terça-feira, 21 de novembro de 2006

Cacela Velha




Hoje, proponho-vos uma visita ao Algarve. Não à Quinta do Lago, ou à Praia do Ancão, muito menos provar um petisco no Gigi, até porque não quero dar cabo do vosso orçamento familiar. Além disso não vá acontecer que saiamos em alguma revista cor-de-rosa. Abernúncia.
A proposta que vos faço é Cacela Velha, pequena localidade situada junto a Cacela, a cerca de 12 Km de Vila Real de Santo António. A época do ano é boa, pois podemos disfrutar de um Algarve sem confusão, sem grandes filas de carros, mesmo na Nacional 125.
Pois bem, Cacela Velha é uma pequena localidade situada no início da Ria Formosa, lado este, com um interessante Forte e uma bela Igreja. Mas para além destes monumentos, também o casario da localidade merece uma visita atenta.
Quando a barriga estiver a dar horas a sugestão é fazer mais 2 Km e ir até uma localidade chamada Fábrica (ele há cada nome) onde, junto ao mar, fica um restaurante que dá pelo nome de Costa. Aí come-se divinalmente. Aconselho o Arroz de Lingueirão (navalheiras na minha zona), as Enguias Fritas e o Fidalgo, de comer e chorar por mais.
Como se diz que os olhos também comem, é favor ver as fotografias.
Já agora antes que me falem do pecado da Gula, gostaria de acrescentar que se a Gula é um pecado mortal, a fome não o é menos....
Um abraço.

sábado, 18 de novembro de 2006

Quinta da Regaleira

A Torre da Regaleira
Foi construída para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.

O Palácio

Edifício principal da quinta, marcado pela presença de uma torre octogonal, é o resultado da concretização dos sonhos mítico-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
Talvez por ser obra deste arquitecto as semelhanças com o Hotel do Bussaco.
Toda a exuberante decoração, esteve a cargo do escultor José da Fonseca.

Capela da Santíssima Trindade
Uma magnífica fachada que aposta no revivalismo gótico e manuelino.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Quinta da Regaleira - O Bosque



O bosque ou mata que ocupa a maioria do espaço da Quinta da Regaleira não está disposto ao acaso. Começando de maneira mais ordenada e cuidada na parte mais baixa da quinta, vai ficando, progressivamente, mais selvagem até chegar ao topo.
Este disposição reflecte a crença no primitivismo de Carvalho Monteiro, o famoso Monteiro dos Milhões.
Eis mais um bom motivo para visitar a Regaleira (Ao contrário do que possam pensar, não recebo qualquer verba da Câmara Municipal de Sintra para publicitar o local!) e, porque não, comer um Travesseiro da Piriquita.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

O Milagre das Rosas

O meu ilustre colega Carlos Moura, pessoa que muito prezo, tem vindo a escrever no seu blogue (http://clubedearqueologia.blogspot.com/) uns posts sobre um dos mais emblemáticos monumentos de Coimbra, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, obra arquitectónica de um gótico belíssimo e que é, simultaneamente, um dos edifícios históricos mais desconhecidos da população de Coimbra. A propósito disso, falou também do Milagre das Rosas atribuído à nossa Rainha Santa Isabel, facto pelo qual muitos julgam que foi elevadas aos altares.
Penso, no entanto, que os principais motivos da sua santidade se devem ao amor que nutria pelos pobres e à luta que travou para pôr fim as guerras que marcaram os reinados do seu marido (D. Dinis) e do seu filho (D. Afonso IV). Deveria, por isso, ser reconhecida com Rainha da Paz.
De facto, o milagre original (das rosas) deve ser atribuído a uma sua tia-avó, Isabel da Hungria (imagem da direita). Esta Isabel, que foi rainha regente da Hungria, também se celebrizou pelo seu amor aos pobres, tendo sido acusada de má gestão e afastada do poder.
Viveu três anos em total pobreza, até que lhe quiseram restituir o poder, o que ela recusou pois apreciou viver na miséria, seguindo o exemplo de uma Ordem Religiosa nascente, a Franciscana. Não nos podemos esquecer que, nesse tempo, era grande a admiração por S. Francisco de Assis com que ela, aliás, se correspondeu. Morreu em 1231, tendo sido canonizada 4 anos depois.
Quando a sua sobrinha-neta nasceu em 1270, era grande o fervor franciscano e o culto de sua tia, daí a escolha do nome. Herdou-lhe o nome e depois o dito Milagre das Rosas, que a pintora Maria Clarice Sarraf tão bem retratou no quadro da esquerda.
Depois de, por várias vezes, ter evitado situações de guerra eminente, acabou por falecer em Estremoz, no dia 4 de Julho de 1336, depois de evitar mais uma guerra entre Portugal e Castela. Logo aí começa a sua fama de Santa não sendo por isso de admirar que, em 1516, D. Manuel tenha solicitado ao Papa Leão X, autorização para se poder fazer o seu culto religioso em Coimbra. Foi canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1625.
Curioso é que no já referido ano de 1516, tenha D. Manuel concedido a Coimbra a divisa (brasão) da cidade que conhecemos (a tal da princesa Cindazunda).
E para finalizar uma provocação: E se fosse mesmo a Rainha Santa Isabel, a figura central do Brasão da cidade de Coimbra?
A autora do quadro representando a Rainha Santa é Maria Clarice Sarraf.

