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sábado, 18 de novembro de 2006

Quinta da Regaleira

A Torre da Regaleira
Foi construída para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.

O Palácio

Edifício principal da quinta, marcado pela presença de uma torre octogonal, é o resultado da concretização dos sonhos mítico-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
Talvez por ser obra deste arquitecto as semelhanças com o Hotel do Bussaco.
Toda a exuberante decoração, esteve a cargo do escultor José da Fonseca.

Capela da Santíssima Trindade
Uma magnífica fachada que aposta no revivalismo gótico e manuelino.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Quinta da Regaleira - O Bosque



O bosque ou mata que ocupa a maioria do espaço da Quinta da Regaleira não está disposto ao acaso. Começando de maneira mais ordenada e cuidada na parte mais baixa da quinta, vai ficando, progressivamente, mais selvagem até chegar ao topo.
Este disposição reflecte a crença no primitivismo de Carvalho Monteiro, o famoso Monteiro dos Milhões.
Eis mais um bom motivo para visitar a Regaleira (Ao contrário do que possam pensar, não recebo qualquer verba da Câmara Municipal de Sintra para publicitar o local!) e, porque não, comer um Travesseiro da Piriquita.

sábado, 21 de outubro de 2006

Sintra VI - (Regaleira - Poço Iniciático)




Depois de uma ida a Braga para participar num Congresso de Pedagogia, eis-me regressado, ainda sem computador, mas com vontade de continuar a escrever algo.
Vamos continura na Quinta da Regaleira. Desta vez proponho-vos um passeio por um dos sítios mais emblemáticos da Quinta, o Poço Iniciático, uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se descem nove patamares até ao fundo do poço.
Os nove patamares circulares do poço, separados por 15 degraus cada um, invocam referências à Divina Comédia de Dante e podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso, ou do purgatório. Segundo os conceituados ocultistas Albert Pike, René Guénon e Manly Palmer Hall é na obra "A Divina Comédia" que se encontra pela primeira vez exposta a Ordem Rosacruz. No fundo do poço está embutido em mármore, uma rosa-dos-ventos (estrela de oito pontas: 4 maiores ou cardeais, 4 menores ou colaterais) sobre uma cruz templária, que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-cruz.
O Poço diz-se Iniciático porque acredita-se que que era usado em rituais de iniciação à maçonaria e a explicação do simbolismo dos mesmos nove graus diz-se que poderá ser encontrado na obra Conceito Rosacruz do Cosmos.
A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento.
O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta, a entrada dos guardiães, ao lago da cascata e ao poço imperfeito. Estes túneis, outrora habitados por morcegos afastados pelos muitos turistas que visitam o local, estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a sugestão de um mundo submerso.
Até um dia destes e façam o favor de ser felizes!...

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Sintra V (A Quinta da Regaleira)



Afinal ainda consigo postar alguma coisa. Utlizando outro computador e tendo deixado alguns rascunhos no servidor, aqui está mais uma pequena contribuição para a divulgação de Sintra.
Hoje resolvi escrever algo sobre a Regaleira, não para fazer concorrência ao blogue do meu amigo Carlos Moura (http://clubedearqueologia.blogspot.com/), mas porque já deu para ver que a Sintra antiga me encanta.
A Quinta da Regaleira visitei-a pela primeira vez Agosto passado e fiquei encantado. Aqui ficam então alguns apontamentos sobre esse pedaço de paraíso. Uma chamada de atenção: as fotografias não são minhas, pois essas estão no meu computador.
Começemos então:
No princípio do século XX, Sintra era um conhecido lugar de veraneio ou de residência de aristocratas e de milionários.
De entre estes, Carvalho Monteiro detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir, perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete cuja arquitectura neo-manuelina representa um marco na história do revivalismo português.
Descobri, no outro dia, no blogue do Clube de Arqueologia atrás citado, que a sigla CM existente por todo o edifício, significa Carvalho Monteiro e não como alguém desconfiava, Carlos Moura, embora esta seja quase a sua casa tantas vezes lá vai com o Clube. Ou será por culpa dos Travesseiros?
Voltando à Quinta, esta fica situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO e é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios de Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mítico-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.
A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios.
Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descer à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Sintra IV - (O Paço Real)





Vou iniciar este post com um pedido de desculpas, uma vez que vou passar a estar um pouco mais ausente porque o tabalho aperta e, para cúmulo, o meu portátil avariou. O pior de tudo é que muito do meu trabalho aí está guardado, para além de quase todas as fotos tiradas durante os passeios e textos já escritos. Parece-me que o "internamento" vai durar, no mínimo um mês. Esperemos que a máquina recupere

Voltando ao assunto principal, retornemos à Vila Antiga de Sintra onde iremos visitar o Palácio Real".

