segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Estórias curiosas - V (A lenda do Santo Asinha - Caminha)

Asinha pode significar depressa. Sendo assim Santo Asinha significa Santo Depressa.
A lenda reza o seguinte:
Pela serra de Arga (na foto) andava um assaltante que roubava e, por vezes, matava, os viajantes que atravessavam a serra a caminho de Ponte de Lima, Paredes de Coura e Arcos de Valdevez. Certo dia, assaltou um pobre frade mendicante sem nada de seu que por ali passava. Preparava-se para o matar, pois não acreditava que um representante do clero não levasse algo que pudesse ser roubado, quando o frade começou a rezar, afirmando querer morrer pedindo pela salvação do seu assassino.
Ao ouvir isto, o ladrão arrependeu-se da vida que levava e pediu ao frade para o absolver de todos os pecados, e eram muitos, que tinha cometido.
Ora como de acordo com leis canónicas não há absolvição sem penitência, o frade deu-lhe a seguinte: “Até agora só tens feito o mal, e só tu podes saber todo o mal que fizeste. Pois fica por aqui a ajudar quem precisa, até que o teu coração te mostre que o prato do bem pesa tanto como o prato do mal. Nessa altura porás assim fim à penitência”.
E assim foi, o frade lá seguiu viagem e o bandido resolveu ajudar todos os viajantes que por ali passassem.
Certo dia, o carro de bois de um lavrador atolou-se na lama e o salteador resolveu ajudá-lo. Quando se encontrava a empurrar o carro, o lavrador viu a oportunidade de matar tão terrível malfeitor. Foi o que fez, tendo depois seguido caminho. Alguns meses depois, ouviu o anúncio, trazido pelos arautos do rei prometendo recompensa para quem matasse tão terrível criminoso. Rapidamente foi ao local onde o corpo deveria estar, na esperança de encontrar, pelo menos, o esqueleto, a fim de reclamar a recompensa. Mas, para seu espanto, não só o corpo estava incorrupto, como à sua volta tinham crescido lírios brancos e açucenas e os pássaros chilreavam, compondo uma verdadeira sinfonia.
Logo aí o agricultor se apercebeu que não tinha morto um ladrão, mas sim um santo.
Estava criada a fama de santidade e tinha nascido mais um santo de devoção popular: o Santo Asinha.

sábado, 19 de agosto de 2006

O Nome das Coisas - XVII (Caminha)

E eis-nos regressados a Portugal.
A nossa primeira paragem vai ser em Caminha, bonita localidade situada na foz do rio Minho.
Discute-se a origem do seu nome, havendo várias hipóteses: Caput Minii, que significa cabeça do Minho; Caminio, nome de um fidalgo galego; Cambinha que quer dizer praia pequena e Caminia ou Camina que significa grande floresta sombria.
Há, no entanto, uma lenda que ouvi há alguns anos, recolhida por Arlindo de Sousa, e que me parece assaz curiosa.
Conta essa lenda que, certo dia, andando Jesus Cristo e S. Pedro a passear pela zona da foz do Minho, avistaram, do cimo de um monte, a localidade junto à foz do referido rio. Pedro terá então perguntado a Cristo que terra era aquela, ao que este lhe terá respondido: “Caminha Pedro, caminha que aquela é uma terra de ladrões!”.
Daí o nome Caminha.
Não fiquem os actuais habitantes ofendidos pois são gente séria e trabalhadora mas, curiosamente, pode haver algo de verdadeiro nesta história, pois as terras de fronteira eram difíceis de povoar em épocas em que as guerras eram quase permanentes e Caminha juntava a tudo isto, o facto de ficar na foz de um rio, o que duplicava o perigo, pois os ataques de piratas eram uma constante.
Não é por isso de admirar que alguns Forais prometessem o perdão das penas a alguns homiziados, isto é, perseguidos pela justiça, levando muitos, para conseguir o perdão das penas, a ir viver para essas terras.
Teria sido este o caso de Caminha que recebeu Foral em 1284, passado por D. Dinis por necessitar de povoar tão estratégico local, levando a que, ainda em 1408, se escrevesse: "...para marinheiros, pescadores e outra gente marítima que anda foragida, destinou-se a vila de Caminha por estar muito despovoada e onde, por ser porto de mar, essa poder melhor que noutros lugares, granjear meios para viver".
Monsanto, Noudar e Castro Marim foram igualmente "coutos de homiziados", homens esses que tendo problemas com a justiça para aí iam viver, ocupando e defendendo essas terras, ganhando assim o dierito de viver em liberdade.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Sanxenxo - III

