quinta-feira, 5 de abril de 2007

Tapas






Uma das coisas que mais gosto em Espanha é ir de tapas, isto é, comer tapas. Ir petiscar como diríamos por aqui.
É impressionante a variedade de tapas que podemos encontrar.
Segundo me contaram, o nome "tapas", deve-se ao facto de, quando serviam os copos de vinho, lhe colocarem em cima um prato para proteger o vinho do pó, até que começou a ser habitual colocar algo, por exemplo azeitonas, em cima do referido prato. Assim terão nascido as tapas que se tornaram numa espécie de instituição nacional espanhola.
Apesar de não ser espanhol, reconheço que me agrada a perspectiva de ir tapear, pela variedade do que se pode comer, pelo convívio, pois muitas vezes é "obrigatório" peregrinar por vários sítios, e mais importante porque SIM.
Nas imagens, que são apenas uma pequena amostra, temos:
  • Chopitos (Portonovo - Galiza)
  • Polvo à Galega (Ayamonte)
  • Calamares (Ayamonte)
  • Berbigões e Piquitos (pimentos) rellenos (Santiago de Compostela)
  • Batatas bravas, calamares, berbigões, costeletas de cordeiro, pescaditos, etc (Santiago de Compostela)
  • Churros e Chocolate quente (La Antilla - Andaluzia)
Bom apetite e, já agora, acreditem que é possível comer bem em Espanha.
P.S.: Tapas é em Espanha e não por aí, numas imitações nem sempre baratas, por muito típicas que queiram parecer.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Semana Santa - Sevilha







Eis um dos motivos da ausência: uma pulada até Espanha, mais propriamente até Sevilha.
As fotos foram tiradas no Domingo de Ramos, durante as procissões que decorrem nas princiais ruas da parte antiga da cidade. No total havia nove procissões, cada um com mais de mil penitentes.
É impressonante como as Confrarias se mobilizam, organizando estas procissões, que se podem prolongar por mais de seis horas, percorrendo várias ruas e praças. Cada uma é composta por milhares de penitentes que vão distribuindo doces às crianças presentes em grande número nas bermas das ruas.
A quantidade de pessoas que assiste é enorme, bem como o barulho que se faz sentir. Muitas delas são atrídas pela movida que isto implica, pois vão deambulando de rua em rua, bebendo umas cañas e comendo umas tapas.
Todas as procissões terminam com um andor enorme, levado por mais de 80 penitentes, dos quais só se vêm os pés. É impressionante o sincronismo necessário para se movimentarem bem como para dar as curvas com o andor. Este, aliás, é um dos aspectos mais curiosos, pois obriga a parar a procissão visto ser uma manobra complicada. Quando a imagem dá a volta, todas as pessoas que assistem batem palmas.
Um último pormenor: toda a gente vem para a rua com os fatos domingueiros, parecendo que todos vão para um casamento. Apenas o gosto me merece algum reparo, pois situa-se, em muitos casos, entre o Zezé e o Toni da Conversa de Treta, para os homens e a Ágata para as mulheres. Mas, gostos não se discutem.
Posto isto, e embora a confusão seja imensa nesta ocasião, Sevilha vale sempre uma visita demorada.
Na última fota é visível a Torre da Giralda, junto à Catedral.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Largo da Portagem



