quarta-feira, 30 de maio de 2007

Jardim da Sereia (Parque de Santa Cruz)

O Parque de Santa Cruz, popularmente conhecido como Jardim da Sereia, pertencia ao Mosteiro de Santa Cruz, estando integrado na sua cerca.
Foi criado como espaço de lazer e meditação para os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, também conhecidos como Crúzios, devido ao nome do Mosteiro.
A sua construção teve lugar quando à frente da comunidade monástica estava D. Gaspar da Encarnação, que chegou a ser ministro de D. João V.
A entrada do Jardim é coroada por três estátuas representando a Fé, a Caridade e a Esperança.
O Terreiro da Péla, apresenta uma bela cascata ao fundo. No cimo das escadas, a Fonte da Nogueira com uma estátua representando um Tritão abrindo a boca a um golfinho, de onde corre a água para uma fonte, encontrando-se aí o motivo pelo qual o Parque de Santa Cruz passou a ser designado por Jardim da Sereia.
A juntar a tudo isto, uma mata cheia de recantos agradabilíssimos onde a água jorra em abundância, tornando possível que, no espaço hoje ocupado pela Avenida Sá da Bandeira (antigo laranjal dos monges), houvesse moinhos que a usavam como fonte de energia.

sábado, 26 de maio de 2007

A Tragédia da Praça da República

No dia 8 de Julho de 1938, aconteceu, na Praça da República, umas das maiores tragédias a que Coimbra já assisitiu.

Integrado no programa das Festas da Rainha Santa desse ano estava o ataque a um fogo, propositadamente ateado a um prédio em esqueleto que fora construído para o efeito na Praça da República.

Para cumprir esses objectivo edificou-se o referido esqueleto com 4 andares (contando o rés-de-chão) ao qual seria ateado fogo que os Bombeiros Municipais combateriam, salvando algumas pessoas que lá estavam.

A Praça encheu-s de gente para ver tal exibição mas algo correu mal.

Às 21.40 horas lançou-se fogo ao prédio com um molho de lenha embevida em petróleo, estando no seu interior 13 pessoas, pertencentes aos bombeiros e pessoal dos serviços de limpeza camarários.

Aconteceu que o fogo alastrou rapidamente e os bombeiros não havia meio de chegarem, tendo começado a ouvir-se gritos dos que estavam no interior da estrutura.

Quando os bombeiros finalmente chegaram pouco havia a fazer, pois a maior parte das pessoas havia-se atirado do cimo do prédio (cerca de 17 metros de altura), morrendo 9 na queda (outro viria a falecer mais tarde). Outros dois morreram carbonizados por não terem tido coragem de saltar. O mais novo tinha 12 anos e chamava-se José Abrunhosa.

E assim ficaram manchadas as festividades da Cidade desse ano, por este trágico episódio em que não foram tomadas as medidas necessárias para se acautelaram as vidas das pessoas envolvidas.
Penso que o caso só não teve outro tipo do consequências pois vivíamos em tempo de ditadura com a comunicação social amordaçada.

terça-feira, 22 de maio de 2007

A Praça (da República)

A Praça da República nem sempre teve este nome pois, inicialmente, chamava-se Praça D. Luís. A troca de nome tem a ver, como facilmente se comprova, com a alteração de regime político ocorrida em 5 de Outubro de 1910.

A propósito, sabia que no dia 5 de Outubro, além de se comemorar a Implantação da República, também se comemora, ou melhor, deveria comemorar a independência de Portugal, pois foi nesse dia, no distante ano de 1143, que foi assinado o Tratado de Zamora, em que D. Afonso VII, rei de Leão e Castela, reconheceu D. Afonso Hernriques, seu primo, como rei de Portugal?

Voltando à Praça, é de referir que, originalmente, estava a um nível mais baixo que o actual pelo que, para se entrar na Sereia ou Parque de Santa Cruz, tinha que se subir 13 degraus o que faz com que os torreões estejam, hoje, parcialmente enterrados (1ª fotografia). Por falar nos torreões, é uma pena que estejam cheios de grafitis que estragam as pinturas que ostentam.

Na segunda foto, de 1979, é visível, à direita, uma parte do Teatro Académico Gil Vicente no local onde, outrora, ficava a Casa da Quinta da Ribela, mandada erguer pelos priores de Santa Cruz, para que os monges aí se pudessem recolher quando iam até ao Jardim da Sereia ou aí passassem férias no Verão.

