quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Berlengas - V (Passeio de barco)

A Catedral
A Greta de Inês
A tromba do Elefante

Uma das atracções da ilha, a não perder, são os passeios de barco pelas numerosas grutas e outros locais de interesse (cerca de 3 € por pessoa).
Existem detalhes únicos, como rochas enormes com formas de animais.
A rocha da baleia é uma delas, mesmo ao lado da Fortaleza São João Baptista. Vista de lado, parece um autêntico cachalote. Mais a sul, fica a tromba de elefante (na fotografia).
No que diz respeito às grutas, há muito por onde escolher: a Gruta azul onde, devido à inclinação dos raios solares tudo fica azul, o Furado Grande que atravessa a ilha de um lado ao outro num túnel natural de 70 metros de comprimento por mais de 20 de altura, que nos leva até à enseada onde está a Cova do Sonho.
Em algumas destas grutas, e atenção que são dezenas, algumas por explorar, podemos imaginar locais onde se escondiam, antigamente, marinheiros, soldados e piratas.
Quem sabe se não andou e se escondeu por ali o Jack Sparrow, a famosa personagem dos Piratas das Caraíbas, (ou não será das Berlengas?), celebrizada por Johnny Depp?

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Berlengas - IV (O Forte)

Forte de S. João Baptista
Acesso ao Forte

A fortaleza de S. João Baptista foi mandada erguer pelo rei D. João IV (que já encontrámos no Castelo de S. Francisco de Xavier do Queijo) como posto de defesa do território português, integrando um sistema defensivo de que também faziam parte os fortes de Peniche e da Consolação.
O Forte viria a ser palco de numerosas batalhas sendo a mais célebre a ocorrida em 28 de Julho de 1666, na qual o forte, com vinte e oito soldados e um cabo, António Avelar Pessoa, foi atacado e bombardeado durante dois dias, até ser conquistado. Dessa resistência heróica resta o nome do barco que faz travessia para a ilha, barco Cabo Avelar Pessoa.
Em 1847, perdida a importância estratégica e militar, foi abandonado, tendo sido restaurado em meados do século XX, para ser transformado numa pousada que foi também abandonada por alturas do 25 de Abril.
Presentemente é mantido como casa-abrigo pela associação “Amigos das Berlengas”, podendo-se aí pernoitar. O preço ronda os 10 €, sendo necessário levar roupa de cama e toalhas.
Durante a noite temos por companhia o pio constante das gaivotas e, caso seja a altura apropriada, uma Lua Cheia inigualável sobre o mar deixando-o da cor da prata.
Vale bem a pena o espectáculo.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Berlengas - III (O Farol)

Farol "Duque de Bragança"
Carreiro dos Cações
Farol "Duque de Bragança" visto do barco que nos leva às grutas

Construído em 1841, o Farol baptizado de "Duque de Bragança" tem cerca de 29 metros de altura e, num dia de boas condições atmosféricas, a sua luz é visível numa área até cerca de 50 km.
O Farol funciona com células fotoeléctricas utilizando a energia acumulada durante o dia através de vários painéis solares que se encontram junto à sua base ou, em ultimo recurso, de um gerador guardado numa das suas divisões. Inicialmente funcionava a petróleo.
No Farol estão sempre 2 faroleiros 24h por dia, 365 dias por ano, com turnos semanais.
Vale bem o esforço a subida até ao farol.
Pelo caminho é possível observar o carreiro dos Cações e, para quem gostar de caminhar mais um pouco, há sempre a possibilidade de seguir até ao Forte, tendo que descer mais de 200 degraus para lá chegar. Não se esqueçam que para voltarem têm de fazer o mesmo caminho em sentido inverso, isto é, têm que subir os mais de 200 degraus. No entanto, podem ter a certeza que vale a pena, pois a paisagem compensa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Berlengas II (A Reserva Natural)