Atravessada a ponte de Santa Clara no sentido Norte/sul chegamos ao Largo da Portagem.
O nome deste largo (Portagem) deve-se ao facto de, em tempos idos, aí se cobrarem os impostos sobre as mercadorias que chegavam à cidade, vindas do sul.
Na Portagem ficava o Pelourinho, símbolo do poder municipal, hoje na chamada Praça Velha e a cadeia da cidade que, mais tarde, foi mudada para os antigos celeiros do Mosteiro de Santa Cruz (actual esquadra da PSP).
Embora sempre tenha sido conhecido como Portagem, nome que perdura até hoje, chegou a ostentar outros nomes como Largo Príncipe D. Carlos e Largo Miguel Bombarda.
Desde 1911, apresenta, no centro, uma estátua de um conhecido conimbricense, Joaquim António de Aguiar, responsável pelo decreto-lei que extinguiu as Ordens Religiosas em Portugal, pelo que é popularmente conhecido como Mata Frades.
Algumas curiosidades:
  • Na primeira fotografia, com mais de 100 anos, não existia a estátua, o piso era em terra e é visível o prédio branco, do lado esquerdo do outro que tem um toldo, que há cerca de 3 meses ruiu.
  • Na 2ª fotografia é visível a estátua de Joaquim António de Aguiar, o Mata-frades, representado a assinar o decreto de extinção das Ordens religiosas.
  • Na 3 fotografia vê-se novamente a estátua e, à esquerda, o belíssimo edifício do Banco de Portugal.
  • A 4ªfoto foi tirada cerca de 1 minuto depois do prédio referido na primeira curiosidade ter ruído, pois eu estava a passar na Portagem, nessa altura.

Aqui perto uma sugestão para comer: O Zé Manel, a cerca de 50 metros, para quem gosta de cozinha portuguesa e lugares castiços. Garanto-vos que, tendo lá comido todos os dias, durante cerca de 22 anos, é uma experiência inesquecível.

Sugestões: Barrigunhas na brasa com arroz de feijão, Bacalhau doidinho, Cogumelos aporcalhados, etc, etc, etc. É melhor ficar por aqui porque já me está a crescer água na boca.

Até já. Vou estar ausente uns dias. Ate lá, façam-me o favor de ser felizes.

terça-feira, 27 de março de 2007

Ponte Rainha Santa




A 6 de Janeiro de 2000, o ministro Jorge Coelho consignava a construção da obra da Ponte Europa (nome da ponte por essa altura) afirmando, nos discursos da praxe, que o prazo previsto para a conclusão dobra era de 23 meses (700 dias) e o custo de 7 milhões de contos (35 milhões de euros).
Como sabemos, Einstein descobriu a relatividade e Portugal serve de exemplo claro para provar que a teoria é verdadeira. Não só o tempo é relativo quando se trata de obras públicas, pois os 23 meses (700 dias, que exactidão! Só falta mesmo os minutos!) transformaram-se quase no dobro, pois o tabuleiro construído a partir da margem esquerda não se encontrava, como era suposto, com o vindo da margem direita. O raciocínio devia estar correcto mas os cálculos pelos vistos não! Pormenores!... Como é de calcular (com raciocínio bem elaborado) os custos dispararam, como também é normal em obras portuguesas.
E, já agora, como também é normal, a culpa morreu solteira.
Isto faz parte do no fado e da nossa história pois, ao longo dos tempos, sempre assim aconteceu e alguns casos até se tornaram famosos como a Igreja de Santa Engrácia (actual Panteão Nacional) e as Capelas Imperfeitas da Batalha, famosas por nunca terem sido acabadas.
Mas, muitos euros e muitos meses depois, a ponte lá foi inaugurada tendo, antes disso, mudado de nome para Ponte Rainha Santa, que tem muito mais a ver com Coimbra.
É uma belíssima ponte, como podemos constatar na imagem, e dela tem-se um magnífica vista sobre Coimbra.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Praia Fluvial de Coimbra


(Clique nas fotografias para aumentar)

Em 2 de Agosto de 1935 foi inaugurada aquela que foi a primeira praia fluvial portuguesa, construída por mão humana: a praia fluvial do Mondego, em Coimbra.

Custo total da obra: 60 contos (300 Euros). Não sei se houve derrapagens orçamentais, mas estes números, lidos a esta distância, têm piada.

A praia nasceu com espaço de convívio e recreio, numa altura em que a cidade perdia parte dos seus habitantes, pois os estudantes tinham regressado a casa para as férias grandes e uma parte importante dos seus habitantes não tinha posses económicas para ir a banhos, para a Figueira da Foz.

