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sexta-feira, 8 de junho de 2007

Coimbra - A Guerra da Carne

UNIVERSIDADE DE COIMBRA
PÁTEO DAS ESCOLAS NO INÍCIO DO SECULO XX
SÉ VELHA DE COIMBRA
IGREJA DO MOSTEIRO DE SANTA CRUZ DE COIMBRA
Depois de 3 posts em que abordei outros assuntos, volto hoje a Coimbra, para vos dar conta de um estória bem curiosa: a Guerra da Carne.
Em Coimbra, em tempos idos, havia três importantes centros de poder: O Mosteiro de Santa Cruz, a Universidade e a Sé Catedral.
A Universidade deve a sua vinda para Coimbra em 1308, depois de ter sido fundada em Lisboa em 1290, ao facto de, em Coimbra, ficar uma das mais importantes escolas portuguesas, no Mosteiro de Santa Cruz que possuía, aliás, uma notável biblioteca.
Mas a estória que hoje vos quero contar envolveu Santa Cruz e a Sé Catedral.
Os monges do Mosteiro eram regrantes, isto é, seguiam uma regra, que lhes permitia eleger o seu prior. Isto sempre foi motivo de conflitos com o Bispo pois este queria mandar no Mosteiro que era um dos mais ricos do país. Os monges conseguiram no entanto ficar dependentes, directamente do Papa.
Desta rivalidade surgiram alguns conflitos, sendo o mais famoso a chamada Guerra da Carne.
Um dia, o monge de Santa Cruz encarregue de comprar a carne para o Mosteiro dirigiu-se ao açougue (matador, talho) e, ao chegar lá, foi informado que não havia carne, pois esta havia sido toda comprada pelo Bispo de Coimbra.
O Prior de Santa Cruz não se deu por vencido e, no dia seguinte, mandou os seus homens assaltar a casa do Bispo e trazer para Santa Cruz, toda a carne que por lá encontrassem.
Assim foi feito, dando-se início a Guerra da Carne. Todas a população de Coimbra aderiu a um dos partidos em luta.
Houve lutas na rua e mortes, obrigando o rei D. João II a intervir, mandando as suas forças ocupar a cidade para restabelecer a calma.
Eis como, por um motivo sem grande importância, Coimbra se viu envolvida, no século XV, num autêntico ambiente de Guerra Civil.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Jardim da Manga

Continuando com a temática do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, vamos hoje falar do Jardim da Manga, assim chamado, segundo a tradição, pelo facto de D. João III, com certeza num dia de grande inspiração, o ter desenhado na manga do seu pelote.
Era, sem sombra de dúvidas, uma história bonita se tivesse algum fundamento.
Os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, conhecidos como Crúzios, chamavam-lhe simplesmente Fonte da Manga.
Este era um dos dois claustros do Mosteiro de Santa Cruz (o outro é o Claustro do Silêncio) e que hoje se encontra aberto para a via pública (Rua Olímpio Nicolau Farnandes).
A sua traça deve-se a João de Ruão, famoso escultor de origem francesa, como o próprio nome indica, e é uma representação da Fonte da Vida que é Cristo, aqui simbolicamente representado pela água que sai do templete central e alimenta oito tanques agrupados dois a dois.
Nas fotografias vê-se Jardim da Manga na actualidade (1ª) e no tempo em que ainda estava de pé a Torre Sineira de Santa Cruz (2ª fotografia).
Embora em regime de self-service o Restaurante do Jardim da Manga é uma boa opção para uma refeição.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Dia de S. Valentim