O arquipélago das Berlengas é composto por 3 grupos de ilhéus: Berlenga Grande, e recifes adjacentes, Estelas e Farilhões ficando localizado a 5,7 milhas de distância do Cabo Carvoeiro.
A Berlenga Grande, tem cerca de 1500 metros de comprimento por 800 metros de largura e 85 metros de altura. A sua rocha de granito rosado é banhada por águas límpidas e transparentes que fazem lembrar as ilhas paradisíacas. As fotografias bem passavam por ter sido tiradas, por exemplo, em Ibiza.
A Berlenga é a maior e única onde se pode viver, tendo uma área de 78,8 hectares. Nela existe um pequeno núcleo urbano que é habitado durante uma parte do ano. Permanentemente apenas os faroleiros (dois) e, eventualmente, as famílias aí residem.
As influências climáticas atlânticas e mediterrânicas fazem com que tenham um clima que propícia a existência de uma fauna e flora que fazem dela um ecossistema único.
O grande perigo, neste momento, é a quantidade de turistas que afluem à ilha para aí passar um ou mais dias e que colocam em risco o equilíbrio do ecossistema.
Também o mar é rico em espécies, sendo possível, com um simples óculos de mergulho, a poucos metros da praia, observar salemas, taínhas, sargos, douradas, safias, chocos, serrões, estrelas do mar, etc, em grandes quantidades.
As águas são de uma transparência impressionante.
A Berlenga, as Estelas e os ilhéus adjacentes foram consideradas Reserva Natural da Berlenga em 03 de Setembro de 1981.
Garanto-vos qua vale bem a visita.

domingo, 10 de setembro de 2006

Berlengas - I

A proposta, hoje, é partir para as Berlengas a bordo do barco Cabo Avelar Pessoa. A primeira viagem é feita pelas 9 horas e 30 minutos e a 2ª pelas 11 e 30 minutos.
Mal o barco sai do porto começa a contornar a península de Peniche, pelo sul, até se avistar o Cabo Carvoeiro com o seu farol, construído em 1790. Curiosamente este nome é uma presença assídua no boletim meteorológico, marcando diferentes previsões para o tempo a norte e a sul do litoral português.
No promontório, impõe-se a Nau dos Corvos. Há quem considere este rochedo um verdadeiro cartão de visita de Peniche. É uma formação rochosa onde poisam gaivotas e corvos marinhos advindo-lhe daí o nome. Pelo seu aspecto, faz lembrar uma nau quinhentista.
Do cabo, desfrutamos a vista soberba sobre as Berlengas, pequeno arquipélago ao largo de Peniche. Fica a cerca de três quartos de hora de viagem de barco, normalmente caracterizada por ondulação forte, como é visível na primeira foto. Trata-se da única reserva natural insular de Portugal Continental, de grande riqueza de fauna e flora.
Se a primeira fotografia (Cabo Carvoeiro e Nau dos Corvos) marca o adeus a Peniche, a segunda representa as boas-vindas dadas pelas Berlengas, através do Forte, quando nos aproximamos da ilha.

sábado, 9 de setembro de 2006

Peniche

Forte de Peniche
Mapa da península de Peniche
Rendas de Bilros
Praia e casas do Baleal

