domingo, 28 de janeiro de 2007

La Alberca - O Porco do Povo

Porco do povo - o descanso do guerreiro
O descanso continua (mal sabe o que o espera!)
Monumento ao porco ao lado da Igreja Paroquial
Vista da Plaza Mayor

Uma das tradições mais curiosas em La Alberca é a presença, nas ruas, de um porco preto que é conhecido como o porco do povo.
Na primeira visita, o dito cujo, andava pelo meio das mesas nas esplanadas da Plaza Mayor, comportando-se como um cão à espera que lhe fizessem festas, rebonado-se pelo chão, etc.
Perante o nosso espanto, foi-nos dito que o porco era propriedade comunitária, que era alimentado por toda a gente, mas que, como a boa vida não pode durar sempre, no dia 13 de Junho era morto. Nesse dia, todos os habitantes da aldeia matam o seu porco, sendo para isso concedida uma autorização especial pelas autoridades sanitárias.
Numa segunda visita (quando tirei as fotografias) o porco, que já era outro, estava a dormir quando chegámos e a dormir continuou quando viemos embora.
De referir que, junto ao adro da Igreja Paroquial da terra, existe um monumento ao porco mostrando a importância que ele tem para a comunidade e justificando a fama dos enchidos e presuntos da terra.
Aí está uma compra que vale a pena fazer, assim como o mel e umas espécie de pinhoadas.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

La Alberca



A proposta vai hoje para uma das mais bonitas povoações de Espanha, La Alberca, situada a 1087 metros de altitude, junto à Sierra de Francia, na província de Salamanca, a cerca de 60 Km de Vilar Formoso.
A recuperação desta aldeia bem podia servir de exemplo para o que se podia e devia fazer nas nossas aldeias: recuperação, sem casas tipo “maison”, e com gente dentro, pois La Alberca conserva quase mil habitantes permanentes.
Os mais antigos vestígios de povoação humana datam da Pré-história, existindo pinturas rupestres da época neolítica.
Na Idade Méida, entre os séculos XII e XIII, ocorreu a repovoação, por decisão do rei D. Afonso IX.
La Alberca e a região à sua volta foram repovoadas com muita gente de origem francesa que aqui tinha chegado com D. Raimundo de Borgonha, nobre francês casado com D. Urraca, tia de D. Afonso Henriques. Esta é a explicação para muito topónimos franceses existentes na zona da Sierra de Francia.
Hoje em dia, La Alberca vale uma visita demorada, pois está cheia de surpresas, sendo a principal a beleza da sua arquitectura tradicional, baseada na pedra e madeira, que fez com que fosse declarada monumento histórico e artístico e Património da Humanidade.
La Alberca surpreende porque a arquitectura predominante não seria suposto encontrá-la ali. Aquelas, são casas que poderíamos perfeitamente enquadrar na paisagem alsaciana, alemã ou suíça, mas não ali, em plena Sierra de Francia.
Ao percorrermos calmamente as ruas, encontramos, nos portais das casas, as datas da sua construção, bem como signos e anagramas religiosos que mostram, publicamente, a fé dos seus moradores.
Os pisos superiores são sempre mais salientes que os inferiores, contribuindo para que os telhados quase se toquem, produzindo um curioso jogo de luzes e sombras, que dá um ambiente único à aldeia.
Há quem diga que a estrutura urbana é a típica de uma judiaria, pelo intrincado labiríntico e secreto das suas ruas. Há, também, quem afirme, ao percorrer o povoado, que se parece com os arredores de Damasco, atribuindo-lhe assim influências árabes. Disto resulta que muitas das suas ruas apenas podem ser percorridas a pé.
Podemos, isso sim, afirmar que La Alberca resulta da junção, ao longo dos séculos, das culturas cristã, judaica e árabe.
Como último destaque, uma referência muito especial a Plaza Mayor, para a qual confluem as principias artérias da localidade. Nesta, merecem especial destaque as varandas cobertas de flores, suportadas por colunas de granito e as esplanadas pode se podem degustar umas excelentes Tapas e umas Cañas para acalmar a sede, se for caso disso.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Salamanca - Victor e Catedral

Victor
Victor

Praça em frente à Universidade e estátua de Frei Luís de Léon

Um aspecto curioso de Salamanca é o facto de as paredes junto à Universidade e no seu interior estarem cobertas de uns graffitis de cor avermelhada.
Eis a justificação:
Os estudantes de Salamanca, logo depois da fundação da Universidade (cerca de 1200) tinham aulas na Catedral Velha. No entanto, devida à grande afluência de estudantes à cidade e a falta de luz no interior da Catedral Velha devido ao estilo em que havia sido construída, o Românico, construiu-se uma nova Catedral, que demorou vários séculos a ser concluída, pelo que apresenta vários estilos arquitectónicos sendo de destacar a fachada em estilo plateresco.
Na hora dos exames, os que eram aprovados, e assim terminavam o curso, tinham de organizar uma festa de três dias com comidas e bebidas.
No terceiro dia tinha ainda lugar uma corrida de touros. O touro que era lidado tinha de ser morto pelo estudante aprovado que, com o sangue do animal misturado com azeite, desenhava a palavra Victor, com o seu nome e o título obtido.
Estão assim explicadas as pinturas que se vêem um pouco por todas as paredes da Universidade e na praça que fica em frente da fachada principal. Este costume ainda hoje continua em vigor, embora as pinturas agora se façam com tinta de cor avermelhada.
Quanto aos estudantes que chumbavam, saíam pela porta de serviço e eram apupados pelos seus companheiros, uma vez que assim não ia haver festa. Eram ainda levados para junto ao rio Tormes onde eram sujeitos a todo o tipo de vexações.
Se fosse hoje, logo haveria um plano de recuperação que permitia ao aluno passar milagrosamente, embora pudesse não saber nada, não fosse o rapaz ficar traumatizado e dar cabo das estatísticas do sucesso escolar, para eurocrata ver.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Salamanca - Frei Luís de Leon

