domingo, 15 de abril de 2007

Corunha 2007


Só vos posso dizer que ir à Corunha com um grupo de alunos como este é espectacular. Numa altura em que as notícias de LLoret del Mar andam nas bocas do mundo, ir com estes alunos do 12º ano, faz-nos acreditar no futuro.
Um grande bem-haja para todos.
Quanto ao resto, tudo correu bem.
Os locais a visitar: Vigo, Santiago de Compostela (Catedral e zona velha) e a Corunha (Domus, Casa das Ciências e Casa dos Peixes), valem o esforço de erguer às 4 horas da manhã para sair às 5.
S. Pedro também ajudou pois esteve do nosso lado e brindou-nos com dois dias de sol.
Uma última palavra para os responsáveis do Colégio de Santa Maria del Mar, da Corunha que, mais uma vez, nos receberam e disponibilizaram as suas instalações para pernoitarmos. O Colégio situa-se mesmo junto à ria de Burgos, permitindo, asssim, que o mar fosse a primeira coisa que víamos quando saíamos dos nossos aposentos.
  • 1ª foto - No primeiro dia provámos as ostras, no Mercado da Pedra, em Vigo e houve alunos que passaram a prova. Parabéns.
  • 2ª foto - O grupo antes de visitar a Catedral. Uma visita que, só por si, vale a ida à Galiza.
  • 3ª foto - A luz e o interior da Catedral. A maneira como a luz entra no transepto, por uma rosácea, e ilumina o paço interior convida ao recolhimento e à oração.
  • 4ª foto - A Taberna do Bispo. Um lugar obrigatório para quem gosta de Tapas.
  • 5ª e 6ª fotos - Alguns dos petiscos do almoço de Sábado: Mexilhões Gratinados e Pulpo à la Feria ou à Galega. Tenho pena de não me lembrar do nome do restaurante mas, felizmente, lembro-me da localização: Corunha.
  • 7ª foto - As famosas marquises que são a imagem mais típica da Corunha.
  • 8ª foto - A Domus ou Casa do Homem, um museu interactivo que vale uma visita demorada. A vida humana e os seus segredos são o tema central. A sua arquitectura é outro factor que vale a pena admirar. Já agora vale a visita a uma imponente estátua do Botero que está ao lado da fachada (foto 9).
  • 10ª foto - Eis a baía do Riazor vista da Casa do Homem (Domus). A paisagem natural vista daí é de cortar a respiração pois a Corunha é uma cidade com mar por todos os lados.

É nestas alturas que sentimos como é bom sermos professores, pois um grupo como este vale bem o incómodo de sair de casa e dormir à "pressa". Até para o ano de 2008, se me convidarem.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Anta de Pavia




Um dos sítios mais curiosos do Alentejo fica em Pavia: uma Anta transformada em Capela de culto a S. Dinis.
A referida Anta, ou Dólmen, (que foi construída como monumento funerário) e que fica mesmo no centro da Vila, atesta que esta zona era já habitada em tempos pré-históricos.
É uma das maiores Antas de Portugal (não estou a contar com as Antas de duas pernas que por aí andam!), apresentando 4,30 metros de diâmetro e 3,3 metros de altura.
Não se sabe ao certo quando foi transformado em capela, sabendo-se apenas que terá sido antes de 1625, data em que já aparece referida como a designação de S. Dinis.
O espaço foi escavado por Virgílio Correia, tendo saído daí algum material para o Museu Nacional de Arqueologia.
É composta por sete esteios (as pedras ao alto) e chapéus graníticos, tendo o frontal do altar em azulejaria monocroma, de estilo barroco datado de 173o. Parte dele está actualmente retirado para restauro.
Gostaria de acrescentar que preferia que a Anta estivesse no seu estado original, não posso deixar de reconhecer, no entanto, que este aproveitamento deve ser uma situação única no mundo ou, quanto muito, raríssimo.
Eis um motivo para passar por Pavia sem ser preciso ir a Itália.
E depois, bem, depois, há sempre a comida alentejana.
Boa viagem e bom apetite.
Nota: Vou estar ausente por uns dias, pois vou para Santiago de Compostela e Corunha com os alunos do 12º ano do Colégio. Vamos lá ver se trago umas fotos de jeito e se como umas tapas para animar.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A caminho do Pulo do Lobo