Desafios

Fui "convidado" para participar neste desafio e não tive qualquer possibilidade de fuga. (Digo eu! Ainda pensei ir para o Brasil, mas desisti, pois tenho da ganhar a vida)
O desafio consta do seguinte: Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog.
As minhas manias:
1- Mania da pontualidade;
2- Mania de não dar um passo maior do que a perna consegue alcançar;
3- Mania de não conseguir sair de casa sem tomar o banho matinal;
4- Mania que consegue arranjar todas as coisas que se avariam em casa (Nem sempre com bons resultados. Valha a intenção);
5-Mania de querer ter tudo sobre controlo.

Os meus convidados:
- Arqueólogo Moura sugere;
- Miccoli
- Pedro Nelito
- Populus Romanus
- Judeus em terras de Algodres

sábado, 11 de novembro de 2006

Um estória curiosa - O Brasão de Coimbra (continuação)


"Eis a prova do crime" .
Aqui está o Brasão da cidade de Coimbra que está colocado na parte de cima do edifício sede do município.
Como podemos observar a disposição do leão (simbolizando o rei Ataces) e do dragão (simbolizando o rei Hermenerico) estão invertidas relativamente à posição correcta.

Quando passarem pela Praça 8 de Maio (antigo Largo de Sansão), não deixem de dar uma espreitadela para verem este curioso pormenor, antes que, também aqui, a fúria de modernização chegue e este emblema seja substituído pela famosa circunferência interrompida, já aqui referida, que, segundo os seus "criadores", é uma forma estilizada de representação da serpente que, por vezes, aparece no lugar da dragão.
O meu caro amigo Jofre Alves, estudioso de Heráldica, colocou, nos comentários deste blogue, algo que contribui para o conhecimento da lenda deste Brasão:
"Como heraldista, gostei imenso deste artigo, pois muito se escreveu sobre este brasão e a génese da sua lenda é magnífica: Ataces, rei dos Alanos, rei suevo Hermenerico, princesa Cindazunda. A mais antiga representação heráldica conhecida e de 1270 (mais ou menos, pois estou a citar de cabeça), e representa uma donzela coroada e com um manto, tendo à volta um resplendor. Essa figuração foi mudando com frequência e nos séculos XIII / XIV apresentam a donzela coroada, ladeada por dois escudos com as quinas de Portugal, e por baixo uma cobra, uma taça e uma flor. A introdução do leão é tardia, talvez do século XVI. Há quem diga – mais lendas – que o brasão é uma alegoria à ninfa Monda, donde veio o nome do rio Mondego, a par da lendária donzela Colimena, filha do rei de Córdova, que encarcerada pelo bárbaro Monderigon, foi do triste cativeiro libertada por uma serpe e um leão."
Um abraço e seja sempre bem-vindo.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Uma estória curiosa


