quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Valença - II

Um dos aspectos que mais chama a atenção em Valença é o facto de a vila parecer um autêntico centro comercial a céu aberto, especialmente a parte situada dentro das muralhas (para o próximo post fica prometido um texto sobre a Fortaleza).
Na fotografia são visíveis uma série de lojas de atoalhados, tecidos e roupas com as mercadorias penduradas dos dois lados das portas. É um facto que as mercadorias são sobretudo para os espanhóis, até porque estão viradas para os seus gostos. De qualquer maneira, com paciência, garanto-vos que se fazem excelentes compras, quer no preço, quer na qualidade/beleza.
Já estive em acções de formação em Espanha e encontrei espanhóis de Navarra, Aragão e Astúrias, por exemplo, que tinham ido a Valença, de propósito, para ir comprar atoalhados e produtos de cutelaria, aproveitando ainda para comer bacalhau que, afirmavam, só por si, valer a deslocação.
Além do comércio há muitos outros motivos de interesse em Valença: as esplanadas para melhor sentir o pulsar da terra e das gentes que por lá vivem e passam e os monumentos de que daremos conta um dia destes.
Um abraço e façam-me o favor de viajar...muito, que eu estou a ver que não saio daqui.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Obikwelu e não só!

Peço desculpa mas não posso evitar esta história que, para mim também tem um sabor especial, o que bate certo com nome do blogue (Histórias e Sabores, para os mais distraídos).
É sempre com um enorme emoção que assisto a mais uma vitória portuguesa numa grande competição internacional. Esta então tem um particular gosto pois foi obtida por alguém que, não tendo nascido em Portugal, nutre por este país à beira mar plantado, uma gratidão imensa. Já o ouvi falar de PORTUGAL de maneira mais sentida do que muitos portugueses.
Gostaria de lembrar que chegou a Portugal com 16 anos e não lhe restou outra alternativa que não trabalhar nas obras até, que alguém, vendo o seu potencial, o levou para o Belenenses, depois de ter sido recusado pelo Sporting e pelo Benfica.
Agora é aquilo que se sabe, alguém que, embora ganhe grandes competições internacionais, com a sua imensa humildade nos ensina todos os dias como é bom ser português e aprender a ter orgulho por vivermos neste país, que já deu novos mundos ao mundo.
Uma última referência para a excelente medalha de bronze de João Vieira nos 20 Km marcha.
Embora goste muito de futebol, o desporto português vai, por enquanto, muito para além desse desporto, pelo menos enquanto os nossos governantes não deitarem o resto abaixo.
Por falar nisso, não deixa de ter piada que, sendo as Escolas Particulares e Cooperativas que dominam a maioria das competições escolares, onde muitos campeões são decobertos, se comece a falar, pelo menos na Região Centro, que vão deixar de ter o Desporto Escolar pago. Aqui está uma maneira de obrigar algumas escolas estatais a serem campeãs... na secretaria, ou por falta de comparência das outras.
Haja bom senso e, já agora, vejam lá se analisam as estatísticas do Desporto Escolar para ver onde é que o dinheiro é bem empregue.
Onde é que andam os senhores dos sindicatos, quando algumas dezenas de professores de Educação Física (ou serão centenas) correm o risco de ficarem desempregados? Já alguém os ouviu?
Ah! Já me esquecia que para alguns há professores de primeira e professores de segunda.
Fotgrafia retirada do site: http://www.marca.es/

Valença - I

Eis-nos chegados a Valença, junto ao rio Minho, terra de São Teotónio, primeiro santo português e que já encontrámos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, do qual foi fundador.
O município de Valença, com uma área de 117,1 km2, 14 284 habitantes, 16 freguesias, é um dos 10 municípios do distrito de Viana do Castelo, tendo o feriado municipal no dia 18 de Fevereiro.
Recebeu foral de D. Sancho I, sendo então designada de Contrasta, tendo mudado para o actual nome em 1262. Por vezes é também designada por Valença do Minho.
Duas coisas chamam a atenção de quem chega a Valença: a Fortaleza que rodeia toda a vila antiga e o comércio que, por todo o lado, especialmente na parte velha da vila, atrai espanhóis, e não só, vindos de todas as partes do país vizinho.
Há quem diga que Valença é o maior centro comercial português a céu aberto.
Para comprar, visitar os seus monumentos, dar uma simples volta ou apreciar a paisagem - o rio Minho e Tui ali tão perto -, qualquer motivo é válido para passar umas horas em Valença e saborear o que esta vila tem para nos oferecer.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Ponte de Lima - IX


