segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Mangualde

Senhora do Castelo Senhora do Castelo
Pastéis de feijão do Patronato


No regresso da Guarda proponho-vos uma paragem em Mangualde.
Esta cidade do distrito de Viseu atravessou-se no meu caminho há 24 anos, pois foi aí que comecei a dar aulas, com um ordenado (só tinha meio horário) que não dava para as viagens, qualquer coisa à volta de 52€. Outros tempos.Para além dos inúmeros locais para visitar no concelho, lembro-me das pessoas que aí conheci e dos Pastéis de Feijão do Patronato.
Mangualde, que noutros tempos se chamava Azurara da Beira ou simplesmente Azurara, é uma terra antiquíssima que se situa na margem esquerda do Rio Dão, perto de Viseu.
Apresenta vestígios da presença do homem desde o neolítico (Antas da Cunha Baixa e Padrões), Idade do Bronze / Ferro (Castro do Bom Sucesso), passando pela época de domínio romano (Citânia da Raposeira, Troços de Vias Romanas, Marcos Miliários, Aras e Ruinas de Villae).
De longa tradição e história, o Castelo que outrora existia, terá sido tomado por um chefe mouro- Zurara.
Foi depois o Castelo conquistado aos Mouros por Fernando Magno, Rei de Leão em 1058.
Os Condes D. Henrique e Dona Teresa concederam-lhe foral em 1102.
O Castelo acabou por ser demolido e, no seu lugar, foi construído um Santuário -Nossa Senhora do Castelo.
Mangualde reserva em si mil segredos que só quem o visitar e desvendar é que fica a conhecer, os antigos monumentos, como a Ermida da Senhora do Castelo, localizada no cimo do monte, o Palácio dos Condes de Anadia, Casa dos Condes de Mangualde, Real Mosteiro de Maceira Dão, Ermida da Senhora de Cervães, Igreja da Misericórdia, Casa de Almeidinha, entre outros.
Para além de todos estes lugares que merecem visita atenta, destaque ainda para o Patronato, sito nas instalações da Igraja Paroquial, onde se pode encontrar alguma da melhor pastelaria que se produz neste país à beira mar plantado.
De destacar os famosos Pastéis de Feijão que são do melhor que já comi em toda a minha vida. Há dois anos, durante uma formação em Salamanca, levei uma caixa com umas dúzias deles e posso assegurar-vos que mais facilmente se conquistariam os espanhóis pelo estômago do que pela força das armas.
Assim houvesse pastéis disponíveis noutros tempos.
Mais um bom motivo para visitar Mangualde...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Guarda - a Catedral




A Sé Catedral da Guarda foi erguida no seguimento do pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III, para transferir a diocese da Egitânia para a nova cidade da Guarda, como vimos no post anterior.
Da construção original, de estilo românico, foram encontrados alguns vestígios que apontam para um edifício de planta muito simples.
No século XIV, concluiu-se uma segunda catedral, cuja construção fora iniciada por D. Sancho II, no local onde hoje se situa a Igreja da Misericórdia. Esta Catedral foi destruída aquando da reforma das muralhas levada a cabo por D. Fernando, por se encontrar fora das mesmas.
A actual Sé da Guarda remonta aos finais do século XIV, (reinado de João I, primeiro rei da 2ª dinastia – reinou entre 1385 e 1433), pois D. Fernando falhara a promessa de erguer novo templo (Como vemos as actuais promessas dos nossos governantes e candidatos a governantes durante as campanhas eleitorais nem originais são, limitando-se a copiar o passado!). A construção deve-se à iniciativa do bispo Vasco de Lamego, partidário da casa de Avis durante a crise dinástica.
As obras arrastaram-se lentamente (mais uma tradição lusitana!) e só no reinado de D. João III seriam concluídas (com toda a certeza depois de várias derrapagens orçamentais!), já em pleno século XVI, sendo por isso um dos monumentos portugueses dos últimos tempos do gótico, já com muitas influências do manuelino.
A história da catedral teve um período importante para a sua conservação, na viragem para o século XIX: em 1898 coube ao arquitecto Rosendo Carvalheira o restauro do edifício, executando aqui um dos mais importantes projectos de restauro revivalista, pelo que é notável o estado de conservação da catedral.
Mais um local para justificar uma paragem prolongada na Guarda.