Entrada da Universidade
Sala de aulas de Frei Luis de Leon

Este sacerdote, Frei Luís de Leon, insigne professor, dava aulas na Universidade de Salamanca, onde teve problemas com a Inquisição que o levou preso e assim o manteve, durante cinco anos, numa cadeia em Valladolid.
Quando foi libertado regressou à Universidade de Salamanca. O ser regresso causou grande surpresa e também muita curiosidade.
Assim, quando leccionou a primeira aula depois de libertado, a sala encheu-se, pois toda a gente queria saber o que ia dizer sobre os cinco anos de cárcere. Quando os alunos fizeram silêncio, Frei Luís tomou a palavra e, para espanto de todos os assistentes, disse:
“Vamos continuar a matéria no ponto em que a deixámos ontem”.
Quis, com isto, colocar uma pedra sobre os anos de prisão, fazendo como se eles nunca tivessem existido.
Três outros aspectos curiosos: A sala mantém-se na mesma, com uns bancos e umas mesas corridas extraordinariamente incómodas; Frei Luís permitia que os alunos pateassem nas aulas (o que era normalmente associado a desagrado) para que os alunos pudessem aquecer os pés e, por último, os alunos mais ricos eram geralmente os últimos a chegar, tendo os outros que lhes ceder o lugar (geralmente à frente). O objectivo era ter o banco quente, numa cidade onde, no Inverno, é comum chegar-se a temperaturas inferiores a 10 graus negativos.
Uma curiosidade: Podem procurar na primeira imagem (fachada da Universidade) a famosa rã, um dos símbolos de Salamanca. Acreditem ou não, ela está lá.

sábado, 13 de janeiro de 2007

O sexo dos anjos - esclarecimento

Putto
Transcrevo aqui o texto enviado pelo amigo Arqueólogo Moura e que nos ajuda a esclarecer a figura do anjo da Catedral de Salamanca.
A tal imagem que nos ajuda a encontrar o sexo dos anjos é a representação de um "putto".
Caso fossem mais seriam denominados de "putti" e que, em muitos casos, simbolizam pequenos anjos. São representados sempre como vieram ao mundo e normalmente sem asas.
Não aparecem figuras femininas pois, caso contrário, o nome teria de ser alterado e acabava por soar mal ao ouvido, ainda mais tratando-se de esculturas agregadas a um templo religioso...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

O sexo dos Anjos - parte II

Anjo (?)
Monstro comendo um gelado
Astronauta
Lagostim
Em Salamanca julgo ter encontrado resposta a uma das perguntas que mais me tem atormentado ao longo da vida: Qual será o sexo dos anjos?
Com é fácil de constatar pela primeia fotografia têm, sendo que o fotografado é do sexo masculino. Caso não seja um anjo, não deve andar longe disso, pois está esculpido na Catedral de Salamanca.
Estas esculturas fazem parte do portal lateral da referida Catedral e datam do final século XX, aquando das obras de restauro que aí tiveram lugar.
Os responsáveis pelo restauro e os canteiros (palavra com a mesma origem da palavra Cantanhede) que executaram o trabalho decidiram deixar uma marca do século XX no portal, tendo optado por algumas imagens curiosas, entre as quais destaco um astronauta, um monstro a comer um gelado de cone e um lagostim... para além do referido anjo (menino).
Só uma pequena referência ao astronauta: muitas pessaoas acham que a escultura é da época da construção da Catedral, pensando que o seu autor seria um visionário, tipo Leonardo da Vinci, o que, aliás, por vezes se encontra escrito em alguns guias turísticos, mais isso não corresponde à verdade, como vimos.
Escolhi estas imagens, mas outras há distribuídas ao longo do referido portal.
Eis mais um motivo para viajar até Salamanca.
PS: Continuo à espera de resposta para a outra questão, sobre a qual se debruçou o próprio S. Tomás de Aquino, e que consiste em saber quantos anjos se podem sentar na cabeça de um alfinete.
Infelizmente, na Catedral, não havia imagens elucidativas sobre este assunto.

domingo, 7 de janeiro de 2007

O sexo dos anjos

Uma das perguntas que mais me tem inquietado ao longo da minha existência é a seguinte:
Qual será o sexo dos anjos?
A resposta encontrei-a em Salamanca, como não podia deixar de ser. (É sobre essas cidade que ando a escrever!)
A prova vai estrear, brevemente, no decurso da próxima postagem neste blogue, num computador com Internet perto de Si!

Nota: Depois de publicar a prova, fica agora por responder outra pergunta: Quantos anjos se poderão sentar na cabeça de um alfinete? Se alguém tiver a resposta, cá fico à espera.

Um abraço para todos e façam-me o favor de ser felizes!!!...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Salamanca - Lunes de Aguas