À boa maneira portuguesa logo surgiram críticas à sua localização acusando-a de inquinar a agua.

Aquando da inauguração houve festa rija, com salva de 21 tiros, banda de música do Colégio dos Órfãos (S. Jerónimo) e sessão solene com discursos e tudo, como não podia deixar de ser.

Para a execução da praia, retirou-se grande quantidade de areia, foi colocada estacaria para protecção e retenção das águas, ainda visível quando as comportas do açude abrem e baixa o nível das águas (a jusante da actual ponte de Santa Clara).

Nas margens e areal (em certos anos criava-se uma ilha de areia) abriram-se bares, esplanadas, restaurantes, alugavam-se toldos e chapéus de sol e ainda barcos de recreio. Havia ainda uma casa para mudar de roupa e uma bilheteira onde se comprava o bilheteque permitia o acesso a um passadiço de acesso à zona de banhos.

Em 1935, ano da inauguração, o encerramento aconteceu em Outubro.

Nos anos seguintes a praia foi ganhando imponência, até que, em 1947, já não foi erguida pois os custos haviam-se tornado exorbitantes.

É pena pois a actual praia de Torres do Mondego, embora num sítio bonito (pena os incêndios) não tem a beleza e o charme da presente nas fotos.


Algumas curiosidades:

  • A 1ª fotografia é tirada da zona do actual Praça da Canção - Choupalinho (margem esquerda). Na parte superior direita ainda é visível o Observatório Astronómico que existia no Pateo das Escolas e que foi deitado abaixo na década de 40, por ordem de Salazar, aquando da construção da cidade universitária.
  • A 2ª fotografia foi tirada do actual governo civil.
  • O número de barcos a remos que podeiam ser alugados chegou aos 21.
  • Era também erguida todos os anos uma piscina com 33 metros de comprimento que sobreviveu à praia fluvial, chegando aos anos 60.
  • A ilha e o passadiço são bem visíveis nas duas últimas fotografias.

terça-feira, 20 de março de 2007

As pontes de madeira do Choupal.

A Mata do Choupal foi criada com o propósito de oferecer resistência às cheias do Mondego e atenuar o assoreamento provocado pelo Basófias. Simultaneamente, cumpria a função de "repartir as cheias", dispersando a água através de canais que "cortam" o espaço verde na transversal - os chamados valeiros.
Em 1791, o Eng. Padre Estevão Cabral liderou o projecto que permitiu que hoje ali se encontre uma vasta área de Plátanos, Faias, Loureiros e Eucaliptos e Choupos (aos quais deve o seu nome), que albergam a maior colónia nidificante de milhafres da Europa.
O projecto incluiu a construção de um novo leito para o rio que assim foi desviado do chamado rio velho, contactando com ele pelos tais canais.
A fotografias mostra-nos um das pontes existentes para atravessar um desses canais. Não sei se é a primeira, para quem entra no Choupal pelo lado da Ponte-Açude, num valeiro que tinha um lago permanente (os outros costumavam estar secos no Verão) conhecido entre nós como Frigorífico, devido à água fria.
Tinha ainda a particularidade de ter uma nascente onde costumávamos beber água. Bons tempos!
Lembro-me de aí ter tomado, uma vez, banho num dia 28 de Fevereiro. Recordo-me de ter saído da água mais depressa do que entrei. Coisas da juventude...
Hoje, o Choupal atrai muita gente devido ao desporto que aí se pode praticar e ao prazer de poder desfrutar de um amplo espaço verde.
Conseguiu resistir, apesar de tudo, ao rude golpe que sofreu com a construção do Açude-Ponte e do canal de rega, que matou mais de 5 mil árvores.
Esta mortandade deve-se, não só, ao abate de árvoes para a construção do referido canal, como aos vários milhares de árvores que morreram devido ao abaixamento do nível das águas a jusante do Açude-Ponte.

sábado, 17 de março de 2007

Pontes de Coimbra (As pontes de madeira)




Quando era miúdo e ia ao Choupal, lembro-me bem, no Verão, de junto à 2ª casa do guarda, haver uma ponte de madeira que atravessava o rio Mondego, o Basófias, pois nessa altura do ano era mais a areia do que a água que levava.