Já agora, por aqui também se encontram Sardinhas Doces.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Guarda



A cidade da Guarda situa-se na zona Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 m atingida na Torre de Menagem do Castelo. É, por isso, a cidade situada a maior altitude em Portugal.
Desde há muito tempo que a zona é habitada havendo vestígios do 3º milénio antes de Cristo.
No período medieval, a Guarda faziaparte de uma malha de fortificações, sendo uma das mais importantes. Deste conjunto faziam parte outros castelos que teriam como função a defesa da fronteira com Castela e Leão, e da porta natural de travessia da Serra da Estrela. Do castelo da Guarda é possível um contacto visual com outras fortificações, como o Castro do Jarmelo (com ocupação medieval), Celorico da Beira, Trancoso, entre outros.
Foi a posição de destaque da cidade face ao território envolvente e compreendendo a importância de uma cidade poderosa no local em questão, que levou D. Sancho I a atribuir foral à Guarda, a 27 de Novembro de 1199, visando o seu desenvolvimento e prosperidade.
A Guada foi, assim, fundada com o propósito de servir de centro administrativo de comércio, organização e defesa da fronteira da Beira contra os Reinos Ibéricos que ficavam próximos: primeiro Reino de Leão, depois Castela e finalmente Espanha.
Foi este propósito que lhe deu o nome de Cidade da Guarda.
Em 1250 é criada a Diocese da Guarda, transferida de Idanha, a antiga e importante cidade romana da Egitânia, que foi largamente abandonada no tempo das invasões e lutas contra os mouros, já que a sua situação em plena fronteira e localização difícil de defender a expunham a raides, quer de mouros quer de cristãos.
A cidade da Guarda foi fundada em posição muito mais fácil de defender, o que lhe permitiria tirar à Idanha a posição de centro principal da Beira Interior.
As cidades portuguesas apresentavam, e a Guarda não é excepção, no século XII, várias características comuns: muralhas de forma triangular ou trapezoidal, localizadas ao longo de uma colina, sobre um rio, com distinção entre a cidade alta, a alcáçova e a almedina* (a cidade baixa.
Um dos marcos de referência das cidades medievais são as igrejas do interior do perímetro muralhado, que terão certamente influenciado a organização espacial do núcleo habitacional, levando a uma hierarquização das ruas.
Em 1260 são referidas as seguintes igrejas no espaço intra-muralhas: S. Vicente, Santa Maria da Vitória ou do Mercado, Santa Maria Madalena (próxima da Sé, a Este) e S. Tiago (a leste da Sé). No interior das muralhas definiam-se vários bairros, sendo os mais conhecidos S. Vicente, a judiaria (ambos na mesma paróquia) e Santa Maria do Mercado.
Por tudo isto garanto-vos que a Guarda vale bem uma visita, quer pela parte antiga, quer pela pujança que apresenta a cidade nova.

*Em árabe Almedina significa a Cidade).

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Sara Tavares - Bom Feeling

Hoje não me apetecia escrever um texto e, por isso, decidi partilhar convosco (juro que não tenho conta ni Millenium BCP) uma música da Sara Tavares, Bom Feeling (Live on Jools Holland).
As potencialidades da sua voz são imensas.
Bom feeling para todos vós e façam-me o favor de ser FELIZES.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Dia de S. Valentim

As comemoração do dia 14 como dia de S. Valentim e dos namorados tem várias explicações, umas de tradição cristã (enquanto isso for permitido por não ser considerado ofensivo para alguém!) e outras de tradição romana e pagã.
A Igreja Católica tem 3 santos com o nome de S. Valentim.
O que interessa para esta estória, terá vivido pelo século III, em Roma, tendo morrido como mártir no ano 270.
Segundo a lenda, S. Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do Imperador Cláudio II (que quer dizer coxo), que, por querer constituir um exército poderoso, proibiu o casamento aos jovens romanos, pois havia poucos a quererem alistar-se para se poderem casar.
Perante este facto Valentim ter-se-á revoltado e terá casado em segredo muitos jovens. Descoberto, acabou preso, torturado e dacapitado, no dia 14 de Fevererio de 270.
Mas, como quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, também esta lenda foi sendo aumentada com alguns pormenores.
Assim, S. Valentim, enquanto estava preso, seria visitado pela filha do seu carcereiro, com quem mantinha longas conversas e de quem se tornou amigo. No dia em que foi decapitado, ter-lhe-á deixado um bilhete com a inscrição "Do teu Valentim", dando assim início à tradição da troca de postais entre namorados.
Quanto à origem pagã da tradição, deve referir-se que, a 15 de Fevereiro, celebravam os romanos, o festival Lupecalla, coincidente, no calendário romano, com o início da Primavera.
Na véspera desse dia, as raparigas romanas colocavam um pedaço de tecido com o seu nome num recipiente. Os rapazes retiravam então um dos pedaços de pano, sendo que a rapariga aí identificada seria a sua namorada durante as celebrações, podendo o "namoro" prolongar-se por um ano.
Claro que, com a cristianização da sociedade romana, a Festa da Pimavera deu lugar às comemorações em honra de S. Valentim, como aconteceu, aliás, com muitas outras festas que foram cristianizadas.
Actualmente, numa sociedade cada vez mais consumista, à semelhança do que aconteceu com o Natal, também esta festa, até há poucos anos ignorada em Porugal, se está a transformar em mais um ocasião de negócio, onde o que interessa é consumir.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Peña de Francia - A Virgem Negra