As comemoração do dia 14 como dia de S. Valentim e dos namorados tem várias explicações, umas de tradição cristã (enquanto isso for permitido por não ser considerado ofensivo para alguém!) e outras de tradição romana e pagã.
A Igreja Católica tem 3 santos com o nome de S. Valentim.
O que interessa para esta estória, terá vivido pelo século III, em Roma, tendo morrido como mártir no ano 270.
Segundo a lenda, S. Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do Imperador Cláudio II (que quer dizer coxo), que, por querer constituir um exército poderoso, proibiu o casamento aos jovens romanos, pois havia poucos a quererem alistar-se para se poderem casar.
Perante este facto Valentim ter-se-á revoltado e terá casado em segredo muitos jovens. Descoberto, acabou preso, torturado e dacapitado, no dia 14 de Fevererio de 270.
Mas, como quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, também esta lenda foi sendo aumentada com alguns pormenores.
Assim, S. Valentim, enquanto estava preso, seria visitado pela filha do seu carcereiro, com quem mantinha longas conversas e de quem se tornou amigo. No dia em que foi decapitado, ter-lhe-á deixado um bilhete com a inscrição "Do teu Valentim", dando assim início à tradição da troca de postais entre namorados.
Quanto à origem pagã da tradição, deve referir-se que, a 15 de Fevereiro, celebravam os romanos, o festival Lupecalla, coincidente, no calendário romano, com o início da Primavera.
Na véspera desse dia, as raparigas romanas colocavam um pedaço de tecido com o seu nome num recipiente. Os rapazes retiravam então um dos pedaços de pano, sendo que a rapariga aí identificada seria a sua namorada durante as celebrações, podendo o "namoro" prolongar-se por um ano.
Claro que, com a cristianização da sociedade romana, a Festa da Pimavera deu lugar às comemorações em honra de S. Valentim, como aconteceu, aliás, com muitas outras festas que foram cristianizadas.
Actualmente, numa sociedade cada vez mais consumista, à semelhança do que aconteceu com o Natal, também esta festa, até há poucos anos ignorada em Porugal, se está a transformar em mais um ocasião de negócio, onde o que interessa é consumir.

sábado, 11 de novembro de 2006

Um estória curiosa - O Brasão de Coimbra (continuação)


"Eis a prova do crime" .
Aqui está o Brasão da cidade de Coimbra que está colocado na parte de cima do edifício sede do município.
Como podemos observar a disposição do leão (simbolizando o rei Ataces) e do dragão (simbolizando o rei Hermenerico) estão invertidas relativamente à posição correcta.

Quando passarem pela Praça 8 de Maio (antigo Largo de Sansão), não deixem de dar uma espreitadela para verem este curioso pormenor, antes que, também aqui, a fúria de modernização chegue e este emblema seja substituído pela famosa circunferência interrompida, já aqui referida, que, segundo os seus "criadores", é uma forma estilizada de representação da serpente que, por vezes, aparece no lugar da dragão.
O meu caro amigo Jofre Alves, estudioso de Heráldica, colocou, nos comentários deste blogue, algo que contribui para o conhecimento da lenda deste Brasão:
"Como heraldista, gostei imenso deste artigo, pois muito se escreveu sobre este brasão e a génese da sua lenda é magnífica: Ataces, rei dos Alanos, rei suevo Hermenerico, princesa Cindazunda. A mais antiga representação heráldica conhecida e de 1270 (mais ou menos, pois estou a citar de cabeça), e representa uma donzela coroada e com um manto, tendo à volta um resplendor. Essa figuração foi mudando com frequência e nos séculos XIII / XIV apresentam a donzela coroada, ladeada por dois escudos com as quinas de Portugal, e por baixo uma cobra, uma taça e uma flor. A introdução do leão é tardia, talvez do século XVI. Há quem diga – mais lendas – que o brasão é uma alegoria à ninfa Monda, donde veio o nome do rio Mondego, a par da lendária donzela Colimena, filha do rei de Córdova, que encarcerada pelo bárbaro Monderigon, foi do triste cativeiro libertada por uma serpe e um leão."
Um abraço e seja sempre bem-vindo.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Uma estória curiosa


Com o computador quase pronto, estou a despedir-me da publicação Best off.... Entramos, portanto, nas três últimas republicações. Hoje resolvi voltar à questão do Brasão da minha cidade, Coimbra.
O Brasão da nossa cidade representa uma mulher jovem coroada, como que a sair de um cálice, tendo do lado direito um leão de ouro e do lado esquerdo um dragão verde (no original).
Quando se pergunta à maioria dos conimbricenses quem é a donzela representada, não anda longe dos 100% as repostas afirmando tratar-se da Rainha Santa Isabel, Padroeira da cidade de Coimbra. Tal, porém, não corresponde à verdade.
Segundo uma lenda contada por Frei Bernardo de Brito, o emblema da cidade teria a seguinte explicação:
O rei bárbaro dos Alanos, Ataces, que usava na bandeira um leão dourado, veio, com o seu exército, e destruiu a cidade de Conímbriga, governada por Hermenerico, rei dos Suevos, que tinha como emblema a serpente verde. Depois disso, resolveu construir uma nova cidade nas margens do Mondego, a actual Coimbra. Hermenerico decidiu vingar-se e veio dar luta a Ataces, mas foi novamente vencido e, para obter a paz, consentiu no casamento da sua filha, a Princesa Cindazunda, com o antigo inimigo, Ataces. A história acaba assim com um casamento feliz, tendo Ataces oferecido à cidade nascente o brasão que ainda hoje se mantém.
O Brasão apresenta então, no meio a Princesa Cindazunda, o cálice simboliza o casamento, o leão dourado, o rei Ataces e o dragão verde, o rei Hermenerico.