A norte de Sanxenxo ficam a ilha de A Toxa e a localidade piscatória de O Grove. Se a primeira se tornou um local para habitações de veraneio de alto luxo junto ao Casino, O Grove destaca-se pelas actividades ligadas à pesca e a criação de mexilhões nas famosas bateas, que mais não são que estruturas flutuantes, que podem atingir mais de quinhentos metros quadrados, amarradas ao fundo das Rias, de onde pendem dezenas de cordas a que se agarram os mexilhões em crescimento.
Cada estrutura desta, e são milhares espalhadas por cada uma das Rias Baixas, produz largas toneladas de mexilhão por ano, sendo cada corda responsável pela produção de mais de oitenta quilos do dito bivalve.
Para visitar estas plataforma e outros pontos de interesse da Ria de Arousa, nada melhor do que um mini-cruzeiro de hora e meia que, saindo do porto de O Grove, nos dá uma perpectiva desta Ria.
Já agora, no regresso somos surpreendidos com uma prova de mexilhões ao vapor acompanhados por um Ribeiro branco frequinho ou sumos para quem quiser. Os que provámos estavam excelentes e, embora tenhamos comido muito, não os conseguimos "provar" todos.
Neste caso a palavra "prova" pecou por defeito.

Sanxenxo - II

Ora para fazer crescer água na boca aqui vão 4 propostas: os chipirones fritos, ao berbigões e os pimentos de Pádron, terra de um dos melhores grupos de música galega de influência céltica, os Milladoiro. Embora não estando na fotografia também se provaram umas xaubias (petingas) fritas que estavam divinais.
As imagens estão longe da mostrar quão boas estavam estas iguarias.
Para quem quiser experimentar aconselho a Lonxa, junto ao porto piscatório de Portonovo (a seguir a Sanxenxo, no sentido norte) ou o Albino junto ao porto de Sanxenxo.
Bom apetite.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Sanxenxo - I

Sansenxo vale pela praia, pelas tapas e pelas pessoas.
O caminho que nos leva de Pontevedra até Sanxenxo já promete, pois é todo ele feito junto às margens da Ria de Pontevedra, vendo-se todo um conjunto de praias dignas de postais ilustrados, bem como os milhares de plataformas onde se faz a criação de mexilhões e que são uma das imagens de marca das Rias.
Garanto-vos que Sanxenxo é uma das mais bonitas praias das Rias. As águas são transparentes, a praia belíssima, pena que a água não seja quentinha.
À noite não falta gente e animação na marginal que rodeia a baía de Sanxenxo.
Qaunto às tapas falamos disso no próximo post.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Vigo - II (A História do Gelado)

Em Vigo, na zona das praias, é possível comer um bom gelado artesanal. Por isso lembrei-me de partilhar convosco a história dessa iguaria que é uma das minhas perdições.