A Peña de Francia é uma montanha com 1723 metros de altitude, situada no sul da Província de Salamanca. É uma das montanhas mais altas da Sierra de Francia e que já falámos em posts anteriores.
A Peña é conhecida pela imagem da Virgem Negra e pelo Santuário situados no seu cume e que, no Inverno, é um local praticamente inacessível devido à neve.
No Verão é grande a afluência de turistas, sendo que grande parte vai aí em peregrinação. Para além do Santuário, merecem ainda destaque o hotel e um convento aí existentes.
Chegado ao cimo da Peña tem muito para visitar e admirar: a igreja de traça medieval com a Virgem Morena (Negra) e outros Santos, onde se costuma ouvir música gregoriana; o hospício, defronte da fachada do templo; o convento do século XV, há pouco tempo recuperado. Qualquer um destes locais merece visita demorada, até como forma de desfrutar o silêncio que aí predomina.
Ainda no exterior, merece visita o enorme e original Relógio de Sol, sobre o qual se poderá debruçar e tapar a sombra do arame que indica a hora do dia.
Depois delicie-se com a paisagem arrebatadora, com a imensidão que a vista abraca, com o voo das aves de rapina, com o silêncio contagiante e o ar puro que deve aproveitar para encher os pulmões.

A Virgem Negra

É na Paris Medieval que encontramos a origem da nossa história de hoje. Aí, a Virgem Maria apareceu a um jovem estudante de nome Simon Vela, dizendo-lhe para percorrer o mundo, a fim de encontrar uma imagem sua que estaria numa penha.
Simon percorreu os mais altos picos da Europa até chegar a Salamanca, onde alguém lhe falou de um penhasco situado a cerca de 80 quilómetros da cidade, conhecido, entre outras coisas, por aí se fabricar carvão.
Para aí partiu o jovem e aí encontrou, no cimo da montanha, numa gruta, a imagem que o levara a percorrer todo o continente europeu: uma Virgem Negra, com um menino ao colo igualmente negro, vestida com um manto branco imaculado.
Resolveu, então erguer aí uma pequena cabana onde entronizou a Virgem que passou a ser adorada pelas pessoas das redondezas.
Surgia assim, a 1723 metros de altitude na Peña de Francia, o mais elevado santuário mariano do mundo.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Sierra de Francia

Sierra de Francia
Santiago na Sierra de Francia
Pátio do Mosteiro

Perto de Alberca fica a Sierra de Francia que vale bem a pena subir.

A estrada, para quem não está habituado à montanha, é um pouco complicada, mas garanto-vos que já a subi (e desci) num autocarro de turismo.

Não mentirei se vos disser que nos encontramos perante um dos lugares mais afamados e de maior tradição turística de toda a província de Salamanca.

Um meio natural montanhoso, cheio de vales cobertos de florestas e percorridos por inúmeras correntes fluviais, favorece a elevada qualidade do meio ambiente da região, que lhe valeu a designação de Espaço Natural das Batuecas - Serra de França (Sierra de Francia).

As aldeias que a rodeiam apresentam uma valiosa arquitectura popular, servindo de singular cenário para festas, costumes e tradições ancestrais de grande riqueza e plasticidade.

A mesa nutre-se de excelentes guisados e assados, e o artesanato diversifica-se para completar um harmónico conjunto que, sem dúvida, irá surpreender quem por aqui passa.
Prometo dar-vos conta disso no próximo post.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

La Alberca - Salmodia



Em La Alberca é possível encontrar algumas tradições bem curiosas, embora por vezes haja que procurá-las ou esperar por elas.
Ainda hoje, diariamente ao escurecer, continua a ter lugar um rital de defuntos muito curioso. Uma mulher toca uma campainha em todas as esquinas da ladeia entoando uma salmodia pelas almas do Purgatório:

«Fieles cristianos
acordémonos de las benditas almas del purgatório
con un padrenuestro y un avemaría
por el amor de Dios»

Dá mais três toques e continua a entoar salmodia :

«Otro padrenuestro y otro avemaría
por los que están en pecado mortal
para que su Divina Majestad
los saque de tan miserable estado
»

A seguir toca mais três vezes a campainha e continua o caminho, sem deixar de rezar, até percorrer todo o percurso pela aldeia.
É costume seguirem-na algumas mulheres voluntárias que a acompanham nas suas orações e cânticos.
Eis mais um motivo de interesse para a visita.
Já agora, se o tempo o permitir, é imperdível tomar uma caña e degustar umas tapas na espectacular Plaza Mayor.
Pena é que em Portugal, em aldeias como, por exemplo, Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa), em plena zona do Douro, com uma espectacular praça central e uma bela Igreja, não haja nada, nem sequer um café para tomar algo.
De qualquer maneira fica a sugestão, pois a aldeia é um encanto, com um belo Palácio Barroco, onde funciona um simpático museu e muitas ruínas romanas nos arredores.
Assim vai o turismo em Portugal.