As actuais armas da Cidade de Coimbra estão definidas pela Portaria nº 6959, de 14 de Novembro de 1930, que diz textualmente:
"Tendo em vista o parecer da Secção Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e atendendo ao que representou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coimbra: manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que a constituição heráldica das armas daquele município seja a seguinte: "De vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro e lampassados de púrpura. Em chefe um busto de mulher, coroada de ouro, vestida de púrpura e com manto de prata, acompanhada por dois escudetes antigos das quinas. Colar da Torre e Espada. Bandeira com um metro quadrado, quarteada de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas. Lança e haste de ouro."

Duas curiosidades à laia de conclusão
1ª- Na fachada da Câmara Municipal de Coimbra é possível ver o brasão com a particularidade de este se encontrar invertido, o leão à esquerda e o dragão à direita. Talvez seja por ter sido esculpido em Lisboa.
2ª - Com um brasão tão bonito, para quê gastar tanto dinheiro para arranjar outro símbolo, para determinados serviços camarários, que, como sabemos, depois de estudos apurados e de muito dinheiro dos contribuintes gasto, resultou numa circunferência cortada, que hoje se vê por aí nos autocarros dos serviços municipalizados e em tudo o que é documento camarário.
Haja paciência que, pelos vistos, dinheiro não falta.

A imagem com o brasão foi retirada do site:

sábado, 4 de novembro de 2006

Quem escreveu "Os Lusíadas"?

Quem escreveu "Os Lusíadas"?
Hoje, para variar, e como nunca mais chega o meu computador para poder voltar às minhas história e sabores, resolvi postar aqui uma estória engraçada.

Então aqui vai:
Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu "Os Lusíadas"?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas não fui eu.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem tinha escrito "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não tinha sido ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já pelo irmão não punha as mãos no fogo...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da Guarda Nacional Republicana (GNR), diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não! Imagine que perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não tinha sido ele e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um "apertão", e vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora dirigiu-se para casa onde encontrou o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?- Ora, deixa-me cá. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas". Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Estórias curiosas - Os Jaquinzinhos

Jaquinzinhos fritos
Sesimbra

Todos nós já comemos caparaus pequeninos cozinhados das mais variadas maneiras. Os jaquinzinhos, nome pelo qual são conhecidos, são excelentes fritos, alimados ou de muitas outras formas.

Mas, porque carga de água se dá o nome de jaquinzinhos aos carapaus pequeninos?

Segundo parece a origem do nome está em Sesimbra, terra de pescadores. Certo dia regressava um pescador da faina quando lhe perguntaram o que tinha pescado. Ele respondeu afirmando que tinha apanhado apenas uns pelinzinhos (nome dado, em Sesimbra, aos carapaus jovens) tão pequeninos como o Ti Jaquinzinho (artesão naval muito conhecido em Sesimbra, entre outras coisas, por ser muito pequenino).
Tendo tido conhecimento da estória, a fadista Hermínia da Silva introduziu, na ementa da sua casa de fados em Lisboa, a designação de Jaquinzinhos que, pouco a pouco, foi sendo adoptada por outros restaurantes de Lisboa e depois pelo resto do país.

Aqui fica a receita de carapaus alimados ou jaquinzinhos alimados para os mais gulosos:

500 gr carapaus; 1 cebola média; dentes de alho q.b.; um ramo de salsa; azeite; vinagre e sal q.b..

