sábado, 28 de outubro de 2006

Uma estória curiosa

Hoje resolvi republicar um post que eu acho muito engraçado: a história da escova de dentes.
E para começar nada melhor que uma pergunta existencial:
Será que o Adão já usava escova de dentes?
É verdade que a Bíblia não refere esse assunto, no entanto sabemos que os Assírios lavavam os dentes com as mãos, com a ajuda dos dedos.
Os Egípcios utilizavam um caule de madeira de lentisco, desfiado, semelhante a um pequeno pincel.
Os Romanos também o faziam e inventaram um "dentífrico" à base de pedra moída, carvão de madeira e urina de criança. (Devia saber muito bem!...)
Na Idade Média usava-se, na maioria das vezes, a toalha que tinha sido posta na mesa para receber os convidados.
As primeiras escovas propriamente ditas apareceram no século XVIII. Falava-se delas como sendo objectos inúteis e, quem sabe, "perigosos".
Hoje, parece que algumas pessoas ainda vivem no século XVIII, fazendo com que os dentistas esfreguem as mãos de contentes.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Um sabor de Cernache dos Alhos

Cernache tem alguns motivos de interesse. Um deles é, sem sombra de dúvidas, a Quinta dos Condes da Esperança onde fica o Colégio da Imaculada Conceição (CAIC).
Outro são os moinhos de água que, em tempos idos, abasteciam a cidade de Coimbra, havendo aindo um ou outro em funcionamento.
Mas o motivo que me leva hoje a reeditar este post é um bolo, conhecido como escarpiada ou melhor, escarpiadas, pois o difícil é comer apenas uma.

Ui, que boas que elas são!...
Para quem nunca as provou, aqui fica a receita desta iguaria, típica de Cernache e Condeixa-a-Nova, cujas origens remontam à Idade Média. Se quiserem ser fiéis à época medieval devem usar mel em vez de açúcar.

Mãos à obra:
Estende-se um pouco de massa de pão sobre uma mesa e espalma-se.
De seguida polvilha-se com limão e mel e um pouco de açúcar amarelo (na receita original usava-se apenas o mel, que era muito mais barato e abundante que o açúcar).
Embrulham-se e colocam-se num tabuleiro untado com azeite e vão ao forno do pão (lenha).
Quando louras, tiram-se e guarda-se o molho para as regar.

Depois, bem depois é so comer... E se estiverem quentinhas ainda melhor!
Bom apetite.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Hidranjas

Quero começar por pedir desculpa por recuperar, em parte, alguns dos primeiros posts que escrevi. Posso dar-vos duas justificações: a primeira é que continuo sem o meu computador e, portanto, sem acesso às fotos e aos textos que tinha alinhavados (espero bem que não me formatem o disco!). O segundo motivo deve-se ao facto de que quando escrevi alguns destes textos, o blogue estar ainda na clandestinidade.
Assim estou a torná-los agora mais acessíveis para todos (G'anda desculpa para a falta de produção! Esta arte da desculpa aprende-se em Portugal).
Bem, para dizer a verdade, isto é um espécie de BEST OF... Histórias e Sabores.

E o tema de hoje é.....
Hortênsias, hidrângeas ou hidranjas.
Qualquer um destes nomes serve para designar a bonita flor que está na fotografia.
Esta foto foi tirada perto da Lagoa das Sete Cidades, na ilha de S. Miguel.
Sem sombra de dúvida, os Açores são uma dádiva da Natureza, felizmente ainda longe do turismo de massas que já encontramos na Madeira.
Voltando à hortênsia, esta foi a flor escolhida por D. Pedro, quando regressado do Brasil, passou pelos Açores, antes de desembarcar na praia de Pampelido/Mindelo. Daqui partiu para a Invicta cidade do Porto, iniciando-se a Guerra Civil entre liberais, por ele liderados, e absolutistas liderados pelo seu irmão D. Miguel, que havia restaurado o absolutismo em Portugal, em 1828.

sábado, 21 de outubro de 2006

Sintra VI - (Regaleira - Poço Iniciático)