Para quem gosta de locais calmos e quase sem vivalma, eis um dos lugares mais famosos e menos conhecidos de Portugal: o Pulo do Lobo.
Há uns anos atrás, tornou-se conhecido devido a uma célebre entrevista a Cavaco Silva, em que afirmou desconhecer o assunto perguntado pois estivera no Pulo do Lobo e lá não havia rede de telemóvel.
Nota: continua a não haver, o que bem vistas as coisas, até tem aspectos positivos, pois permite estar desligado do mundo e apreciar melhor a paisagem que se abre aos nossos olhos.
É um local pouco conhecido pois fica desvido das estradas que levam ao Algarve. Aliás, muita gente que por aí passa, do Alentejo só conhece a estrada que leva ao Algarve, 10 metros para cada lado da estrada e pouco mais.
Mas, acreditem que vale a pena um pulo ao Pulo do Lobo.
Para quem não se quiser meter em caminhos de terra batida o melhor é ir pela estrada que liga Beja a Mértola. Mas, para quem gostar de aventuras, o melhor é seguir pela margem esquerda do Guadiana. Foi o meu caso. Até se passa a vau por uma ribeira, se o caudal assim o deixar.
Não vos tomo mais tempo pois acho que as fotografias são elucidativas.
Boa viagem.

sábado, 7 de abril de 2007

Petiscos portugueses




Para que não me acusem de ser iberista (tenho uma costela espanhola pois o meu avô paterno era espanhol, ou melhor, galego) aqui estão as provas de que se come muito bem em Portugal.
Reconheço que as fotografias não estão grande coisa, mas a impaciência para me lançar no pecado da gula era tanta que até me fez tremer a mão.

Passemos, então, às apresentações:

1ª fotografia - Arroz de Lingueirão de que já aqui falei em ( http://historiasesabores.blogspot.com/2006/11/cacela-velha.html ). É uma especialidade da casa Costa, em Fábrica, Cacela-a-Velha, mesmo junto à Ria Formosa.

2ª fotografia - Chocos à Costa. Uma especialidade. Fritos em azeite e dentes de alho inteiros com casca e tudo. Vão bem a acompnahr como Arroz de Lingueirão.

3ª fotografia - Sopa de Cação comida no Martinho da Arcada em Évora. Uma especialidade que vale a pena uma ida a Évora.

4º fotografia - Pezinhos de Coentrada, no mesmo restaurante. Uma maravilha para quem não se preocupa com colesterol.

5ª fotografia- Morgado de Amêndoa, embora a fotografia seja de uma anterior visita. De qualquer maneira continua bom e recomenda-se. Este foi comido no Costa, em Cacela-a-Velha

Em Évora comeu-se uma Encharcada, de que já aqui apresentámos a receita em: http://historiasesabores.blogspot.com/2006/05/vora-praa-do-giraldo.html)


Bom apetite.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Tapas






Uma das coisas que mais gosto em Espanha é ir de tapas, isto é, comer tapas. Ir petiscar como diríamos por aqui.
É impressionante a variedade de tapas que podemos encontrar.
Segundo me contaram, o nome "tapas", deve-se ao facto de, quando serviam os copos de vinho, lhe colocarem em cima um prato para proteger o vinho do pó, até que começou a ser habitual colocar algo, por exemplo azeitonas, em cima do referido prato. Assim terão nascido as tapas que se tornaram numa espécie de instituição nacional espanhola.
Apesar de não ser espanhol, reconheço que me agrada a perspectiva de ir tapear, pela variedade do que se pode comer, pelo convívio, pois muitas vezes é "obrigatório" peregrinar por vários sítios, e mais importante porque SIM.
Nas imagens, que são apenas uma pequena amostra, temos:
  • Chopitos (Portonovo - Galiza)
  • Polvo à Galega (Ayamonte)
  • Calamares (Ayamonte)
  • Berbigões e Piquitos (pimentos) rellenos (Santiago de Compostela)
  • Batatas bravas, calamares, berbigões, costeletas de cordeiro, pescaditos, etc (Santiago de Compostela)
  • Churros e Chocolate quente (La Antilla - Andaluzia)
Bom apetite e, já agora, acreditem que é possível comer bem em Espanha.
P.S.: Tapas é em Espanha e não por aí, numas imitações nem sempre baratas, por muito típicas que queiram parecer.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Semana Santa - Sevilha