Depois do Porto, e apesar de muito haver ainda para dizer (fica lá mais para a frente), dirijo-me para o litoral mais a sul, antes que acabe o Verão.
Começo este périplo por Peniche, terra que me seduz pelas suas praias, gentes, gastronomia e, claro, pelas Berlengas.
Peniche situa-se cerca de 80 km a norte de Lisboa, tendo, num passado não muito longínquo, sido uma ilha, mas que a acção conjunta de ventos e marés acabou por a ligar ao resto do continente através de um istmo.
É interessante percorrer toda a península de Peniche começando pela costa norte, batida pelo mar forte, onde nos está reservado um autêntico espectáculo da natureza. Passando nos rochedos da Papôa, lembramo-nos da notícia sobre os trágicos naufrágios acontecidos neste cenário sendo que o mais famoso foi o do galeão espanhol «São Pedro de Alcântara», em 1786.
Continuando chegamos ao Cabo Carvoeiro, de que falaremos no próximo post, onde podemos observar a Nau dos Corvos.
Iniciando o caminho de volta, chegamos ao
Forte de Peniche. Em tempos, foi sede de um importante complexo militar, edificado para a protecção da costa. Juntamente com os fortes da Consolação e das Berlengas, faziam parte de um importante sistema defensivo na nossa costa.
Após várias transformações, acabou por ficar conhecido pelos motivos mais sinistros, pois funcionou como prisão política na época do Estado Novo.
Este forte testemunhou uma das mais espectaculares histórias da luta contra o fascismo: em Janeiro de 1960, daqui se evadiu um grupo de presos políticos, encontrando-se entre eles Álvaro Cunhal, fuga essa que foi preparada com a ajuda de Dias Lourenço que se evadira uns anos antes e a quem já ouvi as peripécias da fuga contadas pelo próprio, no forte, com o Carlos Moura (http://clubedearqueologia.blogspot.com/) e um grupo de alunos nossos.
Após o 25 de Abril foi transformado em museu, nele se reconstituindo o ambiente de uma prisão política.
Entretanto, e se for hora de comer, recomenda-se o restaurante O Sardinha onde se come uma excelente caldeirada à moda de Peniche ou um bom peixe grelhado.
Falar de Peniche e não falar das rendas de bilros seria imperdoável. A sua origem perde-se no tempo, resultando, talvez, da necessidade sentida pelas mulheres em ocupar o tempo, enquanto esperavam pelos homens que iam ao mar. É um dos "recuerdos" a trazer de Peniche.
Já agora, ir a Peniche e não dar um pulo ao Baleal é quase como ir a Roma e não ver o Papa.
O Baleal foi, até há poucos anos, uma ilha, encontrando-se hoje ligada ao continente por uma língua de areia sobre a qual foi construída uma passagem que permite o acesso de carros.
Posso assegurar-vos que é uma das praias mais bonitas do país e que vale bem uma visita e uma banhoca. Há, no entanto, que ter cuidado com os peixes-aranhas que são frequentes nas suas águas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Porto - X (A Ribeira)



Um dos sítios mais curiosos de visitar no Porto é a zona da Ribeira, quer pela animação comercial, quer pelos bares e restaurantes ou simplesmente para sentir o pulsar de uma das zonas mais típicas do Porto onde, a par do Bolhão, se pode ouvir o falar típico da Invicta com tudo o que isso implica.
A Praça da Ribeira ficava, noutros tempos, tal como toda a face ribeirinha, dentro dos muros da cidade.
Zona fervilhante de comércio, com tendas e uma lota, sofreu em 1491 um terrível incêndio. A posterior construção de casas com colunas abertas sobre o largo e o chão lajeado desenharam-lhe um novo perfil.
No número 1, com portas envidraçadas, fica, presentemente, o Porto Carlton Hotel, que ocupa seis edifícios contíguos, com quartos voltados para o rio e para a Rua da Fonte Taurina (na 3ª fotografia), uma das mais antigas da cidade. Encravado entre dois desses edifícios, o Postigo de Carvão é a única porta sobrevivente da muralha que ligava ao Cais da Estiva, principal ancoradouro da cidade. Hoje, existem veleiros em vez de naus, enquanto os barcos rabelos transportam turistas no lugar dos tonéis de vinho.
Com o fim da necessidade defensiva da muralha, esta passou a ser usada como rua, sendo erguidos vários prédios a ela adossados. Com varandas de ferro forjado e roupa deixada ao sabor do vento, as casas do Muro dos Bacalhoeiros têm as portas frequentemente abertas à nossa curiosidade.
A toponímia nada terá a ver com o facto, mas foi ali, no número 114, que nasceu, a 7 de Fevereiro de 1851, José Luís Gomes de Sá, criador de um dos pratos mais conhecidos do Porto - o Bacalhau à Gomes de Sá.
Gomes de Sá era um comerciante do Porto nos finais do Séc. XIX. A ele se deve esta receita de bacalhau que, segundo a lenda, terá sido criada com os mesmos ingredientes (à excepção do leite) com que semanalmente fazia os bolinhos de bacalhau que deliciavam os amigos. Com efeito, os ingredientes são os mesmos, mas a receita resulta de uma confecção cuidada e de grande requinte.
Também merece destaque a estátua de S. João de autoria do escultor Joã Cutileiro que, embora em estilo completamente diferente do que a rodeia e depois de muita polémica, faz já hoje parte do património artístico da Ribeira (2ª foto). Embora não esteja nas fotos, uma última referência à Fonte do Cubo situada em frente à estátua de S. João que é, hoje, também uma referência da Ribeira.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Porto - IX (As pontes)