O Paço Real de Sintra, classificado como monumento nacional foi construído pelos árabes, e manteve-se sem ter muita importância até ao princípio da dinastia de Avis, séc. XV, quando, com D. João I, se torna num paço real de veraneio. Só no reinado de D. Manuel, no século XVI, em plena Renascença, foi a fortaleza medieval transformada em palácio. Após as remodelações, dá-se conta de existirem: 27 aposentos dedicados a quartos, câmaras, ante-câmaras e salas com funções várias (escrivães, tesouraria, secretaria, etc.), espaços reservados a funções religiosas. Com as janelas ampliadas, o rei criou os aposentos do príncipe (1517) e a Sala dos Brasões, (1508) enchendo-o de elementos neo-árabes que atraíam toda a Corte. Inicia-se então uma época áurea para o Palácio da Vila, que se prolongou ainda com D. João III.

Neste palácio esteve também "preso", no século XVII, o rei D. Afonso VI, contando-se que o chão gasto de um dos aposentos, se deve ao facto de o rei arrastar uma perna, o que o levou a desgastar o piso de tijoleira.

Em consequência do terramoto de 1755, o edifício sofreu algumas transformações no séc. XIX. Mesmo assim, é dos poucos Paços que sobreviveram à passagem do tempo, sendo vulgarmente conhecido por Palácio da Vila.

A sua silhueta é claramente marcada pela existência de duas enormes chaminés em forma de cone.

Antes ou depois já sabem que podem passar pela Piriquita que dista cerca de 100 metros do Palácio.


sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Sintra III (Castelo dos Mouros)




Com tanto para ver em Sintra, havia que começar por algum lado depois de termos reconfortado o estômago com os famosos Travesseiros da Piriquita.
A escolha recaiu no Castelo de Sintra, também conhecido como Castelo dos Mouros que foi erguido sobre um maciço rochoso, num dos cumes da serra de Sintra. Das suas muralhas alcança-se uma vista privilegiada de toda o meio rural que o envolve e se estende até ao oceano Atlântico.
O Castelo dos Mouros e a cisterna encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.
O castelo apresenta ema planta orgânica (adaptada ao terreno) com cerca de 450 metros de perímetro e 12.000 m² de área.
A muralha apresenta cinco torres: quatro de planta rectangular e uma de planta circular encimadas por merlões piramidais, não havendo já vestígios dos dois pisos e do sistema de cobertura primitivos.
A torre na cota mais elevada do terreno, conhecida também por Torre Real, é acedida através de uma escadaria de 500 degraus e consta que lá terá vivido Bernardim Ribeiro, escritor português do século XVI.
No interior do castelo, próximo ao Portão de Armas, ergue-se uma igreja devotada a São Pedro (São Pedro de Penaferrim), que remonta à época de D. Afonso Henriques.
O caminho até ao Castelo é outra das atracções de Sintra pois todo ele é de cortar a respiração, tal a beleza das paisagens.
Relacionada com a conquista do Castelo, em 1147 (ano da conquista de Santarém e Lisboa) está a lenda de Melides, que reza assim:
“Após a conquista de Santarém, o rei D. Afonso Henriques impôs um cerco a Lisboa, com a ajuda de cruzados do Norte da Europa que por aqui passavam a caminho da Terra Santa, cerco esse que se estendeu por três meses. Embora o Castelo de Sintra se tenha entregue voluntariamente após a queda de Lisboa, reza a lenda que, nessa ocasião, receoso de um ataque de surpresa às suas forças, por parte dos mouros de Sintra, o soberano encarregou D. Gil, um cavaleiro templário, que formasse um grupo com vinte homens da mais estrita confiança, para secretamente ali irem observar o movimento inimigo, prevenindo-se ao mesmo tempo de um deslocamento dos mouros de Lisboa, via Cascais até Sintra.
Os cruzados colocaram-se a caminho em segredo. Para evitar serem avistados, viajaram de noite, ocultando-se de dia, pelo caminho de Torres Vedras até Santa Cruz, pela costa até Colares, tentando evitar Albernoz, um temido chefe mouro de Colares, terra de bons vinhos que ele, muçulmano, por motivos religiosos não podia beber.
Entre Colares e o Penedo, Nossa Senhora apareceu aos receosos cavaleiros e lhes disse: "Não tenhais medo porque ides vinte mas ides mil, mil ides porque ides vinte."
Desse modo, cheios de coragem porque a Senhora estava com eles, ao final de cinco dias de percurso confrontaram o inimigo, derrotando-o e conquistando o Castelo dos Mouros.
Em homenagem a este feito foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides ("mil ides").

