manga na actualidade (1ª) e no tempo em que ainda estava de pé a Torre Sineira de Santa Cruz (2ª fotografia).
Embora em regime de self-service o Restaurante do Jardim da Manga é uma boa opção para uma refeição.