Depois de uma ida a Braga para participar num Congresso de Pedagogia, eis-me regressado, ainda sem computador, mas com vontade de continuar a escrever algo.
Vamos continura na Quinta da Regaleira. Desta vez proponho-vos um passeio por um dos sítios mais emblemáticos da Quinta, o Poço Iniciático, uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se descem nove patamares até ao fundo do poço.
Os nove patamares circulares do poço, separados por 15 degraus cada um, invocam referências à Divina Comédia de Dante e podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso, ou do purgatório. Segundo os conceituados ocultistas Albert Pike, René Guénon e Manly Palmer Hall é na obra "A Divina Comédia" que se encontra pela primeira vez exposta a Ordem Rosacruz. No fundo do poço está embutido em mármore, uma rosa-dos-ventos (estrela de oito pontas: 4 maiores ou cardeais, 4 menores ou colaterais) sobre uma cruz templária, que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-cruz.
O Poço diz-se Iniciático porque acredita-se que que era usado em rituais de iniciação à maçonaria e a explicação do simbolismo dos mesmos nove graus diz-se que poderá ser encontrado na obra Conceito Rosacruz do Cosmos.
A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento.
O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta, a entrada dos guardiães, ao lago da cascata e ao poço imperfeito. Estes túneis, outrora habitados por morcegos afastados pelos muitos turistas que visitam o local, estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a sugestão de um mundo submerso.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes!...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Seis Meses

Milladoiro

E já passaram seis meses e 108 posts desde que começou esta aventura.
A culpa é do colega Carlos Moura que me iniciou nestas lides. Ora bolas, já estou a aprender com os políticos e com os miúdos que a culpa é sempre dos outros, ou ainda melhor, que a culpa morre sempre solteira, sobretudo em Portugal.
Nunca pensei ter arte para escrever tanta coisa e, agora que chego aqui, tenho a cabeça cheia de planos para coisas que quero partilhar convosco.
Estou cheio de vontade de voltar a visitar certos sítios para os rever e poder tirar as fotografias que não tirei. Acho que devemos visitar qualquer lugar pelo menos duas vezes, pois à segunda captamos sempre algo que nos escapou na primeira visita. E já agora repetir ou provar pela primeira vez, algumas das iguarias que se podem comer por aí.
Bem, deixo-vos, não com a música tradicional dos aniversários (haverá também alguma música para meios aniversários? Se houver, digam-me alguma coisa.), mas com um grupo Galego, de Pádron (terra dos famosos pimentos que já foram referidos e fotografados neste blogue) chamado Milladoiro que, com a sua sonoridade céltica, me encanta.
P.S.: Para ouvirem os Milladoiro desliguem o som do video ao lado.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Sintra V (A Quinta da Regaleira)



Afinal ainda consigo postar alguma coisa. Utlizando outro computador e tendo deixado alguns rascunhos no servidor, aqui está mais uma pequena contribuição para a divulgação de Sintra.
Hoje resolvi escrever algo sobre a Regaleira, não para fazer concorrência ao blogue do meu amigo Carlos Moura (http://clubedearqueologia.blogspot.com/), mas porque já deu para ver que a Sintra antiga me encanta.
A Quinta da Regaleira visitei-a pela primeira vez Agosto passado e fiquei encantado. Aqui ficam então alguns apontamentos sobre esse pedaço de paraíso. Uma chamada de atenção: as fotografias não são minhas, pois essas estão no meu computador.
Começemos então:
No princípio do século XX, Sintra era um conhecido lugar de veraneio ou de residência de aristocratas e de milionários.
De entre estes, Carvalho Monteiro detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir, perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete cuja arquitectura neo-manuelina representa um marco na história do revivalismo português.
Descobri, no outro dia, no blogue do Clube de Arqueologia atrás citado, que a sigla CM existente por todo o edifício, significa Carvalho Monteiro e não como alguém desconfiava, Carlos Moura, embora esta seja quase a sua casa tantas vezes lá vai com o Clube. Ou será por culpa dos Travesseiros?
Voltando à Quinta, esta fica situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO e é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios de Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mítico-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.
A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios.
Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descer à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Sintra IV - (O Paço Real)





Vou iniciar este post com um pedido de desculpas, uma vez que vou passar a estar um pouco mais ausente porque o tabalho aperta e, para cúmulo, o meu portátil avariou. O pior de tudo é que muito do meu trabalho aí está guardado, para além de quase todas as fotos tiradas durante os passeios e textos já escritos. Parece-me que o "internamento" vai durar, no mínimo um mês. Esperemos que a máquina recupere

Voltando ao assunto principal, retornemos à Vila Antiga de Sintra onde iremos visitar o Palácio Real".

O Paço Real de Sintra, classificado como monumento nacional foi construído pelos árabes, e manteve-se sem ter muita importância até ao princípio da dinastia de Avis, séc. XV, quando, com D. João I, se torna num paço real de veraneio. Só no reinado de D. Manuel, no século XVI, em plena Renascença, foi a fortaleza medieval transformada em palácio. Após as remodelações, dá-se conta de existirem: 27 aposentos dedicados a quartos, câmaras, ante-câmaras e salas com funções várias (escrivães, tesouraria, secretaria, etc.), espaços reservados a funções religiosas. Com as janelas ampliadas, o rei criou os aposentos do príncipe (1517) e a Sala dos Brasões, (1508) enchendo-o de elementos neo-árabes que atraíam toda a Corte. Inicia-se então uma época áurea para o Palácio da Vila, que se prolongou ainda com D. João III.