domingo, 28 de janeiro de 2007

La Alberca - O Porco do Povo

Porco do povo - o descanso do guerreiro
O descanso continua (mal sabe o que o espera!)
Monumento ao porco ao lado da Igreja Paroquial
Vista da Plaza Mayor

Uma das tradições mais curiosas em La Alberca é a presença, nas ruas, de um porco preto que é conhecido como o porco do povo.
Na primeira visita, o dito cujo, andava pelo meio das mesas nas esplanadas da Plaza Mayor, comportando-se como um cão à espera que lhe fizessem festas, rebonado-se pelo chão, etc.
Perante o nosso espanto, foi-nos dito que o porco era propriedade comunitária, que era alimentado por toda a gente, mas que, como a boa vida não pode durar sempre, no dia 13 de Junho era morto. Nesse dia, todos os habitantes da aldeia matam o seu porco, sendo para isso concedida uma autorização especial pelas autoridades sanitárias.
Numa segunda visita (quando tirei as fotografias) o porco, que já era outro, estava a dormir quando chegámos e a dormir continuou quando viemos embora.
De referir que, junto ao adro da Igreja Paroquial da terra, existe um monumento ao porco mostrando a importância que ele tem para a comunidade e justificando a fama dos enchidos e presuntos da terra.
Aí está uma compra que vale a pena fazer, assim como o mel e umas espécie de pinhoadas.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

La Alberca



A proposta vai hoje para uma das mais bonitas povoações de Espanha, La Alberca, situada a 1087 metros de altitude, junto à Sierra de Francia, na província de Salamanca, a cerca de 60 Km de Vilar Formoso.
A recuperação desta aldeia bem podia servir de exemplo para o que se podia e devia fazer nas nossas aldeias: recuperação, sem casas tipo “maison”, e com gente dentro, pois La Alberca conserva quase mil habitantes permanentes.
Os mais antigos vestígios de povoação humana datam da Pré-história, existindo pinturas rupestres da época neolítica.
Na Idade Méida, entre os séculos XII e XIII, ocorreu a repovoação, por decisão do rei D. Afonso IX.
La Alberca e a região à sua volta foram repovoadas com muita gente de origem francesa que aqui tinha chegado com D. Raimundo de Borgonha, nobre francês casado com D. Urraca, tia de D. Afonso Henriques. Esta é a explicação para muito topónimos franceses existentes na zona da Sierra de Francia.
Hoje em dia, La Alberca vale uma visita demorada, pois está cheia de surpresas, sendo a principal a beleza da sua arquitectura tradicional, baseada na pedra e madeira, que fez com que fosse declarada monumento histórico e artístico e Património da Humanidade.
La Alberca surpreende porque a arquitectura predominante não seria suposto encontrá-la ali. Aquelas, são casas que poderíamos perfeitamente enquadrar na paisagem alsaciana, alemã ou suíça, mas não ali, em plena Sierra de Francia.
Ao percorrermos calmamente as ruas, encontramos, nos portais das casas, as datas da sua construção, bem como signos e anagramas religiosos que mostram, publicamente, a fé dos seus moradores.
Os pisos superiores são sempre mais salientes que os inferiores, contribuindo para que os telhados quase se toquem, produzindo um curioso jogo de luzes e sombras, que dá um ambiente único à aldeia.
Há quem diga que a estrutura urbana é a típica de uma judiaria, pelo intrincado labiríntico e secreto das suas ruas. Há, também, quem afirme, ao percorrer o povoado, que se parece com os arredores de Damasco, atribuindo-lhe assim influências árabes. Disto resulta que muitas das suas ruas apenas podem ser percorridas a pé.
Podemos, isso sim, afirmar que La Alberca resulta da junção, ao longo dos séculos, das culturas cristã, judaica e árabe.
Como último destaque, uma referência muito especial a Plaza Mayor, para a qual confluem as principias artérias da localidade. Nesta, merecem especial destaque as varandas cobertas de flores, suportadas por colunas de granito e as esplanadas pode se podem degustar umas excelentes Tapas e umas Cañas para acalmar a sede, se for caso disso.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Salamanca - Victor e Catedral