Eis um dos motivos da ausência: uma pulada até Espanha, mais propriamente até Sevilha.
As fotos foram tiradas no Domingo de Ramos, durante as procissões que decorrem nas princiais ruas da parte antiga da cidade. No total havia nove procissões, cada um com mais de mil penitentes.
É impressonante como as Confrarias se mobilizam, organizando estas procissões, que se podem prolongar por mais de seis horas, percorrendo várias ruas e praças. Cada uma é composta por milhares de penitentes que vão distribuindo doces às crianças presentes em grande número nas bermas das ruas.
A quantidade de pessoas que assiste é enorme, bem como o barulho que se faz sentir. Muitas delas são atrídas pela movida que isto implica, pois vão deambulando de rua em rua, bebendo umas cañas e comendo umas tapas.
Todas as procissões terminam com um andor enorme, levado por mais de 80 penitentes, dos quais só se vêm os pés. É impressionante o sincronismo necessário para se movimentarem bem como para dar as curvas com o andor. Este, aliás, é um dos aspectos mais curiosos, pois obriga a parar a procissão visto ser uma manobra complicada. Quando a imagem dá a volta, todas as pessoas que assistem batem palmas.
Um último pormenor: toda a gente vem para a rua com os fatos domingueiros, parecendo que todos vão para um casamento. Apenas o gosto me merece algum reparo, pois situa-se, em muitos casos, entre o Zezé e o Toni da Conversa de Treta, para os homens e a Ágata para as mulheres. Mas, gostos não se discutem.
Posto isto, e embora a confusão seja imensa nesta ocasião, Sevilha vale sempre uma visita demorada.
Na última fota é visível a Torre da Giralda, junto à Catedral.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Largo da Portagem



Atravessada a ponte de Santa Clara no sentido Norte/sul chegamos ao Largo da Portagem.
O nome deste largo (Portagem) deve-se ao facto de, em tempos idos, aí se cobrarem os impostos sobre as mercadorias que chegavam à cidade, vindas do sul.
Na Portagem ficava o Pelourinho, símbolo do poder municipal, hoje na chamada Praça Velha e a cadeia da cidade que, mais tarde, foi mudada para os antigos celeiros do Mosteiro de Santa Cruz (actual esquadra da PSP).
Embora sempre tenha sido conhecido como Portagem, nome que perdura até hoje, chegou a ostentar outros nomes como Largo Príncipe D. Carlos e Largo Miguel Bombarda.
Desde 1911, apresenta, no centro, uma estátua de um conhecido conimbricense, Joaquim António de Aguiar, responsável pelo decreto-lei que extinguiu as Ordens Religiosas em Portugal, pelo que é popularmente conhecido como Mata Frades.
Algumas curiosidades:
  • Na primeira fotografia, com mais de 100 anos, não existia a estátua, o piso era em terra e é visível o prédio branco, do lado esquerdo do outro que tem um toldo, que há cerca de 3 meses ruiu.
  • Na 2ª fotografia é visível a estátua de Joaquim António de Aguiar, o Mata-frades, representado a assinar o decreto de extinção das Ordens religiosas.
  • Na 3 fotografia vê-se novamente a estátua e, à esquerda, o belíssimo edifício do Banco de Portugal.
  • A 4ªfoto foi tirada cerca de 1 minuto depois do prédio referido na primeira curiosidade ter ruído, pois eu estava a passar na Portagem, nessa altura.

Aqui perto uma sugestão para comer: O Zé Manel, a cerca de 50 metros, para quem gosta de cozinha portuguesa e lugares castiços. Garanto-vos que, tendo lá comido todos os dias, durante cerca de 22 anos, é uma experiência inesquecível.

Sugestões: Barrigunhas na brasa com arroz de feijão, Bacalhau doidinho, Cogumelos aporcalhados, etc, etc, etc. É melhor ficar por aqui porque já me está a crescer água na boca.