À volta desta praça, existem uma série de casas exibindo vários estilos revivalistas, de que falaremos um dia destes.

Outroa aspecto curioso da Praça é a movida estudantil que lhe traz uma grande animação, sobretudo à noite.

A Praça da República é conhecida em Coimbra simplesmente como a Praça e está tudo dito.

sábado, 19 de maio de 2007

Avenida Sá da Bandeira





Em 1885 a Câmara Municipal de Coimbra adquiriu por 22 contos de réis os terrenos que hoje constituem a Avenida Sá da Bandeira e que haviam pertencido à Cerca do Mosteiro de Santa Cruz.

Por ali corria uma ribeira que nasce no Jardim da Sereia, que fazia funcionar alguns moinhos já desaparecidos e que hoje alimenta os lagos aí existentes.

Para o espaço foi projectada uma artéria, uma espécie de Passeio Público, a que foi dado o nome de Avenida Sá da Bandeira, em 1889.

Os lotes que ladeavam esta nova avenida foram vendidos em hasta pública e aí foram construídos alguns dos mais belos edifícios da cidade em finais do século XIX, início do século XX. Alguns deles entretanto foram destruídos para dar lugar a alguns mamarrachos de mau gosto como por exemplo o Centro Comercial Avenida , no lugar do Teatro-Circo do Príncipe Real inaugurado em 1892, mais tarde designado por Teatro Avenida e o Golden Shopping Center.

Em 1928 foi-lhe acrescentado o jardim central projectado por Jacinto de Matos (duas últimas fotografias) e, 4 anos depois, o monumento aos mortos da 1ª Grande Guerra.

Merece ainda destaque a Escola Básica (antiga Escola Primária) nº1, vulgarmente conhecida como Escola de Santa Cruz (na 2ª fotografia) e que inicialmente era designada por Escola Central, projectada pelo arquitecto Adães Bermudes.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

1 ano - Hoje é dia de festa...


"Há sempre uma primeira vez para tudo.
Hoje, depois de incentivado pelo meu colega Carlos Moura, resolvi lançar-me na criação de um bloque.
Vamos lá ver o que vai sair daqui.
Penso partilhar convosco (com quem tiver pachorra para me ler) algumas histórias e estórias que fizeram, e fazem parte, da nossa identidade como povo.
Depois de muitas andanças pelo Clube de Arqueologia do CAIC, com um currículo de muitas visitas de estudo acompanhando alunos dos mais variados anos lectivos (a da foto teve lugar no dia 30 de Novembro, com os meus alunos do 10º ano para Mérida), já vou tendo algumas histórias e estórias que gostaria de partilhar.
Espero consegui-lo e, já agora, não ser muito maçador.
Até um dia destes.
Tozé Franco "

Assim começou este blogue, faz hoje, 16 de Maio, um ano, que tem andado por aí, à espera que alguém o leia.

Alguns o fizeram como o é possível verificar pelas mais de 15.000 visitas e pelos 170 posts publicados.

Os comentários já vão sendo alguns e têm incentivado este aprendiz de escriba a continuar a partilhar convosco alguns lugares, estórias e histórias, bem como sabores que vai encontrando ao longo da sua deambulação por esta vida.

Espero continuar a merecer a vossa visita e, já agora, o vosso comentário se for caso disso.

Um abraço e espero que nos continuemos a encontrar por aí...

Já agora, façam-me o favor de ser felizes..

Tozé Franco

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mercado D. Pedro V



O Mercado D. Pedro V, ou Praça com é conhecida entre os conimbricenses, é o principal mercado da cidade de Coimbra.
O Mercado foi construído no ano de 1867, depois da extinção das Ordens Religiosas e da nacionalização dos seus edifícios e terras, no local onde ficavam a horta e o laranjal do Mosteiro de Santa Cruz.
Este Mercado veio substituir o antigo de que já aqui falámos e que se realizava na Praça de S. Bartolomeu, conhecida actualmente como Praço do Comércio ou Praça Velha.
O espaço foi sofrendo obras ao longo dos tempos, tendo recebido portões no ano de 1904.
As três primeiras fotografias, tiradas sensivelmente do mesmo lugar, mostram-nos o mercado no início do século XX, com o aspecto que teve até às grandes obras que lhe deram o aspecto visível na 2ª fotografia. A zona retratada mostra-nos uma das principas entradas do Mercado que está hoje transformada numa zona de cargas e descargas (2º e 3ª fotografias).
Quanto à 4ª fotografia mostra-nos um grupo de vendedeiras do mercado, no início so século XX com os produtos que traziam do campo.
Na última fotografia, de 1979, é visível, ao fundo, a chamada Praça de Peixe, bom exemplar da arquitectura do ferro de finais do século XIX, inícios do século XX.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Os 7 Magníficos