Victor
Victor

Praça em frente à Universidade e estátua de Frei Luís de Léon

Um aspecto curioso de Salamanca é o facto de as paredes junto à Universidade e no seu interior estarem cobertas de uns graffitis de cor avermelhada.
Eis a justificação:
Os estudantes de Salamanca, logo depois da fundação da Universidade (cerca de 1200) tinham aulas na Catedral Velha. No entanto, devida à grande afluência de estudantes à cidade e a falta de luz no interior da Catedral Velha devido ao estilo em que havia sido construída, o Românico, construiu-se uma nova Catedral, que demorou vários séculos a ser concluída, pelo que apresenta vários estilos arquitectónicos sendo de destacar a fachada em estilo plateresco.
Na hora dos exames, os que eram aprovados, e assim terminavam o curso, tinham de organizar uma festa de três dias com comidas e bebidas.
No terceiro dia tinha ainda lugar uma corrida de touros. O touro que era lidado tinha de ser morto pelo estudante aprovado que, com o sangue do animal misturado com azeite, desenhava a palavra Victor, com o seu nome e o título obtido.
Estão assim explicadas as pinturas que se vêem um pouco por todas as paredes da Universidade e na praça que fica em frente da fachada principal. Este costume ainda hoje continua em vigor, embora as pinturas agora se façam com tinta de cor avermelhada.
Quanto aos estudantes que chumbavam, saíam pela porta de serviço e eram apupados pelos seus companheiros, uma vez que assim não ia haver festa. Eram ainda levados para junto ao rio Tormes onde eram sujeitos a todo o tipo de vexações.
Se fosse hoje, logo haveria um plano de recuperação que permitia ao aluno passar milagrosamente, embora pudesse não saber nada, não fosse o rapaz ficar traumatizado e dar cabo das estatísticas do sucesso escolar, para eurocrata ver.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Salamanca - Frei Luís de Leon

Entrada da Universidade
Sala de aulas de Frei Luis de Leon

Este sacerdote, Frei Luís de Leon, insigne professor, dava aulas na Universidade de Salamanca, onde teve problemas com a Inquisição que o levou preso e assim o manteve, durante cinco anos, numa cadeia em Valladolid.
Quando foi libertado regressou à Universidade de Salamanca. O ser regresso causou grande surpresa e também muita curiosidade.
Assim, quando leccionou a primeira aula depois de libertado, a sala encheu-se, pois toda a gente queria saber o que ia dizer sobre os cinco anos de cárcere. Quando os alunos fizeram silêncio, Frei Luís tomou a palavra e, para espanto de todos os assistentes, disse:
“Vamos continuar a matéria no ponto em que a deixámos ontem”.
Quis, com isto, colocar uma pedra sobre os anos de prisão, fazendo como se eles nunca tivessem existido.
Três outros aspectos curiosos: A sala mantém-se na mesma, com uns bancos e umas mesas corridas extraordinariamente incómodas; Frei Luís permitia que os alunos pateassem nas aulas (o que era normalmente associado a desagrado) para que os alunos pudessem aquecer os pés e, por último, os alunos mais ricos eram geralmente os últimos a chegar, tendo os outros que lhes ceder o lugar (geralmente à frente). O objectivo era ter o banco quente, numa cidade onde, no Inverno, é comum chegar-se a temperaturas inferiores a 10 graus negativos.
Uma curiosidade: Podem procurar na primeira imagem (fachada da Universidade) a famosa rã, um dos símbolos de Salamanca. Acreditem ou não, ela está lá.

sábado, 13 de janeiro de 2007

O sexo dos anjos - esclarecimento

Putto
Transcrevo aqui o texto enviado pelo amigo Arqueólogo Moura e que nos ajuda a esclarecer a figura do anjo da Catedral de Salamanca.
A tal imagem que nos ajuda a encontrar o sexo dos anjos é a representação de um "putto".
Caso fossem mais seriam denominados de "putti" e que, em muitos casos, simbolizam pequenos anjos. São representados sempre como vieram ao mundo e normalmente sem asas.
Não aparecem figuras femininas pois, caso contrário, o nome teria de ser alterado e acabava por soar mal ao ouvido, ainda mais tratando-se de esculturas agregadas a um templo religioso...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

O sexo dos Anjos - parte II

Anjo (?)
Monstro comendo um gelado
Astronauta
Lagostim
Em Salamanca julgo ter encontrado resposta a uma das perguntas que mais me tem atormentado ao longo da vida: Qual será o sexo dos anjos?
Com é fácil de constatar pela primeia fotografia têm, sendo que o fotografado é do sexo masculino. Caso não seja um anjo, não deve andar longe disso, pois está esculpido na Catedral de Salamanca.
Estas esculturas fazem parte do portal lateral da referida Catedral e datam do final século XX, aquando das obras de restauro que aí tiveram lugar.
Os responsáveis pelo restauro e os canteiros (palavra com a mesma origem da palavra Cantanhede) que executaram o trabalho decidiram deixar uma marca do século XX no portal, tendo optado por algumas imagens curiosas, entre as quais destaco um astronauta, um monstro a comer um gelado de cone e um lagostim... para além do referido anjo (menino).
Só uma pequena referência ao astronauta: muitas pessaoas acham que a escultura é da época da construção da Catedral, pensando que o seu autor seria um visionário, tipo Leonardo da Vinci, o que, aliás, por vezes se encontra escrito em alguns guias turísticos, mais isso não corresponde à verdade, como vimos.
Escolhi estas imagens, mas outras há distribuídas ao longo do referido portal.
Eis mais um motivo para viajar até Salamanca.
PS: Continuo à espera de resposta para a outra questão, sobre a qual se debruçou o próprio S. Tomás de Aquino, e que consiste em saber quantos anjos se podem sentar na cabeça de um alfinete.
Infelizmente, na Catedral, não havia imagens elucidativas sobre este assunto.

domingo, 7 de janeiro de 2007

O sexo dos anjos

Uma das perguntas que mais me tem inquietado ao longo da minha existência é a seguinte:
Qual será o sexo dos anjos?
A resposta encontrei-a em Salamanca, como não podia deixar de ser. (É sobre essas cidade que ando a escrever!)
A prova vai estrear, brevemente, no decurso da próxima postagem neste blogue, num computador com Internet perto de Si!