Penso que essa ponte, conhecida como a do Pama, é a que aparece na 1ª fotografia. sendo também visível uma barca. Essa ponte ia ter à zona da Bencanta, onde havia um barracão que funcionava como bar.

Estas estruturas eram construídas apenas para o Verão, unindo as duas margens, sendo desmontadas no final do mesmo, pois não aguentariam as cheias do rio. De vez em quando lá acontecia que, havendo cheias mais cedo, lá ia a ponte por água abaixo.

As segunda e terceira fotografias representam outra ponte de igual estrutura, a montante da primeira, vendo-se um conjunto de pessoas a atravessá-la. Esta era conhecida como a ponte do Moreno. Ficava a montante da actual ponte do caminho-de-ferro. A ponte do Moreno ligava a zona da Estação Nova (armazéns) ao Almegue (margem esquerda do Mondego), terra famosa pelo seu poço, onde se pescava achigãs, carpas e enguias e que os locais garantiam não ter fundo. Aquando da construção da Ponte-Açude foi o dito poço aterrado, verificando-se que a crença não tinha fundamento.

Entre estas duas, havia ainda um conhecida como a do Borges, nome de uma propriedade junto ao Choupal que produzia excelente fruta. Daquela que ainda sabia a fruta, não sei se me entendem?

Outras havia noutras zonas do rio, tornando-se uma delas famosa (na zona de Pé de Cão) pelo facto de, numa época em que o rio já apresentava cheias (noite de 31 de Dezembro de 1978), ter sido arrastada por ele e, com ela, cinco caçadores que a atravessavam, tendo falecido quatro deles.
O curioso é que o atravessamento destas pontes implicava o pagamento de uma "portagem" que rondava os 0$50 (cinquenta ccntavos).
A 4ª foto mostra-nos uma nora semelhante à que está no canal de rega que corre junto ao Choupal, que era montada na margem esquerda do rio, e que permitia elevar a água para regar os campos. Esta estrutura também era desmontada no Inverno, pois não era capaz de resistir à fúria da água.

A silhueta inconfundível da nossa cidade lá está a marcar presença em duas das fotografias.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Pontes de Coimbra - A ponte do comboio (Choupal)



Ainda sou do tempo em que passavam comboios a vapor na Estação Velha (Coimbra B). A minha avó materna morava no Bairro Armando Cortez (Alto da Estação Velha) e eu passava aí umas temporadas nas férias e alguns fins-de-semana.
Muito gostava eu de ver os comboios, desde a da janela da sua sala de jantar e de jogar futebol num parque acimentado, junto ao sítio onde estavam paradas as caruagens do correio. Ainda havia comboio-correio nesse tempo.
Vem isto a propósito das fotografias da ponte do comboio existente no Choupal e que está integrada na linha do Norte, da qual eu tinha de saber todas as estações, na escola primária (dessa e de todas as outras). Como costumo dizer, no final da 4ª classe estava pronto para ir trabalhar para qualquer bilheteira da CP, pois não havia estação de caminhos-de-ferros que eu não conhecesse.
Obrigado Professora Alice, por me ter exigido isso, pois permitiu-me treinar a memória e aumentar os meus conhecimentos geográficos, contribuindo para aquilo que sou hoje. A exigência nunca fez mal a ninguém.
Voltando à ponte, gostaria de chamar a atenção para algumas curiosidades presentes nas fotografias:
  • O facto de o nível médio das águas do Mondego ser superior ao actual, por ainda não ter sido construído o açude-ponte, que baixou o nível das águas a jusante, matando milhares de árvores no Choupal, por as raízes não conseguirem atingir a água devido à idade da maioria das árvores.
  • Na 1ª e 3ª fotografias são visíveis comboios puxados por locomotivas a vapor.
  • Na 2ª foto é visível um estudante de capa e batina com um chapéu de chuva aberto, em claro desrespeito pela praxe académica que, na altura, proibia o uso de de tal adereço.
  • Na 3ª foto é visível uma lavadeira na zona do Choupal (margem direita do rio) e ainda, ao fundo, a silhueta de Coimbra e da Universidade.
  • Ainda não tinham sido alteadas as margens do Mondego, o que tornava mais fácil o acesso ao rio, permitindo, com grande facilidade, tomar aí umas banhocas e posso garantir-vos que foram muitas.