Neste palácio esteve também "preso", no século XVII, o rei D. Afonso VI, contando-se que o chão gasto de um dos aposentos, se deve ao facto de o rei arrastar uma perna, o que o levou a desgastar o piso de tijoleira.

Em consequência do terramoto de 1755, o edifício sofreu algumas transformações no séc. XIX. Mesmo assim, é dos poucos Paços que sobreviveram à passagem do tempo, sendo vulgarmente conhecido por Palácio da Vila.

A sua silhueta é claramente marcada pela existência de duas enormes chaminés em forma de cone.

Antes ou depois já sabem que podem passar pela Piriquita que dista cerca de 100 metros do Palácio.


sábado, 7 de outubro de 2006

Bom fim-de-semana!!!...

Madredeus - Haja o Que Houver (Come What May) (1997)

Ora aqui fica mais uma música para o fim-de-semana e um grande beijo de parabéns para a minha mãe que hoje faz anos.
Os Madredeus são excelentes representantes da alma portuguesa por esse mundo fora.
Esta é uma das minha músicas favoritas, até porque no Coro onde canto, a ensaiámos a 4 vozes para o casamento de uma pessoa amiga. A harmonização foi feita pelo nosso Maestro.
O contraste com a música que está na coluna da direita é fácil de explicar. Ambas fazem parte da minha vida.
Os Deep Purple era uma das minhas bandas preferidas quando era um teenager inconsciente. (Aqui que ninguém nos ouve ainda gosto muito hoje). Esta versão com alguns músicos dos Queen é fabulosa.
Os Madredeus já duma fase mais calma da minha vida, onde começamos a ter gostos muito mais abrangentes.
Bom fim-de-semana e acreditem que Sintra ainda é mais bonita com a música dos Madredeus.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Sintra III (Castelo dos Mouros)




Com tanto para ver em Sintra, havia que começar por algum lado depois de termos reconfortado o estômago com os famosos Travesseiros da Piriquita.
A escolha recaiu no Castelo de Sintra, também conhecido como Castelo dos Mouros que foi erguido sobre um maciço rochoso, num dos cumes da serra de Sintra. Das suas muralhas alcança-se uma vista privilegiada de toda o meio rural que o envolve e se estende até ao oceano Atlântico.
O Castelo dos Mouros e a cisterna encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.
O castelo apresenta ema planta orgânica (adaptada ao terreno) com cerca de 450 metros de perímetro e 12.000 m² de área.
A muralha apresenta cinco torres: quatro de planta rectangular e uma de planta circular encimadas por merlões piramidais, não havendo já vestígios dos dois pisos e do sistema de cobertura primitivos.
A torre na cota mais elevada do terreno, conhecida também por Torre Real, é acedida através de uma escadaria de 500 degraus e consta que lá terá vivido Bernardim Ribeiro, escritor português do século XVI.
No interior do castelo, próximo ao Portão de Armas, ergue-se uma igreja devotada a São Pedro (São Pedro de Penaferrim), que remonta à época de D. Afonso Henriques.
O caminho até ao Castelo é outra das atracções de Sintra pois todo ele é de cortar a respiração, tal a beleza das paisagens.
Relacionada com a conquista do Castelo, em 1147 (ano da conquista de Santarém e Lisboa) está a lenda de Melides, que reza assim:
“Após a conquista de Santarém, o rei D. Afonso Henriques impôs um cerco a Lisboa, com a ajuda de cruzados do Norte da Europa que por aqui passavam a caminho da Terra Santa, cerco esse que se estendeu por três meses. Embora o Castelo de Sintra se tenha entregue voluntariamente após a queda de Lisboa, reza a lenda que, nessa ocasião, receoso de um ataque de surpresa às suas forças, por parte dos mouros de Sintra, o soberano encarregou D. Gil, um cavaleiro templário, que formasse um grupo com vinte homens da mais estrita confiança, para secretamente ali irem observar o movimento inimigo, prevenindo-se ao mesmo tempo de um deslocamento dos mouros de Lisboa, via Cascais até Sintra.
Os cruzados colocaram-se a caminho em segredo. Para evitar serem avistados, viajaram de noite, ocultando-se de dia, pelo caminho de Torres Vedras até Santa Cruz, pela costa até Colares, tentando evitar Albernoz, um temido chefe mouro de Colares, terra de bons vinhos que ele, muçulmano, por motivos religiosos não podia beber.
Entre Colares e o Penedo, Nossa Senhora apareceu aos receosos cavaleiros e lhes disse: "Não tenhais medo porque ides vinte mas ides mil, mil ides porque ides vinte."
Desse modo, cheios de coragem porque a Senhora estava com eles, ao final de cinco dias de percurso confrontaram o inimigo, derrotando-o e conquistando o Castelo dos Mouros.
Em homenagem a este feito foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides ("mil ides").