Com o computador quase pronto, estou a despedir-me da publicação Best off.... Entramos, portanto, nas três últimas republicações. Hoje resolvi voltar à questão do Brasão da minha cidade, Coimbra.
O Brasão da nossa cidade representa uma mulher jovem coroada, como que a sair de um cálice, tendo do lado direito um leão de ouro e do lado esquerdo um dragão verde (no original).
Quando se pergunta à maioria dos conimbricenses quem é a donzela representada, não anda longe dos 100% as repostas afirmando tratar-se da Rainha Santa Isabel, Padroeira da cidade de Coimbra. Tal, porém, não corresponde à verdade.
Segundo uma lenda contada por Frei Bernardo de Brito, o emblema da cidade teria a seguinte explicação:
O rei bárbaro dos Alanos, Ataces, que usava na bandeira um leão dourado, veio, com o seu exército, e destruiu a cidade de Conímbriga, governada por Hermenerico, rei dos Suevos, que tinha como emblema a serpente verde. Depois disso, resolveu construir uma nova cidade nas margens do Mondego, a actual Coimbra. Hermenerico decidiu vingar-se e veio dar luta a Ataces, mas foi novamente vencido e, para obter a paz, consentiu no casamento da sua filha, a Princesa Cindazunda, com o antigo inimigo, Ataces. A história acaba assim com um casamento feliz, tendo Ataces oferecido à cidade nascente o brasão que ainda hoje se mantém.
O Brasão apresenta então, no meio a Princesa Cindazunda, o cálice simboliza o casamento, o leão dourado, o rei Ataces e o dragão verde, o rei Hermenerico.

As actuais armas da Cidade de Coimbra estão definidas pela Portaria nº 6959, de 14 de Novembro de 1930, que diz textualmente:
"Tendo em vista o parecer da Secção Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e atendendo ao que representou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coimbra: manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que a constituição heráldica das armas daquele município seja a seguinte: "De vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro e lampassados de púrpura. Em chefe um busto de mulher, coroada de ouro, vestida de púrpura e com manto de prata, acompanhada por dois escudetes antigos das quinas. Colar da Torre e Espada. Bandeira com um metro quadrado, quarteada de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas. Lança e haste de ouro."

Duas curiosidades à laia de conclusão
1ª- Na fachada da Câmara Municipal de Coimbra é possível ver o brasão com a particularidade de este se encontrar invertido, o leão à esquerda e o dragão à direita. Talvez seja por ter sido esculpido em Lisboa.
2ª - Com um brasão tão bonito, para quê gastar tanto dinheiro para arranjar outro símbolo, para determinados serviços camarários, que, como sabemos, depois de estudos apurados e de muito dinheiro dos contribuintes gasto, resultou numa circunferência cortada, que hoje se vê por aí nos autocarros dos serviços municipalizados e em tudo o que é documento camarário.
Haja paciência que, pelos vistos, dinheiro não falta.

A imagem com o brasão foi retirada do site:

sábado, 4 de novembro de 2006

Quem escreveu "Os Lusíadas"?

Quem escreveu "Os Lusíadas"?
Hoje, para variar, e como nunca mais chega o meu computador para poder voltar às minhas história e sabores, resolvi postar aqui uma estória engraçada.

Então aqui vai:
Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu "Os Lusíadas"?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas não fui eu.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem tinha escrito "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não tinha sido ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já pelo irmão não punha as mãos no fogo...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da Guarda Nacional Republicana (GNR), diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não! Imagine que perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não tinha sido ele e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um "apertão", e vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora dirigiu-se para casa onde encontrou o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?- Ora, deixa-me cá. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas". Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Estórias curiosas - Os Jaquinzinhos

Jaquinzinhos fritos
Sesimbra

Todos nós já comemos caparaus pequeninos cozinhados das mais variadas maneiras. Os jaquinzinhos, nome pelo qual são conhecidos, são excelentes fritos, alimados ou de muitas outras formas.

Mas, porque carga de água se dá o nome de jaquinzinhos aos carapaus pequeninos?