Perto da Capela do Anjo da Guarda fica o Museu Rural de Ponte de Lima, dotado com quatro espaços de exposições, localizado no Parque Temático do Arnado.
Os espaços a visitar são: a Tulha com exposição sobre o Linho e exposições temporárias de pintura, a cozinha com forno e lareira, a Adega com lagar e tonéis e outros utensílios relativos ao vinho e o celeiro com exposição de alfaias agrícolas, sobretudo ligadas ao milho.
Este museu foi inaugurado em 4 de Março de 2001.
Também muito interessante é o conjunto de jardins que se pode visitar no exterior do museu, onde se pode ver um de Jardim Romano, outro Renascentista, um Labirinto, latadas, uma estufa, etc.
Um espaço muito bem cuidado numa Vila que pretende ser a vila Jardim de Portugal e que para isso leva a efeito um curioso Festival Internacional de Jardins. http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/
Eis mais um motivo para visitar Ponte de Lima.
Já agora, com este calor porque não um mergulho na Praia Fluvial do Lima.
Amanhã partiremos para Valença.

Ponte de Lima - VIII

Junto aos Jardins Temáticos e ao Museu Rural fica a capela do Anjo da Guarda de estilo românico-gótico, edificada na parte final do século XIII, tendo sido alvo de uma reconstrução no século XVIII, agora ao estilo barroco típico dessa época. Esta reconstrução deveu-se à parcial destruição causada pelas cheias do rio Lima. Reforçaram-se, então, os pilares colocando-lhe ainda uma imagem de São Miguel.
A sua localização, na margem direita do Lima, e a sua configuração rectangular e aberta, sempre contribuíram para que funcionasse como lugar de culto a quem passava (e muitos faziam-no a caminho de Santiago de Compostela).

sábado, 5 de agosto de 2006

Ponte de Lima - VII

Já aqui falámos no facto de as fortificações da vila terem sido feitas no tempo de D. Pedro I, assim como parte das obras da ponte.
A prova pode ser encontrada na margem direita do rio Lima.
Eis a transcriação:
"Reina o mui nobre rei Dom Pedro na era de mil treaentos noventa e sete anos (1359 d.C.) mandou cercar esta vila e fazer estas torres por Álvaro Pais que era seu corregedor e começaram afundar aos 6 dias de Julho."

Ponte de Lima - VI

A Igreja Matriz de Ponte de Lima situa-se na zona antiga da margem esquerda do rio Lima.
Foi edificada pelos moradores com a autorização de D. João I, sendo a sua conclusão, provavelmente, de 1446.
Os vários arranjos ao longo dos séculos, visando o seu restauro ou a sua ampliação, levaram a que apresente uma sobreposição de vários estilos, sendo o exemplo mais flagrante a rosácea revivalista típica do início do século XX.
Vale bem uma visita.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Ponte de Lima - V

O símbolo, por excelência, de Ponte de Lima e que, aliás, lhe dá o nome é, sem sombra de dúvidas a ponte que atravessa o rio Lima.
É imprescindível para quem visita Ponte de Lima, passar a ponte e ver a vila a partir da outra margem que, aliás, também tem alguns pontos de interesse para visitar.
A ponte é formada por dois troços diferentes, um romano e outro medieval.
A construção da Ponte Romana data, provavelmente, do século I, visto por ele passar a via cuja construção teve início no tempo do Imperador Augusto.
A Ponte Medieval, de característica góticas, foi, provavelmente, concluída em 1370, integrando-se nas obras de fortificação da Vila, mandadas fazer pelo rei D. Pedro I, datando o calcetamento e a colocação de merlões de 1504, no reinado de D. Manuel I.
Originalmente era flanqueada por duas torres que foram demolidas por causa do tráfego, bem como grande parte do sistema defensivo da Vila.
A ponte Romana, de configuração muito simples, tem um tabuleiro rampante assente sobre sete arcos de volta inteira, não sendo todos visíveis. A ponte Gótica é formada por dezassete arcos quebrados, estando dois soterrados. Um outro foi destruído aquando das invasões francesas, para melhor defesa da Vila.
No centro desta ponte passava a divisão das dioceses de Braga e Tui.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Ponte de Lima - IV

O rio Lima e a ponte que o atravessa são das imagens mais marcantes de Ponte de Lima.