O Porto é a cidade das seis pontes. Cada uma tem a sua história, algumas são já centenárias (D. Luís e D.Maria Pia), outras inauguradas há pouco tempo.
Vale bem a pena fazer o chamado cruzeiro das 6 pontes em que, em cerca uma hora, num barco inspirado nos Rabelos, passeamos por debaixo das ditas pontes. (difícil era fazê-lo por cima!)
Na primeira imagem temos a Ponte da Arrábida, de autoria do Engenheiro Edgar Cardoso que, aquando da sua inauguração, era única no mundo, pois não havia em lado nenhum um arco tão grande em betão armado. Ne altura em que foi inaugurada, acorreram à Invicta jornalistas estrangeiros para cobrirem a queda da ponte, o que não veio a ocorrer conforme podemos constatar pela imagem.
A segunda fotografia mostra-nos a ponte de D. Luís, da qual gosto muito, pois com a sua construção inventou-se o conceito "dois em um", uma vez que apresenta dois tabuleiros, servindo um, as zonas altas de Gaia e do Porto e o outro as zonas ribeirinhas. O tabuleiro superior está actualmente ao serviço do Metro do Porto tendo deixado de ter trânsito rodoviário para o qual foi construída a ponte de D. Henrique, a montante e que ainda é visível na imagem.
Boa Viagem.
E já agora não se esqueçam das tripas, das francezinhas e das sardinhas do Serrão.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Porto - VIII (Castelo do Queijo)



Quando passámos pelo Porto estivemos no designado Castelo do Queijo que, como vimos, tem como nome completo Castelo de S. Francisco de Xavier do Queijo.
O porquê do nome já então havia sido explicado. No entanto podia parece estranho que não houvesse uma imagem, no forte, do padroeiro que lhe deu o nome.
De facto no interior, em dois nichos, encontramos duas imagens: uma de S. Francisco de Xavier (Missionário Jesuíta conhecido como Apóstolo das Indias) e outra da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal.
Não nos esqueçamos que este forte desempenhou um importante papel na Guerra da Restauração e que D. João IV foi o rei que coroou a Imagem de Nossa Senhora, existente em Vila Viçosa, tornando-a padroeira de Portugal.
Não nos podemos admirar, por isso, que, também esta imagem, marque presença no forte.

domingo, 3 de setembro de 2006

Leça do Balio

No regresso para sul, voltamos a passar junto ao Obelisco da Praia da Memória, erguido para celebrar o desembarque das tropas liberais.
Mas, hoje, o motivo da nossa paragem está perto desse obelisco, pois vamos deter-nos em Leça do Balio.
Balio provem de bailio, palavra hoje em desuso, mas que significa comendador, isto é membro de uma Ordem Militar que beneficiava dos rendimentos de uma comenda. Leça, já sabemos, é nome de rio.
O templo que dá fama à terra (Igreja dos Hospitalários de Leça do Balio) é de estilo gótico e falo nele aqui, por aí se ter passado um episódio importante da nossa História.
Foi neste templo que se casaram D. Fernando, último rei da primeira dinastia e D. Leonor Teles, casamento muito contestado, por Leonor estar já casada com João Lourenço da Cunha e representar os interesses da alta nobreza.
É lógico que o casamento só teve lugar porque o bispo de Coimbra havia anulado o primeiro casamento de D. Leonor, a pedido do rei. Curiosamente Coimbra teve três (?) bispos nesse ano.
A seguir ao casamento teve lugar o tradicional beija-mão.
O primeiro a fazê-lo foi D. João, filho de Inês de Castro, candidato ao trono de Portugal, mas que há-de vir a ser vítima da cunhada a quem acabara de beijar a mão. Haveremos de falar disso quando voltarmos a Coimbra.
Seguiu-se D. Dinis, o segundo filho de Inês de Castro, que, embora chamado pelo rei, se recusou a beijar-lhe a mão, afirmando, “Que ma beije ela a mim!”. Só não foi morto pelo irmão (D. Fernando) devido à intromissão de dois fidalgos, mas a sua vida política em Portugal estava terminada, tendo de se refugiar em Castela.
O seu irmão, D. João, segui-lo-ia, no exílio em Castela, algum tempo depois.
Mas isso são outras histórias de que falaremos quando voltarmos a Coimbra.
Já agora que voltamos à Invicta Cidade do Porto, nada melhor do que provar um ex-libiris da gastronomia tripeira: as tripas.
A sugestão que vos deixo é o restaurante Ribeiro, bem pertinho da Praça da Batalha.
O dono foi um dos fundadores da Confraria das Tripas à Moda do Porto e o restaurante é conhecido por essa especialiade gastonómica .

