sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Sintra III (Castelo dos Mouros)




Com tanto para ver em Sintra, havia que começar por algum lado depois de termos reconfortado o estômago com os famosos Travesseiros da Piriquita.
A escolha recaiu no Castelo de Sintra, também conhecido como Castelo dos Mouros que foi erguido sobre um maciço rochoso, num dos cumes da serra de Sintra. Das suas muralhas alcança-se uma vista privilegiada de toda o meio rural que o envolve e se estende até ao oceano Atlântico.
O Castelo dos Mouros e a cisterna encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.
O castelo apresenta ema planta orgânica (adaptada ao terreno) com cerca de 450 metros de perímetro e 12.000 m² de área.
A muralha apresenta cinco torres: quatro de planta rectangular e uma de planta circular encimadas por merlões piramidais, não havendo já vestígios dos dois pisos e do sistema de cobertura primitivos.
A torre na cota mais elevada do terreno, conhecida também por Torre Real, é acedida através de uma escadaria de 500 degraus e consta que lá terá vivido Bernardim Ribeiro, escritor português do século XVI.
No interior do castelo, próximo ao Portão de Armas, ergue-se uma igreja devotada a São Pedro (São Pedro de Penaferrim), que remonta à época de D. Afonso Henriques.
O caminho até ao Castelo é outra das atracções de Sintra pois todo ele é de cortar a respiração, tal a beleza das paisagens.
Relacionada com a conquista do Castelo, em 1147 (ano da conquista de Santarém e Lisboa) está a lenda de Melides, que reza assim:
“Após a conquista de Santarém, o rei D. Afonso Henriques impôs um cerco a Lisboa, com a ajuda de cruzados do Norte da Europa que por aqui passavam a caminho da Terra Santa, cerco esse que se estendeu por três meses. Embora o Castelo de Sintra se tenha entregue voluntariamente após a queda de Lisboa, reza a lenda que, nessa ocasião, receoso de um ataque de surpresa às suas forças, por parte dos mouros de Sintra, o soberano encarregou D. Gil, um cavaleiro templário, que formasse um grupo com vinte homens da mais estrita confiança, para secretamente ali irem observar o movimento inimigo, prevenindo-se ao mesmo tempo de um deslocamento dos mouros de Lisboa, via Cascais até Sintra.
Os cruzados colocaram-se a caminho em segredo. Para evitar serem avistados, viajaram de noite, ocultando-se de dia, pelo caminho de Torres Vedras até Santa Cruz, pela costa até Colares, tentando evitar Albernoz, um temido chefe mouro de Colares, terra de bons vinhos que ele, muçulmano, por motivos religiosos não podia beber.
Entre Colares e o Penedo, Nossa Senhora apareceu aos receosos cavaleiros e lhes disse: "Não tenhais medo porque ides vinte mas ides mil, mil ides porque ides vinte."
Desse modo, cheios de coragem porque a Senhora estava com eles, ao final de cinco dias de percurso confrontaram o inimigo, derrotando-o e conquistando o Castelo dos Mouros.
Em homenagem a este feito foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides ("mil ides").

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Sintra II - (Os travessiros)

Travesseiros
Palácio Real
Quinta da Regaleira
Palácio Real
A história das pastelarias tem já muitos séculos. Inicialmente chamavam-se “confeitarias”, pois os “pasteleiros”, dizia uma regra de 1762, são os que podem “guizar e assar carnes e peixes nas suas lojas por ser muito útil ao povo e ao bem comum, sem nenhum que possa fazer outra comida para vender ao povo.” Enfim, eram os que faziam os pastéis (que na altura eram só os salgados). Por seu lado, os confeiteiros faziam os bolos e vendiam o açúcar e eram muito críticos da concorrência que lhes faziam as vendedeiras ambulantes de doces, ou as tendas e mercearias que também vendiam açúcar.
Feita esta introdução é de uma pastelaria que hoje vamos falar: A Piriquita, em Sintra.
Uma visita a Sintra, seja qual for o motivo, não pode deixar de começar na chamada Vila Velha de Sintra, o seu centro histórico. Aqui há muito para ver, mas hoje quero destacar o local onde qualquer visita deve começar: a Piriquita, a chamada rua da Padaria, mesmo junto ao Palácio Nacional. Aqui encontramos os famosos Travesseiros de Sintra. Quem não começar ou terminar por aqui o dia de visita, não sabe, de certeza, o que perdeu.
Os Travesseiros de Sintra são deliciosos (de comer e chorar por mais!), principalmente quando estão quentinhos e acabadinhos de sair do forno, o que na Piriquita, acontece quase sempre. Os travesseiros são feitos de massa folhada, recheados com doce de ovos com amêndoa e polvilhados de açúcar…
Quem quiser tentar a receita pode encontrá-la em:
Bom apetite.

domingo, 1 de outubro de 2006

Sintra I - (As origens)