Antes da era cristã, já os chineses e outros povos do leste asiático tomavam bebidas arrefecidas com neve.
Foi Marco Pólo que no século XIII, numa das suas viagens pela Ásia, trouxe esta iguaria para a Europa e a moda dos sumos de fruta com gelo ou neve alastrou em Veneza, assim como o esparguete também por ele trazido da China. A sua aceitação foi tão grande que depressa se espalhou por toda a Europa.
A Portugal chegou no século XVII (já naquela altura andávamos atrasados em relação à Europa) e também aqui se tornou muito popular, apesar de muito caro, sobretudo na capital, pois a neve vinha da Serra da Estrela e da Serra da Lousã, mais propriamente de Santo António da Neve onde ainda existem três poços onde se recolhia a neve (inicialmente eram sete poços). As pessoas que recolhiam a neve e a guardavam nos poços onde era pisada com maços até ficar gelo eram conhecidas como neveiras.
Destes locais era transportada em carroças até à zona de Constância (a viagem durava vários dias), de onde era enviada de barco para Lisboa, embrulhada em palha, urze e serapilheira. Uma vez na capital, e para que conservasse mais tempo, era armazenada em poços especiais para o efeito, no Castelo de São Jorge.
Em Lisboa os gelados eram, sobretudo, consumidos na corte, embora fosse também possível encontrá-los no Martinho e noutros cafés da altura.
Eis algumas quadras populares alusivas ao tema:
Em jorna de fraca monta
Em labor lançado a esmo
Pouco mais daria a conta
Duma broa com torresmo.

Houve vezes p’ró NEVÃO
No alto da serrania
P’ra manter o ganha-pão
Promessas de romaria

Desse tempo nos ficou
Santo António na capela
Três poços — eis quanto restou
Desta história tão singela

Do Inverno ao tempo quente
Pouco havia de interim
E servida a Régia Gente
Ia neve ao Botequim

Era no Terreiro do Paço
Que o Povo de Lisboa
Comprava sem embaraço
Do Coentral neve boa!

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

A caminho de Vigo

Saídos de Valença, há duas alternativas para chegar a Espanha: a ponte internacional que faz a ligação por autoestrada enre os dois países ou a ponte de ferro, antiga ligação entre as duas margens.
Uma vez em Tui temos duas hipóteses: ou seguir o Minho em direcção à foz, até A Guarda (La Guardia, em castelhano), capital da lagosta e aproveitar para comer uma excelente mariscada e depois percorrer toda a costa até Vigo ou seguir pela autoestrada. A escolha depende do tempo e dos objectivos da viagem.
Chegados a Vigo, cidade equivalente ao Porto, pertencente à província de Pontevedra (30 quilómetros a norte), para comer aconselho-vos uma experiência única: o Mercado da Pedra. Este mercado consiste numa série de bancas de pedra onde umas senhoras vendem ostras, criadas nas Rias Baixas, à dúzia.
Compradas as ostras sentamo-nos nas esplanadas dos bares e restaurantes que bordejam essas bancas, para as comer, acompanhadas de limão (fornecido pelos restaurantes) e de um bom Alvarinho ou cerveja, dependendo dos gostos.
Depois é só escolher as restantes tapas, pois o que não falta é variedade.
O único senão é que, valendo-se da muita procura, os restaurantes, por vezes, cobram mais do que se pagaria noutras znsa da cidade. As ostras compradas nas tais bancas rondam os 5 ou 6 euros a dúzia, dependendo do tamanho.
Boa viagem.

domingo, 13 de agosto de 2006

Valença VI (S. Teotónio)

Para finalizar e antes de iniciarmos uma incursão pela Galiza, o último local que vos proponho visitar, em Valença, é o largo onde se encontra a estátua de S. Teotónio, primeiro Santo português e amigo pessoal de D. Afonso Henriques.
A estátua de S. Teotónio é uma escultura do Séc. XX.
S. Teotónio foi o primeiro Santo Português, nascido no lugar de Tardinhade, na Freguesia de Ganfei, concelho de Valença. Foi confessor, conselheiro e amigo pessoal do Rei D. Afonso Henriques, que sempre "lhe pedia a benção e lhe beijava a mão de joelhos".
Foi ainda Bispo de Viseu e o primeiro Prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, do qual foi um dos fundadores.
A sua canonização foi proclamada pelo Papa Alexandre III um ano após a sua morte, que ocorreu em 1162.
Os seus restos mortais repousam na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Valença - V (Igreja de Santa Maria dos Anjos)