Nota: Depois de publicar a prova, fica agora por responder outra pergunta: Quantos anjos se poderão sentar na cabeça de um alfinete? Se alguém tiver a resposta, cá fico à espera.

Um abraço para todos e façam-me o favor de ser felizes!!!...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Salamanca - Lunes de Aguas

Hornazo
Uma das mais curiosas estórias de Salamanca é a relacionada com a festa “Lunes de Aguas”, que se celebra a seguir ao Domingo de Pascoela e que punha fim à abstinência dos dois tipos de carne: a animal e a carnal.
A origem desta festa remonta ao tempo do Infante D. João, príncipe de Salamanca, filho dos reis Católicos, que concedeu autorização para a abertura de uma casa de prostitutas na cidade.
Nessa época, Salamanca fervilhava de estudantes universitários, coisa que ainda hoje acontece, pois aos 160 000 habitantes da cidade, somam-se 41 000 estudantes universitários.
Voltando à história, nessa altura, a prostituição era tolerada e estava mesmo regulada legalmente. Com tantos homens na cidade, os estudantes eram todos homens, não era de admirar que o número de prostitutas fosse grande.
Havia, no entanto, limitações legais à prática da prostituição: não podia ser exercida por mulheres naturais de Salamanca, nem por casadas, nem por mestiças.
Havia uma outra limitação imposta pela Igreja: na Quaresma as prostitutas deviam abandonar a cidade atravessando o rio Tormes para a margem esquerda. Essa viagem era supervisionada por um padre, para que tudo corresse bem, e era feita em silêncio.
Pelo contrário, no regresso, que ocorria na Segunda-feira (Lunes, em Espanhol), havia festa.
Os barcos, em que as prostitutas, acompanhadas por um padre a quem davam alcunha de Padre P****, atravessavam o rio Tormes, vinham enfeitados com ramos de flores (daí o nome rameiras) e eram recebidas com música e em grande festa pela população que as ia receber às margens do rio.
Hoje, a data continua a ser feriado e praticamente toda a cidade pára, saindo os seus habitantes para realizar piqueniques no campo, onde se come o tradicional Hornazo, espécie de empada com presunto, lombo e chouriço de porco, que servia para pôr fim à abstinência da Quaresma.
Dizem os salamantinos que Salamanca é a província dos porcos (no bom sentido, dizem eles!).
Uma expressão curiosa relacionada com esta estória é a que usam os salamantinos quando querem dizer que estão sem dinheiro: “Estou mais teso que uma p*** na Quaresma”.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Salamanca

Pateo Chico
Costilla e Sangria do Bambú
Igreja de San Miguel
Plaza Mayor
Um problema no blogue (?) não me permite colocar fotografias sobre a parte final da viagem que dei pelo interior norte. Entretanto, como tinha estes artigos já gravados, aproveito-os para vos sugerir um passeio de final de ano: Salamanca, uma das cidades que mais me atrai no país de nuestros hermanos.
Situada a cerca de 130 Km de Vilar Formoso aí fica um das mais antigas e conceituadas universidades europeias. Só pelos seus edifícios já valia a pena a visita.
Mas Salamanca é muito mais do que a Universidade. Vale a visita pela sempre bela Plaza Mayor, pela Catedral, pelas ruas da cidade antiga, pela movida e, quem diria, pelas casas de comidas, tapas e bares. Apenas 5 nomes porque voltaremos a este assunto: Bambú, mesmo junto à Plaza Mayor, onde se comem dos melhores grelhados da Península e a vista se delícia pelos famosos pinchos e tapas expostos no balcão, o Pateo Chico pelo mesmo motivo, o Cum Laude, bar que lembra os claustros de uma igreja e onde não há despesa obrigatória, o O´Haras, um típico bar irlandês onde as tapas estão incluídas no preço da bebida e o Haddock, onde a música jazz impera a partir das 11 da noite.
Salamanca vale sempre a pena.
Aproveito a ocasião para desejar a todos um Óptimo Ano Novo e que este vos traga tudo aquilo com que sempre sonharam...
Um abraço e façam-me o favor de serem FELIZES.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Natal (outra vez)