Coimbra sempre foi uma cidade com algumas figuras típicas tendo, muitas delas, laços com a Academia.
Quem não se lembra do Teixeira, com a sua voz inconfundível, que gerou um amplo movimento de solidariedade entre os estudantes para arranjar dinheiro a fim de ser operado às vistas?
E o Carlos, que ainda hoje abre o Cortejo da Queima (2ª foto), que sempre recolheu os cartões nas lojas da baixa para os vender no Geraldo, um ferro-velho existente, ainda hoje, na rua da Sota, nas traseiras da Zara, antigo cinema Tivoli?
Tempos houve em que se falava dos 7 magníficos de Coimbra. Eis 4 deles.
O que está montado no leão, encontrei-o há tempo na zona do Girasolum, a cravar, não beijinhos às meninas que passeiam, mas uma bebida e uma moedinha às pessoas que estavam numa das esplanadas..
Esta é a minha pequena homenagem a todos aqueles que contribuíram e contribuem para fazer de Coimbra aquilo que ela é.
PS: Hoje foi dia de Cortejo da Queima das Fitas. Aliás a 2ª fotografia, onde está o Carloa, foi tirada nele. Mais uma vez a academia saíu à rua para fazer a sua festa e eu próprio me desloquei à cidade para ver a festa porque tinha lá a minha herdeira.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Praça Velha (Praça do Comércio)


A actual Praça do Comércio que, em tempos idos, se chamou praça de S. Bartolomeu (nome da Igreja situada num dos topos) ou simplesmente Praça é vulgarmente conhecida pelo nome de Praça Velha, pois aí funcionou, durante muito tempo, o mercado que abastecia a cidade. Com a construção do Mercado D. Pedro V (actual mercado) nos terrenos até aí ocupados pelos laranjais de Santa Cruz, a Praça do Comércio passou a ser popularmente conhecida como Praça Velha (por oposição à Praça Nova).
Ainda hoje se realizam aí a Feira das Cebolas e a das Antiguidades.
Hoje, ocupada por inúmeras esplanadas, tem, no centro, uma cópia do antigo Pelourinho de Coimbra.
Para ela convergem muitas das ruas onde, antigamente, desempenhavam as suas funções os mesteirais, facto esse ainda patente no nome de algumas ruas (Rua dos Sapateiros, por exemplo).
Num dos topos, junto à Igreja de São Bartolomeu ficava, quando eu era míudo, a casa das Mijadinhas famosa pelos seus pastéis de Santa Clara (dizia-se que era ali o único sítio onde eram feitos segundo a receita original) e pelos seus confeites que eram a perdição dos miúdos que andavam no Externato Feliciano de Castilho, propriedade da professora D. Alice a quem eu e outros da minha geração muito devem.
No topo oposto fica uma das igrejas mais antigas da cidade e que bem merece uma visita: a Igreja de Santiago de belo estilo românico.
Nas duas primeiras fotografias é visível essa Igreja (de S. Tiago) em duas épocas diferentes com assinaláveis alterações no edifício.
Na fotografia mais antiga são visíveis construções que adulteraram o edifício original e que ocupavam o espaço hoje preenchido com as escadas de S. Tiago a a parte superior do templo. Também a parte de trás da Igreja sofreu alterações pois a cabeceira da Igreja foi cortada para alargar a rua Visconde da Luz, antiga rua de Coruche.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jardim da Manga