Vista do Palácio Real
Muralha do Castelo dos Mouros
O Palácio Real
Influências árabes
Um dos lugares onde não me canso de ir é a Sintra. Eis pois a proposta para este e quem sabe os próximos posts.
Em Sintra tudo vale a pena: os palácios, a vila antiga, a serra, os castelo, as praias, a mata, os travesseiros (estes não servem para pôr na cabeceira da cama, mas sim para comer, sobretudo se forem da Piriquita), etc, etc…
Eis, pois, Sintra, cuja mais antiga forma medieval conhecida, Suntria, mostra influências Indo-Europeias, podendo significar “astro luminoso”, “sol”.
Já na antiguidade clássica, Sintra aparece referida. Varrão e Columela designaram-na como Monte Sagrado e Ptolomeu registou-a como a Serra da Lua.
O geógrafo árabe Al-Bacr, no século X, caracterizou Sintra como «permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa».
«Terra de mui boõs ares e agoas e de Comarquas em que há grande avondança de mantimentos de mar e de terra, e por a nossa mui nobre e leal cidade de Lisboa ser tão acerqua, e avermos em ella açaz de folganças, e desenfadamentos de montes e caças (...)» - assim aparece descrita, em 1436, numa carta de privilégios aos moradores de Sintra, passada pelo rei D. Duarte (1433-38).
O cronista Damião de Góis, dá-nos conta que D. Manuel I, rei de 1495 a 1521, apreciava passar o Verão em Sintra pelo fresco do clima e abundância de caça.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII Sintra continua a ser referida pela sua beleza e abundância. O Padre Baião em Portugal Cuidadoso (1724) descreve-a assim: «Junto ao Palácio de Cintra havia um bosque tão espesso que ainda de dia mette medo a quem entre n'elle só. E D. Sebastião era d'isso tão izento que saía de noite a passear por elIe muytas vezes duas e tres horas».
Já no século XVIII, Lord Byron refere-se a ela como o “Glorioso Éden” e Richard Strauss viu, sem comparação com «a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, um verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, o castelo do Santo Graal».
Depois destas referências históricas, espero ter-vos criado o bichinho para largarem as pantufas e a televisão e verem, com os vossos próprios olhos, tanta beleza, numa zona tão pequena do território português.
Sintra vale a pena em qualquer época do ano. Acreditem

sábado, 30 de setembro de 2006

Mafra



Saídos do Sobreiro, a próxima paragem é Mafra.
Esta terra dava-nos pano para mangas, o que significa que se poderia escrever sobre ela dezenas de posts.

É no entanto, uma terra pela qual nutro uma certa relação de amor-ódio.
Os motivos são vários pois desde a grandiosidade do Convento-Palácio, à Igreja do dito que é das mais bonitas que conheço, aos órgãos de tubos (seis ao todo), ao carrilhão e, last but not least, às Parras, pastéis que me fazem crescer água na boca cada vez que penso neles.
Mas Mafra tem também, para mim, algumas memórias menos positivas, especialmente aquelas que se ligam ao cumprimento do serviço militar obrigatório, pois foi aí que fiz os 4 meses do curso de milicianos (oficial atirador).
De bom guardo algumas amizades que vão ficar para toda a vida e alguns desafios físicos e psicológicos que venci na recruta. De mau a sensação de brincar às guerras, o façam de conta que é a sério pois não há dinheiro para mandar cantar um cego. Para além disso, havia ainda as coisas desnecessárias que éramos obrigados a fazer como os reforços, que nunca faríamos como oficiais, em que tínhamos a sensação que era só para nos lixarem, as actividades que fazíamos com voluntários nas pausas da instrução, etc.
Mas o que mais me marcou foi o facto de eu, que estava a cumprir o meu dever para com Pátria, ver a maioria dos meus colegas de curso, que alegaram Objecção de Consciência, a trabalharem e a ganharem muito mais do que eu. E, para ajudar à festa, quando fui colocado para dar aulas, embora soubesse que não ia ocupar o lugar pois estava no Serviço Militar Obrigatório, ter pedido dispensa para me apresentar na escola, eu que era o instruendo com melhor classificação no meu pelotão, ter visto essa dispensa negada com a alegação que ia ocupar ilegalmente um lugar. Por muito que explicasse que se não me apresentasse estaria sujeito a uma suspensão de 2 anos, nada os demoveu. Valeu-me a Presidente do Conselho Directivo que me permitiu apresentar-me a um Sábado, apesar da Escola estar encerrada. E, no entretanto, os Objectores, que nessa época atingiram um número enorme (aquilo parecia uma epidemia), a aceitarem as colocações e a trabalharem enquanto o pacóvio que cumpria as suas obrigações constitucionais, via os seus direitos mais elementares atropelados.
Daqui resultou que, depois de cumprido o serviço militar (16 meses: 4 em Mafra e 12 na Figueira da Foz), tenham passado 10 anos antes de voltar a Mafra para ver e usufruir, então sim, o Convento-Palácio de Mafra, - o Calhau como era conhecido na gíria de quantos ali cumpriam o serviço militar.
Apesar de tudo acho que vale bem uma visita. Acreditem.
E já agora vão provar uma Parra.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