Já agora, não posso deixar de agradecer a todos aqueles que visitaram este blogue e que possibilitaram que, na postagem anterior, tenha sido ultrapassado o número 10 000 de visitantes.

Parabéns a todos, com um especial enfoque para todos aqueles que aqui têm deixado os seus comentários, que constituem um estímulo para continuar.

Um grande BEM-HAJA para todos.

sábado, 10 de março de 2007

Pontes de Coimbra (Ponte de Santa Clara)





Em 30 de Outubro de 1954 é inaugurada uma nova ponte em Coimbra, a Ponte de Santa Clara. Esta ponte vinha sustituir a de ferro que existia a jusante da actual ponte e de que falámos no post anterior. Em relação à ponte anterior, apresentava 4 faixas de rodagem e iluminação. Ainda me lembro dos candeeiros aí presentes, bem como do triângulo, em parte relvado, no aceeso do Largo da Portagem.


Alguns factos curiosos:


  • Na primeira fotografia são visíveis as cofragens em madeira usadas na construção.

  • Nas 2ª e 3ª fotografias é vísivel a ponte antiga do lado direito (a jusante da actual ponte).

  • Na 2ª fotografia o acesso à ponte ainda está entaipado à espera que alguém viesse cortar a fita. Ainda não havia Estádio Universitário na margem sul, nem tinha, ainda, sido construída, à esquerda, a estrada que viria substituir a que passou a ser conhecida por antiga Nacional 1, que passa pelo Vale do Inferno.

  • Na 3ª fotografia é curioso ver o aglomerado de pessoas que se preparavam para assistir à inauguração da ponte, tendo por testemunha a estátua de Joaquim António de Aguiar, mais conhecido como o Mata-frades.

  • Nas 4ª 5ª 5fotografias vê-se mais uma vez a presença de um trolley-carro da linha 6, que servia Santa Clara. Avista-se, ainda, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, visível também na 2ª imagem.

  • Na actualidade o último arco do lado de Santa Clara está partido, sendo isso visível quer a partir da margem esquerda, quer no passeio e piso da própria ponte.