Hornazo
Uma das mais curiosas estórias de Salamanca é a relacionada com a festa “Lunes de Aguas”, que se celebra a seguir ao Domingo de Pascoela e que punha fim à abstinência dos dois tipos de carne: a animal e a carnal.
A origem desta festa remonta ao tempo do Infante D. João, príncipe de Salamanca, filho dos reis Católicos, que concedeu autorização para a abertura de uma casa de prostitutas na cidade.
Nessa época, Salamanca fervilhava de estudantes universitários, coisa que ainda hoje acontece, pois aos 160 000 habitantes da cidade, somam-se 41 000 estudantes universitários.
Voltando à história, nessa altura, a prostituição era tolerada e estava mesmo regulada legalmente. Com tantos homens na cidade, os estudantes eram todos homens, não era de admirar que o número de prostitutas fosse grande.
Havia, no entanto, limitações legais à prática da prostituição: não podia ser exercida por mulheres naturais de Salamanca, nem por casadas, nem por mestiças.
Havia uma outra limitação imposta pela Igreja: na Quaresma as prostitutas deviam abandonar a cidade atravessando o rio Tormes para a margem esquerda. Essa viagem era supervisionada por um padre, para que tudo corresse bem, e era feita em silêncio.
Pelo contrário, no regresso, que ocorria na Segunda-feira (Lunes, em Espanhol), havia festa.
Os barcos, em que as prostitutas, acompanhadas por um padre a quem davam alcunha de Padre P****, atravessavam o rio Tormes, vinham enfeitados com ramos de flores (daí o nome rameiras) e eram recebidas com música e em grande festa pela população que as ia receber às margens do rio.
Hoje, a data continua a ser feriado e praticamente toda a cidade pára, saindo os seus habitantes para realizar piqueniques no campo, onde se come o tradicional Hornazo, espécie de empada com presunto, lombo e chouriço de porco, que servia para pôr fim à abstinência da Quaresma.
Dizem os salamantinos que Salamanca é a província dos porcos (no bom sentido, dizem eles!).
Uma expressão curiosa relacionada com esta estória é a que usam os salamantinos quando querem dizer que estão sem dinheiro: “Estou mais teso que uma p*** na Quaresma”.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Salamanca

Pateo Chico
Costilla e Sangria do Bambú
Igreja de San Miguel
Plaza Mayor
Um problema no blogue (?) não me permite colocar fotografias sobre a parte final da viagem que dei pelo interior norte. Entretanto, como tinha estes artigos já gravados, aproveito-os para vos sugerir um passeio de final de ano: Salamanca, uma das cidades que mais me atrai no país de nuestros hermanos.
Situada a cerca de 130 Km de Vilar Formoso aí fica um das mais antigas e conceituadas universidades europeias. Só pelos seus edifícios já valia a pena a visita.
Mas Salamanca é muito mais do que a Universidade. Vale a visita pela sempre bela Plaza Mayor, pela Catedral, pelas ruas da cidade antiga, pela movida e, quem diria, pelas casas de comidas, tapas e bares. Apenas 5 nomes porque voltaremos a este assunto: Bambú, mesmo junto à Plaza Mayor, onde se comem dos melhores grelhados da Península e a vista se delícia pelos famosos pinchos e tapas expostos no balcão, o Pateo Chico pelo mesmo motivo, o Cum Laude, bar que lembra os claustros de uma igreja e onde não há despesa obrigatória, o O´Haras, um típico bar irlandês onde as tapas estão incluídas no preço da bebida e o Haddock, onde a música jazz impera a partir das 11 da noite.
Salamanca vale sempre a pena.
Aproveito a ocasião para desejar a todos um Óptimo Ano Novo e que este vos traga tudo aquilo com que sempre sonharam...
Um abraço e façam-me o favor de serem FELIZES.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Natal (outra vez)

Peço desculpa por voltar ao tema, mas parece que anda muita gente fora do seu juizo normal.
Na Itália os responsáveis de alguns jardins infantis proibem as canções de Natal para não ofender os não-cristãos; na Inglaterra algumas empresas não colocaram decorações de Natal para não ofender os não-cristãos; no mesmo país, uma Câmara Municipal proibiu o termo Christmas (por óbvias conotações com Cristo) e trocou-o por Winterval (intervalo de Inverno), pelos mesmos motivos; em Mijas, Málaga, Espanha, uma professora deitou fora um presépio feito pelos alunos na aula de Religião, porque uma escola pública, na sua opinião, tem de ser laica (como se ser laico fosse isto). Sorte não ter deitado fora a professora de Religião e os alunos pois sendo a escola laica, também eles não deveriam ter lá lugar.
Mas a lista não acaba aqui. Ainda em Espanha, em Saragoça, proibe-se a colocação de decorações de Natal porque a escola não tinha espaço (!!!) e, mais uma vez, para respeitar os não-cristãos.
Também em Portugal são conhecidos alguns episódios curiosos: numa escola EB1 a professora, interferindo numa área que apenas aos pais diz respeito, disse aos alunos para pararem com as parvoíces do Menino Jesus e do Pai Natal, desfazendo as ilusões dos petizes sobre a noite de Natal; num infantário da região centro a educadora ensinou aos meninos músicas de Natal com letras alteradas, pois a escola laica não permite canções religiosas, tendo ensinado algumas pérolas do tipo "O padre Peixoto / comeu muito / e deu um grande arroto." Ora aqui está um exemplo de louvar, não só continuou a meter a religião (um padre) como deu uma lição de boa educação às crianças.
Mas, o mais curioso estava reservado para a SIC Notícias que transmitiu uma entrevista a um defensor da laicidade (não sei se pertencia a Associação República e Laicidade) onde este se fartou de explicar as "virtudes" das suas ideias. Assim, nenhum símbolo religioso deve estar na esfera pública pois colide com a liberdade dos outros.
Sempre os outros.
Começo a pensar que os outros são apenas eles, ideia reforçada pelo espanto demonstrado pelos representantes de outras religiões que já se pronunciaram publicamente sobre o assunto. Chegou ao ponto de dizer que já ninguém ia à Missa do Galo ou do dia de Natal e que as empresas que proibiram referências ao Natal tinham visto a sua produtividade aumentar (!!!), pois todos trabalhavam com mais alegria (deduzo que por não se sentirem ofendidos!).
Sem decorações e prendas de Natal e com a produtividade a aumentar aí vão disparar os lucros da maldita classe exploradora. Como é bom ser-se coerente....
A defesa de que a religião se deve confinar à esfera privada é falsa por vários motivos: em primeiro lugar porque mostrar a fé em público não ofende ninguém; em segundo, porque ao proibir-se isso, não tarda nada outras proibições se seguirão, atingindo as outras religiões (embora claramente saibamos que o objectivo é o Cristianismo e especialmente a Igreja Católica) e, mais tarde, outros grupos não religiosos.
Eu optei por expor o presépio em fente a casa (ver antepenúltimo post) e ainda não recebi protestos, pelo contrário, tem sido elogiado, até por amigos de esquerda, para que não haja dúvidas.
Mas, como sempre aprendi, Deus escreve direito por linhas tortas, pois o referido senhor chamava-se Moisés Espírito Santo o que, dado o assunto, não podia ser um nome mais adequado à problemática.
Já o imagino, no dia 27, a dirigir-se a uma Conservatória do Registo Civil, com um pedido solicitando a troca do nome, receando que o mesmo possa ser ofensivo para os não crentes, ou para os seguidores de outras religiões que não as três monoteístas que reconhecem Moisés. Do Espírio Santo já nem falo...
Convenhamos que há nomes e nomes e que, neste caso, a situação não deixa de ter piada.
Quanto a mim, vou aproveitar para passear, enquanto posso, nos feriados, pois palpita-me que o Engenheiro Sócrates, na sua ânsia de aumentar a produtividade, vai aproveitar a deixa para suprimir uns tanto feriados.
O Natal, a Sexta-feira Santa, o dia de Todos os Santos, a Imaculada Conceição devem ter os dias contados, pois imagino que ofendam muitas pessoas.
O 25 de Abril, o dia do Trabalhador, o 1º Dezembro seguir-se-ão, pois nem estes conseguem, infelizmente, aprovação total, havendo quem não se reveja nestes festejos. Já agora, um dia destes acabam-se as manifestações do 1º de Maio, pois sendo o dia dos trabalhadores, neste país de faz de conta, deve haver muita gente que se sente ofendida com a ideia absurda de ter de trabalhar. Cuidem-se.
Penso que, agora sim, está a chegar o mundo que George Orwell, anteviu na sua obra "1984", em que um Big Brother vigiava toda a nossa vida, estabelecendo as normas, o que era certo e errado, etc.
Não haja dúvidas que há certos tiques políticos que nunca se perdem e, mais tarde ou mais cedo, acabam sempre por vir ao cimo.
Que o próximo ano vos traga tudo de bom.
Prometo, no próximo post, terminar a volta que andava a dar pelo interior norte.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Um Santo e Feliz Natal