A Aldeia típica do Mestre José Franco




Entre a Ericeira e Mafra há um local que merece bem uma visita: a aldeia típica do Mestre José Franco, situada na localidade do Sobreiro.
Aí, José Franco recupera os usos e os costumes das gentes do concelho (Mafra), numa reconstituição de uma aldeia, onde o mestre Franco não se coibiu de fazer renascer a sua velha sala de aulas, com as pequenas mesas em madeira, o imponente armário da professora, a ardósia, a menina de cinco olhos do tempo em que a pedagogia era outra; na loja do barbeiro-dentista um freguês submete-se a um corte de barba, na mercearia a Ti Helena serve um copo de vinho… ambientes que nos levam a fazer uma viagem no tempo.
Mestre Franco é um ceramista de renome, que construiu ao longo dos anos uma espécie de Portugal dos Pequenitos, sem a conotação política do da minha cidade de Coimbra (se é que alguém ainda se lembra disso) mas com um cariz mais popular. Este é pois um local não perder.
Já agora vale bem a pena provar o pão com chouriço da tasca da aldeia que, ao contrário das casas em miniatura, tem tamanho para constituir quase uma refeição.
Para os menos dados a estes petiscos também existe um restaurante.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Ericeira - II

Passado o fim-de-semana de obras eis-me regressado para concluir o post sobre a Ericiera.
A Ericeira, é uma vila piscatória situada 50 Km a noroeste de Lisboa, a 25 Km de Sintra e 10 Km de Mafra. O oceano Atlântico é o seu eterno companheiro e é aí, segundo diz a canção, (ver o post anterior) que o mar é mais azul.
Na Ericeira destaca-se a hospitalidade das suas gentes e a harmonia da "vila velha" de ruas estreitas e casario típico.
As praias de areia grossa e branca enquadradas por altas e bonitas falésias apresentam excelentes condições naturais de lazer e prática de desportos costeiros como a pesca desportiva, o surf ou a simples contemplação de um pôr-do-sol oceânico.
Foi nesta vila, mais propriamente na praia dos Pescadores, que se deu o embarque para o exílio do último rei português, D. Manuel I, episódio esse que assinala o termo do Regime Monárquico em Portugal. Este acontecimento fará, sempre, do Porto da Ericeira um dos locais mais dramáticos do Concelho de Mafra. Uma placa à entrada da rampa de acesso à praia refere essa partida.
As praias e os pesqueiros, bem como o património monumental e o gastronómico, com base numa variedade de peixes e mariscos, constituem os seus maiores atractivos da terra.
Quando chegar a hora da refeição o meu destaque vai para o restaurante A Parreirinha que fica na rua Dr. M. Bombarda número 12, onde se come uma Massada de Tamboril, uma Açorda de Gambas e umas Lulinhas Fritas que são uma delícia.
Bom apetite.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Sara Tavares - Balancê



Sara Tavares tem, sem sombra de dúvidas, uma das melhores vozes portuguesas.
Gostaria de aqui deixar a versão do Salmo 139 "Eu sei" que é uma das melhores melodias que já ouvi. Como não foi possível deixo-vos o Balancê.
Apreciem.
Bom fim de semana para todos, pois tenho obras em casa e, por isso, tenho que me ausentar.
Um abraço e façam o favor de ser felizes.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Ericeira - I

Pêra Rocha
Moinho da Região Oeste
Praia dos Pescadores, Ericeira

Volto hoje às postagens normais, embora prometa um dia destes falar do Desporto Escolar pois está-se a preparar mais um Golpe de Estado, ou se quiserem uma Vitória na Secretaria.
Até parece que temos uma grande prática desportiva. Bem mas deixemo-nos de tristezas e voltemos às minhas propostas para um passeio de família.
Saídos de Peniche (há três posts atrás), dirigimo-nos para sul, a caminho da Ericeira.
Estamos na chamada Região Oeste que é responsável por grande parte da produção de fruta em Portugal. Quem não ouviu já falar da famosa Pêra Rocha?
Esta é também a região do país com mais moinhos de vento. Surpresa será talvez dizer que esta região tem mais moinhos que toda a Holanda, país famoso pelos seus moinhos.
Bem, mas adiante pois o destino é a Ericeira.
A Ericeira é uma vila muito antiga, presumivelmente local de passagem e instalação dos fenícios. A presença humana é, por isso, muito antiga na região.
O seu primeiro foral data de 1229, tendo sido concedido pelo Grão Mestre da Ordem de Aviz, D. Frei Fernão Rodrigues Monteiro e reformado pelo Rei D. Manuel I, em 1513, aquando da reforma efectuada na maioria dos forais portugueses.
A Ericeira conheceu no século XIX, a sua época de maior desenvolvimento, tornando-se o porto mais concorrido da Estremadura.
Hoje, é uma praia muito frequentada, sobretudo por pessoas vindas de Lisboa.
Não resisto a transcrever um pedaço de uma letra de uma canção famosa sobre a Ericeira:
Ericeira, onde o mar é mais azul
Das belas praias do sul,
Da dourada e fresca areia.
Ericeira és tão bela e tão formosa
Desabrochas como rosas
Em noite de lua cheia.