terça-feira, 6 de março de 2007

Pontes de Coimbra - Ponte de ferro




A ponte presente nas imagens substituiu a Ponte do Ó, de que falámos no post anterior e que, devido ao assoreamento do rio, foi demolida pois já estava a funcionar como represa, causando problemas de segurança.
A Ponte de Ferros situava-se a jusante da ponte de Santa Clara - cerca de 20 metros - sendo ainda visíveis os seus pilares em pedra qundo o açude-ponte abre as suas comportas, provocando um abaixamento do nível das águas do rio.
Quando eu era catraio, costumava passar até aoquer restava do primeiro pilar da margem direita para aí pescar.
Como podemos ver os pilares eram de pedra e a ponte de metal. A sua largura era diminuta e, com o aumento do trânsito, tornou-se imperiosa a sua substituição pela actual ponte de Santa Clara.
Algumas curiosidades:
  • É visível, em duas fotografias, a presença de trolley-carros. Hoje, Coimbra é a unica cidade do país que mantém esse tipo de transporte, os Pantufinhas como lhes chamavam em tempos idos, por não fazerem barulho ao deslocar-se.
  • Na última foto é visível uma rampa, hoje inexistente (embora haja outras junto à estação dos caminhos-de-ferro), onde atracavam as barcas serranas que aqui deixavam a lenha e o sal, por exemplo, até começarem a ser sustituídas pelo comboio.
  • A presença da silhueta do edifício do Hotel Astória que aparece em duas das fotos.
  • O facto de não ser permitido entrar na cidade descalço, o que levava as mulheres da margem sul que vinham vender à praça, e que muitas vezes andavam descalças, a calçar as chinelas, a meio da ponte, para não serem multadas pela polícia.
  • Na primeira fotografia é visível o actual edifício do Governo Civil, em ruínas.
  • Quando foi desmantelada, parte desta ponte foi levada para Ceira, onde, ainda hoje, serve na travessia do rio Ceira, para acesso à Conraria.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Pontes de Coimbra (Ponte do Ó)

Com base nas fotografias que estão em exposição no lado sul da Ponte Pedro e Inês, inicio, hoje, uma pequena incursão pelas pontes que fazem parte da história da nossa cidade.
Começo pela Ponte do Ó, assim designada pelo facto de possuir uma parte arredondada a meio que permitia que as caruagens se cruzassem, visto ser impossível no resto da ponte devido à sua exígua largura.
São ainda visíveis, na margem esquerda do rio o Convento de S, Francisco actual (futuro) Palácio dos Congressos e o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, ao cimo.
Este mosteiro veio substituir o antigo, devido ao facto do nível das águas do rio terem subido por causa do assoreamento provocado pelo corte das árvores, nas margens do Mondego (a lenha era importantíssima como fonte de aquecimento, para cozinhar e para a construção -andaimes-, sobretudo de Igrejas), que levou, aliás, à promulgação de legislação proibindo o seu abate.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Mangualde

Senhora do Castelo Senhora do Castelo
Pastéis de feijão do Patronato


No regresso da Guarda proponho-vos uma paragem em Mangualde.
Esta cidade do distrito de Viseu atravessou-se no meu caminho há 24 anos, pois foi aí que comecei a dar aulas, com um ordenado (só tinha meio horário) que não dava para as viagens, qualquer coisa à volta de 52€. Outros tempos.Para além dos inúmeros locais para visitar no concelho, lembro-me das pessoas que aí conheci e dos Pastéis de Feijão do Patronato.
Mangualde, que noutros tempos se chamava Azurara da Beira ou simplesmente Azurara, é uma terra antiquíssima que se situa na margem esquerda do Rio Dão, perto de Viseu.
Apresenta vestígios da presença do homem desde o neolítico (Antas da Cunha Baixa e Padrões), Idade do Bronze / Ferro (Castro do Bom Sucesso), passando pela época de domínio romano (Citânia da Raposeira, Troços de Vias Romanas, Marcos Miliários, Aras e Ruinas de Villae).
De longa tradição e história, o Castelo que outrora existia, terá sido tomado por um chefe mouro- Zurara.
Foi depois o Castelo conquistado aos Mouros por Fernando Magno, Rei de Leão em 1058.
Os Condes D. Henrique e Dona Teresa concederam-lhe foral em 1102.
O Castelo acabou por ser demolido e, no seu lugar, foi construído um Santuário -Nossa Senhora do Castelo.
Mangualde reserva em si mil segredos que só quem o visitar e desvendar é que fica a conhecer, os antigos monumentos, como a Ermida da Senhora do Castelo, localizada no cimo do monte, o Palácio dos Condes de Anadia, Casa dos Condes de Mangualde, Real Mosteiro de Maceira Dão, Ermida da Senhora de Cervães, Igreja da Misericórdia, Casa de Almeidinha, entre outros.
Para além de todos estes lugares que merecem visita atenta, destaque ainda para o Patronato, sito nas instalações da Igraja Paroquial, onde se pode encontrar alguma da melhor pastelaria que se produz neste país à beira mar plantado.
De destacar os famosos Pastéis de Feijão que são do melhor que já comi em toda a minha vida. Há dois anos, durante uma formação em Salamanca, levei uma caixa com umas dúzias deles e posso assegurar-vos que mais facilmente se conquistariam os espanhóis pelo estômago do que pela força das armas.
Assim houvesse pastéis disponíveis noutros tempos.
Mais um bom motivo para visitar Mangualde...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Guarda - a Catedral