Tomei a liberdade de postar aqui um texto enviado por uns amigos muito especiais, desde o Canadá. Bem-hajam.

Feliz Natal !

Quisera Senhor, neste Natal, armar uma árvore e nela pendurar, em vez de bolas, os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe, de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que, sem querer, eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço apenas a aparência. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. Uma árvore de sombras muito agradáveis para que nossa amizade, seja um momento de repouso nas lutas da vida.
Que o Natal esteja vivo em cada dia do Ano que se inicia para que possamos todos viver em paz e amor!

Um Santo e Feliz Natal e que no ano de 2007 o Menino vos traga tudo aquilo que mais desejem.

Um abraco,

Tozé Franco

domingo, 17 de dezembro de 2006

Natal (enquanto é tempo)


Resolvi interromper a volta que andava a dar pelo interior de Portugal, para postar duas fotografias do presépio que, este ano, resolvi fazer, no pequeno jardim que tenho em frente a casa.
Perguntarão as pessoas que se dignam ler este blogue: Mas porquê interromper o roteiro da viagem ao interior para postar fotografias de um presépio?
Pois eu digo-vos. Faço-o por dois motivos:
Em primeiro lugar porque é Natal. Em segundo, porque, com esta mania que começa a chegar a uma Europa que parece envergonhar-se da sua história, um dia destes, em nome do politicamente correcto, proibem-nos de fazer o Presépio, não vamos ofender algum vizinho. Gostaria de esclarecer que tenho o maior respeito pelas outras religiões e que estaria na primera linha de combate para que os seus fiéis tivessem liberdade de culto, se isso fosse proibido.
Curiosamente, ou talvez nem por isso, não são os crentes não-cristãos que, em Portugal, se têm manifestado a favor da abolição das celebrações do Natal.
Todos sabemos que há grupos de pressão, que se afirmam laicos e republicanos (não sabia, mas deduzo agora, que não se deve poder ser monárquico e laico...) que defendem a abolição das celebrações religiosas cristãs, especialmente as católicas, apregoando aos sete ventos que o fazem para que não se ofendam os não-cristãos.
Estas subtilezas de linguagem dão-me vontade de rir porque, na sua superioridade intelectual, falam em nome de quem não lhe encomendou o sermão, cobrindo-se de ridículo. Já houve alguém que mandou neste país durante longos anos, alegando que sabia o que é que era bom para nós, com os resultados que todos conhecemos. Iluminados!...
Digam-me uma coisa: para não ofender os não-crentes e não-cristãos, é lícito ofender, por exemplo, os professores. Eis o exemplo: A Associação República e Laicidade crítica a representação do Nascimento de Jesus nas escolas, mesmo como facto histórico, alegando, e passo a citar, "Quantos professores estarão habilitados para trabalhar, para analisar e para aprofundar com as crianças que têm sobre a sua tutela pedagógica, as questões que aquele simples auto pode facilmente sustentar?" Mas os professores são assim tão ignorantes? Só faltava mais esta afronta a uma classe que ultimamente tem padecido os ataques que todos conhecemos.
Chega-se ao ridículo de, em certas escolas, se proibirem enfeites de Natal, ou alusões a qualquer temática religiosa cristã para não se ofenderem os não-cristãos. Então e as comemorações do Halloween, também não deviam ser proibidas? Feitios...
E, já agora, se quiserem ser coerentes, acabem com os feriados religiosos, não vá alguém ofender-se. Acabem também com o feriado da Restaração da Independência, não vá o embaixador de Espanha ficar ofendido e apresentar alguma reclamação ao Minsitro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
Quando um país se esquece da sua história, costuma-se dizer que é um país sem futuro. Pois à sombra da laicização forçada que estamos a fazer, é isso que nos espera. Se não estivessemos no século XXI, diria que estávamos a atravessar os tempos conturbados da 1ª República.
Eu assumo-me como Católico, não me envergonho disso, nem tenho que carregar etrenamente com o peso de todas as asneiras feitas no passado, a coberto da religião e que eu sempre condenei.
Agora não queiram pensar por mim, nem me imponham coisas com as quais não concordo, sobretudo quando essas ideias vêm de pessaoas a quem não recoheço qualquer autoridade para isso. Ainda estou para conhecer o 1º judeu, muçulmano, ou hindu que me diga que acha incorrecto eu celebrar o Natal, que me critique por expor livremente aquilo em que acredito, sem com isso pretender impor o que quer que seja a alguém.
Se o ridículo pagasse imposto, haveria, com toda a certeza, pessoas que já não deviam ter lugar na pele para tantos carimbos...
Haja juízo e bom senso... pois a paciência já começa a faltar.
Um Santo e Feliz Natal, são os meus desejos para todos, cristãos e para aqueles que não o são, com todas as letras e não Festas Felizes como parece ser politicamente correcto, agora.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Freixo de Espada à Cinta