domingo, 17 de setembro de 2006

Estórias da Educação - II

Desculpem-me mas hoje resolvi partilhar convosco um sonho (ou seria um pesadelo) que tive, pois acho-o uma estória, no mínimo, engraçada para não dizer trágica.
Estava eu no meu sonho, entretido a ver televisão, quando passou uma notícia que muito me espantou, ou talvez não, porque neste país já nada nos admira: numa aldeia, da qual, infelizmente, não me lembro o nome, decidiu o Ministério da Educação fechar a Escola Básica Nº 1, ou seja, a antiga Escola Primária.
Dadas as notícias de que iriam fechar centenas de escolas por todo o país por terem menos do 10 alunos, nada a opor. No entanto nem tudo o que parece é, pois a escola em questão tinha 16 alunos. Tendo eu estudado Matemática no tempo em que se tinha de saber a tabuada na ponta da língua, parece-me, e emendem-me se estiver errado, que 16 alunos está claramente acima do número (10 alunos) que fora anunciado pelo governo para o encerramento das escolas do 1º Ciclo, como uma medida tendente a melhorar o ensino em Portugal. (Entretanto chegou notícia de outra com 30 alunos que também fechou. Pergunta: 30 não é mais do que 10?)
Atenção que eu tenho consciência que alguns dos edifícios não têm condições minimamente decentes para albergar alunos e, ao contrário do que alguns pensam, não é preciso ir para as aldeias perdidas na serra para que isso aconteça. Por isso, entendo que, em muitos casos, o encerramento pode trazer vantagens, mas também terá, com certeza, desvantagens. Há que pesar bem os prós e os contras para decidir.
Mas a estória ainda não acaba aqui. Levados para uma “nova” escola, saídos de casa de manhã cedíssimo e regressados ao fim da tarde, com certeza para reforçar os laços familiares dos petizes com os familiares mais chegados (atenção que falamos de uma escola de aldeia e não de uma grande cidade), os alunos são descarregados noutra escola velha, sem refeitório e, para espanto dos pais, é-lhes dito que tinham de levar prato e talheres para poderem comer. Além disso teriam de o fazer na própria sala de aulas.
Mas ainda não é tudo: o Presidente da Junta de Freguesia quando confrontado com este facto afirmou, e reparem bem, não ver onde é que estava o problema pois, nos países mais avançados da Europa, era comum esta situação. Claro que se referia a toda a situação, mas é preciso ter cuidado com a linguagem (já ouvi dizer que o português é uma língua muito traiçoeira) pois, como também aprendi na escola, o geral inclui o particular e daí deduzir-se que também se referia ao facto de os alunos levarem pratos e talheres para a escola. Ainda gostava que me dissesse que país é esse, pois não vá eu visitá-lo em turismo e ter de colocar, neste blogue, uma fotografia minha a comer com as mãos, por não ter levado a baixela de casa para o restaurante.
Com amigos destes na Junta de Freguesia nem precisamos de ter inimigos.
Haja bom senso que, pelos vistos, ao contrário do que acreditávamos, ele não foi igualmente distribuído pelo Criador.
Bem, entretanto tocou o despertador e pude finalmente respirar fundo, pois tudo não passara de um pesadelo. Do que Deus me livrou ao fazer-me nascer num país onde isto não acontece. Ou será que agora é que estou a sonhar?