A ponte é bastante antiga pois foi construída nos tempos de domínio romano da Península Ibéria.
Quando os soldados romanos se dirigiam para norte na Península, durante a sua conquista, algo de curioso aconteceu nas margens deste rio.
Comandadas por Decius Junius Brutus, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima, no ano 135 a. C. .
A beleza do lugar fê-las julgarem-se perante o lendário rio Letes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse. Por isso os soldados romanos negaram-se a atravessá-lo.
Então, empunhando o estandarte das águias de Roma, o comandante atravessou o rio e, já na outra margem, chamou cada soldado pelo seu nome.
Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento.
O painel de azulejos, existente junto às margens do Lima, evoca esse episódio.

domingo, 30 de julho de 2006

Ponte de Lima - III

Ainda a propósito do Restaurante Fonte da Vila aqui fica uma fotografia da sobremesa que tivemos oportunidade de comer: o famoso Pudim Abade de Priscos.
Para o caso de não poderem ir a Ponte de Lima brevemente, e para que ninguèm fique "augado", como dizia a minha avó, partilho convosco a receita do referido pudim.
Ingredientes:
15 gemas de ovos;
500 g açúcar;
1/2 Lt água;
50 g toucinho de presunto;
1 cálice vinho do Porto;
caramelo líquido;
canela em pau;
casca de limão.
Preparação:
Parta o toucinho em lascas muito finas.
Leve a água ao lume com o açúcar, o toucinho, a casca de limão e o pau de canela. Deixe ferver até fazer ponto de fio.
Passe depois a calda por um passador.
Entretanto bata as gemas muito bem, junte o Vinho do Porto, continuando a bater e misture na calda.
Coloque tudo numa forma caramelizada, tape bem e coza em banho-maria, em forno quente, durante mais ou menos 40 minutos.
Bem, depois é só comer e, já agora, bom proveito

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Ponte de Lima - II

Chegados a Ponte de Lima à hora de almoço, a primeira coisa a fazer é procurar poiso para comer.
Por sorte fomos parar ao restaurante Fonte da Vila, onde pudemos retemperar forças para, de tarde, percorrermos a Vila. E que surpresa nos estava guardada.
A sala com as paredes em pedra típicas de uma casa antiga, o serviço simpático e a comida simplesmente divinal, desde as entradas (polvo, cogumelos, camarões, melão com presunto, orelheira, etc, etc) até à comida propiamente dita.
Pena não haver Arroz de Serrabulho, pois não estamos em época para tal, mas a Posta de Novilho, rosada, estava no ponto, acompanhada por couves, batata a murro e arroz de forno comeu-se toda e deixou vontade de voltar.
De sobremesa comeu-se um Pudim Abade de Priscos, de que amanhã daremos conta e receita.
Tudo isto acompanhado por um verde branco de Ponte de Lima, bem fresco.
No final, a conta foi, também, uma agradável surpresa.
Recomenda-se vivamente.
Esta casa fica na Rua Fonte da Vila, junto à Câmara Municipal, mesmo em frente ao Pelourinho que, noutros tempos, era o símbolo da justiça municipal.
Bom apetite

quinta-feira, 27 de julho de 2006

O Nome das Coisas - XVI (Ponte de Lima)

Saídos de Ponte da Barca, tomámos a estrada para Ponte de Lima, observando, pelo caminho, algumas belas casas senhoriais e também outras conhecidas como "casas dos brasileiros", muitos comuns nesta zona, devido à vaga de emigração ocorrida no século XIX. De todos os que partiam para o Brasil, alguns, poucos, voltavam ricos e faziam notar a sua presença com a construção de casas que se destacavam pela sua beleza, imponência e, quase sempre, por uma ou mais palmeiras nos jardins.