A Sé Catedral da Guarda foi erguida no seguimento do pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III, para transferir a diocese da Egitânia para a nova cidade da Guarda, como vimos no post anterior.
Da construção original, de estilo românico, foram encontrados alguns vestígios que apontam para um edifício de planta muito simples.
No século XIV, concluiu-se uma segunda catedral, cuja construção fora iniciada por D. Sancho II, no local onde hoje se situa a Igreja da Misericórdia. Esta Catedral foi destruída aquando da reforma das muralhas levada a cabo por D. Fernando, por se encontrar fora das mesmas.
A actual Sé da Guarda remonta aos finais do século XIV, (reinado de João I, primeiro rei da 2ª dinastia – reinou entre 1385 e 1433), pois D. Fernando falhara a promessa de erguer novo templo (Como vemos as actuais promessas dos nossos governantes e candidatos a governantes durante as campanhas eleitorais nem originais são, limitando-se a copiar o passado!). A construção deve-se à iniciativa do bispo Vasco de Lamego, partidário da casa de Avis durante a crise dinástica.
As obras arrastaram-se lentamente (mais uma tradição lusitana!) e só no reinado de D. João III seriam concluídas (com toda a certeza depois de várias derrapagens orçamentais!), já em pleno século XVI, sendo por isso um dos monumentos portugueses dos últimos tempos do gótico, já com muitas influências do manuelino.
A história da catedral teve um período importante para a sua conservação, na viragem para o século XIX: em 1898 coube ao arquitecto Rosendo Carvalheira o restauro do edifício, executando aqui um dos mais importantes projectos de restauro revivalista, pelo que é notável o estado de conservação da catedral.
Mais um local para justificar uma paragem prolongada na Guarda.

Já agora, por aqui também se encontram Sardinhas Doces.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Guarda



A cidade da Guarda situa-se na zona Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 m atingida na Torre de Menagem do Castelo. É, por isso, a cidade situada a maior altitude em Portugal.
Desde há muito tempo que a zona é habitada havendo vestígios do 3º milénio antes de Cristo.
No período medieval, a Guarda faziaparte de uma malha de fortificações, sendo uma das mais importantes. Deste conjunto faziam parte outros castelos que teriam como função a defesa da fronteira com Castela e Leão, e da porta natural de travessia da Serra da Estrela. Do castelo da Guarda é possível um contacto visual com outras fortificações, como o Castro do Jarmelo (com ocupação medieval), Celorico da Beira, Trancoso, entre outros.
Foi a posição de destaque da cidade face ao território envolvente e compreendendo a importância de uma cidade poderosa no local em questão, que levou D. Sancho I a atribuir foral à Guarda, a 27 de Novembro de 1199, visando o seu desenvolvimento e prosperidade.
A Guada foi, assim, fundada com o propósito de servir de centro administrativo de comércio, organização e defesa da fronteira da Beira contra os Reinos Ibéricos que ficavam próximos: primeiro Reino de Leão, depois Castela e finalmente Espanha.
Foi este propósito que lhe deu o nome de Cidade da Guarda.
Em 1250 é criada a Diocese da Guarda, transferida de Idanha, a antiga e importante cidade romana da Egitânia, que foi largamente abandonada no tempo das invasões e lutas contra os mouros, já que a sua situação em plena fronteira e localização difícil de defender a expunham a raides, quer de mouros quer de cristãos.
A cidade da Guarda foi fundada em posição muito mais fácil de defender, o que lhe permitiria tirar à Idanha a posição de centro principal da Beira Interior.
As cidades portuguesas apresentavam, e a Guarda não é excepção, no século XII, várias características comuns: muralhas de forma triangular ou trapezoidal, localizadas ao longo de uma colina, sobre um rio, com distinção entre a cidade alta, a alcáçova e a almedina* (a cidade baixa.
Um dos marcos de referência das cidades medievais são as igrejas do interior do perímetro muralhado, que terão certamente influenciado a organização espacial do núcleo habitacional, levando a uma hierarquização das ruas.
Em 1260 são referidas as seguintes igrejas no espaço intra-muralhas: S. Vicente, Santa Maria da Vitória ou do Mercado, Santa Maria Madalena (próxima da Sé, a Este) e S. Tiago (a leste da Sé). No interior das muralhas definiam-se vários bairros, sendo os mais conhecidos S. Vicente, a judiaria (ambos na mesma paróquia) e Santa Maria do Mercado.
Por tudo isto garanto-vos que a Guarda vale bem uma visita, quer pela parte antiga, quer pela pujança que apresenta a cidade nova.