Começa-se por amanhar o peixe tirando-lhe a cabeça e as tripas. De seguida, lavam-se bem e colocam-se em camadas intercaladas com sal, ficando assim cerca de 24 horas.
Passado este tempo, cozem-se (colocam-se apenas quando a água estiver a ferver) e depois passam-se por água fria para tirar restos de pele e espinhas.
Colocam-se então numa travessa, temperando-os com azeite, vinagre, colocando, por cima, as cabeças de alho cortadas, a cebola cortada e a salsa.
Este prato pode servir-se quente ou frio.
O acompanhamento deixo-o à vossa imaginação.

Façam o favor de experimentar e dizer alguma coisa.
Já agora, Sesimbra é um bom pretexto para uma escapadela.
Recomenda-se, para comer, peixe de todas as formas e feitios.
Bom apetite.

sábado, 28 de outubro de 2006

Uma estória curiosa

Hoje resolvi republicar um post que eu acho muito engraçado: a história da escova de dentes.
E para começar nada melhor que uma pergunta existencial:
Será que o Adão já usava escova de dentes?
É verdade que a Bíblia não refere esse assunto, no entanto sabemos que os Assírios lavavam os dentes com as mãos, com a ajuda dos dedos.
Os Egípcios utilizavam um caule de madeira de lentisco, desfiado, semelhante a um pequeno pincel.
Os Romanos também o faziam e inventaram um "dentífrico" à base de pedra moída, carvão de madeira e urina de criança. (Devia saber muito bem!...)
Na Idade Média usava-se, na maioria das vezes, a toalha que tinha sido posta na mesa para receber os convidados.
As primeiras escovas propriamente ditas apareceram no século XVIII. Falava-se delas como sendo objectos inúteis e, quem sabe, "perigosos".
Hoje, parece que algumas pessoas ainda vivem no século XVIII, fazendo com que os dentistas esfreguem as mãos de contentes.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Hidranjas

Quero começar por pedir desculpa por recuperar, em parte, alguns dos primeiros posts que escrevi. Posso dar-vos duas justificações: a primeira é que continuo sem o meu computador e, portanto, sem acesso às fotos e aos textos que tinha alinhavados (espero bem que não me formatem o disco!). O segundo motivo deve-se ao facto de que quando escrevi alguns destes textos, o blogue estar ainda na clandestinidade.
Assim estou a torná-los agora mais acessíveis para todos (G'anda desculpa para a falta de produção! Esta arte da desculpa aprende-se em Portugal).
Bem, para dizer a verdade, isto é um espécie de BEST OF... Histórias e Sabores.

E o tema de hoje é.....
Hortênsias, hidrângeas ou hidranjas.
Qualquer um destes nomes serve para designar a bonita flor que está na fotografia.
Esta foto foi tirada perto da Lagoa das Sete Cidades, na ilha de S. Miguel.
Sem sombra de dúvida, os Açores são uma dádiva da Natureza, felizmente ainda longe do turismo de massas que já encontramos na Madeira.
Voltando à hortênsia, esta foi a flor escolhida por D. Pedro, quando regressado do Brasil, passou pelos Açores, antes de desembarcar na praia de Pampelido/Mindelo. Daqui partiu para a Invicta cidade do Porto, iniciando-se a Guerra Civil entre liberais, por ele liderados, e absolutistas liderados pelo seu irmão D. Miguel, que havia restaurado o absolutismo em Portugal, em 1828.