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Rui Veloso - Bairro do Oriente

Rui Veloso - Bairro do Oriente (Versão Acústica)

O melhor cantautor de Portugal, na minha opinião.
Espero que vos acompanhe durante a minha ausência de fim de semana.

Viana do Castelo - VI (Senhora da Agonia)

Cartaz das Festas
Traje de Noiva
Procissão do Mar
Desfile dos Cabeçudos
Com grande pena minha, não pude estar presente nas festas da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo.
Esta cidade recebe, todos os anos, no mês de Agosto, uma das mais importantes romarias nacionais: as Festas da Senhora da Agonia, cujo culto remonta ao século XVIII.
Estas festas revestem-se de brilhantismo e de grande solenidade religiosa. As touradas, os fogos de artifício, as serenatas, os gigantones, os cabeçudos e as bandas de música animam as ruas da cidade e dão as boas-vindas aos forasteiros.
O apogeu desta festa é atingido nas tardes de sexta-feira, sábado e domingo, quando as procissões e os desfiles percorrem as ruas da cidade.
A tarde de Sábado é o momento mais ansiado pelos visitantes, pois é nessa altura que decorre o Cortejo Etnográfico. Durante o cortejo é possível apreciar os trajes tradicionais minhotos, onde a figura das noivas ganha grande importância, pois vão vestidas com os trajes tradicionais e ricamente ornamentadas com ouro e filigrana. Posso acrescentar que, na minha opinião, são os mais bonitos vestidos de noiva de Portugal.
Aproveitando a visita a Viana do Castelo é possível descobrir, ainda, a variada cozinha minhota. O polvo, o bacalhau, os peixes do rio, os mariscos são muito apreciados bem como a lampreia, sendo possível ver, nos meses de cheias, a sua captura recorrendo a um sistema conhecido como a fisga. Nas caenres os destaques vão para os enchidos, o sarrabulho, os rojões e outros pitéus deliciosos.
Só é pena que o colesterol não se compadeça com estas iguarias.
Bem, mas dias não são dias e atendendo à qualidade e diversidade das ementas, não podemos deixar os nossos créditos por mãos alheias.
Bom passeio e bom apetite.
Fotos retiradas do site: http://www.festas-agonia.com/

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Viana do Castelo - V (Casa da Carreira)

Outra casa que merece a nossa atenção é a chamada Casa da Carreira.
Este edifício deve o seu nome ao facto de ter sido construído numa saída da Vila de Viana da Foz do Lima (actual Viana do Castelo) conhecida como “a carreira”.
Foi obra de um burguês nobilitado de nome Fernão Brandão, em 1527, tendo passado por casamento para a linhagem dos Abreus e mais tarde para a dos Távoras. Não é por isso de admirar que se encontrem vestígios destes nomes nos brasões da casa, sendo que o dos Távoras se encontra picado (o Marquês de Pombal não perdoava).
Para terminar deve referir-se que a casa foi totalmente remodelada no século XVIII.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Viana do Castelo - IV (Casa dos Alpuins)

Quanto se passeia pelo centro Histórico de Viana do Castelo, algumas casas chamam a atenção pela sua beleza e imponência. A dos Alpuins é uma delas.
A casa dos Alpuins é de estilo manuelino, dito da resistência, pois estando Portugal sob o jugo dos Filipes, construir em estilo manuelino era uma maneira de resistir ao domínio castelhano.
O edifício sofreu, no entanto, algumas alterações ao longo dos tempos, nomeadamente com a implantação de uma capela no século XVII e com a decoração de um quarto em estilo Rococó.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Viana do Castelo - III (Praça da República)