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Sintra II - (Os travessiros)

Travesseiros
Palácio Real
Quinta da Regaleira
Palácio Real
A história das pastelarias tem já muitos séculos. Inicialmente chamavam-se “confeitarias”, pois os “pasteleiros”, dizia uma regra de 1762, são os que podem “guizar e assar carnes e peixes nas suas lojas por ser muito útil ao povo e ao bem comum, sem nenhum que possa fazer outra comida para vender ao povo.” Enfim, eram os que faziam os pastéis (que na altura eram só os salgados). Por seu lado, os confeiteiros faziam os bolos e vendiam o açúcar e eram muito críticos da concorrência que lhes faziam as vendedeiras ambulantes de doces, ou as tendas e mercearias que também vendiam açúcar.
Feita esta introdução é de uma pastelaria que hoje vamos falar: A Piriquita, em Sintra.
Uma visita a Sintra, seja qual for o motivo, não pode deixar de começar na chamada Vila Velha de Sintra, o seu centro histórico. Aqui há muito para ver, mas hoje quero destacar o local onde qualquer visita deve começar: a Piriquita, a chamada rua da Padaria, mesmo junto ao Palácio Nacional. Aqui encontramos os famosos Travesseiros de Sintra. Quem não começar ou terminar por aqui o dia de visita, não sabe, de certeza, o que perdeu.
Os Travesseiros de Sintra são deliciosos (de comer e chorar por mais!), principalmente quando estão quentinhos e acabadinhos de sair do forno, o que na Piriquita, acontece quase sempre. Os travesseiros são feitos de massa folhada, recheados com doce de ovos com amêndoa e polvilhados de açúcar…
Quem quiser tentar a receita pode encontrá-la em:
Bom apetite.

domingo, 1 de outubro de 2006

Sintra I - (As origens)

Vista do Palácio Real
Muralha do Castelo dos Mouros
O Palácio Real
Influências árabes
Um dos lugares onde não me canso de ir é a Sintra. Eis pois a proposta para este e quem sabe os próximos posts.
Em Sintra tudo vale a pena: os palácios, a vila antiga, a serra, os castelo, as praias, a mata, os travesseiros (estes não servem para pôr na cabeceira da cama, mas sim para comer, sobretudo se forem da Piriquita), etc, etc…
Eis, pois, Sintra, cuja mais antiga forma medieval conhecida, Suntria, mostra influências Indo-Europeias, podendo significar “astro luminoso”, “sol”.
Já na antiguidade clássica, Sintra aparece referida. Varrão e Columela designaram-na como Monte Sagrado e Ptolomeu registou-a como a Serra da Lua.
O geógrafo árabe Al-Bacr, no século X, caracterizou Sintra como «permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa».
«Terra de mui boõs ares e agoas e de Comarquas em que há grande avondança de mantimentos de mar e de terra, e por a nossa mui nobre e leal cidade de Lisboa ser tão acerqua, e avermos em ella açaz de folganças, e desenfadamentos de montes e caças (...)» - assim aparece descrita, em 1436, numa carta de privilégios aos moradores de Sintra, passada pelo rei D. Duarte (1433-38).
O cronista Damião de Góis, dá-nos conta que D. Manuel I, rei de 1495 a 1521, apreciava passar o Verão em Sintra pelo fresco do clima e abundância de caça.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII Sintra continua a ser referida pela sua beleza e abundância. O Padre Baião em Portugal Cuidadoso (1724) descreve-a assim: «Junto ao Palácio de Cintra havia um bosque tão espesso que ainda de dia mette medo a quem entre n'elle só. E D. Sebastião era d'isso tão izento que saía de noite a passear por elIe muytas vezes duas e tres horas».
Já no século XVIII, Lord Byron refere-se a ela como o “Glorioso Éden” e Richard Strauss viu, sem comparação com «a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, um verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, o castelo do Santo Graal».
Depois destas referências históricas, espero ter-vos criado o bichinho para largarem as pantufas e a televisão e verem, com os vossos próprios olhos, tanta beleza, numa zona tão pequena do território português.
Sintra vale a pena em qualquer época do ano. Acreditem