Segundo parece a origem do nome está em Sesimbra, terra de pescadores. Certo dia regressava um pescador da faina quando lhe perguntaram o que tinha pescado. Ele respondeu afirmando que tinha apanhado apenas uns pelinzinhos (nome dado, em Sesimbra, aos carapaus jovens) tão pequeninos como o Ti Jaquinzinho (artesão naval muito conhecido em Sesimbra, entre outras coisas, por ser muito pequenino).
Tendo tido conhecimento da estória, a fadista Hermínia da Silva introduziu, na ementa da sua casa de fados em Lisboa, a designação de Jaquinzinhos que, pouco a pouco, foi sendo adoptada por outros restaurantes de Lisboa e depois pelo resto do país.

Aqui fica a receita de carapaus alimados ou jaquinzinhos alimados para os mais gulosos:

500 gr carapaus; 1 cebola média; dentes de alho q.b.; um ramo de salsa; azeite; vinagre e sal q.b..

Começa-se por amanhar o peixe tirando-lhe a cabeça e as tripas. De seguida, lavam-se bem e colocam-se em camadas intercaladas com sal, ficando assim cerca de 24 horas.
Passado este tempo, cozem-se (colocam-se apenas quando a água estiver a ferver) e depois passam-se por água fria para tirar restos de pele e espinhas.
Colocam-se então numa travessa, temperando-os com azeite, vinagre, colocando, por cima, as cabeças de alho cortadas, a cebola cortada e a salsa.
Este prato pode servir-se quente ou frio.
O acompanhamento deixo-o à vossa imaginação.

Façam o favor de experimentar e dizer alguma coisa.
Já agora, Sesimbra é um bom pretexto para uma escapadela.
Recomenda-se, para comer, peixe de todas as formas e feitios.
Bom apetite.

sábado, 28 de outubro de 2006

Uma estória curiosa

Hoje resolvi republicar um post que eu acho muito engraçado: a história da escova de dentes.
E para começar nada melhor que uma pergunta existencial:
Será que o Adão já usava escova de dentes?
É verdade que a Bíblia não refere esse assunto, no entanto sabemos que os Assírios lavavam os dentes com as mãos, com a ajuda dos dedos.
Os Egípcios utilizavam um caule de madeira de lentisco, desfiado, semelhante a um pequeno pincel.
Os Romanos também o faziam e inventaram um "dentífrico" à base de pedra moída, carvão de madeira e urina de criança. (Devia saber muito bem!...)
Na Idade Média usava-se, na maioria das vezes, a toalha que tinha sido posta na mesa para receber os convidados.
As primeiras escovas propriamente ditas apareceram no século XVIII. Falava-se delas como sendo objectos inúteis e, quem sabe, "perigosos".
Hoje, parece que algumas pessoas ainda vivem no século XVIII, fazendo com que os dentistas esfreguem as mãos de contentes.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Um sabor de Cernache dos Alhos

Cernache tem alguns motivos de interesse. Um deles é, sem sombra de dúvidas, a Quinta dos Condes da Esperança onde fica o Colégio da Imaculada Conceição (CAIC).
Outro são os moinhos de água que, em tempos idos, abasteciam a cidade de Coimbra, havendo aindo um ou outro em funcionamento.
Mas o motivo que me leva hoje a reeditar este post é um bolo, conhecido como escarpiada ou melhor, escarpiadas, pois o difícil é comer apenas uma.

Ui, que boas que elas são!...
Para quem nunca as provou, aqui fica a receita desta iguaria, típica de Cernache e Condeixa-a-Nova, cujas origens remontam à Idade Média. Se quiserem ser fiéis à época medieval devem usar mel em vez de açúcar.

Mãos à obra:
Estende-se um pouco de massa de pão sobre uma mesa e espalma-se.
De seguida polvilha-se com limão e mel e um pouco de açúcar amarelo (na receita original usava-se apenas o mel, que era muito mais barato e abundante que o açúcar).
Embrulham-se e colocam-se num tabuleiro untado com azeite e vão ao forno do pão (lenha).
Quando louras, tiram-se e guarda-se o molho para as regar.