Chegámos a Freixo de Espada à Cinta cerca das cinco e meia da tarde, já era noite cerrada.
Freixo de Espada à Cinta localiza-se no extremo sul do Nordeste Trasmontano.
A Vila foi fundada no século XII e ficou conhecida pela resistência que ofereceu, nos séculos seguintes, aos avanços de Castela e Leão sobre as terras portuguesas.
A origem da povoação, como já vimos, bem como o seu topónimo são muito antigos, mergulhando no terreno da lenda.
De acordo com o erudito quinhentista João de Barros (homónimo do cronista), na sua Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, a fundação é atribuída a um fidalgo espanhol, de apelido Feijão, que teria vivido no século X, e em cujas armas constaria um freixo e uma espada.
Uma tradição local atribui o topónimo a um guerreiro visigodo de apelido Espadacinta, que, ali se deitou à sombra dum freixo para descansar, o que passou a identificar o lugar.
Uma versão ligeiramente diferente é contada por Xavier Fernandes no segundo volume de Topónimos e Gentílicos:
"Um cavaleiro cristão [...], perseguido por um grupo de aventureiros, viu-se em perigo de morte. Então, conseguiu esconder-se entre os ramos de um freixo, aos ramos do qual pendurou a própria espada. Assim se salvou, porque os inimigos vendo um freixo com uma espada, encheram-se de pavor e fugiram. E aí mesmo se lançaram os fundamentos da povoação, a que o seu fundador deu o nome de Espada de Freixo à Cinta".
Aqui nasceram Guerra Junqueiro, o almirante Sarmento Rodrigues (antigo governador-geral de Moçambique e ministro do Ultramar) e Jorge Alvares, mercador, cronista do Japão e primeiro explorador português da Ásia, onde foi companheiro de S. Francisco de Xavier.
A vila está cheia de locais de interesse para visitar e, embora tenhamos chegado já de noite, ainda pudemos visitar alguns. Os locais chamam à sua terra a “vila mais manuelina de Portugal” pelo facto de a Igreja local estar construída nesse estilo arquitectónico e abundarem as janelas de habitações no mesmo estilo.
Destaque para a Igreja já referida, para Igreja da Misericórdia (século XVI) e para a interessante Torre Heptagonal, uma fortificação medieval reconstruída no tempo de D. Dinis.
Conversando com pessoas da localidade referiram-me outros locais de interesse a visitar numa próxima ida, preferencialmente no final da Primavera. A saber: a figura rupestre de Mazouco, - a 1ª figura ao ar livre a ser descoberta em Portugal - e a praia fluvial da Congida. Destaque ainda para a Calçada de Alpajares a ser percorrida a pé, necessitando-se para isso de bom tempo e onde se pode ter um vista deslumbrante do Dou internacional e das suas arribas. Destaque ainda para as amendoeiras em flor que dão à paisagem o aspecto estar coberta de neve.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Castelo Rodrigo




A quarta paragem ocorreu em Castelo Rodrigo, lugar que dará origem a Figueira de Castelo Rodrigo, situada na planície.
Castelo Rodrigo situa-se a 810 m de altitude, num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a aldeia histórica, domina a planície sobranceira ao convento de St.ª Maria de Aguiar, da ordem de Cister fundado em 1170 e à vila de Figueira de Castelo Rodrigo que assumiu a posição de sede de concelho a 25 de Junho de 1836, substituindo o velho burgo de Castelo Rodrigo. Confronta a Oeste, com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira.
O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209, recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcanises, passa a integrar o território português, em 1297, integrada nas chamadas terras de Riba-Côa.
Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da vila.
Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular, podendo-se hoje visitar as ruínas pelo preço de 1€, não havendo qualquer reconstituição que nos dê ideia de como seria.
Em 1664, dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Ossuna, vencido na Batalha da Salgadela e em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria.
O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas (Sol, Alverca e Traição).
Em frente à porta de acesso às ruínas do palácio, fica uma casa de artesanato (Sabores do Castelo) onde é possível comprar um doce de abóbora com amêndoas de comer e chorar por mais, sobretudo se servir de acompanhamento a um bom requeijão.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Pinhel