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Sintra II - (Os travessiros)

Travesseiros
Palácio Real
Quinta da Regaleira
Palácio Real
A história das pastelarias tem já muitos séculos. Inicialmente chamavam-se “confeitarias”, pois os “pasteleiros”, dizia uma regra de 1762, são os que podem “guizar e assar carnes e peixes nas suas lojas por ser muito útil ao povo e ao bem comum, sem nenhum que possa fazer outra comida para vender ao povo.” Enfim, eram os que faziam os pastéis (que na altura eram só os salgados). Por seu lado, os confeiteiros faziam os bolos e vendiam o açúcar e eram muito críticos da concorrência que lhes faziam as vendedeiras ambulantes de doces, ou as tendas e mercearias que também vendiam açúcar.
Feita esta introdução é de uma pastelaria que hoje vamos falar: A Piriquita, em Sintra.
Uma visita a Sintra, seja qual for o motivo, não pode deixar de começar na chamada Vila Velha de Sintra, o seu centro histórico. Aqui há muito para ver, mas hoje quero destacar o local onde qualquer visita deve começar: a Piriquita, a chamada rua da Padaria, mesmo junto ao Palácio Nacional. Aqui encontramos os famosos Travesseiros de Sintra. Quem não começar ou terminar por aqui o dia de visita, não sabe, de certeza, o que perdeu.
Os Travesseiros de Sintra são deliciosos (de comer e chorar por mais!), principalmente quando estão quentinhos e acabadinhos de sair do forno, o que na Piriquita, acontece quase sempre. Os travesseiros são feitos de massa folhada, recheados com doce de ovos com amêndoa e polvilhados de açúcar…
Quem quiser tentar a receita pode encontrá-la em:
Bom apetite.

domingo, 1 de outubro de 2006

Sintra I - (As origens)

Vista do Palácio Real
Muralha do Castelo dos Mouros
O Palácio Real
Influências árabes
Um dos lugares onde não me canso de ir é a Sintra. Eis pois a proposta para este e quem sabe os próximos posts.
Em Sintra tudo vale a pena: os palácios, a vila antiga, a serra, os castelo, as praias, a mata, os travesseiros (estes não servem para pôr na cabeceira da cama, mas sim para comer, sobretudo se forem da Piriquita), etc, etc…
Eis, pois, Sintra, cuja mais antiga forma medieval conhecida, Suntria, mostra influências Indo-Europeias, podendo significar “astro luminoso”, “sol”.
Já na antiguidade clássica, Sintra aparece referida. Varrão e Columela designaram-na como Monte Sagrado e Ptolomeu registou-a como a Serra da Lua.
O geógrafo árabe Al-Bacr, no século X, caracterizou Sintra como «permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa».
«Terra de mui boõs ares e agoas e de Comarquas em que há grande avondança de mantimentos de mar e de terra, e por a nossa mui nobre e leal cidade de Lisboa ser tão acerqua, e avermos em ella açaz de folganças, e desenfadamentos de montes e caças (...)» - assim aparece descrita, em 1436, numa carta de privilégios aos moradores de Sintra, passada pelo rei D. Duarte (1433-38).
O cronista Damião de Góis, dá-nos conta que D. Manuel I, rei de 1495 a 1521, apreciava passar o Verão em Sintra pelo fresco do clima e abundância de caça.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII Sintra continua a ser referida pela sua beleza e abundância. O Padre Baião em Portugal Cuidadoso (1724) descreve-a assim: «Junto ao Palácio de Cintra havia um bosque tão espesso que ainda de dia mette medo a quem entre n'elle só. E D. Sebastião era d'isso tão izento que saía de noite a passear por elIe muytas vezes duas e tres horas».
Já no século XVIII, Lord Byron refere-se a ela como o “Glorioso Éden” e Richard Strauss viu, sem comparação com «a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, um verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, o castelo do Santo Graal».
Depois destas referências históricas, espero ter-vos criado o bichinho para largarem as pantufas e a televisão e verem, com os vossos próprios olhos, tanta beleza, numa zona tão pequena do território português.
Sintra vale a pena em qualquer época do ano. Acreditem

sábado, 30 de setembro de 2006

Mafra



Saídos do Sobreiro, a próxima paragem é Mafra.
Esta terra dava-nos pano para mangas, o que significa que se poderia escrever sobre ela dezenas de posts.