Cerca de 25 minutos depois, eis-nos em PONTE DE LIMA, município com uma área de 320,3 km2, cerca 44 609 habitantes e 51 freguesias, cujo feriado municipal se celebra em 20 de Setembro.
Uma via romana servindo um dos trajectos mais utilzados na Idade Média entre Portugal e a Galiza atravessava o Rio Lima nesta vila. Ponte do Lima era um ponto fulcral no eixo viário Norte-Sul e, por isso, cedo foi repovoada depois de reconquistada.
Recebeu foral em 1125 por D.Teresa.
A vila foi crescendo até que, em 1359, por iniciativa de D.Pedro se constrói a muralha com as suas nove torres, e seis portas.
É nesta vila, uma das mais bonitas de Portugal, que nos vamos deter nos próximos posts.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

O Nome das Coisas - XV (Ponte da Barca)

Iniciada a viagem para Norte a partir do Porto, escolheu-se como primeiro ponto de paragem a Vila de Ponte da Barca.

Ponte da Barca, em pleno coração do Alto Minho, deve o seu topónimo à "barca" que fazia a ligação entre as duas margens, e é a "ponte" construída em meados do séc. XV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).
As localidades que surgiram em locais onde havia barcas de passagem ou pontes que uniam as duas margens dos rios são comuns em Portugal (Ponte de Lima, onde iremos a seguir, e Barca de Alva, no Douro são disso exemplo).
O topónimo Ponte da Barca aparece pela primeira vez nas "inquirições" de 1220, sendo antes conhecida pelo nome de Terra da Nóbrega (ou Anóbrega). Mas já em 1050 se mencionaria um ponto de passagem da "Barca" no cruzamento da via dos peregrinos que, de Braga, demandavam a Santiago ou que, da Ribeira Lima, se dirigiam a Orense, pelo Lindoso.
Hoje é vila sede de concelho, cujo foral, concedido por D.Manuel, remonta a 1513.
Nesta bela vila come-se, em seu tempo, um excelente Arroz de Serrabulho acompanhado dos inevitáveis Rojões. Para acompanhar nada melhor que um verde tinto, de preferência, bebido por uma malga.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Porto VII

Antes de largar o Porto a caminho do Minho e da Galiza, gostaria de vos deixar mais duas sugestões para uma ida ao Porto.
A primeira é, como não podia deixar de ser, a Ribeira e o ambiente que aí se vive, embora se começe a ter cada vez mais estrangeiros, diluindo-se aquele ambiente típico que só aí se encontra. Também uma referência para a zona ribeirinha de Gaia de onde se tem uma perspectiva fantástica do Porto, dos barcos rabelos (na foto) e se pode visitar uma das muitas caves. Eu sugiro as da Ferreirinha pelas caves em si e pela personagem, a Ferreirinha ou D. Antónia que, no século XIX, se impôs num mundo de homens, colocando de pé uma das maiores casas de vinhos do Duro.
Ainda uma última sugestão antes de rumar a norte: a melhor francesinha que já comi, pode ser provada num pequeno restaurante da Senhora da Boa Hora, que fica num bairro camarário de cor amarela (é so seguir, cerca de 800 metros, a estrada que passa junto ao parque de estacionamento do Norte Shopping). A casa chama-se Paquete e, apesar de parecer um vulgar snack-bar, garanto-vos que as francesinhas são divinais e em conta.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Porto - VI (Muralha Fernandina)

A Muralha Fernandina deveria chamar-se antes Muralha Afonsina, pois foi o rei D. Afonso IV e não D. Fernando que a mandou construir.
Esta muralha veio substituir a antiga cerca alto-medieval, que, no século XIV, já se mostrava demasiado pequena face ao desenvolvimento da cidade.. Atento a esta situação, o Rei D. Afonso IV mandou, em 1336, construir de uma nova muralha. Esta, porém, só ficou pronta em 1376, no reinado de D. Fernando, acabando por ficar conhecida como Muralha Fernandina.
A nova muralha tinha uma extensão de, aproximadamente, 3 Km passos e 9 metros de altura. Era guarnecida de ameias e reforçada por numerosos cubelos e torres quadradas, que excediam em cerca de 3 metros a muralha, com excepção das torres que defendiam as Portas de Cimo de Vila e do Olival, que subiam 10 metros acima desse nível.
Hoje é possível ver apenas algumas partes dessa muralha (perto da Sé e da Ponte D. Luís), que também acabou por se revelar pequena para fazer face ao crescimento da cidade.
Fotografia retirada do site: www.aeportugal.pt/.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Porto - V (Casa Serrão)