domingo, 17 de setembro de 2006

Estórias da Educação - II

Desculpem-me mas hoje resolvi partilhar convosco um sonho (ou seria um pesadelo) que tive, pois acho-o uma estória, no mínimo, engraçada para não dizer trágica.
Estava eu no meu sonho, entretido a ver televisão, quando passou uma notícia que muito me espantou, ou talvez não, porque neste país já nada nos admira: numa aldeia, da qual, infelizmente, não me lembro o nome, decidiu o Ministério da Educação fechar a Escola Básica Nº 1, ou seja, a antiga Escola Primária.
Dadas as notícias de que iriam fechar centenas de escolas por todo o país por terem menos do 10 alunos, nada a opor. No entanto nem tudo o que parece é, pois a escola em questão tinha 16 alunos. Tendo eu estudado Matemática no tempo em que se tinha de saber a tabuada na ponta da língua, parece-me, e emendem-me se estiver errado, que 16 alunos está claramente acima do número (10 alunos) que fora anunciado pelo governo para o encerramento das escolas do 1º Ciclo, como uma medida tendente a melhorar o ensino em Portugal. (Entretanto chegou notícia de outra com 30 alunos que também fechou. Pergunta: 30 não é mais do que 10?)
Atenção que eu tenho consciência que alguns dos edifícios não têm condições minimamente decentes para albergar alunos e, ao contrário do que alguns pensam, não é preciso ir para as aldeias perdidas na serra para que isso aconteça. Por isso, entendo que, em muitos casos, o encerramento pode trazer vantagens, mas também terá, com certeza, desvantagens. Há que pesar bem os prós e os contras para decidir.
Mas a estória ainda não acaba aqui. Levados para uma “nova” escola, saídos de casa de manhã cedíssimo e regressados ao fim da tarde, com certeza para reforçar os laços familiares dos petizes com os familiares mais chegados (atenção que falamos de uma escola de aldeia e não de uma grande cidade), os alunos são descarregados noutra escola velha, sem refeitório e, para espanto dos pais, é-lhes dito que tinham de levar prato e talheres para poderem comer. Além disso teriam de o fazer na própria sala de aulas.
Mas ainda não é tudo: o Presidente da Junta de Freguesia quando confrontado com este facto afirmou, e reparem bem, não ver onde é que estava o problema pois, nos países mais avançados da Europa, era comum esta situação. Claro que se referia a toda a situação, mas é preciso ter cuidado com a linguagem (já ouvi dizer que o português é uma língua muito traiçoeira) pois, como também aprendi na escola, o geral inclui o particular e daí deduzir-se que também se referia ao facto de os alunos levarem pratos e talheres para a escola. Ainda gostava que me dissesse que país é esse, pois não vá eu visitá-lo em turismo e ter de colocar, neste blogue, uma fotografia minha a comer com as mãos, por não ter levado a baixela de casa para o restaurante.
Com amigos destes na Junta de Freguesia nem precisamos de ter inimigos.
Haja bom senso que, pelos vistos, ao contrário do que acreditávamos, ele não foi igualmente distribuído pelo Criador.
Bem, entretanto tocou o despertador e pude finalmente respirar fundo, pois tudo não passara de um pesadelo. Do que Deus me livrou ao fazer-me nascer num país onde isto não acontece. Ou será que agora é que estou a sonhar?

Estórias da Educação - I

Queria pedir-vos desculpa por não continuar, para já, com as sugestões de locais a visitar mas, com o aproximar do início das aulas, é comum aumentar o número de textos e entrevistas de várias personalidades sobre o estado da educação neste cantinho à beira-mar plantado, bem como decisões do Ministério da Educação. Por estes motivos não resisto a partilhar algumas ideias convosco.
Por favor, leiam-me estas afirmações que saíram na Pública (Revista que sai com o Público de Domingo) do dia 10 de Setembro, da Dr.a Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra:
“… temos um sistema educativo que privilegia as mulheres.”
“São muitos poucos (homens) que estão a ensinar e isso privilegia as raparigas.”
“As meninas estão mais habituadas para perceber o que é que as professoras querem. (…) os caderninhos arranjadinhos, bonitinhos, uma série de valores tradicionais femininos que as professoras têm.”
“…introduzir ciências experimentais no primeiro ciclo vai resolver (...) o insucesso escolar dos rapazes.”
“Tem de haver uma discriminação positiva em relação aos rapazes.”
“E quando chegam à escola (os alunos) e como são mal ensinados e lhes apresentam letras desgarradas, o pa, pe, pi, po, pu, não conseguem aprender a ler.”
O que se pretende com estas afirmações? Não é com toda a certeza mostrar que o ensino está mal, pois isso toda a gente sabe. E quase todos também sabem porquê e aí muitos dos pedagogos que pululam pelo país, também têm culpas no cartório, assim como o próprio Ministério, professores e pais. Veja-se as sistemáticas reformas que, com a intenção de resolver os problemas do ensino, muitas vezes, só os vêm agravar. Hoje, no entanto, de acordo com a teoria dominante, a culpa é sempre dos professores. Mas urge perguntar: Eu que dou aulas há mais de 23 anos, era bom professor há 20 anos e hoje deixei de o ser?
Mas voltando às afirmações, o que pretende a doutora Lucília Salgado? Voltar às escolas para meninas e outras para meninos? E os meninos devem ter professores e as meninas professoras para não haver privilegiados? Achará mesmo que as professoras, e olhem que eu sei do que falo, privilegiam os cadernos com desenhos e muito arranjadinhos? Já agora a organização faz mal a alguém? As meninas não gostam de ciências experimentais? Afinal em que ficamos, meninas com lavores femininos e rapazes com ciências experimentais? Haver discriminação positiva? O que é isso? Não me digam que vamos voltar desenterrar a ideia peregrina de há uns anos atrás, em que houve quem defendesse o estabelecimento de quotas para rapazes no curso de Medicina, alegando que, daí a uns anos, não haveria, por exemplo, urologistas? E que mal tem o pa, pe, pi, po, pu? Não foi assim que a maioria esmagadora dos portugueses aprendeu a ler?
Curiosamente, nesse mesmo dia, o Público trazia a notícia de que, em Inglaterra e em França, houve ordens dos respectivos Ministérios da Educação para se voltar ao Método Silábico, pois o Método Global aumentara os maus resultados a nível da literacia, segundo responsáveis desses países.
Hoje a escola perdeu o aspecto operacional que tinha antigamente. Quando eu estudava, sabia que isso me permitiria ter um futuro melhor, pois estudar permitia-me ter a um trabalho melhor. Hoje, olhando para o número de licenciados desempregados, isso já não é verdade. Também aqui não há total isenção de culpas de quem decide, pois continuam a abrir-se vagas para cursos em que não há saídas profissionais.
Hoje a maioria dos alunos tem quase tudo, desde a melhor roupa, aos modelos mais recente de telemóveis, televisão e computador no quarto, etc.
Assim sendo, estou a lembrar-me de uma frase que um amigo me disse no outro dia, quando trocávamos ideias sobre estes assuntos: “Queria ver alguém dar de beber a um burro que não tem sede.”
Ora aí está um bom desafio para os pedagogos!