Continuando com a temática do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, vamos hoje falar do Jardim da Manga, assim chamado, segundo a tradição, pelo facto de D. João III, com certeza num dia de grande inspiração, o ter desenhado na manga do seu pelote.
Era, sem sombra de dúvidas, uma história bonita se tivesse algum fundamento.
Os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, conhecidos como Crúzios, chamavam-lhe simplesmente Fonte da Manga.
Este era um dos dois claustros do Mosteiro de Santa Cruz (o outro é o Claustro do Silêncio) e que hoje se encontra aberto para a via pública (Rua Olímpio Nicolau Farnandes).
A sua traça deve-se a João de Ruão, famoso escultor de origem francesa, como o próprio nome indica, e é uma representação da Fonte da Vida que é Cristo, aqui simbolicamente representado pela água que sai do templete central e alimenta oito tanques agrupados dois a dois.
Nas fotografias vê-se Jardim da Manga na actualidade (1ª) e no tempo em que ainda estava de pé a Torre Sineira de Santa Cruz (2ª fotografia).
Embora em regime de self-service o Restaurante do Jardim da Manga é uma boa opção para uma refeição.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Onde é que você estava no primeiro 1º de Maio?

Encontrei esta fotografia num dos álbuns onde guardo algumas das minhas memórias. Aqui estou eu, na Praça 8 de Maio (antigo largo de Sansão), vestido a rigor, como mandava a moda da altura e como indispensável cravo ao peito.
Esperava pela manifestação, a 1ª grande manifestação havida depois da Revolução, para a acompanhar. Lembro-me que fui até à Ponte de Santa Clara festejando o dia do trabalhador e a liberdade recém-conquistada..
Uma fotografia dessa manifestação em cima da Ponte já saiu num dos exames do 12º ano de História.
Nessa altura, todos estávamos cheios de sonhos e acreditávamos que tudo era possível.
E agora aqui vos deixo um resumo sobre a origem do 1º de Maio:
No dia 1 de Maio de 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América que tinha como finalidade reivindicar a redução do horário diário de trabalho para 8 horas. Nessa manifestação participaram centenas de milhares de pessoas. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio das forças policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas
Três anos mais tarde, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.
Em 1 de Maio de 1891, uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e, meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de melhores condições de trabalho
A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado, sendo este exemplo seguido por outros países.
Um abraço e bom feriado para todos.

E a nomeação vai para...

Queria a agreadecer a Segredos da Esfinge ( http://segredosdaesfinge.blogspot.com/ ) a honra que me atribuiu e esperar continuar a ser digno de tão grande louvor.
Pela minha parte prometo continuar a mostrar-vos pormenores da minha cidade, dos meus passeios (não tantos como gostaria!), as minhas estórias e os sabores que gosto.
Um abraço e bem-hajam todos os que fazem este blogue, ou seja, todos aqueles que por aqui passam e se limitam a ler a minha prosa ou resolvem também deixar uma mensagem.
Gostaria de nomear:
http://stellamatutina2007.blogspot.com/
http://clubedearqueologia.blogspot.com/
http://coimbradosamores.blogspot.com/
http://dispersamente.blogspot.com/
http://examesecompanhia.blogspot.com/
Um abraço para todos.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Torre Sineira de Santa Cruz de Coimbra




Trago-vos hoje algumas fotografias bem antigas onde é visível a antiga Torre de Santa Cruz de estilo barroco.
Em algumas das fotografias é também visível o Claustro da Manga, ainda completamente rodeado pelas dependências do Mosteiro de Santa Cruz.
Como facilmente se constata ao passar na Praça 8 de Maio, a Igreja de Santa Cruz não tem sinos, tendo sido essa função desempenhada por esta torre, que se situava no local onde hoje encontramos as Escadas de Montarroio (última foto), construídas em 1986, tendo, ao centro, uma fonte que, em tempos, foi conhecida como Fonte dos Judeus e que, originalmente, estava situada na parte de cima da actual Praça do Peixe do Mercado D. Pedro V.
Da parte de cima da praça ficava a Antiga Judiaria.

  • 1ª foto - Para além da Torre, é ainda visível, do lado esquerdo da torre, o edifício onde está instalada a PSP e que era nem mais nem menos que o antigo Celeiro do Mosteiro, enquanto do lado direito (actual Escola Jaime Cortesão) ficava a Enfermaria.
  • 2ª foto - A Torre vista da parte de cima do Claustro da Manga, ainda este claustro estava rodeado pelas construções do Mosteiro.
  • 3º foto - A imponente torre sineira vista a partir do Calustro do Silêncio.
  • 4ª foto - Foto, não muito clara, que mostra a Torre a cair. A Torre entrou em ruínas tendo caído, ou melhor dizendo, tendo sido deitada abaixo, em 3 de Janeiro de 1935 (ruiu às 15h24), com a colaboração dos bombeiros que, para isso, injectaram água nos seus alicerces. A Gazeta de Coimbra fazia a seguinte descrição do acontecimento: "Queda imponente, majestosa, gradiosisíma dum belo-horrível deslumbrante". Um crime, diria eu. Parece-me que já se estava a ensaiar para o que, aluns anos depois, se iria passar na alta da cidade.
  • 5 foto - As actuis escadas de acesso a Montarroio(1), construídas no local onde estava a Torre e a Fonte dos Judeus.

