

Resolvi interromper a volta que andava a dar pelo interior de Portugal, para postar duas fotografias do presépio que, este ano, resolvi fazer, no pequeno jardim que tenho em frente a casa.
Perguntarão as pessoas que se dignam ler este blogue: Mas porquê interromper o roteiro da viagem ao interior para postar fotografias de um presépio?
Pois eu digo-vos. Faço-o por dois motivos:
Em primeiro lugar porque é Natal. Em segundo, porque, com esta mania que começa a chegar a uma Europa que parece envergonhar-se da sua história, um dia destes, em nome do politicamente correcto, proibem-nos de fazer o Presépio, não vamos ofender algum vizinho. Gostaria de esclarecer que tenho o maior respeito pelas outras religiões e que estaria na primera linha de combate para que os seus fiéis tivessem liberdade de culto, se isso fosse proibido.
Curiosamente, ou talvez nem por isso, não são os crentes não-cristãos que, em Portugal, se têm manifestado a favor da abolição das celebrações do Natal.
Todos sabemos que há grupos de pressão, que se afirmam laicos e republicanos (não sabia, mas deduzo agora, que não se deve poder ser monárquico e laico...) que defendem a abolição das celebrações religiosas cristãs, especialmente as católicas, apregoando aos sete ventos que o fazem para que não se ofendam os não-cristãos.
Estas subtilezas de linguagem dão-me vontade de rir porque, na sua superioridade intelectual, falam em nome de quem não lhe encomendou o sermão, cobrindo-se de ridículo. Já houve alguém que mandou neste país durante longos anos, alegando que sabia o que é que era bom para nós, com os resultados que todos conhecemos. Iluminados!...
Digam-me uma coisa: para não ofender os não-crentes e não-cristãos, é lícito ofender, por exemplo, os professores. Eis o exemplo: A Associação República e Laicidade crítica a representação do Nascimento de Jesus nas escolas, mesmo como facto histórico, alegando, e passo a citar, "Quantos professores estarão habilitados para trabalhar, para analisar e para aprofundar com as crianças que têm sobre a sua tutela pedagógica, as questões que aquele simples auto pode facilmente sustentar?" Mas os professores são assim tão ignorantes? Só faltava mais esta afronta a uma classe que ultimamente tem padecido os ataques que todos conhecemos.
Chega-se ao ridículo de, em certas escolas, se proibirem enfeites de Natal, ou alusões a qualquer temática religiosa cristã para não se ofenderem os não-cristãos. Então e as comemorações do Halloween, também não deviam ser proibidas? Feitios...
E, já agora, se quiserem ser coerentes, acabem com os feriados religiosos, não vá alguém ofender-se. Acabem também com o feriado da Restaração da Independência, não vá o embaixador de Espanha ficar ofendido e apresentar alguma reclamação ao Minsitro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
Quando um país se esquece da sua história, costuma-se dizer que é um país sem futuro. Pois à sombra da laicização forçada que estamos a fazer, é isso que nos espera. Se não estivessemos no século XXI, diria que estávamos a atravessar os tempos conturbados da 1ª República.
Eu assumo-me como Católico, não me envergonho disso, nem tenho que carregar etrenamente com o peso de todas as asneiras feitas no passado, a coberto da religião e que eu sempre condenei.
Agora não queiram pensar por mim, nem me imponham coisas com as quais não concordo, sobretudo quando essas ideias vêm de pessaoas a quem não recoheço qualquer autoridade para isso. Ainda estou para conhecer o 1º judeu, muçulmano, ou hindu que me diga que acha incorrecto eu celebrar o Natal, que me critique por expor livremente aquilo em que acredito, sem com isso pretender impor o que quer que seja a alguém.
Se o ridículo pagasse imposto, haveria, com toda a certeza, pessoas que já não deviam ter lugar na pele para tantos carimbos...
Haja juízo e bom senso... pois a paciência já começa a faltar.
Um Santo e Feliz Natal, são os meus desejos para todos, cristãos e para aqueles que não o são, com todas as letras e não Festas Felizes como parece ser politicamente correcto, agora.