É no entanto, uma terra pela qual nutro uma certa relação de amor-ódio.
Os motivos são vários pois desde a grandiosidade do Convento-Palácio, à Igreja do dito que é das mais bonitas que conheço, aos órgãos de tubos (seis ao todo), ao carrilhão e, last but not least, às Parras, pastéis que me fazem crescer água na boca cada vez que penso neles.
Mas Mafra tem também, para mim, algumas memórias menos positivas, especialmente aquelas que se ligam ao cumprimento do serviço militar obrigatório, pois foi aí que fiz os 4 meses do curso de milicianos (oficial atirador).
De bom guardo algumas amizades que vão ficar para toda a vida e alguns desafios físicos e psicológicos que venci na recruta. De mau a sensação de brincar às guerras, o façam de conta que é a sério pois não há dinheiro para mandar cantar um cego. Para além disso, havia ainda as coisas desnecessárias que éramos obrigados a fazer como os reforços, que nunca faríamos como oficiais, em que tínhamos a sensação que era só para nos lixarem, as actividades que fazíamos com voluntários nas pausas da instrução, etc.
Mas o que mais me marcou foi o facto de eu, que estava a cumprir o meu dever para com Pátria, ver a maioria dos meus colegas de curso, que alegaram Objecção de Consciência, a trabalharem e a ganharem muito mais do que eu. E, para ajudar à festa, quando fui colocado para dar aulas, embora soubesse que não ia ocupar o lugar pois estava no Serviço Militar Obrigatório, ter pedido dispensa para me apresentar na escola, eu que era o instruendo com melhor classificação no meu pelotão, ter visto essa dispensa negada com a alegação que ia ocupar ilegalmente um lugar. Por muito que explicasse que se não me apresentasse estaria sujeito a uma suspensão de 2 anos, nada os demoveu. Valeu-me a Presidente do Conselho Directivo que me permitiu apresentar-me a um Sábado, apesar da Escola estar encerrada. E, no entretanto, os Objectores, que nessa época atingiram um número enorme (aquilo parecia uma epidemia), a aceitarem as colocações e a trabalharem enquanto o pacóvio que cumpria as suas obrigações constitucionais, via os seus direitos mais elementares atropelados.
Daqui resultou que, depois de cumprido o serviço militar (16 meses: 4 em Mafra e 12 na Figueira da Foz), tenham passado 10 anos antes de voltar a Mafra para ver e usufruir, então sim, o Convento-Palácio de Mafra, - o Calhau como era conhecido na gíria de quantos ali cumpriam o serviço militar.
Apesar de tudo acho que vale bem uma visita. Acreditem.
E já agora vão provar uma Parra.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

A Aldeia típica do Mestre José Franco




Entre a Ericeira e Mafra há um local que merece bem uma visita: a aldeia típica do Mestre José Franco, situada na localidade do Sobreiro.
Aí, José Franco recupera os usos e os costumes das gentes do concelho (Mafra), numa reconstituição de uma aldeia, onde o mestre Franco não se coibiu de fazer renascer a sua velha sala de aulas, com as pequenas mesas em madeira, o imponente armário da professora, a ardósia, a menina de cinco olhos do tempo em que a pedagogia era outra; na loja do barbeiro-dentista um freguês submete-se a um corte de barba, na mercearia a Ti Helena serve um copo de vinho… ambientes que nos levam a fazer uma viagem no tempo.
Mestre Franco é um ceramista de renome, que construiu ao longo dos anos uma espécie de Portugal dos Pequenitos, sem a conotação política do da minha cidade de Coimbra (se é que alguém ainda se lembra disso) mas com um cariz mais popular. Este é pois um local não perder.
Já agora vale bem a pena provar o pão com chouriço da tasca da aldeia que, ao contrário das casas em miniatura, tem tamanho para constituir quase uma refeição.
Para os menos dados a estes petiscos também existe um restaurante.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Ericeira - II