Passear pelo centro de Viana do Castelo é um prazer. Por todo lado surgem casas brasonadas, lembrando-nos a riqueza que a cidade teve devido ao papel desempenhado no comércio colonial, nomeadamente com o Brasil.
No centro (Praça da República), excelentes esplanadas convidam-nos a tomar algo para podermos usufruir do ambiente que nos rodeia e reparar no belíssimo conjunto de edifícios que ladeiam a referida praça.
É, então, na Praça da República, antiga Praça da Rainha (pelo 1º post sobre Viana facilmente constatamos tratar-se de D. Maria II) que ficam alguns dos mais interessantes edifícios de Viana do Castelo. O primeiro é o edifício da antiga Câmara Municipal, datado do século XVI, assente em três arcos góticos., apresentando duas janelas de estilo renascentista.
À esquerda fica o edifício da Misericórdia, concebido por João Lopes, o Moço, em estilo renascentista.
Na praça, em frente a estes edifícios, temos uma elegante fonte de autoria de João Lopes, o Velho, de traço clássico.
Perto desta praça, e porque o estômago também precisa de ser reconfortado, sugiro-vos o restaurante “O Manel”.

domingo, 27 de agosto de 2006

Viana do Castelo - II (Santuário do Monte de Santa Luzia)




















Quando se chega a Viana do Castelo é impossível não se reparar nele. Refiro-me, naturalmente, ao Santuário de Santa Luzia. Aliás, não deixa de ser curioso que o mais conhecido monumento da cidade seja do século XX.
O projecto do Santuário é do arquitecto Ventura Terra, tendo as obras decorrido entre 1890 e 1930. O estilo da construção é Românico-bizantino. A construção é grandiosa, o espaço interior magnífico, as vistas espectaculares (só por isso vale a pena subir até lá) mas falta algo: a vivência religiosa típica dos arquitectos de outros tempos, que lhes permitia transmitir esse sentimento aos edifícios que construíam*.
A subida, que pode ser feita a pé, de carro ou de funicular, é muito bonita
Uma vez lá chegados reparamos que, de perto, o Santuário nos faz lembrar o Sacré Coeur de Paris.
Não sei se ainda é possível fazê-lo, mas subir ao zimbório, para quem não sofra de caustrofobia por causa das escadas muito apertadas e não tenha vertigens, é uma experiência única

*Vale a pena ler a propósito deste tema o romance “Os pilares da Terra” cuja acção decorre à volta dos construtores de catedrais da Idade Média.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Dulce Pontes - Canção do Mar

Dulce Pontes-Canção do Mar
Aqui está uma das melhores canções portuguesas.
Espero que gostem...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Uma Estória Curiosa - VI (O Banho Santo)

Hoje, seguimos um pouco para sul, até S. Bartolomeu do Mar, para dar conta do Banho Santo. A seguir voltaremos a Viana do Castelo, pois ainda há muito para ver.
Em São Bartolomeu do Mar assistimos, no dia 24 de Agosto de cada ano, dia de S. Bartolomeu*, a um curioso ritual, meio profano, meio religioso, que é conhecido como o “banho santo”.
Nesse dia, conhecido como o “dia de todos os demónios”, os romeiros, no cumprimento de uma promessa, levam os seus filhos ao mar de forma a evitar que fiquem gagos, medrosos e epilépticos. Além disso, depois do banho, ficam ainda mais alegres, sadios e inteligentes.
É também costume essas crianças levarem um frango preto vivo ao colo, que entregam na igreja antes do banho.
O banho é dado por banheiros de ocasião, muitas vezes sargaceiros, e consiste em mergulhar as crianças 3 vezes nas ondas, independentemente da berraria que cada uma delas faça.
Acredita-se que este banho vale por sete e, andando o diabo à solta nesse dia, dá protecção contra a possessão, que é visível no caso dos ataques de epilepsia.
Estamos assim no domínio do cristão mas com sobrevivências pré-cristãs: o banho seria uma sobrevivência da antiguidade pré-cristã, os frangos pretos uma prática medieval e a procissão uma reminiscência do século XVIII.

