Coimbra - A Guerra da Carne
A Universidade deve a sua vinda para Coimbra em 1308, depois de ter sido fundada em Lisboa em 1290, ao facto de, em Coimbra, ficar uma das mais importantes escolas portuguesas, no Mosteiro de Santa Cruz que possuía, aliás, uma notável biblioteca.
Mas a estória que hoje vos quero contar envolveu Santa Cruz e a Sé Catedral.
Os monges do Mosteiro eram regrantes, isto é, seguiam uma regra, que lhes permitia eleger o seu prior. Isto sempre foi motivo de conflitos com o Bispo pois este queria mandar no Mosteiro que era um dos mais ricos do país. Os monges conseguiram no entanto ficar dependentes, directamente do Papa.
Um dia, o monge de Santa Cruz encarregue de comprar a carne para o Mosteiro dirigiu-se ao açougue (matador, talho) e, ao chegar lá, foi informado que não havia carne, pois esta havia sido toda comprada pelo Bispo de Coimbra.
O Prior de Santa Cruz não se deu por vencido e, no dia seguinte, mandou os seus homens assaltar a casa do Bispo e trazer para Santa Cruz, toda a carne que por lá encontrassem.
Assim foi feito, dando-se início a Guerra da Carne. Todas a população de Coimbra aderiu a um dos partidos em luta.
Houve lutas na rua e mortes, obrigando o rei D. João II a intervir, mandando as suas forças ocupar a cidade para restabelecer a calma.
Eis como, por um motivo sem grande importância, Coimbra se viu envolvida, no século XV, num autêntico ambiente de Guerra Civil.








Quero começar por pedir desculpa por recuperar, em parte, alguns dos primeiros posts que escrevi. Posso dar-vos duas justificações: a primeira é que continuo sem o meu computador e, portanto, sem acesso às fotos e aos textos que tinha alinhavados (espero bem que não me formatem o disco!). O segundo motivo deve-se ao facto de que quando escrevi alguns destes textos, o blogue estar ainda na clandestinidade. 