Passado o fim-de-semana de obras eis-me regressado para concluir o post sobre a Ericiera.
A Ericeira, é uma vila piscatória situada 50 Km a noroeste de Lisboa, a 25 Km de Sintra e 10 Km de Mafra. O oceano Atlântico é o seu eterno companheiro e é aí, segundo diz a canção, (ver o post anterior) que o mar é mais azul.
Na Ericeira destaca-se a hospitalidade das suas gentes e a harmonia da "vila velha" de ruas estreitas e casario típico.
As praias de areia grossa e branca enquadradas por altas e bonitas falésias apresentam excelentes condições naturais de lazer e prática de desportos costeiros como a pesca desportiva, o surf ou a simples contemplação de um pôr-do-sol oceânico.
Foi nesta vila, mais propriamente na praia dos Pescadores, que se deu o embarque para o exílio do último rei português, D. Manuel I, episódio esse que assinala o termo do Regime Monárquico em Portugal. Este acontecimento fará, sempre, do Porto da Ericeira um dos locais mais dramáticos do Concelho de Mafra. Uma placa à entrada da rampa de acesso à praia refere essa partida.
As praias e os pesqueiros, bem como o património monumental e o gastronómico, com base numa variedade de peixes e mariscos, constituem os seus maiores atractivos da terra.
Quando chegar a hora da refeição o meu destaque vai para o restaurante A Parreirinha que fica na rua Dr. M. Bombarda número 12, onde se come uma Massada de Tamboril, uma Açorda de Gambas e umas Lulinhas Fritas que são uma delícia.
Bom apetite.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Sara Tavares - Balancê



Sara Tavares tem, sem sombra de dúvidas, uma das melhores vozes portuguesas.
Gostaria de aqui deixar a versão do Salmo 139 "Eu sei" que é uma das melhores melodias que já ouvi. Como não foi possível deixo-vos o Balancê.
Apreciem.
Bom fim de semana para todos, pois tenho obras em casa e, por isso, tenho que me ausentar.
Um abraço e façam o favor de ser felizes.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Ericeira - I

Pêra Rocha
Moinho da Região Oeste
Praia dos Pescadores, Ericeira

Volto hoje às postagens normais, embora prometa um dia destes falar do Desporto Escolar pois está-se a preparar mais um Golpe de Estado, ou se quiserem uma Vitória na Secretaria.
Até parece que temos uma grande prática desportiva. Bem mas deixemo-nos de tristezas e voltemos às minhas propostas para um passeio de família.
Saídos de Peniche (há três posts atrás), dirigimo-nos para sul, a caminho da Ericeira.
Estamos na chamada Região Oeste que é responsável por grande parte da produção de fruta em Portugal. Quem não ouviu já falar da famosa Pêra Rocha?
Esta é também a região do país com mais moinhos de vento. Surpresa será talvez dizer que esta região tem mais moinhos que toda a Holanda, país famoso pelos seus moinhos.
Bem, mas adiante pois o destino é a Ericeira.
A Ericeira é uma vila muito antiga, presumivelmente local de passagem e instalação dos fenícios. A presença humana é, por isso, muito antiga na região.
O seu primeiro foral data de 1229, tendo sido concedido pelo Grão Mestre da Ordem de Aviz, D. Frei Fernão Rodrigues Monteiro e reformado pelo Rei D. Manuel I, em 1513, aquando da reforma efectuada na maioria dos forais portugueses.
A Ericeira conheceu no século XIX, a sua época de maior desenvolvimento, tornando-se o porto mais concorrido da Estremadura.
Hoje, é uma praia muito frequentada, sobretudo por pessoas vindas de Lisboa.
Não resisto a transcrever um pedaço de uma letra de uma canção famosa sobre a Ericeira:
Ericeira, onde o mar é mais azul
Das belas praias do sul,
Da dourada e fresca areia.
Ericeira és tão bela e tão formosa
Desabrochas como rosas
Em noite de lua cheia.