Eis mais uma proposta de um local a visitar em Valença: a Igreja de Santa Maria dos Anjos, cuja construção remonta ao século XIII em estilo Românico, apresenta uma planta longitudinal, composta por um nave única e capela-mor, rectangulares, torre sineira, quadrangular, capela e sacristia, em corpo único rectangular, adoçados a Sul.
A fachada principal tem uma cornija saliente, sobre cachorros, portal em arco pleno, com três arquivoltas assentes em colunelos cilíndricos rematados por capitéis fitomórficos, encimado por janela rectangular.

Valença - IV (Capela da Misericórdia)

A capela da Misericórdia é um belo exemplar da arquitectura religiosa, barroca e neoclássica.
Apresenta uma planta longitudinal composta e nave única, muito reformulada no séc. XVIII em estilo neoclássico.
A fachada axial terminada em empena, mas com a lateral Sul (prsentena fotografia) funcionando como principal, com portal mais elaborado.
No interior tem dois balcões, possivelmente, para o cadeiral dos mesários, colocados superiormente junto ao coro-alto e retábulos de talha policroma neoclássica.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Valença - III

A fortaleza de Valença é uma obra das Arquitecturas Militares Gótica e Barroca, tendo os primeiros muros sido construídos no século XIII.
Actualmente é um sistema abaluartado de tipo Vauban, construído nos séculos XVII e XVIII, no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, com projecto do francês Miguel de l'Ècole.
A fortaleza fica localizada no topo de dois outeiros sendo formada por dois polígonos: a Praça, ou Recinto Magistral e obra Coroa, ou Coroada, (estilo Horveneque) separados por um fosso, com falsas-bragas e 4 revelins que protegem outras tantas Portas (Coroada, Gaviarra, Fonte da Vila e Sol).
A Câmara Municipal de Valença e o Ayuntamiento de Tui estão a enveredar esforços para a classificação da fortaleza, da ponte internacional e da catedral de Tui a Património de Interesse Cultural para a Humanidade.
Já agora, vale a pena atravessar a ponte antiga ou a nova e ir até Tui, quanto mais não seja para ver a magnífica paisagem portuguesa, incluindo Vlença, a partir do outro lado do rio Minho.
Conselho: já não vale a pena ir aos caramelos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Valença - II

Um dos aspectos que mais chama a atenção em Valença é o facto de a vila parecer um autêntico centro comercial a céu aberto, especialmente a parte situada dentro das muralhas (para o próximo post fica prometido um texto sobre a Fortaleza).
Na fotografia são visíveis uma série de lojas de atoalhados, tecidos e roupas com as mercadorias penduradas dos dois lados das portas. É um facto que as mercadorias são sobretudo para os espanhóis, até porque estão viradas para os seus gostos. De qualquer maneira, com paciência, garanto-vos que se fazem excelentes compras, quer no preço, quer na qualidade/beleza.
Já estive em acções de formação em Espanha e encontrei espanhóis de Navarra, Aragão e Astúrias, por exemplo, que tinham ido a Valença, de propósito, para ir comprar atoalhados e produtos de cutelaria, aproveitando ainda para comer bacalhau que, afirmavam, só por si, valer a deslocação.
Além do comércio há muitos outros motivos de interesse em Valença: as esplanadas para melhor sentir o pulsar da terra e das gentes que por lá vivem e passam e os monumentos de que daremos conta um dia destes.
Um abraço e façam-me o favor de viajar...muito, que eu estou a ver que não saio daqui.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Obikwelu e não só!