A terceira paragem ocorreu em Pinhel, cidade onde apenas tinha passado uma vez e mal tinha parado. Lembro-me que quando andava na primária, era uma das 39 cidades portuguesas que tínhamos de saber na ponta da língua, sob pena de experimentarmos a "menina de cinco olhos".
Pois em Pinhel, para quem está de viagem, vale a pena a paragem para visitar o núcleo antigo da cidade, que se encontra em amplas obras de restauro, onde fica o caselo. As obras, quando concluídas, prometem, o que me leva a desejar voltar daqui a uns tempos, para me voltar a perder nestas ruas estreitas e íngremes.
Pena é, que ao contrário do que se passa em Espanha, estas localidades tenham falta de algo que prenda os turistas. Um dia destes falo-vos de La Alberca e então verão o que quero dizer: aldeias antigas, integralmente recuperadas, com gente dentro, restaurantes , bares e esplanadas sempre com gente...
O perímetro muralhado de Pinhel, envolve toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela, que se podem visitar (a seguir ao Solar do Queijo em Celorico, foi o primeiro monumento que encontrei aberto) encontram-se no ponto mais alto e planáltico.
O início da edificação acontece em 1189, por D. Sancho I, dez anos após D. Afonso Henriques ter outorgado Carta de Foral a Pinhel. No reinado de D. Dinis edificaram-se as Torres e em 1640, procedeu-se a obras de fortificação no contexto das Guerras de Restauração. Em 1810, durante as Invasões Francesas, o general Loisson ocupa o castelo e a cidade de Pinhel.
A tipologia do castelo é Manuelina, de planta oval. A cidadela tem Torre de Menagem e Torre de Secundária. Os elementos manuelinos visíveis são a janela mainelada com arcos e toros entrelaçados e a janela de lintel recto e moldura de meia-coroa.
O perímetro urbano muralhado integra seis portas.
Por último referir que toda a visita foi feita à chuva, que não amainou, pois os deuses deveriam estar zangados connosco. Eu juro que não fiz nada, pois limitei-me a querer conhecer o nosso património.
Boa viagem... a próxima paragem será Castelo Rodrigo, esperemos que sem chuva.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Trancoso

Entradas na Área Benta
Sardinhas Doces de Trancoso
Entrada da cidade de Trancoso
Estátua de Bandarra
A segunda paragem ocorreu em Trancoso, até porque já ia sendo hora de almoçar.
Estacionámos o carro junto à Câmara Municipal, ao lado da estátua de Bandarra, que terá nascido numa das casas da parte velha da cidade. Sapateiro e profeta, ainda hoje citado pelo povo com foros de autoridade indiscutível, profetizou, nas suas trovas, a perda da liberdade e a restauração da Independência. Finalmente está encontrado o responsável, digo eu, por essa característica tão portuguesa: o sebastianismo.
Resolvemos aconchegar o estômago no restaurante Área Benta* onde, num ambiente magnífico, almoçámos divinamente, o que até tem alguma relação com nome.
Aconchegado o estômago e aproveitando uma pausa da chuva, fomos passaer um pouco. O ar medieval da cidade de Trancoso acolhe-nos quando percorremos as vielas ladeadas por portões biselados e paredes com mísulas. Despertam a atenção as casas de duas portas, uma larga e outra estreita, denominadas as judiarias de Trancoso. Os judeus povoaram a antiga vila e transmitiram aos seus descendentes o carácter comercial que lhes era típico.
A história de Trancoso anda profundamente ligada à de Portugal. Situada próximo da fronteira, a terra assistiu a diversas lutas e acontecimentos marcantes.
Em 1097, Trancoso passa para o Condado Portucalense e em 1159 está comprovada a existência do castelo. No ano seguinte o castelo de Trancoso é definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques que lhe concede foral. Em 1282 é reedificado por D. Dinis que faz construir a cerca muralhada.
O rei D. Dinis escolheu esta terra para celebrar o seu casamento com a rainha Santa Isabel. O acontecimento deu-se em 1282, na Ermida de S. Bartolomeu.
Ainda hoje a batalha de S. Marcos, travada em 1355 e percursora de Aljubarrota, continua a ser comemorada em 25 de Abril de cada ano.
O Castelo, qiue já referimos atrás, está isolado a Nordeste sendo antecedido por um pequeno largo com um cruzeiro. Infelizmente também estava fechado, assim como todas as igrejas que tentámos visitar.
Talvez por ser fim-de-semana e haver muita gente para visitar monumentos, os mesmos estejam fechados para evitar a degradação. Talvez! Os turistas são uns chatos, que contribuem para o desenvolvimento da economia local e dão trabalho a quem trabalha nestas coisas. São, portanto, de evitar. Estou a começar a prender a lição. Pode ser que tenha mais sorte nas localidades seguintes. Veremos...
Perante tantos monumentos fechados decidimos ir afogar as mágoas à Pastelaria “O Trovador” onde comemos as famosas sardinhas doces de Trancoso, que deram excelente conta de si, pois estavam deliciosas.
Eis a História e a receita das sardinhas:
As irmãs do Convento de Santa Clara, em Trancoso, eram detentoras de autênticas especialidades a nível de doçaria, como as morcelinhas de amêndoa, o folar da Páscoa, o bolo doce que acompanhava o queijo de ovelha amanteigado, as cavacas e a bola de folhas.
Para além destes doces o mais famoso é sem dúvida as tradicionais Sardinhas Doces de Trancoso, sem escamas, nem espinhas e com tripinhas de amêndoa.
O Convento de Santa Clara iniciou-se com 4 irmãs e estas, para poderem sobreviver, começaram a fabricar os doces acima mencionados.
Após a morte das outras irmãs, Maria da Luz, conhecedora da receita da Sardinhas Doces de Trancoso, recusou-se a divulgar o segredo da receita. Porém, alguém pertencente ao convento, após a morte da irmã, revelou o segredo.