domingo, 17 de setembro de 2006

Estórias da Educação - II

Desculpem-me mas hoje resolvi partilhar convosco um sonho (ou seria um pesadelo) que tive, pois acho-o uma estória, no mínimo, engraçada para não dizer trágica.
Estava eu no meu sonho, entretido a ver televisão, quando passou uma notícia que muito me espantou, ou talvez não, porque neste país já nada nos admira: numa aldeia, da qual, infelizmente, não me lembro o nome, decidiu o Ministério da Educação fechar a Escola Básica Nº 1, ou seja, a antiga Escola Primária.
Dadas as notícias de que iriam fechar centenas de escolas por todo o país por terem menos do 10 alunos, nada a opor. No entanto nem tudo o que parece é, pois a escola em questão tinha 16 alunos. Tendo eu estudado Matemática no tempo em que se tinha de saber a tabuada na ponta da língua, parece-me, e emendem-me se estiver errado, que 16 alunos está claramente acima do número (10 alunos) que fora anunciado pelo governo para o encerramento das escolas do 1º Ciclo, como uma medida tendente a melhorar o ensino em Portugal. (Entretanto chegou notícia de outra com 30 alunos que também fechou. Pergunta: 30 não é mais do que 10?)
Atenção que eu tenho consciência que alguns dos edifícios não têm condições minimamente decentes para albergar alunos e, ao contrário do que alguns pensam, não é preciso ir para as aldeias perdidas na serra para que isso aconteça. Por isso, entendo que, em muitos casos, o encerramento pode trazer vantagens, mas também terá, com certeza, desvantagens. Há que pesar bem os prós e os contras para decidir.
Mas a estória ainda não acaba aqui. Levados para uma “nova” escola, saídos de casa de manhã cedíssimo e regressados ao fim da tarde, com certeza para reforçar os laços familiares dos petizes com os familiares mais chegados (atenção que falamos de uma escola de aldeia e não de uma grande cidade), os alunos são descarregados noutra escola velha, sem refeitório e, para espanto dos pais, é-lhes dito que tinham de levar prato e talheres para poderem comer. Além disso teriam de o fazer na própria sala de aulas.
Mas ainda não é tudo: o Presidente da Junta de Freguesia quando confrontado com este facto afirmou, e reparem bem, não ver onde é que estava o problema pois, nos países mais avançados da Europa, era comum esta situação. Claro que se referia a toda a situação, mas é preciso ter cuidado com a linguagem (já ouvi dizer que o português é uma língua muito traiçoeira) pois, como também aprendi na escola, o geral inclui o particular e daí deduzir-se que também se referia ao facto de os alunos levarem pratos e talheres para a escola. Ainda gostava que me dissesse que país é esse, pois não vá eu visitá-lo em turismo e ter de colocar, neste blogue, uma fotografia minha a comer com as mãos, por não ter levado a baixela de casa para o restaurante.
Com amigos destes na Junta de Freguesia nem precisamos de ter inimigos.
Haja bom senso que, pelos vistos, ao contrário do que acreditávamos, ele não foi igualmente distribuído pelo Criador.
Bem, entretanto tocou o despertador e pude finalmente respirar fundo, pois tudo não passara de um pesadelo. Do que Deus me livrou ao fazer-me nascer num país onde isto não acontece. Ou será que agora é que estou a sonhar?

Estórias da Educação - I

Queria pedir-vos desculpa por não continuar, para já, com as sugestões de locais a visitar mas, com o aproximar do início das aulas, é comum aumentar o número de textos e entrevistas de várias personalidades sobre o estado da educação neste cantinho à beira-mar plantado, bem como decisões do Ministério da Educação. Por estes motivos não resisto a partilhar algumas ideias convosco.
Por favor, leiam-me estas afirmações que saíram na Pública (Revista que sai com o Público de Domingo) do dia 10 de Setembro, da Dr.a Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra:
“… temos um sistema educativo que privilegia as mulheres.”
“São muitos poucos (homens) que estão a ensinar e isso privilegia as raparigas.”
“As meninas estão mais habituadas para perceber o que é que as professoras querem. (…) os caderninhos arranjadinhos, bonitinhos, uma série de valores tradicionais femininos que as professoras têm.”
“…introduzir ciências experimentais no primeiro ciclo vai resolver (...) o insucesso escolar dos rapazes.”
“Tem de haver uma discriminação positiva em relação aos rapazes.”
“E quando chegam à escola (os alunos) e como são mal ensinados e lhes apresentam letras desgarradas, o pa, pe, pi, po, pu, não conseguem aprender a ler.”
O que se pretende com estas afirmações? Não é com toda a certeza mostrar que o ensino está mal, pois isso toda a gente sabe. E quase todos também sabem porquê e aí muitos dos pedagogos que pululam pelo país, também têm culpas no cartório, assim como o próprio Ministério, professores e pais. Veja-se as sistemáticas reformas que, com a intenção de resolver os problemas do ensino, muitas vezes, só os vêm agravar. Hoje, no entanto, de acordo com a teoria dominante, a culpa é sempre dos professores. Mas urge perguntar: Eu que dou aulas há mais de 23 anos, era bom professor há 20 anos e hoje deixei de o ser?
Mas voltando às afirmações, o que pretende a doutora Lucília Salgado? Voltar às escolas para meninas e outras para meninos? E os meninos devem ter professores e as meninas professoras para não haver privilegiados? Achará mesmo que as professoras, e olhem que eu sei do que falo, privilegiam os cadernos com desenhos e muito arranjadinhos? Já agora a organização faz mal a alguém? As meninas não gostam de ciências experimentais? Afinal em que ficamos, meninas com lavores femininos e rapazes com ciências experimentais? Haver discriminação positiva? O que é isso? Não me digam que vamos voltar desenterrar a ideia peregrina de há uns anos atrás, em que houve quem defendesse o estabelecimento de quotas para rapazes no curso de Medicina, alegando que, daí a uns anos, não haveria, por exemplo, urologistas? E que mal tem o pa, pe, pi, po, pu? Não foi assim que a maioria esmagadora dos portugueses aprendeu a ler?
Curiosamente, nesse mesmo dia, o Público trazia a notícia de que, em Inglaterra e em França, houve ordens dos respectivos Ministérios da Educação para se voltar ao Método Silábico, pois o Método Global aumentara os maus resultados a nível da literacia, segundo responsáveis desses países.
Hoje a escola perdeu o aspecto operacional que tinha antigamente. Quando eu estudava, sabia que isso me permitiria ter um futuro melhor, pois estudar permitia-me ter a um trabalho melhor. Hoje, olhando para o número de licenciados desempregados, isso já não é verdade. Também aqui não há total isenção de culpas de quem decide, pois continuam a abrir-se vagas para cursos em que não há saídas profissionais.
Hoje a maioria dos alunos tem quase tudo, desde a melhor roupa, aos modelos mais recente de telemóveis, televisão e computador no quarto, etc.
Assim sendo, estou a lembrar-me de uma frase que um amigo me disse no outro dia, quando trocávamos ideias sobre estes assuntos: “Queria ver alguém dar de beber a um burro que não tem sede.”
Ora aí está um bom desafio para os pedagogos!