Estórias da Educação - I

Queria pedir-vos desculpa por não continuar, para já, com as sugestões de locais a visitar mas, com o aproximar do início das aulas, é comum aumentar o número de textos e entrevistas de várias personalidades sobre o estado da educação neste cantinho à beira-mar plantado, bem como decisões do Ministério da Educação. Por estes motivos não resisto a partilhar algumas ideias convosco.
Por favor, leiam-me estas afirmações que saíram na Pública (Revista que sai com o Público de Domingo) do dia 10 de Setembro, da Dr.a Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra:
“… temos um sistema educativo que privilegia as mulheres.”
“São muitos poucos (homens) que estão a ensinar e isso privilegia as raparigas.”
“As meninas estão mais habituadas para perceber o que é que as professoras querem. (…) os caderninhos arranjadinhos, bonitinhos, uma série de valores tradicionais femininos que as professoras têm.”
“…introduzir ciências experimentais no primeiro ciclo vai resolver (...) o insucesso escolar dos rapazes.”
“Tem de haver uma discriminação positiva em relação aos rapazes.”
“E quando chegam à escola (os alunos) e como são mal ensinados e lhes apresentam letras desgarradas, o pa, pe, pi, po, pu, não conseguem aprender a ler.”
O que se pretende com estas afirmações? Não é com toda a certeza mostrar que o ensino está mal, pois isso toda a gente sabe. E quase todos também sabem porquê e aí muitos dos pedagogos que pululam pelo país, também têm culpas no cartório, assim como o próprio Ministério, professores e pais. Veja-se as sistemáticas reformas que, com a intenção de resolver os problemas do ensino, muitas vezes, só os vêm agravar. Hoje, no entanto, de acordo com a teoria dominante, a culpa é sempre dos professores. Mas urge perguntar: Eu que dou aulas há mais de 23 anos, era bom professor há 20 anos e hoje deixei de o ser?
Mas voltando às afirmações, o que pretende a doutora Lucília Salgado? Voltar às escolas para meninas e outras para meninos? E os meninos devem ter professores e as meninas professoras para não haver privilegiados? Achará mesmo que as professoras, e olhem que eu sei do que falo, privilegiam os cadernos com desenhos e muito arranjadinhos? Já agora a organização faz mal a alguém? As meninas não gostam de ciências experimentais? Afinal em que ficamos, meninas com lavores femininos e rapazes com ciências experimentais? Haver discriminação positiva? O que é isso? Não me digam que vamos voltar desenterrar a ideia peregrina de há uns anos atrás, em que houve quem defendesse o estabelecimento de quotas para rapazes no curso de Medicina, alegando que, daí a uns anos, não haveria, por exemplo, urologistas? E que mal tem o pa, pe, pi, po, pu? Não foi assim que a maioria esmagadora dos portugueses aprendeu a ler?
Curiosamente, nesse mesmo dia, o Público trazia a notícia de que, em Inglaterra e em França, houve ordens dos respectivos Ministérios da Educação para se voltar ao Método Silábico, pois o Método Global aumentara os maus resultados a nível da literacia, segundo responsáveis desses países.
Hoje a escola perdeu o aspecto operacional que tinha antigamente. Quando eu estudava, sabia que isso me permitiria ter um futuro melhor, pois estudar permitia-me ter a um trabalho melhor. Hoje, olhando para o número de licenciados desempregados, isso já não é verdade. Também aqui não há total isenção de culpas de quem decide, pois continuam a abrir-se vagas para cursos em que não há saídas profissionais.
Hoje a maioria dos alunos tem quase tudo, desde a melhor roupa, aos modelos mais recente de telemóveis, televisão e computador no quarto, etc.
Assim sendo, estou a lembrar-me de uma frase que um amigo me disse no outro dia, quando trocávamos ideias sobre estes assuntos: “Queria ver alguém dar de beber a um burro que não tem sede.”
Ora aí está um bom desafio para os pedagogos!

sábado, 16 de setembro de 2006

E vão 4 meses e 2500 visitas...

As hortênsias na beira das estradas
A caminho da Lagoa das Sete Cidades
Uma paisagem açoriana

Faz hoje 4 meses que criei este blogue depois de, para isso, ter sido espicaçado pelo meu colega Carlos Moura, a quem deixo, aqui, o agradecimento por me ter incentivado a entrar na blogosfera.
Nessa altura postei uma fotografia de Mérida tirada no decurso de uma visita de estudo que os dois, mais o professor João Xavier, organizámos para os alunos do 10º ano do Curso de Ciências Sociais e Humanas.
Para celerar estes 4 meses de vida e as mais de 2500 visitas assinaladas no contador, decidi interromper a "viagem" que estou a fazer por Portugal Continental e postar aqui umas fotos da ilha açoriana de S. Miguel.
Numa delas as hortênsias sempre presentes por toda a ilha, bordejando as estradas e as lembranças que elas me trazem da guerra civil entre liberais e absolutistas e do dembarque das tropas liberais junto do Porto (posts de 22 de Maio e 17 de Julho). Recordo que se tornaram o símbolo das tropas liberais chefiadas por D. Pedro. Também são conhecidas por Hidranjas ou Hidrângeas.
Noutra fotografia observamos a deslumbrante paisagem que se avista quando iniciamos a descida para Lagoa das Sete Cidades, com a presença constante de um verde que não se encontra em mais lado nenhum.
A terceira fotografia mostra-nos uma outra paisagem observada a partir de um miradouro, quando atravessávamos a ilha de sul para norte, depois de termos saído das Furnas, onde comemos um fenomenal Cozido das Furnas, no restaurante Miroma (post de 23 de Maio).
Posto isto, voltaremos no próximo post ao continente, mas fica já prometida uma volta por alguns locais dos Açores.
Um bem-hajam pelas visitas e espero continuar a encontrar-vos por aqui.
Tozé Franco