Hoje voltamos aos sabores que também fazem parte da nossa História.
Continuando pelo Norte, proponho-vos uma ida a Matosinhos.
Ir até esta cidade e não comer peixe seria como ir a Roma e não ver o Papa. De referir são as casas que se dedicam ao peixe grelhado na brasa, com destaque para a sardinha.
Neste caso torna-se inevitável falar na Casa Serrão, propriedade do conhecido ex-guarda redes do Leixões, João Serrão, que fica na Rua Heróis de França. Depois de um primeiro estabelecimento, na mesma rua, a Casa Serrão está hoje num local bem mais aprazível. O espaço caracteriza-se pelo bom gosto e pela qualidade, especialmente do peixe.
A especialidade, como não podia deixar de ser, é a sardinha assada. Mas qualquer que seja o peixe que o cliente deseje, vai encontrar na Casa Serrão.
A casa tem já um nome de respeito entre os estabelecimentos de restauração, essencialmente pela sua boa sardinha assada, que eu me atreveria mesmo a considerar a melhor que alguma vez comi, já para não falar nas batatas cozidas com a pele, que vêm acompanhadas de uma molho à base de azeite que são, simplesmente, divinais.
Muitos dos clientes da “Casa Serrão” são habituais que, depois de uma primeira experiência (como eu), ficaram agradados e voltaram uma e outra vez.
A D. Fátima, a esposa do Sr. Serrão (responsável pelos grelhados), é muito simpática e mantém a tradição engraçada (que já vinha do antigo restaurante, carinhosamente apelidado por ela: " a minha tasquinha") de fazer a conta na toalha da mesa e de colocar as sobremesas da casa nos píncaros, "Tenho aqui uma tarte que é feita por uma doutora. Olhe que é uma delícia.". E realmente era!
Depois da visita ao Castelo de S. Francisco de Xavier do Queijo, bom apetite.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Porto - IV (Castelo do Queijo)

O Castelo de S. Francisco de Xavier do Queijo é um pequeno forte costeiro de forma maciça, com a entrada rasgada em arco e rematada pelo escudo de armas de Portugal. Em tempos foi rodeado por um fosso e tinha um portão levadiço.
Segundo a tradição, no sítio onde foi edificado havia uma enorme pedra de forma arredondada, semelhante a um queijo. Por ter sido construído sobre tal rochedo, adveio-lhe o nome porque é popularmente conhecido – Castelo do Queijo.
A sua construção data da Guerra da Restauração (1661-1662), daí não ser de admirar que no interior encontremos um imagem de Nossa Senhora da Conceição, que D. João IV tornou Padroeira de Portugal, bem como uma de S. Francisco de Xavier, seu patrono.
O forte desempenhou papel de relevo na Guerra Civil entre liberais e absolutistas (século XIX), tendo sido bombardeado pelos primeiros.
Actualmente está à guarda da Associação de Comandos e pode ser visitado, tendo, no seu interior, uma exposição alusiva a esse corpo de tropas de elite, bem como um simpático bar e uma esplanada.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Porto - III (Tragédia da Ponte das Barcas)