Até já. Vou estar ausente uns dias. Ate lá, façam-me o favor de ser felizes.

terça-feira, 27 de março de 2007

Ponte Rainha Santa




A 6 de Janeiro de 2000, o ministro Jorge Coelho consignava a construção da obra da Ponte Europa (nome da ponte por essa altura) afirmando, nos discursos da praxe, que o prazo previsto para a conclusão dobra era de 23 meses (700 dias) e o custo de 7 milhões de contos (35 milhões de euros).
Como sabemos, Einstein descobriu a relatividade e Portugal serve de exemplo claro para provar que a teoria é verdadeira. Não só o tempo é relativo quando se trata de obras públicas, pois os 23 meses (700 dias, que exactidão! Só falta mesmo os minutos!) transformaram-se quase no dobro, pois o tabuleiro construído a partir da margem esquerda não se encontrava, como era suposto, com o vindo da margem direita. O raciocínio devia estar correcto mas os cálculos pelos vistos não! Pormenores!... Como é de calcular (com raciocínio bem elaborado) os custos dispararam, como também é normal em obras portuguesas.
E, já agora, como também é normal, a culpa morreu solteira.
Isto faz parte do no fado e da nossa história pois, ao longo dos tempos, sempre assim aconteceu e alguns casos até se tornaram famosos como a Igreja de Santa Engrácia (actual Panteão Nacional) e as Capelas Imperfeitas da Batalha, famosas por nunca terem sido acabadas.
Mas, muitos euros e muitos meses depois, a ponte lá foi inaugurada tendo, antes disso, mudado de nome para Ponte Rainha Santa, que tem muito mais a ver com Coimbra.
É uma belíssima ponte, como podemos constatar na imagem, e dela tem-se um magnífica vista sobre Coimbra.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Praia Fluvial de Coimbra


(Clique nas fotografias para aumentar)

Em 2 de Agosto de 1935 foi inaugurada aquela que foi a primeira praia fluvial portuguesa, construída por mão humana: a praia fluvial do Mondego, em Coimbra.

Custo total da obra: 60 contos (300 Euros). Não sei se houve derrapagens orçamentais, mas estes números, lidos a esta distância, têm piada.

A praia nasceu com espaço de convívio e recreio, numa altura em que a cidade perdia parte dos seus habitantes, pois os estudantes tinham regressado a casa para as férias grandes e uma parte importante dos seus habitantes não tinha posses económicas para ir a banhos, para a Figueira da Foz.

À boa maneira portuguesa logo surgiram críticas à sua localização acusando-a de inquinar a agua.

Aquando da inauguração houve festa rija, com salva de 21 tiros, banda de música do Colégio dos Órfãos (S. Jerónimo) e sessão solene com discursos e tudo, como não podia deixar de ser.

Para a execução da praia, retirou-se grande quantidade de areia, foi colocada estacaria para protecção e retenção das águas, ainda visível quando as comportas do açude abrem e baixa o nível das águas (a jusante da actual ponte de Santa Clara).

Nas margens e areal (em certos anos criava-se uma ilha de areia) abriram-se bares, esplanadas, restaurantes, alugavam-se toldos e chapéus de sol e ainda barcos de recreio. Havia ainda uma casa para mudar de roupa e uma bilheteira onde se comprava o bilheteque permitia o acesso a um passadiço de acesso à zona de banhos.

Em 1935, ano da inauguração, o encerramento aconteceu em Outubro.

Nos anos seguintes a praia foi ganhando imponência, até que, em 1947, já não foi erguida pois os custos haviam-se tornado exorbitantes.

É pena pois a actual praia de Torres do Mondego, embora num sítio bonito (pena os incêndios) não tem a beleza e o charme da presente nas fotos.


Algumas curiosidades:

  • A 1ª fotografia é tirada da zona do actual Praça da Canção - Choupalinho (margem esquerda). Na parte superior direita ainda é visível o Observatório Astronómico que existia no Pateo das Escolas e que foi deitado abaixo na década de 40, por ordem de Salazar, aquando da construção da cidade universitária.
  • A 2ª fotografia foi tirada do actual governo civil.
  • O número de barcos a remos que podeiam ser alugados chegou aos 21.
  • Era também erguida todos os anos uma piscina com 33 metros de comprimento que sobreviveu à praia fluvial, chegando aos anos 60.
  • A ilha e o passadiço são bem visíveis nas duas últimas fotografias.

terça-feira, 20 de março de 2007

As pontes de madeira do Choupal.