Depois, bem depois é so comer... E se estiverem quentinhas ainda melhor!
Bom apetite.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Hidranjas

Quero começar por pedir desculpa por recuperar, em parte, alguns dos primeiros posts que escrevi. Posso dar-vos duas justificações: a primeira é que continuo sem o meu computador e, portanto, sem acesso às fotos e aos textos que tinha alinhavados (espero bem que não me formatem o disco!). O segundo motivo deve-se ao facto de que quando escrevi alguns destes textos, o blogue estar ainda na clandestinidade.
Assim estou a torná-los agora mais acessíveis para todos (G'anda desculpa para a falta de produção! Esta arte da desculpa aprende-se em Portugal).
Bem, para dizer a verdade, isto é um espécie de BEST OF... Histórias e Sabores.

E o tema de hoje é.....
Hortênsias, hidrângeas ou hidranjas.
Qualquer um destes nomes serve para designar a bonita flor que está na fotografia.
Esta foto foi tirada perto da Lagoa das Sete Cidades, na ilha de S. Miguel.
Sem sombra de dúvida, os Açores são uma dádiva da Natureza, felizmente ainda longe do turismo de massas que já encontramos na Madeira.
Voltando à hortênsia, esta foi a flor escolhida por D. Pedro, quando regressado do Brasil, passou pelos Açores, antes de desembarcar na praia de Pampelido/Mindelo. Daqui partiu para a Invicta cidade do Porto, iniciando-se a Guerra Civil entre liberais, por ele liderados, e absolutistas liderados pelo seu irmão D. Miguel, que havia restaurado o absolutismo em Portugal, em 1828.

sábado, 21 de outubro de 2006

Sintra VI - (Regaleira - Poço Iniciático)




Depois de uma ida a Braga para participar num Congresso de Pedagogia, eis-me regressado, ainda sem computador, mas com vontade de continuar a escrever algo.
Vamos continura na Quinta da Regaleira. Desta vez proponho-vos um passeio por um dos sítios mais emblemáticos da Quinta, o Poço Iniciático, uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se descem nove patamares até ao fundo do poço.
Os nove patamares circulares do poço, separados por 15 degraus cada um, invocam referências à Divina Comédia de Dante e podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso, ou do purgatório. Segundo os conceituados ocultistas Albert Pike, René Guénon e Manly Palmer Hall é na obra "A Divina Comédia" que se encontra pela primeira vez exposta a Ordem Rosacruz. No fundo do poço está embutido em mármore, uma rosa-dos-ventos (estrela de oito pontas: 4 maiores ou cardeais, 4 menores ou colaterais) sobre uma cruz templária, que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-cruz.
O Poço diz-se Iniciático porque acredita-se que que era usado em rituais de iniciação à maçonaria e a explicação do simbolismo dos mesmos nove graus diz-se que poderá ser encontrado na obra Conceito Rosacruz do Cosmos.
A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento.
O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta, a entrada dos guardiães, ao lago da cascata e ao poço imperfeito. Estes túneis, outrora habitados por morcegos afastados pelos muitos turistas que visitam o local, estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a sugestão de um mundo submerso.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes!...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Seis Meses

Milladoiro

E já passaram seis meses e 108 posts desde que começou esta aventura.
A culpa é do colega Carlos Moura que me iniciou nestas lides. Ora bolas, já estou a aprender com os políticos e com os miúdos que a culpa é sempre dos outros, ou ainda melhor, que a culpa morre sempre solteira, sobretudo em Portugal.
Nunca pensei ter arte para escrever tanta coisa e, agora que chego aqui, tenho a cabeça cheia de planos para coisas que quero partilhar convosco.
Estou cheio de vontade de voltar a visitar certos sítios para os rever e poder tirar as fotografias que não tirei. Acho que devemos visitar qualquer lugar pelo menos duas vezes, pois à segunda captamos sempre algo que nos escapou na primeira visita. E já agora repetir ou provar pela primeira vez, algumas das iguarias que se podem comer por aí.
Bem, deixo-vos, não com a música tradicional dos aniversários (haverá também alguma música para meios aniversários? Se houver, digam-me alguma coisa.), mas com um grupo Galego, de Pádron (terra dos famosos pimentos que já foram referidos e fotografados neste blogue) chamado Milladoiro que, com a sua sonoridade céltica, me encanta.
P.S.: Para ouvirem os Milladoiro desliguem o som do video ao lado.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Sintra V (A Quinta da Regaleira)