*S. Bartolomeu é o Santo Padroeiro dos Dermatologistas, pois quando foi sacrificado arrancaram-lhe a pele, e ainda dos Gagos o que levou o rei D. Pedro, que era gago, a mandar esculpi-lo, levando a sua pele às costas, nos célebres túmulos de Alcobaça.

Fotos retiradas nos sites:

terça-feira, 22 de agosto de 2006

O Nome das Coisas - XVIII (Viana do Castelo)

Ora cá estamos nós outra vez junto ao rio Lima (o tal rio Letes, que encontrámos em Ponte de Lima), só que desta vez junto à sua foz. Eis-nos chegados a Viana do Castelo.
Curiosamente este nome data do século XIX, pois o original era Viana da Foz do Lima, nome esse que lhe foi atribuído por D. Afonso III, o Bolonhês que, numa carta de 1265 a um morador da terra, escrevia: “Sabei que é uma das vilas do meu reino que muito amo, que lhe dei começo por mim e lhe quero dar cima em meu tempo.”
Porque mudou então o nome de Viana da Foz do Lima para Viana do Castelo?
Não parece haver grande lógica em chamar-se do Castelo porque quase todas as terras importantes tinham ou tiveram castelo.
Há contudo uma explicação política: Em 1847 Viana esteve cercada pelas tropas Patuleias (de Pata ao Léu). O cerco durou cerca de mês e meio e terminou com o comandante dos sitiados a ir entregar a chave do castelo à rainha D. Maria II, a Lisboa.
A rainha decidiu, então, premiar a lealdade dos habitantes de Viana com a elevação da vila a cidade e a consequente alteração do nome de Viana da Foz do Lima para Viana do Castelo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Estórias curiosas - V (A lenda do Santo Asinha - Caminha)

Asinha pode significar depressa. Sendo assim Santo Asinha significa Santo Depressa.
A lenda reza o seguinte:
Pela serra de Arga (na foto) andava um assaltante que roubava e, por vezes, matava, os viajantes que atravessavam a serra a caminho de Ponte de Lima, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. Certo dia, assaltou um pobre frade mendicante sem nada de seu que por ali passava. Preparava-se para o matar, pois não acreditava que um representante do clero não levasse algo que pudesse ser roubado, quando o frade começou a rezar, afirmando querer morrer pedindo pela salvação do seu assassino.
Ao ouvir isto, o ladrão arrependeu-se da vida que levava e pediu ao frade para o absolver de todos os pecados, e eram muitos, que tinha cometido.
Ora como de acordo com leis canónicas não há absolvição sem penitência, o frade deu-lhe a seguinte: “Até agora só tens feito o mal, e só tu podes saber todo o mal que fizeste. Pois fica por aqui a ajudar quem precisa, até que o teu coração te mostre que o prato do bem pesa tanto como o prato do mal. Nessa altura porás assim fim à penitência”.
E assim foi, o frade lá seguiu viagem e o bandido resolveu ajudar todos os viajantes que por ali passassem.
Certo dia, o carro de bois de um lavrador atolou-se na lama e o salteador resolveu ajudá-lo. Quando se encontrava a empurrar o carro, o lavrador viu a oportunidade de matar tão terrível malfeitor. Foi o que fez, tendo depois seguido caminho. Alguns meses depois, ouviu o anúncio, trazido pelos arautos do rei prometendo recompensa para quem matasse tão terrível criminoso. Rapidamente foi ao local onde o corpo deveria estar, na esperança de encontrar, pelo menos, o esqueleto, a fim de reclamar a recompensa. Mas, para seu espanto, não só o corpo estava incorrupto, como à sua volta tinham crescido lírios brancos e açucenas e os pássaros chilreavam, compondo uma verdadeira sinfonia.
Logo aí o agricultor se apercebeu que não tinha morto um ladrão, mas sim um santo.
Estava criada a fama de santidade e tinha nascido mais um santo de devoção popular: o Santo Asinha.