Berlengas - VII (O Mosteiro)



Por incrível que pareça a ilha da Berlenga já teve um mosteiro, pois em 1513, com o apoio da rainha D. Leonor, monges da Ordem de São Jerónimo estabeleceram-se aí com o propósito de oferecer auxílio à navegação e às vítimas dos frequentes naufrágios naquela costa atlântica, assolada por corsários e piratas. Para isso fundaram o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga, no local onde, desde 1953, se ergue um restaurante, onde se pode comer sardinha assada e caldeirada, entre outros pitéus. Não nos esqueçamos que a sardinha de Peniche, como a de Matosinhos, de que já falámos, é famosa, tendo-a eu já encontrado e comido no Canadá.
Voltando à ilha, a permanência aí não era fácil pois a escassez de alimentos, as doenças e os constantes assaltos de piratas e corsários marroquinos, argelinos, ingleses e franceses, tornaram impossível a vida de retiro dos frades que, muitas vezes, ficavam incomunicáveis devido à inclemência do mar. Assim acabaram por abandonar a ilha, restando hoje poucos vestígios da sua presença.
Amanhã ja estaremos noutro local, mais a sul.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Berlengas - VI (A praia)



A praia da Berlenga é pequena, especialmente na maré-alta, e encontra-se protegida da ondulação pelo facto de estar no fim de uma carreiro com menos de 100 metros de largura.
A partir do ancoradouro do barco Cabo Avelar Pessoa são cerca de duzentos metros por um passadiço em cimento que desemboca na praia.
A água é de uma limpidez impressionante.
O único senão da praia é o perigo de sermos "bombardeados" pelas gaivotas, que ocupam grande parte da ilha, e são presença constante na praia.
O banho aconselha-se para quem não goste apenas de águas muito quentes, pois raramente a temperatura da mesma ultrapassa os 18º. De qualquer forma, águas tão transparentes atraem qualquer um e até esqueçemos a água menos quente. Para quem tem filhos é um descanso pois o mar não apresenta qualquer perigo.
Vai um mergulho?

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Berlengas - V (Passeio de barco)

A Catedral
A Greta de Inês
A tromba do Elefante

Uma das atracções da ilha, a não perder, são os passeios de barco pelas numerosas grutas e outros locais de interesse (cerca de 3 € por pessoa).
Existem detalhes únicos, como rochas enormes com formas de animais.
A rocha da baleia é uma delas, mesmo ao lado da Fortaleza São João Baptista. Vista de lado, parece um autêntico cachalote. Mais a sul, fica a tromba de elefante (na fotografia).
No que diz respeito às grutas, há muito por onde escolher: a Gruta azul onde, devido à inclinação dos raios solares tudo fica azul, o Furado Grande que atravessa a ilha de um lado ao outro num túnel natural de 70 metros de comprimento por mais de 20 de altura, que nos leva até à enseada onde está a Cova do Sonho.
Em algumas destas grutas, e atenção que são dezenas, algumas por explorar, podemos imaginar locais onde se escondiam, antigamente, marinheiros, soldados e piratas.
Quem sabe se não andou e se escondeu por ali o Jack Sparrow, a famosa personagem dos Piratas das Caraíbas, (ou não será das Berlengas?), celebrizada por Johnny Depp?

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Berlengas - IV (O Forte)

Forte de S. João Baptista
Acesso ao Forte

A fortaleza de S. João Baptista foi mandada erguer pelo rei D. João IV (que já encontrámos no Castelo de S. Francisco de Xavier do Queijo) como posto de defesa do território português, integrando um sistema defensivo de que também faziam parte os fortes de Peniche e da Consolação.
O Forte viria a ser palco de numerosas batalhas sendo a mais célebre a ocorrida em 28 de Julho de 1666, na qual o forte, com vinte e oito soldados e um cabo, António Avelar Pessoa, foi atacado e bombardeado durante dois dias, até ser conquistado. Dessa resistência heróica resta o nome do barco que faz travessia para a ilha, barco Cabo Avelar Pessoa.
Em 1847, perdida a importância estratégica e militar, foi abandonado, tendo sido restaurado em meados do século XX, para ser transformado numa pousada que foi também abandonada por alturas do 25 de Abril.
Presentemente é mantido como casa-abrigo pela associação “Amigos das Berlengas”, podendo-se aí pernoitar. O preço ronda os 10 €, sendo necessário levar roupa de cama e toalhas.
Durante a noite temos por companhia o pio constante das gaivotas e, caso seja a altura apropriada, uma Lua Cheia inigualável sobre o mar deixando-o da cor da prata.
Vale bem a pena o espectáculo.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Berlengas - III (O Farol)

Farol "Duque de Bragança"
Carreiro dos Cações
Farol "Duque de Bragança" visto do barco que nos leva às grutas