Ingredientes:
Para a Massa:
475 g de farinha de trigo
60 g de banha
sal fino2
dl de água
Para o Recheio:
200 g de miolo de amêndoa
350 g de açúcar
12 gemas
azeite fino
açúcar e canela para polvilhar.
Preparação:
Peneire a farinha e uma pitada de sal fino para dentro de uma tigela. Junte a banha e misture com as pontas dos dedos. Gradualmente acrescente água, sem parar de amassar como se fosse pão. Tenda uma bola e deixe levedar durante 30 minutos.
Pele as amêndoas e moa-as. Leve ao lume um tacho com o açúcar coberto de água. Deixe ferver até a calda atingir o ponto de pérola. Adicione o miolo de amêndoa e apure mexendo sempre. Deixe amornar. Acrescente as gemas batidas. Misture e leve de novo ao lume sem parar de mexer até o doce fazer estrada. Deixe arrefecer completamente.
Estenda a massa e espaçadamente, disponha porções de doce de amêndoa. Dobre, tapando o recheio, corte-a com uma faca, e frite em azeite.
Polvilhe com açúcar e canela... e coma. Muitas, de preferência.
* Restaurante Área Benta, Rua dos Cavaleiros, 30A, 6420-040 TRANCOSO

domingo, 3 de dezembro de 2006

Celorico da Beira

Porta do Castelo (dentro...a desilusão)
Solar do Queijo da Serra
Este fim-de-semana resolvemos ir dar uma volta, acompanhados, sempre de perto, pela chuva que não nos largou e por um esquecimento terrível: a máquina fotográfica ficara em casa. Apesar de tudo, o balanço foi positivo (sempre lavei o carro!) e por isso aqui vos deixo um pequeno roteiro da viagem.
Que me desculpe o amigo Al Cardoso, mas a primeira paragem foi em Celorico da Beira.
A pequena vila de Celorico da Beira situa-se próximo da Serra da Estrela, a uma altitude de cerca de 500 metros e tem na figura de Sacadura Cabral, o seu filho mais famoso. Sacadura realizou um feito histórico na aviação mundial em 1922, com a primeira travessia do Atlântico Sul na companhia de outro piloto português, Gago Coutinho.
A paisagem vizinha de Celorico da Beira é desde, há muito tempo, a fonte do famoso queijo da Serra, feito com leite de ovelha. Produzido durante os meses de Inverno, o queijo tem um paladar suave e requintado. A feira do Queijo realiza-se quinzenalmente, entre Dezembro a Maio, na Praça Municipal. A festa anual dos produtores de queijo da Serra da Estrela e outros queijos artesanais realiza-se em Fevereiro. Um destaque muito especial para o Solar do Queijo da Serra que merece uma visita.
O ex-libris da vila é o Castelo de Celorico da Beira de origem Pré - Romana. Tendo sido posteriormente restaurado pelo rei D. Dinis, no século XIV, esteve a saque pelos espanhóis, em 1762. Passada a porta de entrada, que estava entreaberta, a desilusão foi total, pois o estado de abandono a que foi votado o interior, envergonha qualquer português que se preze. Assim vai o estado do nosso património.
Merece ainda visita, embora estivesse fechada (como aliás a maior parte das igrejas que tentámos visitar), a Igreja Matriz de Santa Maria, restaurada no século XVIII e que foi utilizada como hospital pelas tropas inglesas durante a Guerra da Península.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

1º de Dezembro

Posted by Picasa
Celebra-se, no dia 1 de Dezembro, o 366º aniversário da Restauração da Independência Nacional, depois de 60 anos de domínio filipino.
A turma do 6ºB do Caic resolveu, na Área de Projecto, escrever uma peça de Teatro subordinada a esse tema, à qual deu o nome de "Viagem no tempo" e na qual duas cientistas vão viajar numa nave espacial até ao passado, onde assistem a alguns episódios ocorridos nessa época.
Assim partilho convosco um excerto em que a nave aterra em Évora, em 1637, podendo as duas viajantes (Escanifreda e Andrioleta) assistir ao Motim de Évora, que ficou conhecido para a História como a Revolta do Manuelinho.
A brincar, mas também com muitas partes mais sérias, lá para Março, teremos a estreia Mundial deste texto dramático, na sala de teatro do Caic. Até lá ainda temos muito para ensaiar.
Então, aqui fica a cena 4. Espero que se divirtam.