sábado, 16 de setembro de 2006

E vão 4 meses e 2500 visitas...

As hortênsias na beira das estradas
A caminho da Lagoa das Sete Cidades
Uma paisagem açoriana

Faz hoje 4 meses que criei este blogue depois de, para isso, ter sido espicaçado pelo meu colega Carlos Moura, a quem deixo, aqui, o agradecimento por me ter incentivado a entrar na blogosfera.
Nessa altura postei uma fotografia de Mérida tirada no decurso de uma visita de estudo que os dois, mais o professor João Xavier, organizámos para os alunos do 10º ano do Curso de Ciências Sociais e Humanas.
Para celerar estes 4 meses de vida e as mais de 2500 visitas assinaladas no contador, decidi interromper a "viagem" que estou a fazer por Portugal Continental e postar aqui umas fotos da ilha açoriana de S. Miguel.
Numa delas as hortênsias sempre presentes por toda a ilha, bordejando as estradas e as lembranças que elas me trazem da guerra civil entre liberais e absolutistas e do dembarque das tropas liberais junto do Porto (posts de 22 de Maio e 17 de Julho). Recordo que se tornaram o símbolo das tropas liberais chefiadas por D. Pedro. Também são conhecidas por Hidranjas ou Hidrângeas.
Noutra fotografia observamos a deslumbrante paisagem que se avista quando iniciamos a descida para Lagoa das Sete Cidades, com a presença constante de um verde que não se encontra em mais lado nenhum.
A terceira fotografia mostra-nos uma outra paisagem observada a partir de um miradouro, quando atravessávamos a ilha de sul para norte, depois de termos saído das Furnas, onde comemos um fenomenal Cozido das Furnas, no restaurante Miroma (post de 23 de Maio).
Posto isto, voltaremos no próximo post ao continente, mas fica já prometida uma volta por alguns locais dos Açores.
Um bem-hajam pelas visitas e espero continuar a encontrar-vos por aqui.
Tozé Franco

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Uma história curiosa(mente) triste.