Já agora, se quiser ver uma reprodução da torre tem sempre a possibilidade de o fazer no Portugal dos Pequeninos.

(1)Montarroio deve a sua designação ao facto de os seus terrenos serem argilosos e calcários (Monte Rubium - monte amarelo - designação que aparece e documentos do século XI).

O Restaurante do Jardim de Manga é uma boa proposta para comer algo quando o termpo urge. A comida, embora em regime self-service, é boa e o pessoal simpático. Há ainda a hipótese de levar comida para casa.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Mosteiro de Santa Cruz - II - Coimbra

Eis mais duas fotografias da Igreja de Santa Cruz de Coimbra separadas porcerca de 100 anos.

Da primitiva igreja de Santa Cruz traçada por um tal Roberto(1), pouco resta hoje em dia, para além de uns arcos que ainda são visíveis no interior da igreja e que pertenciam ao Narthex. Desta construção mais antiga é visível, na fachada, a pedra amarelada da Mesura, Santa Clara.
O professor Nogueira Gonçalves fez a reconstituição daquilo que seria a igreja primitiva onde, para além do Narthex já referido e que tinha, num piso superior, os túmulos dos dois reis fundadores da nacionalidade, existia uma capela-mor cuja planta seria coincidente com a actual, com duas capelas colaterais e que remataria a nave da Igreja.
Um facto curioso - No tempo de D. Manuel, quando este por ali passou a caminho de Santiago de Compostela, a igreja ameaçava ruína o que levou o rei a mandar deitar a igreja abaixo e levantar outra em seu lugar, para dar sepultura condigna aos primeiros reis de Portugal. Para além disto também as instalações do mosteiro foram beneficiadas e aumentadas, passando a ocupar uma área que se estendia até ao actual Jardim da Sereia (que ficava dentro da cerca do mosteiro).
Este facto não foi, todavia, tão inocente como parece, pois o rei, sabendo que o Papa queria nomear Prior de Santa Cruz um sobrinho, o Cardeal Galiotto Franciotto la Rovere, que assim poderia beneficiar das rendas do Mosteiro (um dos mais ricos de Portugal) sem nunca cá pôr os pés, decidiu mandar restaurar o Mosteiro.
Assim D. Manuel sem afrontar o Papa, comprometeu as receitas do Mosteiro com as obras, fazendo o sobrinho do Papa perder o interesse pelo priorado.
Desta reconstrução é todo o portal em pedra branca de Ançã.

(1) Que também é o responsável pelo edifício da Sé Velha.
PS: Hoje é dia 25 de Abril e, embora tendo decidido não escrever um post sobre o 25 de Abril, não posso deixar de recordar a data que nos trouxe a liberdade e a democracia e de que alguns se tentam apropriar, como se essa data só a si dissesse respeito.
VIVA O 25 DE ABRIL

domingo, 22 de abril de 2007

Igreja de Santa Cruz - Coimbra


Mais três fotografias (e mais uma de bonus) que nos permitem ter uma ideia das alterações que foram ocorrendo na nossa cidade.