*Em árabe Almedina significa a Cidade).

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Sara Tavares - Bom Feeling

Hoje não me apetecia escrever um texto e, por isso, decidi partilhar convosco (juro que não tenho conta ni Millenium BCP) uma música da Sara Tavares, Bom Feeling (Live on Jools Holland).
As potencialidades da sua voz são imensas.
Bom feeling para todos vós e façam-me o favor de ser FELIZES.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Dia de S. Valentim

As comemoração do dia 14 como dia de S. Valentim e dos namorados tem várias explicações, umas de tradição cristã (enquanto isso for permitido por não ser considerado ofensivo para alguém!) e outras de tradição romana e pagã.
A Igreja Católica tem 3 santos com o nome de S. Valentim.
O que interessa para esta estória, terá vivido pelo século III, em Roma, tendo morrido como mártir no ano 270.
Segundo a lenda, S. Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do Imperador Cláudio II (que quer dizer coxo), que, por querer constituir um exército poderoso, proibiu o casamento aos jovens romanos, pois havia poucos a quererem alistar-se para se poderem casar.
Perante este facto Valentim ter-se-á revoltado e terá casado em segredo muitos jovens. Descoberto, acabou preso, torturado e dacapitado, no dia 14 de Fevererio de 270.
Mas, como quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, também esta lenda foi sendo aumentada com alguns pormenores.
Assim, S. Valentim, enquanto estava preso, seria visitado pela filha do seu carcereiro, com quem mantinha longas conversas e de quem se tornou amigo. No dia em que foi decapitado, ter-lhe-á deixado um bilhete com a inscrição "Do teu Valentim", dando assim início à tradição da troca de postais entre namorados.
Quanto à origem pagã da tradição, deve referir-se que, a 15 de Fevereiro, celebravam os romanos, o festival Lupecalla, coincidente, no calendário romano, com o início da Primavera.
Na véspera desse dia, as raparigas romanas colocavam um pedaço de tecido com o seu nome num recipiente. Os rapazes retiravam então um dos pedaços de pano, sendo que a rapariga aí identificada seria a sua namorada durante as celebrações, podendo o "namoro" prolongar-se por um ano.
Claro que, com a cristianização da sociedade romana, a Festa da Pimavera deu lugar às comemorações em honra de S. Valentim, como aconteceu, aliás, com muitas outras festas que foram cristianizadas.
Actualmente, numa sociedade cada vez mais consumista, à semelhança do que aconteceu com o Natal, também esta festa, até há poucos anos ignorada em Porugal, se está a transformar em mais um ocasião de negócio, onde o que interessa é consumir.