Cena 4
(Saem da máquina e encontram uma manifestação)
(Entra em Palco, uma manifestação de meia dúzia de pessoas, cantando – com a música da canção "A Fisga" - e aclamando o Manuelinho).
Todos: Trago o Manelinho às costinhas
Nesta manifestação anti-espanhola
Vivó Manelinho, abaix’os filipinos
C’os espanhóis dão-nos cabo da carola.
C’os espanhóis dão-nos cabo da carola
Conquistemos a nossa independência
Estamos pobres, até pedimos esmola
Portugal é a nossa residência.
Manuela: Viva o rei Manuelinho!
Todos: Viva! Viva!
Maria: Abaixo a tortilha, os calhos e as natilhas! Viva a omeleta, as tripas à moda do Porto e o leite-creme!...
Todos: Viva! Viva!Constantino: Abaixo os espanhóis! Viva os portugueses!Todos: Abaixo! Abaixo! Viva! Viva!
Jesuíno: (com pronúncia alentejana e bocejando) Já estou ficando cansado. Vamos é ver se encontramos um chaparro, pois está quasi na hora da sesta. Viva a sesta! Abaixo o trabalho! Viva o descanso! Se o trabalho dá saúde que trabalhem os doentes! …
Todos: Queremos um chaparro! Queremos descansar! Queremos um chaparro! Queremos descansar!
Jesuíno: (Toma a palavra e discursa): Portugueses em geral, alentejanos em particular!
Todos: Apoiado! Apoiado! Muito bem!
Jesuíno: Nesta época de crise... em que os espanhóis nos levam todo o dinheiro que temos, há que votar em mim, - ó raio que já me enganei -, há que apoiar o Manuelinho! Viva o Manuelinho!Todos: Viva! Viva!
Zé Próvinho: Alguém falou em vinho? Se o assunto é esse cá estou eu! Abaixo o vinho espanhol! Viva o vinho do Alentejo!
Todos: Viva! Viva!
Maria: Lá está este outra vez a falar no vinho!
Constantino: Irra que ele só pensa mesmo no vinho. Em vez da cabeça devia ter um barril em cima dos ombros e uma torneira em vez do nariz. Maldito vinho.
Jesuíno: O vinho agora não interessa para nada! O que interessa é o chaparro. Viva o chaparro!
Todos: Viva! Viva!
Manuela: Vamos é comer uns pezinhos de coentrada.
Maria: Com a entrada adondi ?
Manuela: Não é com a entrada. É de coentrada!
Maria: Entã nã foi isso quê disse? Com a entrada. Mas onde é que fica a entrada?
Constantino: Vossemecê deve estar ficando surda.
Maria: Curda? Então esses são os do Iraqui.
Constantino: Irra. Surda! Não é curda.
Maria: Entã vossemecês se explicam…
Manuela: Vamos é apoiar o Manuelinho e deixemo-nos destas conversas de treta.
Maria: Preta? Quem é qué preta?
Manuela: Treta, mulher, treta.Maria: Já ouvi. Eu sou surda. Escusa de estar aos berros quê já ouvi qué preta. Não sei o qué qué preta, mas já ouvi.
Constantino: Não há pachorra.
Maria: Onde é que está a cachorra. Ai que eu gosto nada de cães e muito menos de coas ou cãs. Ai quê nem sei como é que se diz.
Manuela: (aos gritos) Cadelas. O feminino de cães é cadelas!
Maria: Panelas? P’ra quê? Vamos comer? E se fosse uns pezinhos de coentrada.
Manuela: Ora voltámos ao princípio. Viva os pezinhos de coentrada.
Todos: Viva! Viva!
Manuelinho: Viva eu! Viva eu!
Todos: Apoiado! Apoiado! Viva ele, viva ele!
(Dirigem-se para fora do palco a bocejar e a cantar a música de entrada)
Escanifreda: Bem isto está tudo visto! Vamos embora, pois já estou cheia de sono! Acorda!
Andrioleta (Estava a dormir): O quê? Onde estou eu? O que se passa?
Escanifreda: Vamos embora! Vamos até à casa de D. Jorge de Melo.
Andrioleta: Quem é o D. Jorge de Melo?
Escanifreda: É um dos nobres que está a conspirar para expulsar os espanhóis de Portugal.
(Entram na máquina e muda a cena)

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Festival Solnec

Quinta das Lágrimas
Gala Solnec 27 de Novembro de 2006 (Quinta das Lágrimas
Festival Solnec 26 de Maio de 2006
Hoje resolvi postar sobre um assunto muito especial: o Festival Solnec.
No passado dia 26 de Maio, o NEC (Núcleo de Escolas Católicas) levou a cabo um festival que decorreu no Pavilhão Multiusos da cidade de Coimbra, a favor da Associação Acreditar que apoia crianças com doenças cancerígenas
Nesse festival que atraíu ao pavilhão cerca de 3000 pessoas, participou um grupo de 80 alunos do Caic, que assim deu o seu apoio à iniciativa em questão.
Hoje, dia 27 de Novembro, decorreu na Quinta das Lágrimas a Gala para a entrega simbólica do cheque resultante da 1ª iniciativa à Acreditar, cheque esse no valor de 10.000€.
A turma do 6ºB, da qual sou Director de Turma, foi representar o Caic, tendo apresentado a canção "Caixinha de Música" com que, no ano anterior, tinha concorrido ao Clube dos Talentos do Colégio.
Foi, sem dúvida, uma experiência única e enriquecedora, pois além de participar numa iniciativa louvável, também não é todos os dias que se aparece em directo na televisão (programa Portugal em Directo), a cantar sem rede, isto é, ao vivo, em directo para todo o país e para o mundo inteiro através da RTPI.
O 6ºB está de parabéns pela participação elogiada por todos os que a ela assistiram, quer ao vivo, quer através da RTP1.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Vila Real de Santo António



Antes de deixar o Algarve, deixo-vos a proposta de uma saltada a Vila Ral de Santo António. Por vontade de Sebastião José de Carvalho e Melo - o Marquês de Pombal - Vila Real de Santo António nasceu no ano de 1774, no século XVIII. O seu centro histórico distingue-se pelas ruas geometricamente perpendiculares e devidamente ordenadas que compõem o núcleo arquitectónico, donde ressalta à vista a antiga praça real - hoje Praça Marquês de Pombal - com o piso radiado, branco e preto e o Obelisco dedicado ao Rei D. José.
No Verão é possível comer um bom Dom Rodrigo numa das pastelarias que aí têm esplanada montada.
Destaca-se, ainda, no centro urbano, a sua igreja construída no século XVIII, da qual hoje pouco resta, pois a maior parte do que é hoje visível data do século XX.

Agora para os mais aventureiros aqui fica a receita do Dom Rodrigo.

Ingredientes:
350 gr. de fios de ovos
550 gr. de açucar
75 gr. de amêndoas, picadas
6 gemas de ovos
canela em pó
1 copo de água

Confecção:
Leve ao lume num tacho 300g de açucar coberto com água e deixe ferver, em lume brando, até obter uma calda em ponto de bola. Tire do lume, junte as amêndoas e deixe arrefecer um pouco. Junte as gemas de ovos e leve ao lume até que engrosse e deite um pouco de canela para aromatizar. Com o resto do açucar e um pouco de água prepare uma calda em ponto de fio. Numa frigideira deite uma colher de sopa esta calda e assim que começar a ferver junte 1/10 da porção de fios de ovos; sobre estes coloque 1/10 da porção anterior e enrole os fios de ovos, completamente, em volta deste preparado. Deixe alourar e repita a operação até esgotar os ingredientes.Corte uns quadrados de folha de aluminio com cerca de 12cm de lado e coloque no seu interior um dos doces, em seguida junte as pontas e torça.
Jám agora, bom apetite.