  • 1ª foto - Tirada num Domingo de manhã. A entrada da igreja faz-e subindo dois degraus. Na fachada nota-se a pedra amarela da Mesura (Santa Clara) da construção original (século XII) e a pedra branca de Ançã das obras levadas a cabo no século XVI a mando de D. Manuel I. Um dia ainda falaremos destas obras, pois revestem alguns aspectos curiosos.
  • 2ª foto - Datada de finai do século XIX inícios do século XX. Nessa altura ainda se desciam 11 degraus para entrar na Igreja. O actual Café Santa Cruz, antiga Igreja de S. João de Santa Cruz, tinha a fachada bastante diferente da que apresenta na actualidade.
  • 3ª foto - Claustro do Silêncio do Mosteiro de Santa Cruz. Como curiosidade o facto de se ver a torre sineira de Santa Cruz, que existia ao lado da Escola Jaime Cortesão, onde hoje ficam as escadas de acesso a Montarroio. Um dia destes falaremos dela e da sua demolição.
  • 4ª foto - Bonus. Outra foto da Praça 8 de Maio (último post) com a passagem do Cortejo do Centenário da Sebenta.
A fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra ocorreu nos anos 30, do século XII e teve como principal impulsionador D. Telo que, três anos antes, tinha estado para ser nomeado Bispo de Coimbra, por morte de D. Gonçalo, o detentor do cargo.
Em Dezembro de 1130, mandou D. Afonso Henriques passar carta de doação dos "Banhos Reais", que ficavam nos subúrbios da cidade, a favor de D.Telo.
Segundo relato de Pedro Alfarde, D. Telo deu em troca uma bonita sela que tinha comprado em Monpiller e que havia andado a exibir na cidade, tendo despertado o interesse de D. Afonso Henriques. Na opinião de alguns historiadores, "Os Banhos Reais" talvez sejam as antigas termas romanas de Aeminium ou os banhos de domínio muçulmano.
Ainda há pouco tempo se efectuavam escavações no antigo refeitório do convento, na tentativa de se encontarem vestígios de tais Banhos que, penso eu, se poderão localizar não aí, mas do lado oposto, junto à fonte de Paio Guterres, situada no Claustro do Silêncio que chegou a ter fama de milagrosa (a água curava as doenças oftalmológicas).
Uma estória curiosa - Na década de 30 do século passado o Mondego teve umas grandas cheias que inundaram toda a baixa e, naturalmente, a Igreja de Santa Cruz que ficou com água a grande altura.
Como ninguém conseguia chegar ao Santíssimo (na altura estava numa capela lateral) por causa da água, acabou por ser um artesão que vivia na baixinha que, habituado há muito às cheias (chegava-se a andar de barco nas ruelas da baixa), lá foi a nado, qual Camões, buscar o Santíssimo.
Como pagamento por tal feito, decidiu o Prior de Santa Cruz, dar-lhe um Pinto de Ouro (moeda em ouro).
Um dia destes voltaremos a Santa Cruz, pois neste mosteiro fica o maior Santuário da Europa que continua desconhecido da maioria dos conimbricenses.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Praça 8 de Maio - Coimbra



Voltamos hoje a falar de Coimbra e a partilhar algumas fotografias antigas da nossa cidade. Comecemos pela Praça 8 de Maio.
A Praça 8 de Maio é assim chamada por ter sido nesse dia, corria o ano de 1834, que entraram na cidade, as tropas liberais do Duque da Terceira.
Até aí, e mesmo muito depois, era popularmente conhecida como Largo de Sansão, devido ao facto de ali existir, no centro da praça, uma estátua dessa personagem bíblica que encimava um chafariz aí erguido. Construído a mandado de D. Afonso Martins, prior de Santa Cruz, foi-lhe acrescentada a estátua referida em 1592.
Curioso é o facto de, em 1612, a Câmara ter decidido proibir a lavagem de louça e roupas nesse local.
Esse chafariz acabou demolido, em 1876, a fim de ser construído o actual edifício da Câmara Municipal de Coimbra.
Em tempos idos o Largo de Sansão era um dos locais preferidos pelas vendedeiras, para aí venderem os produtos das suas hortas e não só, o que levou a Câmara, em 1784, a determinar que só aí podiam transacionar os seus produtos, as vendedeiras com mais de 50 anos e de boa reputação.

Muito lindo é Sansão
Que tem bicas a correr
Mais lindo é Montarroio
Que tem moças a valer.
Merece destaque, neste largo, a Igreja de Santa Cruz (de que falaremos um dia destes) e o Café Santa Cruz, instalado na antiga Igreja de S. João de Santa Cruz, onde entrar é sempre um deleite para os olhos pois, para além de tomar um simples café, podemos apreciar os seus vitrais bem como a magnífica abóbada que lhe serve de cobertura.

Curiosidades das fotografias:
  • 1ª foto - Data de inícios do século XX e tem como curiosidade o facto de os dois prédios na zona central serem os mesmos qua ainda hoje existem no início da rua Visconde da Luz (adquiriu este nome em 1858, depois de ter sofrido obras de alargamento), antiga rua de Coruche, famosa pelos seus ourives. Do lado esquerdo a Igreja de Santa Cruz, antes do rebaixamento da Praça, altura em que era necessário descer 11 degraus para lá entrar. Do lado direito as palmeiras que desapareceram com as mesmas obras.