A Mata do Choupal foi criada com o propósito de oferecer resistência às cheias do Mondego e atenuar o assoreamento provocado pelo Basófias. Simultaneamente, cumpria a função de "repartir as cheias", dispersando a água através de canais que "cortam" o espaço verde na transversal - os chamados valeiros.
Em 1791, o Eng. Padre Estevão Cabral liderou o projecto que permitiu que hoje ali se encontre uma vasta área de Plátanos, Faias, Loureiros e Eucaliptos e Choupos (aos quais deve o seu nome), que albergam a maior colónia nidificante de milhafres da Europa.
O projecto incluiu a construção de um novo leito para o rio que assim foi desviado do chamado rio velho, contactando com ele pelos tais canais.
A fotografias mostra-nos um das pontes existentes para atravessar um desses canais. Não sei se é a primeira, para quem entra no Choupal pelo lado da Ponte-Açude, num valeiro que tinha um lago permanente (os outros costumavam estar secos no Verão) conhecido entre nós como Frigorífico, devido à água fria.
Tinha ainda a particularidade de ter uma nascente onde costumávamos beber água. Bons tempos!
Lembro-me de aí ter tomado, uma vez, banho num dia 28 de Fevereiro. Recordo-me de ter saído da água mais depressa do que entrei. Coisas da juventude...
Hoje, o Choupal atrai muita gente devido ao desporto que aí se pode praticar e ao prazer de poder desfrutar de um amplo espaço verde.
Conseguiu resistir, apesar de tudo, ao rude golpe que sofreu com a construção do Açude-Ponte e do canal de rega, que matou mais de 5 mil árvores.
Esta mortandade deve-se, não só, ao abate de árvoes para a construção do referido canal, como aos vários milhares de árvores que morreram devido ao abaixamento do nível das águas a jusante do Açude-Ponte.

sábado, 17 de março de 2007

Pontes de Coimbra (As pontes de madeira)




Quando era miúdo e ia ao Choupal, lembro-me bem, no Verão, de junto à 2ª casa do guarda, haver uma ponte de madeira que atravessava o rio Mondego, o Basófias, pois nessa altura do ano era mais a areia do que a água que levava.

Penso que essa ponte, conhecida como a do Pama, é a que aparece na 1ª fotografia. sendo também visível uma barca. Essa ponte ia ter à zona da Bencanta, onde havia um barracão que funcionava como bar.

Estas estruturas eram construídas apenas para o Verão, unindo as duas margens, sendo desmontadas no final do mesmo, pois não aguentariam as cheias do rio. De vez em quando lá acontecia que, havendo cheias mais cedo, lá ia a ponte por água abaixo.

As segunda e terceira fotografias representam outra ponte de igual estrutura, a montante da primeira, vendo-se um conjunto de pessoas a atravessá-la. Esta era conhecida como a ponte do Moreno. Ficava a montante da actual ponte do caminho-de-ferro. A ponte do Moreno ligava a zona da Estação Nova (armazéns) ao Almegue (margem esquerda do Mondego), terra famosa pelo seu poço, onde se pescava achigãs, carpas e enguias e que os locais garantiam não ter fundo. Aquando da construção da Ponte-Açude foi o dito poço aterrado, verificando-se que a crença não tinha fundamento.

Entre estas duas, havia ainda um conhecida como a do Borges, nome de uma propriedade junto ao Choupal que produzia excelente fruta. Daquela que ainda sabia a fruta, não sei se me entendem?

Outras havia noutras zonas do rio, tornando-se uma delas famosa (na zona de Pé de Cão) pelo facto de, numa época em que o rio já apresentava cheias (noite de 31 de Dezembro de 1978), ter sido arrastada por ele e, com ela, cinco caçadores que a atravessavam, tendo falecido quatro deles.
O curioso é que o atravessamento destas pontes implicava o pagamento de uma "portagem" que rondava os 0$50 (cinquenta ccntavos).
A 4ª foto mostra-nos uma nora semelhante à que está no canal de rega que corre junto ao Choupal, que era montada na margem esquerda do rio, e que permitia elevar a água para regar os campos. Esta estrutura também era desmontada no Inverno, pois não era capaz de resistir à fúria da água.

A silhueta inconfundível da nossa cidade lá está a marcar presença em duas das fotografias.