Construído em 1841, o Farol baptizado de "Duque de Bragança" tem cerca de 29 metros de altura e, num dia de boas condições atmosféricas, a sua luz é visível numa área até cerca de 50 km.
O Farol funciona com células fotoeléctricas utilizando a energia acumulada durante o dia através de vários painéis solares que se encontram junto à sua base ou, em ultimo recurso, de um gerador guardado numa das suas divisões. Inicialmente funcionava a petróleo.
No Farol estão sempre 2 faroleiros 24h por dia, 365 dias por ano, com turnos semanais.
Vale bem o esforço a subida até ao farol.
Pelo caminho é possível observar o carreiro dos Cações e, para quem gostar de caminhar mais um pouco, há sempre a possibilidade de seguir até ao Forte, tendo que descer mais de 200 degraus para lá chegar. Não se esqueçam que para voltarem têm de fazer o mesmo caminho em sentido inverso, isto é, têm que subir os mais de 200 degraus. No entanto, podem ter a certeza que vale a pena, pois a paisagem compensa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Berlengas II (A Reserva Natural)


O arquipélago das Berlengas é composto por 3 grupos de ilhéus: Berlenga Grande, e recifes adjacentes, Estelas e Farilhões ficando localizado a 5,7 milhas de distância do Cabo Carvoeiro.
A Berlenga Grande, tem cerca de 1500 metros de comprimento por 800 metros de largura e 85 metros de altura. A sua rocha de granito rosado é banhada por águas límpidas e transparentes que fazem lembrar as ilhas paradisíacas. As fotografias bem passavam por ter sido tiradas, por exemplo, em Ibiza.
A Berlenga é a maior e única onde se pode viver, tendo uma área de 78,8 hectares. Nela existe um pequeno núcleo urbano que é habitado durante uma parte do ano. Permanentemente apenas os faroleiros (dois) e, eventualmente, as famílias aí residem.
As influências climáticas atlânticas e mediterrânicas fazem com que tenham um clima que propícia a existência de uma fauna e flora que fazem dela um ecossistema único.
O grande perigo, neste momento, é a quantidade de turistas que afluem à ilha para aí passar um ou mais dias e que colocam em risco o equilíbrio do ecossistema.
Também o mar é rico em espécies, sendo possível, com um simples óculos de mergulho, a poucos metros da praia, observar salemas, taínhas, sargos, douradas, safias, chocos, serrões, estrelas do mar, etc, em grandes quantidades.
As águas são de uma transparência impressionante.
A Berlenga, as Estelas e os ilhéus adjacentes foram consideradas Reserva Natural da Berlenga em 03 de Setembro de 1981.
Garanto-vos qua vale bem a visita.

domingo, 10 de setembro de 2006

Berlengas - I

A proposta, hoje, é partir para as Berlengas a bordo do barco Cabo Avelar Pessoa. A primeira viagem é feita pelas 9 horas e 30 minutos e a 2ª pelas 11 e 30 minutos.
Mal o barco sai do porto começa a contornar a península de Peniche, pelo sul, até se avistar o Cabo Carvoeiro com o seu farol, construído em 1790. Curiosamente este nome é uma presença assídua no boletim meteorológico, marcando diferentes previsões para o tempo a norte e a sul do litoral português.
No promontório, impõe-se a Nau dos Corvos. Há quem considere este rochedo um verdadeiro cartão de visita de Peniche. É uma formação rochosa onde poisam gaivotas e corvos marinhos advindo-lhe daí o nome. Pelo seu aspecto, faz lembrar uma nau quinhentista.
Do cabo, desfrutamos a vista soberba sobre as Berlengas, pequeno arquipélago ao largo de Peniche. Fica a cerca de três quartos de hora de viagem de barco, normalmente caracterizada por ondulação forte, como é visível na primeira foto. Trata-se da única reserva natural insular de Portugal Continental, de grande riqueza de fauna e flora.
Se a primeira fotografia (Cabo Carvoeiro e Nau dos Corvos) marca o adeus a Peniche, a segunda representa as boas-vindas dadas pelas Berlengas, através do Forte, quando nos aproximamos da ilha.

sábado, 9 de setembro de 2006

Peniche

Forte de Peniche
Mapa da península de Peniche
Rendas de Bilros
Praia e casas do Baleal