  • 2ª foto - Datada de 1979. Nessa altura ainda o trânsito passava pela Praça 8 de Maio. Destaque para o "Pantufinha" (nome carinhoso dado pelos conimbricenses aos troleis, por não fazerem barulho) que ia a passar A igreja de Santa Cruz ainda continuava num nível inferior ao da Praça.

  • 3ª foto - A Praça, na actualidade, vista do mesmo sítio. Actualmente, para entrar na Igreja de Santa Cruz sobem-se 2 degraus. O muro em frente mostra-nos a altura anterior da praça. Desapareceram as palmeiras, surgindo, do lado direito, um lago com repuxos.

  • 4ª foto - O lago refrido no comentário anterior.

  • 5ª foto - Mostra-nos o lado contrário da Praça, sendo visível a rua da Sofia e o edifício da Caixa Geral de Depósitos, muito ao gosto da arquitectura do Estado Novo.

  • 6ª foto - Fotografia de um postal do início do século XX, mostrando a Câmara Municiapal, construída em terrenos que haviam pertencido ao Mosteiro de Santa Cruz. No centro, ao cimo, figura o brasão da cidade, de que já aqui demos conta, com as imagens esculpidas ao contrário (foto 7).

terça-feira, 17 de abril de 2007

Arroz de lampreia



Foi no Domingo passado. (Isto não tem nada a ver com a casa da Mariquinhas)
Depois das tapas de Espanha nada como um bom Arroz de Lampreia para acalmar as hostes.
O melhor arroz de Lampreia do mundo é o feito pela minha mãe, posso garantir-vos com toda a certeza.
Não que isto não possa parecer supeito, mas garanto-vos que não estou a regar. É realmente o melhor.
Depois de muitos anos de prática no Zé Manel dos Ossos, posso assegurar-vos que estava divinal.
No dia seguinte (16/04/2007), a minha mãe preparava-se para cozinhar mais três, penso eu, para um grupo de amigos de muitos anos do Zé Manel. Que o diga o http://pesporra.blogspot.com/.
Na Corunha aprendi que as lampreias depois de regressarem ao rio para desovar (nascem no rio mas vivem a via adulta no mar até regressarem para desovar), deixam de comer. Daí o facto de morrerem despois de desovar.
Na Casa dos Peixes havia um aquário que tinha algumas dezenas de exemplares. Segundo nos disseram, se a água estiver suficientemente fria podem sobreviver até um ano sem se alimentarem.

E agora para os mais aventureiros eis os ingredientes e a receita:

· 1 lampreia
· 1/2 kg de arroz
· 1 cebola grande
· 1 ramo de salsa
· 1 folha de louro
· 1 dente de alho
· Azeite
· Unto ou banha de porco
· Pimenta, colorau, sal e margarina
· vinho tinto
Confecção:
Pela-se a lampreia pondo-a num alguidar, e, sobre ela, deita-se água a ferver. Com uma faca, tira-se a pele, só raspando. Abre-se a lampreia da cabeça até ao fundo dos buracos, e junto à cauda, dá-se um golpe para tirar a tripa inteira. Aproveita-se o sangue no mesmo recipiente, pondo vinho tinto de modo a tapar a lampreia, e tempera-se com os condimentos acima descritos. Deve ficar de véspera com esses temperos. No dia seguinte, faz-se um refogado com a cebola, azeite, banha ou unto e margarina. Depois do refogado feito põe-se a lampreia dentro e deixa-se refogar, virando dos dois lados. Cobre-se então com a marinada dos temperos. Deixa-se cozer a lampreia durante cerca de 15 minutos, de forma a que não fique desfeita. Tira-se a lampreia, põe-se água em quantidade tripla de arroz, deixa-se ferver e põe-se o arroz, deixando cozer cerca de 15 minutos. Serve-se em seguida numa travessa funda, sendo o arroz coberto com a lampreia inteira, apenas golpeada.


Nota: Cá em casa vai para a mesa em dois tachos, um com o arroz e outro com a lampreia já cortada às postas.

Para sobremesa é sempre possível comer uma lampreia de ovos para compor o ramalhete.
Bom apetite.