Peço desculpa por voltar ao tema, mas parece que anda muita gente fora do seu juizo normal.
Na Itália os responsáveis de alguns jardins infantis proibem as canções de Natal para não ofender os não-cristãos; na Inglaterra algumas empresas não colocaram decorações de Natal para não ofender os não-cristãos; no mesmo país, uma Câmara Municipal proibiu o termo Christmas (por óbvias conotações com Cristo) e trocou-o por Winterval (intervalo de Inverno), pelos mesmos motivos; em Mijas, Málaga, Espanha, uma professora deitou fora um presépio feito pelos alunos na aula de Religião, porque uma escola pública, na sua opinião, tem de ser laica (como se ser laico fosse isto). Sorte não ter deitado fora a professora de Religião e os alunos pois sendo a escola laica, também eles não deveriam ter lá lugar.
Mas a lista não acaba aqui. Ainda em Espanha, em Saragoça, proibe-se a colocação de decorações de Natal porque a escola não tinha espaço (!!!) e, mais uma vez, para respeitar os não-cristãos.
Também em Portugal são conhecidos alguns episódios curiosos: numa escola EB1 a professora, interferindo numa área que apenas aos pais diz respeito, disse aos alunos para pararem com as parvoíces do Menino Jesus e do Pai Natal, desfazendo as ilusões dos petizes sobre a noite de Natal; num infantário da região centro a educadora ensinou aos meninos músicas de Natal com letras alteradas, pois a escola laica não permite canções religiosas, tendo ensinado algumas pérolas do tipo "O padre Peixoto / comeu muito / e deu um grande arroto." Ora aqui está um exemplo de louvar, não só continuou a meter a religião (um padre) como deu uma lição de boa educação às crianças.
Mas, o mais curioso estava reservado para a SIC Notícias que transmitiu uma entrevista a um defensor da laicidade (não sei se pertencia a Associação República e Laicidade) onde este se fartou de explicar as "virtudes" das suas ideias. Assim, nenhum símbolo religioso deve estar na esfera pública pois colide com a liberdade dos outros.
Sempre os outros.
Começo a pensar que os outros são apenas eles, ideia reforçada pelo espanto demonstrado pelos representantes de outras religiões que já se pronunciaram publicamente sobre o assunto. Chegou ao ponto de dizer que já ninguém ia à Missa do Galo ou do dia de Natal e que as empresas que proibiram referências ao Natal tinham visto a sua produtividade aumentar (!!!), pois todos trabalhavam com mais alegria (deduzo que por não se sentirem ofendidos!).
Sem decorações e prendas de Natal e com a produtividade a aumentar aí vão disparar os lucros da maldita classe exploradora. Como é bom ser-se coerente....
A defesa de que a religião se deve confinar à esfera privada é falsa por vários motivos: em primeiro lugar porque mostrar a fé em público não ofende ninguém; em segundo, porque ao proibir-se isso, não tarda nada outras proibições se seguirão, atingindo as outras religiões (embora claramente saibamos que o objectivo é o Cristianismo e especialmente a Igreja Católica) e, mais tarde, outros grupos não religiosos.
Eu optei por expor o presépio em fente a casa (ver antepenúltimo post) e ainda não recebi protestos, pelo contrário, tem sido elogiado, até por amigos de esquerda, para que não haja dúvidas.
Mas, como sempre aprendi, Deus escreve direito por linhas tortas, pois o referido senhor chamava-se Moisés Espírito Santo o que, dado o assunto, não podia ser um nome mais adequado à problemática.
Já o imagino, no dia 27, a dirigir-se a uma Conservatória do Registo Civil, com um pedido solicitando a troca do nome, receando que o mesmo possa ser ofensivo para os não crentes, ou para os seguidores de outras religiões que não as três monoteístas que reconhecem Moisés. Do Espírio Santo já nem falo...
Convenhamos que há nomes e nomes e que, neste caso, a situação não deixa de ter piada.
Quanto a mim, vou aproveitar para passear, enquanto posso, nos feriados, pois palpita-me que o Engenheiro Sócrates, na sua ânsia de aumentar a produtividade, vai aproveitar a deixa para suprimir uns tanto feriados.
O Natal, a Sexta-feira Santa, o dia de Todos os Santos, a Imaculada Conceição devem ter os dias contados, pois imagino que ofendam muitas pessoas.
O 25 de Abril, o dia do Trabalhador, o 1º Dezembro seguir-se-ão, pois nem estes conseguem, infelizmente, aprovação total, havendo quem não se reveja nestes festejos. Já agora, um dia destes acabam-se as manifestações do 1º de Maio, pois sendo o dia dos trabalhadores, neste país de faz de conta, deve haver muita gente que se sente ofendida com a ideia absurda de ter de trabalhar. Cuidem-se.
Penso que, agora sim, está a chegar o mundo que George Orwell, anteviu na sua obra "1984", em que um Big Brother vigiava toda a nossa vida, estabelecendo as normas, o que era certo e errado, etc.
Não haja dúvidas que há certos tiques políticos que nunca se perdem e, mais tarde ou mais cedo, acabam sempre por vir ao cimo.
Que o próximo ano vos traga tudo de bom.
Prometo, no próximo post, terminar a volta que andava a dar pelo interior norte.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Um Santo e Feliz Natal

Tomei a liberdade de postar aqui um texto enviado por uns amigos muito especiais, desde o Canadá. Bem-hajam.