Peço desculpa mas não posso evitar esta história que, para mim também tem um sabor especial, o que bate certo com nome do blogue (Histórias e Sabores, para os mais distraídos).
É sempre com um enorme emoção que assisto a mais uma vitória portuguesa numa grande competição internacional. Esta então tem um particular gosto pois foi obtida por alguém que, não tendo nascido em Portugal, nutre por este país à beira mar plantado, uma gratidão imensa. Já o ouvi falar de PORTUGAL de maneira mais sentida do que muitos portugueses.
Gostaria de lembrar que chegou a Portugal com 16 anos e não lhe restou outra alternativa que não trabalhar nas obras até, que alguém, vendo o seu potencial, o levou para o Belenenses, depois de ter sido recusado pelo Sporting e pelo Benfica.
Agora é aquilo que se sabe, alguém que, embora ganhe grandes competições internacionais, com a sua imensa humildade nos ensina todos os dias como é bom ser português e aprender a ter orgulho por vivermos neste país, que já deu novos mundos ao mundo.
Uma última referência para a excelente medalha de bronze de João Vieira nos 20 Km marcha.
Embora goste muito de futebol, o desporto português vai, por enquanto, muito para além desse desporto, pelo menos enquanto os nossos governantes não deitarem o resto abaixo.
Por falar nisso, não deixa de ter piada que, sendo as Escolas Particulares e Cooperativas que dominam a maioria das competições escolares, onde muitos campeões são decobertos, se comece a falar, pelo menos na Região Centro, que vão deixar de ter o Desporto Escolar pago. Aqui está uma maneira de obrigar algumas escolas estatais a serem campeãs... na secretaria, ou por falta de comparência das outras.
Haja bom senso e, já agora, vejam lá se analisam as estatísticas do Desporto Escolar para ver onde é que o dinheiro é bem empregue.
Onde é que andam os senhores dos sindicatos, quando algumas dezenas de professores de Educação Física (ou serão centenas) correm o risco de ficarem desempregados? Já alguém os ouviu?
Ah! Já me esquecia que para alguns há professores de primeira e professores de segunda.
Fotgrafia retirada do site: http://www.marca.es/

Valença - I

Eis-nos chegados a Valença, junto ao rio Minho, terra de São Teotónio, primeiro santo português e que já encontrámos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, do qual foi fundador.
O município de Valença, com uma área de 117,1 km2, 14 284 habitantes, 16 freguesias, é um dos 10 municípios do distrito de Viana do Castelo, tendo o feriado municipal no dia 18 de Fevereiro.
Recebeu foral de D. Sancho I, sendo então designada de Contrasta, tendo mudado para o actual nome em 1262. Por vezes é também designada por Valença do Minho.
Duas coisas chamam a atenção de quem chega a Valença: a Fortaleza que rodeia toda a vila antiga e o comércio que, por todo o lado, especialmente na parte velha da vila, atrai espanhóis, e não só, vindos de todas as partes do país vizinho.
Há quem diga que Valença é o maior centro comercial português a céu aberto.
Para comprar, visitar os seus monumentos, dar uma simples volta ou apreciar a paisagem - o rio Minho e Tui ali tão perto -, qualquer motivo é válido para passar umas horas em Valença e saborear o que esta vila tem para nos oferecer.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Ponte de Lima - IX


Perto da Capela do Anjo da Guarda fica o Museu Rural de Ponte de Lima, dotado com quatro espaços de exposições, localizado no Parque Temático do Arnado.
Os espaços a visitar são: a Tulha com exposição sobre o Linho e exposições temporárias de pintura, a cozinha com forno e lareira, a Adega com lagar e tonéis e outros utensílios relativos ao vinho e o celeiro com exposição de alfaias agrícolas, sobretudo ligadas ao milho.
Este museu foi inaugurado em 4 de Março de 2001.
Também muito interessante é o conjunto de jardins que se pode visitar no exterior do museu, onde se pode ver um de Jardim Romano, outro Renascentista, um Labirinto, latadas, uma estufa, etc.
Um espaço muito bem cuidado numa Vila que pretende ser a vila Jardim de Portugal e que para isso leva a efeito um curioso Festival Internacional de Jardins. http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/
Eis mais um motivo para visitar Ponte de Lima.
Já agora, com este calor porque não um mergulho na Praia Fluvial do Lima.
Amanhã partiremos para Valença.