Tinha pensado um dia destes fazer um post sobre o túmulo de D. Afonso Henriques.
Tive que precipitar a sua publicação, por motivos que, mais uma vez, nos envergonham como país.
Desde algum tempo a esta parte, a investigadora Eugénia Cunha da Universidade de Coimbra, estava a desenvolver um trabalho em Santa Cruz que consistia no estudo das relíquias dos santos e que, neste mosteiro, conforme já vimos, são mais de 5000.
Andando a Igreja em obras, a investigadora ia apoveitar para estudar os restos mortais de D. Afonso Henriques e, provavelmenete, de sua esposa, D. Mafalda, que talvez também se encontre ali sepultada.
Conseguidas as autorizações necessárias da Diocese e da Direcção Regional do Ippar eis, senão quando, a notícia foi conhecida em Lisboa, no Ippar.
Alguém, cioso das prerrogativas, toca de mandar parar tal investigação, pois não havia autorização de Lisboa, a Ministra não sabia, etc, etc, etc.
Até se vai mandar instaurar um inquérito para saber quem foi o (ir)responsável que deu autorização, aqui em Coimbra.
Mal vai o nosso país quando um assunto destes tem de ser autorizado pela Ministra; quando, na época do Choque Tecnológico, não houve um simples telefone para contactar com as "autoridades máximas" que estão em Lisboa, ou será que houve e ninguém ligou; quando continuamos a ser tratados, na "província", como incapazes de decidir algo, sem a autotrização de Lisboa; quando, por vezes, ao fim de meses sem responder a um simples ofício, alguém se lembra que tem poder e, só então, o exerce, prometendo sempre explicações para mais tarde.
Estavam com medo de quê? Que alguém levasse ossos para casa? Que estragassem o túmulo?
Já não se lembram de todo o património que está a cair sem que ninguém faça algo? O Estado não faz por incúria ou falta de meios, os privados, ou a Igreja, neste caso, nada podem fazer sem uma série de autorizações dos primeiros. Faz-me lembrar aquele ditado "Nem comem, nem deixam comer"
Realmente, num país com estas mentalidades, não há Choque Tecnológico que resista, nem Simplex que não passe de propaganda.
Espero, porque ainda quero acreditar neste país, que haja uma justificação suficientemente forte e válida para explicar este imbróglio, sob pena de cairmos no ridículo.
Haja paciência.

sábado, 1 de julho de 2006

Uma Estória Curiosa (Gloriosa) - V

Perdoem-me o desvio mas, hoje, ninguém me pode levar a mal por colocar aqui a fotografia do Figo que penso simbolizar um caso de sucesso, neste país onde tudo parece correr mal.
Quando se questiona sempre a nossa produtividade, quando parece que não há perspectivas de futuro, ou este é muito sombrio, há um grupo de portugueses (incluindo o Deco) que nos mostra que com um bom comando, tudo se pode conseguir/conquistar.
Eu sei que se trata apenas de um jogo, mas não haja dúvidas que há portugueses com sucesso.

Viva Portugal!...

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Estórias Curiosas - IV (Milagre das Rosas)

Um dos milagres que toda as pessoas atribuem à Rainha Santa é o Milagre das Rosas.
No entanto, penso que os principais motivos da sua santidade se devem ao amor que nutria pelos pobres e à luta que travou para pôr fim as guerras que marcaram os reinados do seu marido (D. Dinis) e do seu filho (D. Afonso IV). Deveria, por isso, ser reconhecida com Rainha da Paz.
De facto, o milagre original (das rosas) deve ser atribuído a uma sua tia-avó, Isabel da Hungria (imagem da direita). Esta Isabel, que foi rainha regente da Hungria, também se celebrizou pelo seu amor aos pobres, tendo sido acusada de má gestão e afastada do poder.
Viveu três anos em total pobreza, até que lhe quiseram restituir o poder, o que ela recusou pois apreciou viver na miséria, seguindo o exemplo de uma Ordem Religiosa nascente, a Franciscana. Não nos podemos esquecer que, nesse tempo, era grande a admiração por S. Francisco de Assis com que ela, aliás, se correspondeu. Morreu em 1231, tendo sido canonizada 4 anos depois.
Quando a sua sobrinha-neta nasceu em 1270, era grande o fervor franciscano e o culto de sua tia, daí a escolha do nome. Herdou-lhe o nome e depois o dito Milagre das Rosas, que a pintora Maria Clarice Sarraf tão bem retratou no quadro da esquerda.
Depois de, por várias vezes, ter evitado situações de guerra eminente, acabou por falecer em Estremoz, no dia 4 de Julho de 1336, depois de evitar mais uma guerra entre Portugal e Castela. Logo aí começa a sua fama de Santa não sendo por isso de admirar que, em 1516, D. Manuel tenha solicitado ao Papa Leão X, autorização para se poder fazer o seu culto religioso em Coimbra. Fo canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1625.
Curioso é que no já referido ano de 1516, tenha D. Manuel concedido a Coimbra a divisa da cidade que conhecemos (a tal da princesa Cindazunda).
E se fosse mesmo a Rainha Santa Isabel a figura central do Brasão da cidade de Coimbra?
Autora do quadro representando a Rainha Santa Isabel: Maria Clarice Sarraf

domingo, 25 de junho de 2006

Estórias curiosas - III (continuação)