Depois do Porto, e apesar de muito haver ainda para dizer (fica lá mais para a frente), dirijo-me para o litoral mais a sul, antes que acabe o Verão.
Começo este périplo por Peniche, terra que me seduz pelas suas praias, gentes, gastronomia e, claro, pelas Berlengas.
Peniche situa-se cerca de 80 km a norte de Lisboa, tendo, num passado não muito longínquo, sido uma ilha, mas que a acção conjunta de ventos e marés acabou por a ligar ao resto do continente através de um istmo.
É interessante percorrer toda a península de Peniche começando pela costa norte, batida pelo mar forte, onde nos está reservado um autêntico espectáculo da natureza. Passando nos rochedos da Papôa, lembramo-nos da notícia sobre os trágicos naufrágios acontecidos neste cenário sendo que o mais famoso foi o do galeão espanhol «São Pedro de Alcântara», em 1786.
Continuando chegamos ao Cabo Carvoeiro, de que falaremos no próximo post, onde podemos observar a Nau dos Corvos.
Iniciando o caminho de volta, chegamos ao
Forte de Peniche. Em tempos, foi sede de um importante complexo militar, edificado para a protecção da costa. Juntamente com os fortes da Consolação e das Berlengas, faziam parte de um importante sistema defensivo na nossa costa.
Após várias transformações, acabou por ficar conhecido pelos motivos mais sinistros, pois funcionou como prisão política na época do Estado Novo.
Este forte testemunhou uma das mais espectaculares histórias da luta contra o fascismo: em Janeiro de 1960, daqui se evadiu um grupo de presos políticos, encontrando-se entre eles Álvaro Cunhal, fuga essa que foi preparada com a ajuda de Dias Lourenço que se evadira uns anos antes e a quem já ouvi as peripécias da fuga contadas pelo próprio, no forte, com o Carlos Moura (http://clubedearqueologia.blogspot.com/) e um grupo de alunos nossos.
Após o 25 de Abril foi transformado em museu, nele se reconstituindo o ambiente de uma prisão política.
Entretanto, e se for hora de comer, recomenda-se o restaurante O Sardinha onde se come uma excelente caldeirada à moda de Peniche ou um bom peixe grelhado.
Falar de Peniche e não falar das rendas de bilros seria imperdoável. A sua origem perde-se no tempo, resultando, talvez, da necessidade sentida pelas mulheres em ocupar o tempo, enquanto esperavam pelos homens que iam ao mar. É um dos "recuerdos" a trazer de Peniche.
Já agora, ir a Peniche e não dar um pulo ao Baleal é quase como ir a Roma e não ver o Papa.
O Baleal foi, até há poucos anos, uma ilha, encontrando-se hoje ligada ao continente por uma língua de areia sobre a qual foi construída uma passagem que permite o acesso de carros.
Posso assegurar-vos que é uma das praias mais bonitas do país e que vale bem uma visita e uma banhoca. Há, no entanto, que ter cuidado com os peixes-aranhas que são frequentes nas suas águas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Porto - X (A Ribeira)



Um dos sítios mais curiosos de visitar no Porto é a zona da Ribeira, quer pela animação comercial, quer pelos bares e restaurantes ou simplesmente para sentir o pulsar de uma das zonas mais típicas do Porto onde, a par do Bolhão, se pode ouvir o falar típico da Invicta com tudo o que isso implica.
A Praça da Ribeira ficava, noutros tempos, tal como toda a face ribeirinha, dentro dos muros da cidade.
Zona fervilhante de comércio, com tendas e uma lota, sofreu em 1491 um terrível incêndio. A posterior construção de casas com colunas abertas sobre o largo e o chão lajeado desenharam-lhe um novo perfil.
No número 1, com portas envidraçadas, fica, presentemente, o Porto Carlton Hotel, que ocupa seis edifícios contíguos, com quartos voltados para o rio e para a Rua da Fonte Taurina (na 3ª fotografia), uma das mais antigas da cidade. Encravado entre dois desses edifícios, o Postigo de Carvão é a única porta sobrevivente da muralha que ligava ao Cais da Estiva, principal ancoradouro da cidade. Hoje, existem veleiros em vez de naus, enquanto os barcos rabelos transportam turistas no lugar dos tonéis de vinho.
Com o fim da necessidade defensiva da muralha, esta passou a ser usada como rua, sendo erguidos vários prédios a ela adossados. Com varandas de ferro forjado e roupa deixada ao sabor do vento, as casas do Muro dos Bacalhoeiros têm as portas frequentemente abertas à nossa curiosidade.
A toponímia nada terá a ver com o facto, mas foi ali, no número 114, que nasceu, a 7 de Fevereiro de 1851, José Luís Gomes de Sá, criador de um dos pratos mais conhecidos do Porto - o Bacalhau à Gomes de Sá.
Gomes de Sá era um comerciante do Porto nos finais do Séc. XIX. A ele se deve esta receita de bacalhau que, segundo a lenda, terá sido criada com os mesmos ingredientes (à excepção do leite) com que semanalmente fazia os bolinhos de bacalhau que deliciavam os amigos. Com efeito, os ingredientes são os mesmos, mas a receita resulta de uma confecção cuidada e de grande requinte.
Também merece destaque a estátua de S. João de autoria do escultor Joã Cutileiro que, embora em estilo completamente diferente do que a rodeia e depois de muita polémica, faz já hoje parte do património artístico da Ribeira (2ª foto). Embora não esteja nas fotos, uma última referência à Fonte do Cubo situada em frente à estátua de S. João que é, hoje, também uma referência da Ribeira.