Feliz Natal !

Quisera Senhor, neste Natal, armar uma árvore e nela pendurar, em vez de bolas, os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe, de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que, sem querer, eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço apenas a aparência. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. Uma árvore de sombras muito agradáveis para que nossa amizade, seja um momento de repouso nas lutas da vida.
Que o Natal esteja vivo em cada dia do Ano que se inicia para que possamos todos viver em paz e amor!

Um Santo e Feliz Natal e que no ano de 2007 o Menino vos traga tudo aquilo que mais desejem.

Um abraco,

Tozé Franco

domingo, 17 de dezembro de 2006

Natal (enquanto é tempo)


Resolvi interromper a volta que andava a dar pelo interior de Portugal, para postar duas fotografias do presépio que, este ano, resolvi fazer, no pequeno jardim que tenho em frente a casa.
Perguntarão as pessoas que se dignam ler este blogue: Mas porquê interromper o roteiro da viagem ao interior para postar fotografias de um presépio?
Pois eu digo-vos. Faço-o por dois motivos:
Em primeiro lugar porque é Natal. Em segundo, porque, com esta mania que começa a chegar a uma Europa que parece envergonhar-se da sua história, um dia destes, em nome do politicamente correcto, proibem-nos de fazer o Presépio, não vamos ofender algum vizinho. Gostaria de esclarecer que tenho o maior respeito pelas outras religiões e que estaria na primera linha de combate para que os seus fiéis tivessem liberdade de culto, se isso fosse proibido.
Curiosamente, ou talvez nem por isso, não são os crentes não-cristãos que, em Portugal, se têm manifestado a favor da abolição das celebrações do Natal.
Todos sabemos que há grupos de pressão, que se afirmam laicos e republicanos (não sabia, mas deduzo agora, que não se deve poder ser monárquico e laico...) que defendem a abolição das celebrações religiosas cristãs, especialmente as católicas, apregoando aos sete ventos que o fazem para que não se ofendam os não-cristãos.
Estas subtilezas de linguagem dão-me vontade de rir porque, na sua superioridade intelectual, falam em nome de quem não lhe encomendou o sermão, cobrindo-se de ridículo. Já houve alguém que mandou neste país durante longos anos, alegando que sabia o que é que era bom para nós, com os resultados que todos conhecemos. Iluminados!...
Digam-me uma coisa: para não ofender os não-crentes e não-cristãos, é lícito ofender, por exemplo, os professores. Eis o exemplo: A Associação República e Laicidade crítica a representação do Nascimento de Jesus nas escolas, mesmo como facto histórico, alegando, e passo a citar, "Quantos professores estarão habilitados para trabalhar, para analisar e para aprofundar com as crianças que têm sobre a sua tutela pedagógica, as questões que aquele simples auto pode facilmente sustentar?" Mas os professores são assim tão ignorantes? Só faltava mais esta afronta a uma classe que ultimamente tem padecido os ataques que todos conhecemos.
Chega-se ao ridículo de, em certas escolas, se proibirem enfeites de Natal, ou alusões a qualquer temática religiosa cristã para não se ofenderem os não-cristãos. Então e as comemorações do Halloween, também não deviam ser proibidas? Feitios...
E, já agora, se quiserem ser coerentes, acabem com os feriados religiosos, não vá alguém ofender-se. Acabem também com o feriado da Restaração da Independência, não vá o embaixador de Espanha ficar ofendido e apresentar alguma reclamação ao Minsitro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
Quando um país se esquece da sua história, costuma-se dizer que é um país sem futuro. Pois à sombra da laicização forçada que estamos a fazer, é isso que nos espera. Se não estivessemos no século XXI, diria que estávamos a atravessar os tempos conturbados da 1ª República.
Eu assumo-me como Católico, não me envergonho disso, nem tenho que carregar etrenamente com o peso de todas as asneiras feitas no passado, a coberto da religião e que eu sempre condenei.
Agora não queiram pensar por mim, nem me imponham coisas com as quais não concordo, sobretudo quando essas ideias vêm de pessaoas a quem não recoheço qualquer autoridade para isso. Ainda estou para conhecer o 1º judeu, muçulmano, ou hindu que me diga que acha incorrecto eu celebrar o Natal, que me critique por expor livremente aquilo em que acredito, sem com isso pretender impor o que quer que seja a alguém.
Se o ridículo pagasse imposto, haveria, com toda a certeza, pessoas que já não deviam ter lugar na pele para tantos carimbos...
Haja juízo e bom senso... pois a paciência já começa a faltar.
Um Santo e Feliz Natal, são os meus desejos para todos, cristãos e para aqueles que não o são, com todas as letras e não Festas Felizes como parece ser politicamente correcto, agora.