sábado, 16 de setembro de 2006

E vão 4 meses e 2500 visitas...

As hortênsias na beira das estradas
A caminho da Lagoa das Sete Cidades
Uma paisagem açoriana

Faz hoje 4 meses que criei este blogue depois de, para isso, ter sido espicaçado pelo meu colega Carlos Moura, a quem deixo, aqui, o agradecimento por me ter incentivado a entrar na blogosfera.
Nessa altura postei uma fotografia de Mérida tirada no decurso de uma visita de estudo que os dois, mais o professor João Xavier, organizámos para os alunos do 10º ano do Curso de Ciências Sociais e Humanas.
Para celerar estes 4 meses de vida e as mais de 2500 visitas assinaladas no contador, decidi interromper a "viagem" que estou a fazer por Portugal Continental e postar aqui umas fotos da ilha açoriana de S. Miguel.
Numa delas as hortênsias sempre presentes por toda a ilha, bordejando as estradas e as lembranças que elas me trazem da guerra civil entre liberais e absolutistas e do dembarque das tropas liberais junto do Porto (posts de 22 de Maio e 17 de Julho). Recordo que se tornaram o símbolo das tropas liberais chefiadas por D. Pedro. Também são conhecidas por Hidranjas ou Hidrângeas.
Noutra fotografia observamos a deslumbrante paisagem que se avista quando iniciamos a descida para Lagoa das Sete Cidades, com a presença constante de um verde que não se encontra em mais lado nenhum.
A terceira fotografia mostra-nos uma outra paisagem observada a partir de um miradouro, quando atravessávamos a ilha de sul para norte, depois de termos saído das Furnas, onde comemos um fenomenal Cozido das Furnas, no restaurante Miroma (post de 23 de Maio).
Posto isto, voltaremos no próximo post ao continente, mas fica já prometida uma volta por alguns locais dos Açores.
Um bem-hajam pelas visitas e espero continuar a encontrar-vos por aqui.
Tozé Franco

Berlengas - VII (O Mosteiro)



Por incrível que pareça a ilha da Berlenga já teve um mosteiro, pois em 1513, com o apoio da rainha D. Leonor, monges da Ordem de São Jerónimo estabeleceram-se aí com o propósito de oferecer auxílio à navegação e às vítimas dos frequentes naufrágios naquela costa atlântica, assolada por corsários e piratas. Para isso fundaram o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga, no local onde, desde 1953, se ergue um restaurante, onde se pode comer sardinha assada e caldeirada, entre outros pitéus. Não nos esqueçamos que a sardinha de Peniche, como a de Matosinhos, de que já falámos, é famosa, tendo-a eu já encontrado e comido no Canadá.
Voltando à ilha, a permanência aí não era fácil pois a escassez de alimentos, as doenças e os constantes assaltos de piratas e corsários marroquinos, argelinos, ingleses e franceses, tornaram impossível a vida de retiro dos frades que, muitas vezes, ficavam incomunicáveis devido à inclemência do mar. Assim acabaram por abandonar a ilha, restando hoje poucos vestígios da sua presença.
Amanhã ja estaremos noutro local, mais a sul.