"Eis a prova do crime" .
Aqui está o Brasão da cidade de Coimbra que está colocado na parte de cima do edifício sede do município.
Como podemos observar a disposição do leão (simbolizando o rei Ataces) e do dragão (simbolizando o rei Hermenerico) estão invertidas relativamente à posição correcta.

Quando passarem pela Praça 8 de Maio (antigo Largo de Sansão), não deixem de dar uma espreitadela para verem este curioso pormenor, antes que, também aqui, a fúria de modernização chegue e este emblema seja substituído pela famosa circunferência interrompida, já aqui referida, que, segundo os seus "criadores", é uma forma estilizada de representação da serpente que, por vezes, aparece no lugar da dragão.

sábado, 24 de junho de 2006

Estórias Curiosas - O Brasão de Coimbra


Com o computador quase pronto, estou a despedir-me da publicação Best off.... Entramos, portanto, nas três últimas republicações. Hoje resolvi voltar à questão do Brasão da minha cidade, Coimbra.
O Brasão da nossa cidade representa uma mulher jovem coroada, como que a sair de um cálice, tendo do lado direito um leão de ouro e do lado esquerdo um dragão verde (no original).
Quando se pergunta à maioria dos conimbricenses quem é a donzela representada, não anda longe dos 100% as repostas afirmando tratar-se da Rainha Santa Isabel, Padroeira da cidade de Coimbra. Tal, porém, não corresponde à verdade.
Segundo uma lenda contada por Frei Bernardo de Brito, o emblema da cidade teria a seguinte explicação:
O rei bárbaro dos Alanos, Ataces, que usava na bandeira um leão dourado, veio, com o seu exército, e destruiu a cidade de Conímbriga, governada por Hermenerico, rei dos Suevos, que tinha como emblema a serpente verde. Depois disso, resolveu construir uma nova cidade nas margens do Mondego, a actual Coimbra. Hermenerico decidiu vingar-se e veio dar luta a Ataces, mas foi novamente vencido e, para obter a paz, consentiu no casamento da sua filha, a Princesa Cindazunda, com o antigo inimigo, Ataces. A história acaba assim com um casamento feliz, tendo Ataces oferecido à cidade nascente o brasão que ainda hoje se mantém.
O Brasão apresenta então, no meio a Princesa Cindazunda, o cálice simboliza o casamento, o leão dourado, o rei Ataces e o dragão verde, o rei Hermenerico.

As actuais armas da Cidade de Coimbra estão definidas pela Portaria nº 6959, de 14 de Novembro de 1930, que diz textualmente:
"Tendo em vista o parecer da Secção Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e atendendo ao que representou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coimbra: manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que a constituição heráldica das armas daquele município seja a seguinte: "De vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro e lampassados de púrpura. Em chefe um busto de mulher, coroada de ouro, vestida de púrpura e com manto de prata, acompanhada por dois escudetes antigos das quinas. Colar da Torre e Espada. Bandeira com um metro quadrado, quarteada de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas. Lança e haste de ouro."

Duas curiosidades à laia de conclusão
1ª- Na fachada da Câmara Municipal de Coimbra é possível ver o brasão com a particularidade de este se encontrar invertido, o leão à esquerda e o dragão à direita. Talvez seja por ter sido esculpido em Lisboa.
2ª - Com um brasão tão bonito, para quê gastar tanto dinheiro para arranjar outro símbolo, para determinados serviços camarários, que, como sabemos, depois de estudos apurados e de muito dinheiro dos contribuintes gasto, resultou numa circunferência cortada, que hoje se vê por aí nos autocarros dos serviços municipalizados e em tudo o que é documento camarário.
Haja paciência que, pelos vistos, dinheiro não falta.

A imagem com o brasão foi retirada do site: http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/