Afinal ainda consigo postar alguma coisa. Utlizando outro computador e tendo deixado alguns rascunhos no servidor, aqui está mais uma pequena contribuição para a divulgação de Sintra.
Hoje resolvi escrever algo sobre a Regaleira, não para fazer concorrência ao blogue do meu amigo Carlos Moura (http://clubedearqueologia.blogspot.com/), mas porque já deu para ver que a Sintra antiga me encanta.
A Quinta da Regaleira visitei-a pela primeira vez Agosto passado e fiquei encantado. Aqui ficam então alguns apontamentos sobre esse pedaço de paraíso. Uma chamada de atenção: as fotografias não são minhas, pois essas estão no meu computador.
Começemos então:
No princípio do século XX, Sintra era um conhecido lugar de veraneio ou de residência de aristocratas e de milionários.
De entre estes, Carvalho Monteiro detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir, perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete cuja arquitectura neo-manuelina representa um marco na história do revivalismo português.
Descobri, no outro dia, no blogue do Clube de Arqueologia atrás citado, que a sigla CM existente por todo o edifício, significa Carvalho Monteiro e não como alguém desconfiava, Carlos Moura, embora esta seja quase a sua casa tantas vezes lá vai com o Clube. Ou será por culpa dos Travesseiros?
Voltando à Quinta, esta fica situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO e é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios de Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mítico-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.
A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios.
Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descer à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Sintra IV - (O Paço Real)





Vou iniciar este post com um pedido de desculpas, uma vez que vou passar a estar um pouco mais ausente porque o tabalho aperta e, para cúmulo, o meu portátil avariou. O pior de tudo é que muito do meu trabalho aí está guardado, para além de quase todas as fotos tiradas durante os passeios e textos já escritos. Parece-me que o "internamento" vai durar, no mínimo um mês. Esperemos que a máquina recupere

Voltando ao assunto principal, retornemos à Vila Antiga de Sintra onde iremos visitar o Palácio Real".

O Paço Real de Sintra, classificado como monumento nacional foi construído pelos árabes, e manteve-se sem ter muita importância até ao princípio da dinastia de Avis, séc. XV, quando, com D. João I, se torna num paço real de veraneio. Só no reinado de D. Manuel, no século XVI, em plena Renascença, foi a fortaleza medieval transformada em palácio. Após as remodelações, dá-se conta de existirem: 27 aposentos dedicados a quartos, câmaras, ante-câmaras e salas com funções várias (escrivães, tesouraria, secretaria, etc.), espaços reservados a funções religiosas. Com as janelas ampliadas, o rei criou os aposentos do príncipe (1517) e a Sala dos Brasões, (1508) enchendo-o de elementos neo-árabes que atraíam toda a Corte. Inicia-se então uma época áurea para o Palácio da Vila, que se prolongou ainda com D. João III.

Neste palácio esteve também "preso", no século XVII, o rei D. Afonso VI, contando-se que o chão gasto de um dos aposentos, se deve ao facto de o rei arrastar uma perna, o que o levou a desgastar o piso de tijoleira.

Em consequência do terramoto de 1755, o edifício sofreu algumas transformações no séc. XIX. Mesmo assim, é dos poucos Paços que sobreviveram à passagem do tempo, sendo vulgarmente conhecido por Palácio da Vila.

A sua silhueta é claramente marcada pela existência de duas enormes chaminés em forma de cone.

Antes ou depois já sabem que podem passar pela Piriquita que dista cerca de 100 metros do Palácio.


sábado, 7 de outubro de 2006

Bom fim-de-semana!!!...