Ponte de Lima - VIII

Junto aos Jardins Temáticos e ao Museu Rural fica a capela do Anjo da Guarda de estilo românico-gótico, edificada na parte final do século XIII, tendo sido alvo de uma reconstrução no século XVIII, agora ao estilo barroco típico dessa época. Esta reconstrução deveu-se à parcial destruição causada pelas cheias do rio Lima. Reforçaram-se, então, os pilares colocando-lhe ainda uma imagem de São Miguel.
A sua localização, na margem direita do Lima, e a sua configuração rectangular e aberta, sempre contribuíram para que funcionasse como lugar de culto a quem passava (e muitos faziam-no a caminho de Santiago de Compostela).

sábado, 5 de agosto de 2006

Ponte de Lima - VII

Já aqui falámos no facto de as fortificações da vila terem sido feitas no tempo de D. Pedro I, assim como parte das obras da ponte.
A prova pode ser encontrada na margem direita do rio Lima.
Eis a transcriação:
"Reina o mui nobre rei Dom Pedro na era de mil treaentos noventa e sete anos (1359 d.C.) mandou cercar esta vila e fazer estas torres por Álvaro Pais que era seu corregedor e começaram afundar aos 6 dias de Julho."

Ponte de Lima - VI

A Igreja Matriz de Ponte de Lima situa-se na zona antiga da margem esquerda do rio Lima.
Foi edificada pelos moradores com a autorização de D. João I, sendo a sua conclusão, provavelmente, de 1446.
Os vários arranjos ao longo dos séculos, visando o seu restauro ou a sua ampliação, levaram a que apresente uma sobreposição de vários estilos, sendo o exemplo mais flagrante a rosácea revivalista típica do início do século XX.
Vale bem uma visita.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Ponte de Lima - V

O símbolo, por excelência, de Ponte de Lima e que, aliás, lhe dá o nome é, sem sombra de dúvidas a ponte que atravessa o rio Lima.
É imprescindível para quem visita Ponte de Lima, passar a ponte e ver a vila a partir da outra margem que, aliás, também tem alguns pontos de interesse para visitar.
A ponte é formada por dois troços diferentes, um romano e outro medieval.
A construção da Ponte Romana data, provavelmente, do século I, visto por ele passar a via cuja construção teve início no tempo do Imperador Augusto.
A Ponte Medieval, de característica góticas, foi, provavelmente, concluída em 1370, integrando-se nas obras de fortificação da Vila, mandadas fazer pelo rei D. Pedro I, datando o calcetamento e a colocação de merlões de 1504, no reinado de D. Manuel I.
Originalmente era flanqueada por duas torres que foram demolidas por causa do tráfego, bem como grande parte do sistema defensivo da Vila.
A ponte Romana, de configuração muito simples, tem um tabuleiro rampante assente sobre sete arcos de volta inteira, não sendo todos visíveis. A ponte Gótica é formada por dezassete arcos quebrados, estando dois soterrados. Um outro foi destruído aquando das invasões francesas, para melhor defesa da Vila.
No centro desta ponte passava a divisão das dioceses de Braga e Tui.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Ponte de Lima - IV

O rio Lima e a ponte que o atravessa são das imagens mais marcantes de Ponte de Lima.

A ponte é bastante antiga pois foi construída nos tempos de domínio romano da Península Ibéria.
Quando os soldados romanos se dirigiam para norte na Península, durante a sua conquista, algo de curioso aconteceu nas margens deste rio.
Comandadas por Decius Junius Brutus, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima, no ano 135 a. C. .
A beleza do lugar fê-las julgarem-se perante o lendário rio Letes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse. Por isso os soldados romanos negaram-se a atravessá-lo.
Então, empunhando o estandarte das águias de Roma, o comandante atravessou o rio e, já na outra margem, chamou cada soldado pelo seu nome.
Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento.
O painel de azulejos, existente junto às margens do Lima, evoca esse episódio.