
Tinha pensado um dia destes fazer um post sobre o túmulo de D. Afonso Henriques.
Tive que precipitar a sua publicação, por motivos que, mais uma vez, nos envergonham como país.
Desde algum tempo a esta parte, a investigadora Eugénia Cunha da Universidade de Coimbra, estava a desenvolver um trabalho em Santa Cruz que consistia no estudo das relíquias dos santos e que, neste mosteiro, conforme já vimos, são mais de 5000.
Andando a Igreja em obras, a investigadora ia apoveitar para estudar os restos mortais de D. Afonso Henriques e, provavelmenete, de sua esposa, D. Mafalda, que talvez também se encontre ali sepultada.
Conseguidas as autorizações necessárias da Diocese e da Direcção Regional do Ippar eis, senão quando, a notícia foi conhecida em Lisboa, no Ippar.
Alguém, cioso das prerrogativas, toca de mandar parar tal investigação, pois não havia autorização de Lisboa, a Ministra não sabia, etc, etc, etc.
Até se vai mandar instaurar um inquérito para saber quem foi o (ir)responsável que deu autorização, aqui em Coimbra.
Mal vai o nosso país quando um assunto destes tem de ser autorizado pela Ministra; quando, na época do Choque Tecnológico, não houve um simples telefone para contactar com as "autoridades máximas" que estão em Lisboa, ou será que houve e ninguém ligou; quando continuamos a ser tratados, na "província", como incapazes de decidir algo, sem a autotrização de Lisboa; quando, por vezes, ao fim de meses sem responder a um simples ofício, alguém se lembra que tem poder e, só então, o exerce, prometendo sempre explicações para mais tarde.
Estavam com medo de quê? Que alguém levasse ossos para casa? Que estragassem o túmulo?
Já não se lembram de todo o património que está a cair sem que ninguém faça algo? O Estado não faz por incúria ou falta de meios, os privados, ou a Igreja, neste caso, nada podem fazer sem uma série de autorizações dos primeiros. Faz-me lembrar aquele ditado "Nem comem, nem deixam comer"
Realmente, num país com estas mentalidades, não há Choque Tecnológico que resista, nem Simplex que não passe de propaganda.
Espero, porque ainda quero acreditar neste país, que haja uma justificação suficientemente forte e válida para explicar este imbróglio, sob pena de cairmos no ridículo.
Haja paciência.