Madredeus - Haja o Que Houver (Come What May) (1997)

Ora aqui fica mais uma música para o fim-de-semana e um grande beijo de parabéns para a minha mãe que hoje faz anos.
Os Madredeus são excelentes representantes da alma portuguesa por esse mundo fora.
Esta é uma das minha músicas favoritas, até porque no Coro onde canto, a ensaiámos a 4 vozes para o casamento de uma pessoa amiga. A harmonização foi feita pelo nosso Maestro.
O contraste com a música que está na coluna da direita é fácil de explicar. Ambas fazem parte da minha vida.
Os Deep Purple era uma das minhas bandas preferidas quando era um teenager inconsciente. (Aqui que ninguém nos ouve ainda gosto muito hoje). Esta versão com alguns músicos dos Queen é fabulosa.
Os Madredeus já duma fase mais calma da minha vida, onde começamos a ter gostos muito mais abrangentes.
Bom fim-de-semana e acreditem que Sintra ainda é mais bonita com a música dos Madredeus.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Sintra III (Castelo dos Mouros)




Com tanto para ver em Sintra, havia que começar por algum lado depois de termos reconfortado o estômago com os famosos Travesseiros da Piriquita.
A escolha recaiu no Castelo de Sintra, também conhecido como Castelo dos Mouros que foi erguido sobre um maciço rochoso, num dos cumes da serra de Sintra. Das suas muralhas alcança-se uma vista privilegiada de toda o meio rural que o envolve e se estende até ao oceano Atlântico.
O Castelo dos Mouros e a cisterna encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.
O castelo apresenta ema planta orgânica (adaptada ao terreno) com cerca de 450 metros de perímetro e 12.000 m² de área.
A muralha apresenta cinco torres: quatro de planta rectangular e uma de planta circular encimadas por merlões piramidais, não havendo já vestígios dos dois pisos e do sistema de cobertura primitivos.
A torre na cota mais elevada do terreno, conhecida também por Torre Real, é acedida através de uma escadaria de 500 degraus e consta que lá terá vivido Bernardim Ribeiro, escritor português do século XVI.
No interior do castelo, próximo ao Portão de Armas, ergue-se uma igreja devotada a São Pedro (São Pedro de Penaferrim), que remonta à época de D. Afonso Henriques.
O caminho até ao Castelo é outra das atracções de Sintra pois todo ele é de cortar a respiração, tal a beleza das paisagens.
Relacionada com a conquista do Castelo, em 1147 (ano da conquista de Santarém e Lisboa) está a lenda de Melides, que reza assim:
“Após a conquista de Santarém, o rei D. Afonso Henriques impôs um cerco a Lisboa, com a ajuda de cruzados do Norte da Europa que por aqui passavam a caminho da Terra Santa, cerco esse que se estendeu por três meses. Embora o Castelo de Sintra se tenha entregue voluntariamente após a queda de Lisboa, reza a lenda que, nessa ocasião, receoso de um ataque de surpresa às suas forças, por parte dos mouros de Sintra, o soberano encarregou D. Gil, um cavaleiro templário, que formasse um grupo com vinte homens da mais estrita confiança, para secretamente ali irem observar o movimento inimigo, prevenindo-se ao mesmo tempo de um deslocamento dos mouros de Lisboa, via Cascais até Sintra.
Os cruzados colocaram-se a caminho em segredo. Para evitar serem avistados, viajaram de noite, ocultando-se de dia, pelo caminho de Torres Vedras até Santa Cruz, pela costa até Colares, tentando evitar Albernoz, um temido chefe mouro de Colares, terra de bons vinhos que ele, muçulmano, por motivos religiosos não podia beber.
Entre Colares e o Penedo, Nossa Senhora apareceu aos receosos cavaleiros e lhes disse: "Não tenhais medo porque ides vinte mas ides mil, mil ides porque ides vinte."
Desse modo, cheios de coragem porque a Senhora estava com eles, ao final de cinco dias de percurso confrontaram o inimigo, derrotando-o e conquistando o Castelo dos Mouros.
Em homenagem a este feito foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides ("mil ides").