Um dos sítios que mais me impressiona no Porto é as "alminhas" existentes na Ribeira, em homenagem a todos os que faleceram (cerca de 4000) no desastre da Ponte das Barcas e onde, ainda hoje, continuam a arder velas, em número muito apreciável, pelas almas dos que aí perderam a vida.
Em 1806 foi inaugurada a chamada ponte das Ponte das Barcas, sobre o Douro. O seu nome deve-se ao facto de ser composta por 20 barcas justapostas de lado a lado, ancoradas ao fundo do rio, sobre as quais corria um estrado que permitia a passagem de pessoas e carros.
Decorria o mês de Março de 1809, quando a cidade invicta foi invadida pelas tropas francesas sob o comando do General Soult. O exército português, pouco numeroso, e a população não resistiram às tropas francesas. Sem outra solução, colocaram-se em fuga para Vila Nova de Gaia. Porém, a 29 de Março de 1809 dá-se o célebre desastre da Ponte das Barcas. Durante a fuga desesperada de milhares de portuenses, a ponte não resistiu ao excesso de peso, provocando a morte de quatro mil pessoas.
A Ponte das Barcas foi, posteriormente, substituída em 1843 pela Ponte Pênsil, da qual ainda subsistem vestígios na Ribeira, ao lado da ponte D. Luís.

Porto - II (Obelisco da Praia da Memória)

Este obelisco fica na Praia Memória, no concelho de Matosinhos, e homenageia as tropas liberais de D. Pedro IV (os tais das Hidranjas - ver blogues de Maio) que aqui desembarcaram, em 1832.
Tinha assim início a Guerra Civil entre liberais, liderados por D. Pedro e absolutistas liderados por D. Miguel (irmão do primeiro), que terminou em 1834, com a vitória dos liberais, tendo o trono sido entregue a D. Maria (filha de D. Pedro IV).

domingo, 16 de julho de 2006

O Porto I - (Os Tripeiros)

Faz hoje dois meses que este blogue viu a luz do dia, ou melhor dizendo do ciber-espaço. Mil e cem visitas depois, decidi sair, por uns tempos, da cidade de Coimbra. A opção recaiu sobre a Mui Nobre, Leal e Invicta Cidade do Porto.
Motivos não faltam para visitar a segunda maior cidade de Portugal, aquela que é considera a capital do Norte do País. Classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1996 e Capital Europeia da Cultura em 2001, a cidade do Porto tem uma enorme riqueza histórica que vale a pena conhecer.
Perde-se nos tempos o povoamento do território a que corresponde hoje a cidade do Porto. Existem alguns vestígios pré-históricos da presença do Homem do Paleolítico no espaço da cidade, mas é com o Foral do bispo francês D. Hugo que nasce a cidade do Porto, antes mesmo do país que a ela foi buscar o seu nome.
Na verdade, Portugal não poderá esquecer a colaboração do povo portuense em importantes períodos da História Nacional.
Em 1414, D. João I resolve preparar a expedição a Ceuta, com que se iniciará a epopeia dos descobrimentos. Nomeia, para esse efeito, o infante D. Henrique, que, na altura, contava apenas 20 anos. Este dirige-se ao Porto, sua cidade natal, pois aí tinha nascido, na Ribeira, em 4 de Março de 1434, para organizar a frota.
A população do Porto mobilizou-se, tendo aderido em massa à iniciativa. Daqui advirá a alcunha de Tripeiros dos habitantes do Porto, uma vez que estes teriam oferecido toda a carne que tinham para a armada e reservado para si apenas as tripas. Facto semelhante já tinha ocorrido 30 anos antes, aquando das guerras com Castela. Em Junho de 1415, o Infante mandou terminar os trabalhos. A expedição estava preparada e o Infante pronto para partir para aquela que seria uma das maiores aventuras da humanidade: os Descobrimentos
O século XIX fica, também, indelevelmente marcado na história da cidade do Porto por mais uma demonstração de carácter dos portuenses. Apesar de ver a sua cidade invadida e saqueada, o povo do Porto resistiu e rechaçou a 2ª invasão francesa, não sem antes ter sofrido grandes baixas com o episódio da Ponte das Barcas. Entre 1832 e 1833 os portuenses voltaram a resistir estoicamente ao cerco da cidade pelas tropas absolutistas de D. Miguel.
O Porto tornou-se assim, ao longo da sua história, uma cidade emblemática na luta e defesa da liberdade e promoção do valor do trabalho.
Por todos estes motivos não é de admirar que das das armas da cidade faça parte a imagem da Nossa Senhora, daí que o Porto seja a "cidade da Virgem", tendo ainda os epítetos de «Leal Cidade» (como lhe chama Camões) e «Cidade Invicta» (por decreto de D. Maria II).