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Sintra II - (Os travessiros)

Travesseiros
Palácio Real
Quinta da Regaleira
Palácio Real
A história das pastelarias tem já muitos séculos. Inicialmente chamavam-se “confeitarias”, pois os “pasteleiros”, dizia uma regra de 1762, são os que podem “guizar e assar carnes e peixes nas suas lojas por ser muito útil ao povo e ao bem comum, sem nenhum que possa fazer outra comida para vender ao povo.” Enfim, eram os que faziam os pastéis (que na altura eram só os salgados). Por seu lado, os confeiteiros faziam os bolos e vendiam o açúcar e eram muito críticos da concorrência que lhes faziam as vendedeiras ambulantes de doces, ou as tendas e mercearias que também vendiam açúcar.
Feita esta introdução é de uma pastelaria que hoje vamos falar: A Piriquita, em Sintra.
Uma visita a Sintra, seja qual for o motivo, não pode deixar de começar na chamada Vila Velha de Sintra, o seu centro histórico. Aqui há muito para ver, mas hoje quero destacar o local onde qualquer visita deve começar: a Piriquita, a chamada rua da Padaria, mesmo junto ao Palácio Nacional. Aqui encontramos os famosos Travesseiros de Sintra. Quem não começar ou terminar por aqui o dia de visita, não sabe, de certeza, o que perdeu.
Os Travesseiros de Sintra são deliciosos (de comer e chorar por mais!), principalmente quando estão quentinhos e acabadinhos de sair do forno, o que na Piriquita, acontece quase sempre. Os travesseiros são feitos de massa folhada, recheados com doce de ovos com amêndoa e polvilhados de açúcar…
Quem quiser tentar a receita pode encontrá-la em:
Bom apetite.

domingo, 1 de outubro de 2006

Sintra I - (As origens)

Vista do Palácio Real
Muralha do Castelo dos Mouros
O Palácio Real
Influências árabes
Um dos lugares onde não me canso de ir é a Sintra. Eis pois a proposta para este e quem sabe os próximos posts.
Em Sintra tudo vale a pena: os palácios, a vila antiga, a serra, os castelo, as praias, a mata, os travesseiros (estes não servem para pôr na cabeceira da cama, mas sim para comer, sobretudo se forem da Piriquita), etc, etc…
Eis, pois, Sintra, cuja mais antiga forma medieval conhecida, Suntria, mostra influências Indo-Europeias, podendo significar “astro luminoso”, “sol”.
Já na antiguidade clássica, Sintra aparece referida. Varrão e Columela designaram-na como Monte Sagrado e Ptolomeu registou-a como a Serra da Lua.
O geógrafo árabe Al-Bacr, no século X, caracterizou Sintra como «permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa».
«Terra de mui boõs ares e agoas e de Comarquas em que há grande avondança de mantimentos de mar e de terra, e por a nossa mui nobre e leal cidade de Lisboa ser tão acerqua, e avermos em ella açaz de folganças, e desenfadamentos de montes e caças (...)» - assim aparece descrita, em 1436, numa carta de privilégios aos moradores de Sintra, passada pelo rei D. Duarte (1433-38).
O cronista Damião de Góis, dá-nos conta que D. Manuel I, rei de 1495 a 1521, apreciava passar o Verão em Sintra pelo fresco do clima e abundância de caça.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII Sintra continua a ser referida pela sua beleza e abundância. O Padre Baião em Portugal Cuidadoso (1724) descreve-a assim: «Junto ao Palácio de Cintra havia um bosque tão espesso que ainda de dia mette medo a quem entre n'elle só. E D. Sebastião era d'isso tão izento que saía de noite a passear por elIe muytas vezes duas e tres horas».
Já no século XVIII, Lord Byron refere-se a ela como o “Glorioso Éden” e Richard Strauss viu, sem comparação com «a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, um verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, o castelo do Santo Graal».
Depois destas referências históricas, espero ter-vos criado o bichinho para largarem as pantufas e a televisão e verem, com os vossos próprios olhos, tanta beleza, numa zona tão pequena do território português.
Sintra vale a pena em qualquer época do ano. Acreditem